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Greta Garbo e a Duquesa de Langeais

two-faced womenGreta Garbo em “Duas Vezes Meu”, dirigido por George Cukor em 1941. Depois desse filme, Greta Garbo nunca mais seria vista novamente nas telas de cinema.

Desde sua última aparição nas telas em “Duas Vezes Meu” (Two-Faced Woman), Greta Garbo foi diversas vezes procurada pelos estúdios para um possível retorno aos filmes. De todas as ofertas que a diva sueca recebeu e rejeitou, apenas uma esteve muito próxima de se transformar em realidade. Em 1948, a atriz chegou a assinar um contrato para estrelar um filme produzido por Walter Wanger após decidirem que a novela de Honoré de Balzac “A Duquesa de Langeais” (La Duchesse de Langeais, de 1834) seria o veículo perfeito para o retorno de Greta Garbo ao cinema.

Mas Wanger queria filmar na Itália, e chegou a assinar com o ator James Mason para que co-estrelasse o filme. Porém, vários problemas de produção detiveram o início das filmagens. Por conta disso, os principais investidores abandonaram o projeto e o filme foi interrompido várias vezes. Apesar de Wanger ter tentado reiniciar a produção em fevereiro de 1950, ele esbarrou na perda de interesse de Garbo, que retornou a Nova York. Ela continuou recebendo ofertas para voltar, mas nenhuma esteve tão perto de se tornar realidade quanto “A Duquesa de Langeais”.

“Garbo’s Back!”

Walter Wanger, um produtor norte-americano que já havia trabalhado com Garbo no passado (ele produziu “Rainha Cristina” para a MGM em 1933), queria ter a certeza de que o primeiro filme de sua nova produtora, a Walter Wanger International Productions, em sociedade com Eugene Frenke, fosse um grande sucesso de público e de crítica, e nada melhor do que um romance de época que marcasse o retorno da lenda viva Greta Garbo.

A estrela sueca confiava em Wanger e aceitou se encontrar com ele no começo de 1948. Garbo ficou realmente empolgada com a produção e assinou um contrato de um único filme. Foi o primeiro contrato para um filme que ela assinou desde 1940. Mas o romance de Balzac não foi a primeira ideia de roteiro para o novo filme de Garbo. Salka Viertel, atriz, roteirista e amiga pessoal de Garbo, sugeriu uma adaptação da vida da escritora George Sand. Wanger adorou a ideia para o filme, que seria rodado na França, com roteiro escrito por Viertel. Na França, Wanger conseguiu investidores para o filme. Todos queriam que Garbo filmasse na França e Garbo amava a França também.

O primeiro nome escolhido para a direção foi o de G.W. Pabst, o grande cineasta austríaco que já havia dirigido Garbo em seu começo de carreira na Alemanha ainda no período silencioso, “Rua de Lágrimas” (A Joyless Street, de 1925). Mas Pabst não se interessou pela proposta apresentada. Ele queria filmar uma adaptação de Ulisses, onde Garbo viveria um papel-duplo, como Circe e Penélope. Frenke, sócio de Wanger, não concordou porque Pabst tinha má fama na França, e seu nome poderia afastar os possíveis investidores.

O roteiro de “George Sand” escrito por Salka Viertel também não agradou. Ao lado com outros problemas de produção, Wanger reconheceu que seria um grande erro prosseguir com ele e o roteiro foi descartado definitivamente. Ele havia comprado os direitos de filmagem da novela de Balzac, “La Duchesse de Langeais”, e apresentou a ideia de Garbo interpretar a personagem do título. O romance já havia sido transformado em filme em 1922 “The Eternal Flame”, dirigido por Frank Lloyd e estrelado por  Norma Talmadge, e em 1942, produzido na França e dirigido por Jacques de Barobcelli, com Edwige Feuillere como a trágica Duquesa.

garbo-howe-screen-testGreta Garbo sorri no teste de tela que foi obrigada a fazer em 1949 para estrelar “A Duquesa de Langeais”, que marcaria o seu retorno às telas de cinema.

A possibilidade de interpretar a heroína Antoinette de Navarreins da novela de Balzac interessou a Greta Garbo por conta dos temas de romance, vingança e redenção. Além disso, Garbo tinha admiração pela atriz Edwige Feuillere. Wanger arranjou uma apresentação particular do filme em Paris para que Garbo tivesse uma clara ideia de como ela poderia atuar e para se familiarizar um pouco mais com aquela personagem trágica.

A produção finalmente iria começar, com Garbo assinando uma carta aceitando os termos para atuar no filme da Wanger International em 15 de março de 1949. Wanger decidiu rodar na Itália por considerar mais fácil conseguir novos investidores e poder usar as instalações dos estúdios da Cinecittá a um custo muito inferior do que se filmasse na França ou em qualquer outro país.

Outro fator que foi decisivo para Wanger mudar sua produção para a Itália vinha por conta do interesse de Angelo Rizzoli, publicitário italiano e principal responsável por Wanger e Frenke terem conseguido os investidores de que eles precisavam, e com o qual formaram uma parceria para gerenciar os custos e dividir os lucros com o filme. A pós-produção e montagem seriam feitas na Inglaterra, com algumas cenas rodadas nos arredores de Paris. O custo com essas cenas seriam pagos com o dinheiro de outros investidores, os Rothschild, amigos pessoais de Garbo.

Os testes de tela

Greta Garbo chegou em Roma em abril de 1949 com seu companheiro e gerente pessoal George Schlee com a missão de se encontrar com os investidores italianos e usar de todo o charme para convencê-los a investir em seu filme. Uma estratégia que ela nunca precisou utilizar antes. Após o primeiro encontro no hotel, nenhum investidor estava satisfeito pelo fato de Garbo ter usado um grande chapéu que escondia seu rosto. Eles acharam que ela estava escondendo cicatrizes ou sinais de velhice, e decidiram não assinar os cheques até que vissem um teste de tela com Garbo.

Valentine01Quem em são consciência poderia imaginar Garbo em um teste de tela? Aquilo era um insulto. Garbo ainda era Garbo, mas não havia outra saída. Pelo menos três testes de tela foram realizados durante a pré-produção de “A Duquesa de Langeais”. O primeiro teste foi realizado em 5 de Maio de 1949 nos estúdios da Universal por Joseph Valentine, que havia feito um trabalho maravilhoso iluminando Joan Crawford em “Fogueira de Paixões” (Posessed), de 1947, e Ingrid Bergman em “Joana D’Arc”, de 1948.

Valentine filmou cerca de 23 minutos de filme em preto-e-branco. Garbo contou que estava apavorada mas os resultados foram  impressionantes e certamente agradariam os investidores. Valentine, então com 84 anos, foi contratado como diretor de fotografia, mas logo após ter realizado o teste, ele ficou gravemente doente e morreu pouco tempo depois.

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Wanger chamou dois dos melhores cinegrafistas da época: William Daniels e James Wong Howe para realizarem mais testes de tela com fotografia em preto-e-branco.

Howe01Em 25 de Maio, Garbo chegou aos estúdios da United Artists em Hollywood para seu teste de tela com o cinegrafista James Wong Howe. Garbo usava um grande chapéu de palha, um par de calças e uma blusa branca, e distribuía sorrisos. Ela foi para o camarim e 45 minutos depois apareceu no palco maquiada e com o cabelo preso, vestindo uma jaqueta xadrez e um lenço preto. Enquanto Howe analisava como iria montar as luzes e compor a fotografia, Garbo perguntou se poderia fumar um cigarro. Howe consentiu, e a atriz colocou um cigarro em sua piteira. Howe ligou sua câmera e o rosto de Garbo ganhou vida. Cerca de uma hora depois, Garbo se virou para ele: “Suficiente agora?”

Howe concordou. “Bom”, disse ela, “eu acho que vou para casa.”

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Daniels01Algumas horas depois, porém, Garbo se encontrou com William Daniels nos estúdios da Universal, para a qual Daniels trabalhava. Lá ela fez seu terceiro teste de tela. Garbo sentia-se um pouco tímida e temerosa de como ela poderia aparentar durante o teste, mas feliz por reencontrar seu antigo cameraman. Daniels trabalhou com Garbo na maioria de seus filmes na MGM, sendo o primeiro “Terra de Todos” (The Temptress), de 1926, e o último “Ninotcka”, de 1939.

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No dia seguinte, os laboratórios da Pathé em Hollywood revelaram os resultados de ambos os testes. Analisando os testes e as diferenças de estilo, o de Howe aparentava ser mais interessante e ele foi contratado. George Schlee afirmou que haviam sido excelentes e de fato todos eles o foram. Garbo viu os testes e admitiu que ficou muito feliz com os resultados. A grande estrela do cinema ainda não tinha perdido o brilho.

Joseph Valentine’s Screen test:

James Wong Howe’s Screen test:

Os testes acabaram perdidos por quase 40 anos. Em 1989, fragmentos foram encontrados e divulgados para o público após a morte de Greta Garbo em 1990. Conta-se que o teste de Valentine durou cerca de 20 minutos, e os de Howe e Daniels juntos somavam cerca de 13 minutos.

James Mason e Edith Piaf

Investidores convencidos, tudo parecia estar dando certo. Os cenários ficaram prontos em agosto. A principal fotografia foi marcada para começar em setembro de 1949, em Roma, e o lançamento do filme foi planejado para o começo de 1950 para coincidir com o centenário da morte de Balzac. A produção que estava orçada em cerca de 225 mil dólares, porém, acabou subindo para meio milhão de dólares. O salário inicial de Garbo  era 100 mil dólares. Se o filme arrecadasse mais de dois milhões de dólares, ela receberia um adicional de 50 mil mais 15% sobre o lucro.

Wanger teria negociado com grandes estúdios americanos para lançar o filme nos Estados Unidos, entre eles a Columbia Pictures e a RKO, que teria obtido os direitos de distribuição. O apoio do produtor inglês J. Arthur Rank deu a Wanger o apoio financeiro de que ele precisava para poder escalar atores ingleses no filme e realizar a pós-produção na Inglaterra.

La_DuchesseEm 1949, uma revista da Suécia anunciava a volta de Garbo em um filme ao lado de James Mason chamado “Lover and Friend”, distribuído pela RKO Pictures.

Vários atores foram considerados para interpretar o Duque de Langeais, entre eles Errol Flynn, Louis Jourdan, Lawrence Olivier e Robert Cummings. Garbo sugeriu o nome do ator inglês James Mason após tê-lo visto atuar ao lado de Joan Bennett em um filme produzido por Wanger, “Na Teia do Destino” (The Reckless Moment), mas queria conhecê-lo antes. Wanger arranjou um encontro para eles na casa do ator em Berverly Hills. Garbo passou uma tarde agradável na companhia de Mason e sua esposa, sorrindo e brincando no jardim com os filhos do casal.

Anos mais tarde, James Mason lembrou o quanto Garbo estava surpreendente, espontânea, divertida e sorridente. Ele disse que o roteiro do filme não era muito interessante, mas que seria muito interessante para ele atuar ao lado dela. Eles acabaram se tornando amigos, com Garbo visitando o casal Mason algumas vezes depois disso, mas eles nunca conversavam sobre filmes ou sobre o filme que quase fizeram juntos. O salário de Mason seria de 75 mil dólares.

Max Ophuls, que acabaria escolhido para dirigir o filme, pensou em vários atores britânicos para atuar como Armand de Montriveau, entre eles Jack Hawkins,  Frank Allenby,  Geoffrey Keen e Frederick Lester. Ophuls também sugeriu ao produtor Walter Wanger vários outros artistas para compor sua equipe de produção, entre os quais os cenógrafos Jean D’Eaubonne e Leon Barsacq, o técnico de som Joseph de Bretagne, o gerente de produção e assistente de direção Ralph Baum e o editor Michael Luciano.

Sally Benson foi contratada para escrever o roteiro do filme a partir do roteiro original que Frances Marion havia escrito para a versão americana de 1922. O filme ganhou os títulos de “The Duchess Of Langelais” na Inglaterra e “Lover and Friend” na América. Benson tinha escrito os roteiros de “Agora Seremos Felizes” (Meet Me in St. Louis), estrelado por Judy Garland, de 1944, e “A Sombra de uma Dúvida” (Shadow of a Doubt), de Alfred Hitchcock, mas o primeiro esboço de roteiro para “The Duchess” não agradou Wanger. Diziam que Benson tinha problemas com bebida e era negligente no trabalho, e apesar das revisões que fez no roteiro, Wanger pediu a Ophuls que o terminasse.

Wanger teve a ideia de inserir uma canção de Edith Piaf na história. Havia no roteiro duas cenas que se passavam em um café do século 19 e que mostravam uma cantora desiludida do mundo que na opinião de Wanger seria perfeita para ser vivida pela própria Edith Piaf.

Garbo em Technicolor

George Cukor foi a primeira escolha para dirigir o filme que marcaria o retorno de Greta Garbo. Ele tinha sido o responsável pelo último filme dela em Hollywood, “Duas Vezes Meu”, que dirigiu em 1941. Infelizmente, pouco antes ele havia assinado com a MGM para dirigir Katharine Hepburn em “A Costela de Adão” (Adam’s Rib), e outros diretores foram considerados: Robert Siodmak, Mervyn Leroy, Henry Koster e William Dieterle, além de Curtis Bernhardt, Irving Rapper e Vittorio De Sica. Ao assistirem o grande sucesso da Broadway dirigido por Joshua Logan, “South Pacific”, Garbo e Schlee pensaram que ele seria perfeito para dirigir o filme. Logan, porém, nunca aceitou os termos do contrato e a escolha acabou ficando com o diretor franco-alemão Max Ophuls.

Diziam que o contrato de Garbo garantia que ela atuaria em um filme em preto-e-branco, com base no argumento de que a “mística de Garbo” só se beneficiaria em contrastes de preto, branco e cinza. Mas na verdade não havia essa cláusula no contrato, o que aumentou os rumores de que o filme seria feito em Technicolor e que teria havido pelo menos um teste de tela realizado em cores.

Começam os problemas

Parecia que nada poderia dar errado. Mas deu. O plano financeiro de “A Duquesa” começou a ruir quando o orçamento para o filme fugiu ao controle. A presença de Garbo se tornou imediata na Itália para conseguir os recursos adicionais necessários para a produção começar. Assim que chegou em Roma, em 1º de setembro, Garbo foi cercada pelos paparazzi. Ela teve uma reunião com o produtor Giuseppe Amato, com o publicitário Angelo Rizzoli e outros investidores. Walter Wanger estava em uma importante viagem e não pôde ir ao encontro, crucial para o projeto e um dos dias mais perturbadores de toda a carreira de Greta Garbo.

Garbo percebeu que Amato e Rizzoli queriam que ela sorrisse e flertasse com aquele bando de italianos ricos para os convencer a colocar suas fortunas na conta da produtora. Greta disse que não faria isso. Ela ainda era Greta Garbo e não iria servir de “cavalo de circo” para eles. As coisas rapidamente foram de mal a pior: Amato ficou chocado porque Greta achou que ele tinha arranjado os fotógrafos e informado a imprensa de sua presença ali.

Com os custos de produção nas nuvens e o início das filmagens adiado para outubro, a situação ficou tensa no final de setembro quando os jornais italianos disseram que Rizzoli estava deixando o projeto por conta das exigências impossíveis de Garbo, que ela não queria se comprometer enquanto o filme não estivesse totalmente financiado. Wanger e Frenke queriam se livrar dos italianos mas tinham ido longe demais. Eles sabiam que aquilo tudo era mentira, e que embora Garbo tivesse estabelecido certas cláusulas, ela nunca cogitou em pedir aumento de salário ou abandonar o projeto com a saída dos investidores.

La_Duchesse_fanart_posterPoster criado por um fã para o filme de Greta Garbo que nunca aconteceu.

Quando Max Ophuls e James Wong Howe chegaram em Roma, tudo estava mergulhado no caos. Por sua vez, James Mason se recusou a viajar para a Itália até que os termos sobre seu salário e início das filmagens estivessem definidos. Os produtores cogitaram em contratar Errol Flynn ou Louis Jourdan em seu lugar, e enviaram um telegrama para os agentes de Garbo na América informando sobre a possível mudança de protagonista.

Walter Wanger estava descontente com a lentidão e os custos da produção, e principalmente com a presença de Schlee e as tentativas dele de interferir no processo criativo do filme. Para Wanger, Schlee era uma barreira para o seu contato direto com Garbo e acusou Schlee de fazer duras críticas em relação a presença dos investidores estrangeiros no projeto. Por sua vez, Schlee afirmou que Garbo não aceitaria nem Flynn nem Jourdan atuando ao lado dela.

George_Schlee-3Greta Garbo e George Schlee, que ela conheceu em 1941 e com o qual teve um relacionamento que durou até 1960.

Para piorar, um duro golpe foi a falta de instalações disponíveis para as filmagens. A MGM havia reservado todos os estúdios da Cinecittá para a produção de seu drama épico “Quo Vadis”. Henry Henigson, alto executivo da MGM, chegou a oferecer a Wanger as instalações desde que ele começasse a rodar imediatamente e concluísse as filmagens a tempo do início da produção de seu filme. Sem o apoio de Rizzoli e sem um homem de comando em Roma, isso se tornou impossível.

Sally Benson deu prosseguimento às más notícias quando decidiu processar a Wanger International por quebra de contrato. As mudanças feitas por Max Ophuls no roteiro original de “A Duquesa” levantaram a ira dos moralistas de plantão. O chefe do Código de Produção Joseph Breen informou os produtores que o roteiro de Benson/Ophuls era inaceitável para os padrões da época. Em novembro, Wanger decidiu liberar Ophuls para que realizasse na França aquele que seria considerado um de seus melhores trabalhos: “Conflitos de Amor” (La Ronde), de 1950.

Finalmente, os investidores italianos abandonaram o projeto. Garbo perdeu a fé no filme. Sem dinheiro para o filme, Wanger precisou recomeçar, buscando o apoio de algum grande estúdio de Hollywood. Howard Hughes demonstrou interesse e chegou a ser dito que ele iria investir o meio milhão necessário para salvar a produção, mas como o próprio Hughes estava enfrentando problemas financeiros na época, ele só poderia financiar parte do filme.

Nunca mais um filme de Garbo

Em janeiro de 1950, Wanger convocou uma reunião com a imprensa. Ele anunciou oficialmente o adiamento do filme, dizendo que não culpava Garbo pelo atraso e desmentiu todos os rumores de que ela estava velha demais. Pelo contrário, que Garbo estava agora mais linda do que nunca, ainda mais fluente no inglês e que ela iria encantar mais do que antes no próximo filme que fizesse.

Por sua vez, Garbo confidenciou ao amigo Cecil Beaton, que conheceu em Paris, o tempo enorme que perdeu e que a impediu de realizar outros trabalhos. Garbo afirmou que essas “pessoas de filmes” são muito difíceis de lidar e que elas mentem o tempo todo, e que ainda tinha esperanças de trabalhar no filme no futuro, mas que não era nada agradável trabalhar para pessoas que você não gosta.

Wanger não desistiu do filme. Ele tentou novos financiamentos, inclusive propondo que Garbo atuasse sem salário e investisse seu próprio dinheiro no filme, ficando com a maior parte dos lucros. Nem Garbo nem Schlee ficaram muito interessados, nem os grandes estúdios sondados, como RKO, Paramount, Columbia, Warner e 20th Century Fox. Wanger tentou uma última vez convencer Garbo e escreveu uma carta pessoal para ela em fevereiro de 1950. Mas era o fim. Garbo pediu a liberação de seu contrato e voltou, triste, para Nova York. Ela queria muito ter feito esse filme e o filme esteve realmente muito, muito perto de acontecer.

walter-wanger_39Muito rumores foram ditos na época e acusações foram feitas de todos os lados. Mas os motivos principais porque “A Duquesa de Langeais” nunca foi realizado foi a desistência dos investidores italianos e as diferenças entre Walter Wanger e George Schlee, que nunca se entenderam. Muitos acusaram Schlee de ter sido o responsável pelo fiasco do filme e por conta disso, Greta Garbo nunca mais retornou ao cinema. Nunca se estabeleceu o grau de relacionamento entre Garbo e Schlee, que era casado com Valentina, figurinista de Garbo em Nova York, onde se conheceram em 1941. Schlee tinha uma bem protegida casa na Riviera, conhecida como “Garbo’s house”. Quando ele morreu em 1964, Garbo ficou profundamente chocada. Ela se importava muito com ele e sentiu muito a sua falta até o fim da vida.

Walter Wanger, que começou a carreira no final dos anos 20, ainda era um produtor de sucesso em Hollywood, quando em 1951, levado pelo ciúmes disparou um tiro contra o agente de sua esposa Joan Bennett, Jennings Lang, acusando-os de terem um caso. Entre os filmes mais importantes que produziu posteriormente estão “Vampiros de Alma”, o clássico de ficção-científica dirigido por Don Siegel em 1956, “Quero Viver!”, dirigido por Robert Wise em 1958 e que deu o Oscar de atriz à Susan Hayworth, e a mal fadada produção “Cleópatra”, estrelada por Elizabeth Taylor em 1963. Depois de ter se separado de Joan Bennett em 1965, Wanger faleceria em 1968, aos 74 anos.

A fonte para este artigo está no site www.garboforever.com. Informações adicionais foram obtidas nos sites IMDb e Wikipedia.

Feliz Aniversário, Mrs. Hepburn

Hoje, 4 de Maio, a inesquecível atriz Audrey Hepburn estaria completando 85 anos de idade. Para homenagear a atriz em seu 85º aniversário, Google criou um Doodle para ela em sua página inicial:

audrey-hepburn-85th-birthdayVocê pode ler mais sobre ela – e ver lindas fotos – em meu tributo para uma das maiores divas de Hollywood de todos os tempos clicando aqui.

Por favor, visite o site oficial da atriz e saiba como ajudar o Fundo Audrey Hepburn para a Infância: http://www.audreyhepburn.com/

audrey-hepburnAté o final da Segunda Guerra Mundial, sem água ou eletricidade em sua casa na Holanda, Audrey e sua família estavam comendo bulbos de tulipas para permanecerem vivos.

audrey-oscarAudrey Hepburn recebe um Oscar por sua primeira aparição em um filme norte-americano, “A Princesa e o Plebeu”, em 1954. Seu co-astro Gregory Peck, foi inicialmente definido para ter seu nome na parte superior dos cartazes de publicidade, mas Peck fez os executivos da Paramount alterá-los, dizendo: “Sou inteligente o suficiente para saber que essa menina vai ganhar o Oscar em seu primeiro filme, e eu vou parecer um tolo, se o nome dela não estiver lá em cima com o meu. “

audrey-fawnAudrey Hepburn ganha um beijo da corça que apareceu no filme “Green Mansions”, de 1959, no qual ela estrelou. Ela acabou mantendo-o como um animal de estimação temporariamente.

audrey-unicefLogo depois de se tornar embaixadora da UNICEF, Audrey Hepburn foi em uma missão à Etiópia, onde anos de seca e guerra civil causaram uma fome terrível.

TRIBUTO:

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Reblogado do meu outro blog All That I Love.

Douglas Fairbanks e Mary Pickford

OS  PRIMEIROS REI E RAINHA DE HOLLYWOOD

Ela foi a primeira “namoradinha da América”, ele o primeiro rei de Hollywood. Juntos, Mary Pickford e Douglas Fairbanks se tornaram o casal mais celebrado da era silenciosa do cinema.

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Mary Pickford e Douglas Fairbanks já eram casados quando se conheceram em 1916. Ela era casada com Owen Moore, ator de segunda e alcóolatra inveterado, e ele era casado com a socialite Beth Sully, com quem teve um filho, Douglas Fairbanks Jr. Ambos mantiveram o romance em secredo durante anos até Mary conseguir o divórcio de Moore em Março de 1920, e Fairbanks se divorciar em novembro do ano anterior. Uma semana depois do divórcio assinado, Mary Pickford se casou com Douglas Fairbanks em uma cerimônia simples. O estado de Nevada, porém, contestou o divórcio (o problema não foi resolvido até 1922), e o casal temia uma repercussão negativa na mídia, mas os fãs celebraram a união e seguiam o casal onde quer que ele fosse. A lua-de-mel na Europa foi concorrida com os fãs cercando o casal nas ruas e obrigando ambos a permanecerem a maior parte do tempo no hotel.

pickfair_06A verdade é que além do enorme carisma, o casal Pickfair (uma tendência dos norte-americanos em unir os sobrenomes de casais famosos já vem desde aquela época) sabia como ninguém escolher os filmes que estrelavam. Mary Pickford e Douglas Fairbanks fizeram alguns dos filmes mais bem sucedidos do período do cinema mudo. Juntos com Charles Chaplin e D.W. Griffith fundaram o estúdio United Artists, em um esforço inédito de realizadores de cinema para terem o controle criativo total sobre seus filmes e de tirar uma fatia maior dos lucros. A UA foi fundada em 5 de fevereiro de 1919 para fazer frente às grandes corporações cinematográficas da época que já começavam a dominar o mercado. Como produtora independente, a UA atuava também na distribuição dos filmes, contratando e consagrando realizadores em começo de carreira como Walt Disney, Alexander Korda e David O. Selznick.

Mary e Douglas foram também os primeiros atores a imortalizar suas mãos em concreto na frente do Grauman’s Chinese Theatre. Em 1920, ele comprou um enorme terreno e reformou o lugar para erguer ali uma mansão de 22 quartos, batizada de “Pickfair”. Os dois artistas, atuando como uma espécie de embaixadores de Hollywood, promoviam festas luxuosas e se divertiam convidando para elas as personalidades mais importantes da época. Ser convidado para frequentar a Pickfair, era como ser admitido no círculo fechado da verdadeira realeza.

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Ironicamente, as atividades públicas nas quais o casal era frequentemente visto junto e que promoveram o romance secreto entre eles, também foram a razão de seu afastamento. Entre trabalho, negócios e carreira individual, o casal raramente tinha tempo para ficar a sós. Ao mesmo tempo em que envelheciam, tanto Mary quanto Douglas insistiam em continuar atuando em filmes como se tivessem a idade de seus personagens nas telas. Ela era sempre a menininha adolescente, tímida e sonhadora, ele sempre o jovem aventureiro e fanfarrão. Não conseguindo dar um novo rumo às suas carreiras, e já no advento do cinema sonoro, as carreiras de ambos se desvaneceram. Tanto Mary quanto Douglas começariam casos extraconjugais. Ainda em 1927, no set de “Meu Único Amor”, Mary conheceu e se apaixonou pelo galã Charles “Buddy” Rogers, doze anos mais novo do que ela, que vinha do sucesso estrondoso obtido em “Asas”, filmado no mesmo ano. Durante uma viagem à Europa, Fairbanks começou um romance com a socialite inglesa Lady Sylvia Ashley. Ao saber do caso, Mary Pickford pediu o divórcio, que veio em 1933.

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Mary declarou que Douglas era “o garoto que nunca cresceu” e “na sua vida particular, Douglas sempre enfrentou essa situação da única maneira que conhecia, fugindo dela”. Douglas Fairbanks se casou com Lady Ashley logo após o divórcio com Mary, e continuou casado com ela até sua morte, em dezembro de 1939 de ataque cardíaco, aos 56 anos. Suas últimas palavras foram “Eu nunca me senti melhor”. Após o divórcio com Fairbanks, Mary e Charles Rogers se casaram em 1937, e moraram juntos na mansão Pickfair, que ficou para Mary na divisão dos bens. Mary aposentou-se das telas em 1933, mas continuou trabalhando na produção de filmes. Devido à um aborto sofrido na juventude, Mary não podia ter filhos e o casal adotou um menino, Ronald, e uma menina, Roxanne, nos anos 40. Nessa época, Mary raramente era vista em público e aos poucos foi se tornando reclusa. Em 1952 ela e Chaplin venderam a United Artists para Arthur Krim. mais tarde o estúdio seria comprado pela MGM. Mary Pickford morreria em 1979, aos 87 anos de idade.

Em todos os anos em que estiveram em frente às telas, o casal Mary Pickford e Douglas Fairbanks atuou junto pouquíssimas vezes. Seus rostos são vistos em cena de multidão em “Ben-Hur”, de 1925. No filme “Black Pirate”, estrelado por Douglas Fairbanks, no final da trama, quem o ator abraça não é a co-protagonista Billie Dove, mas sim a sua esposa Mary Pickford (não creditada). Em 1927, o filme russo “A Kiss From Mary Pickford”, dirigido por Sergei Komarov, utilizava cenas da visita do casal à URSS. Na história, ambos surgem como eles mesmos. Em “The Gaucho”, novamente estrelado por Fairbanks, Mary faz uma participação não creditada como a Virgem Maria.

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O único filme realmente estrelado pelo casal viria apenas em 1929, já no período sonoro, “The Taming of the Shrew”, uma comédia romântica baseada na peça de William Shakespeare. Foi uma tentativa de ambos salvarem suas carreiras, já em franco declínio. O filme, porém, foi um fracasso de bilheteria. Mary ainda faria mais dois filmes, “Kiki” e “Secrets”, antes de sair de cena. Fairbanks seria visto ainda em “Reaching for the Moon” (1930), “Around the World in 80 Minutes” (1931), “Mr. Robinson Crusoe” (1932) e “The Private Life of Don Juan” (1934).

Em janeiro de 1988, a mansão Pickfair, que estava em posse de Jerry Buss, dono do Los Angeles Lakers, foi vendida para a famigerada atriz Pia Zadora e seu marido, o negociante Meshulam Riklis. Ela mandou colocar tudo abaixo para construir sua própria residência, segundo ela por estar “cheia de cupins”. E assim foi destruída uma das últimas remanescências da idade de ouro do cinema norte-americano.