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Greta Garbo e a Duquesa de Langeais

two-faced womenGreta Garbo em “Duas Vezes Meu”, dirigido por George Cukor em 1941. Depois desse filme, Greta Garbo nunca mais seria vista novamente nas telas de cinema.

Desde sua última aparição nas telas em “Duas Vezes Meu” (Two-Faced Woman), Greta Garbo foi diversas vezes procurada pelos estúdios para um possível retorno aos filmes. De todas as ofertas que a diva sueca recebeu e rejeitou, apenas uma esteve muito próxima de se transformar em realidade. Em 1948, a atriz chegou a assinar um contrato para estrelar um filme produzido por Walter Wanger após decidirem que a novela de Honoré de Balzac “A Duquesa de Langeais” (La Duchesse de Langeais, de 1834) seria o veículo perfeito para o retorno de Greta Garbo ao cinema.

Mas Wanger queria filmar na Itália, e chegou a assinar com o ator James Mason para que co-estrelasse o filme. Porém, vários problemas de produção detiveram o início das filmagens. Por conta disso, os principais investidores abandonaram o projeto e o filme foi interrompido várias vezes. Apesar de Wanger ter tentado reiniciar a produção em fevereiro de 1950, ele esbarrou na perda de interesse de Garbo, que retornou a Nova York. Ela continuou recebendo ofertas para voltar, mas nenhuma esteve tão perto de se tornar realidade quanto “A Duquesa de Langeais”.

“Garbo’s Back!”

Walter Wanger, um produtor norte-americano que já havia trabalhado com Garbo no passado (ele produziu “Rainha Cristina” para a MGM em 1933), queria ter a certeza de que o primeiro filme de sua nova produtora, a Walter Wanger International Productions, em sociedade com Eugene Frenke, fosse um grande sucesso de público e de crítica, e nada melhor do que um romance de época que marcasse o retorno da lenda viva Greta Garbo.

A estrela sueca confiava em Wanger e aceitou se encontrar com ele no começo de 1948. Garbo ficou realmente empolgada com a produção e assinou um contrato de um único filme. Foi o primeiro contrato para um filme que ela assinou desde 1940. Mas o romance de Balzac não foi a primeira ideia de roteiro para o novo filme de Garbo. Salka Viertel, atriz, roteirista e amiga pessoal de Garbo, sugeriu uma adaptação da vida da escritora George Sand. Wanger adorou a ideia para o filme, que seria rodado na França, com roteiro escrito por Viertel. Na França, Wanger conseguiu investidores para o filme. Todos queriam que Garbo filmasse na França e Garbo amava a França também.

O primeiro nome escolhido para a direção foi o de G.W. Pabst, o grande cineasta austríaco que já havia dirigido Garbo em seu começo de carreira na Alemanha ainda no período silencioso, “Rua de Lágrimas” (A Joyless Street, de 1925). Mas Pabst não se interessou pela proposta apresentada. Ele queria filmar uma adaptação de Ulisses, onde Garbo viveria um papel-duplo, como Circe e Penélope. Frenke, sócio de Wanger, não concordou porque Pabst tinha má fama na França, e seu nome poderia afastar os possíveis investidores.

O roteiro de “George Sand” escrito por Salka Viertel também não agradou. Ao lado com outros problemas de produção, Wanger reconheceu que seria um grande erro prosseguir com ele e o roteiro foi descartado definitivamente. Ele havia comprado os direitos de filmagem da novela de Balzac, “La Duchesse de Langeais”, e apresentou a ideia de Garbo interpretar a personagem do título. O romance já havia sido transformado em filme em 1922 “The Eternal Flame”, dirigido por Frank Lloyd e estrelado por  Norma Talmadge, e em 1942, produzido na França e dirigido por Jacques de Barobcelli, com Edwige Feuillere como a trágica Duquesa.

garbo-howe-screen-testGreta Garbo sorri no teste de tela que foi obrigada a fazer em 1949 para estrelar “A Duquesa de Langeais”, que marcaria o seu retorno às telas de cinema.

A possibilidade de interpretar a heroína Antoinette de Navarreins da novela de Balzac interessou a Greta Garbo por conta dos temas de romance, vingança e redenção. Além disso, Garbo tinha admiração pela atriz Edwige Feuillere. Wanger arranjou uma apresentação particular do filme em Paris para que Garbo tivesse uma clara ideia de como ela poderia atuar e para se familiarizar um pouco mais com aquela personagem trágica.

A produção finalmente iria começar, com Garbo assinando uma carta aceitando os termos para atuar no filme da Wanger International em 15 de março de 1949. Wanger decidiu rodar na Itália por considerar mais fácil conseguir novos investidores e poder usar as instalações dos estúdios da Cinecittá a um custo muito inferior do que se filmasse na França ou em qualquer outro país.

Outro fator que foi decisivo para Wanger mudar sua produção para a Itália vinha por conta do interesse de Angelo Rizzoli, publicitário italiano e principal responsável por Wanger e Frenke terem conseguido os investidores de que eles precisavam, e com o qual formaram uma parceria para gerenciar os custos e dividir os lucros com o filme. A pós-produção e montagem seriam feitas na Inglaterra, com algumas cenas rodadas nos arredores de Paris. O custo com essas cenas seriam pagos com o dinheiro de outros investidores, os Rothschild, amigos pessoais de Garbo.

Os testes de tela

Greta Garbo chegou em Roma em abril de 1949 com seu companheiro e gerente pessoal George Schlee com a missão de se encontrar com os investidores italianos e usar de todo o charme para convencê-los a investir em seu filme. Uma estratégia que ela nunca precisou utilizar antes. Após o primeiro encontro no hotel, nenhum investidor estava satisfeito pelo fato de Garbo ter usado um grande chapéu que escondia seu rosto. Eles acharam que ela estava escondendo cicatrizes ou sinais de velhice, e decidiram não assinar os cheques até que vissem um teste de tela com Garbo.

Valentine01Quem em são consciência poderia imaginar Garbo em um teste de tela? Aquilo era um insulto. Garbo ainda era Garbo, mas não havia outra saída. Pelo menos três testes de tela foram realizados durante a pré-produção de “A Duquesa de Langeais”. O primeiro teste foi realizado em 5 de Maio de 1949 nos estúdios da Universal por Joseph Valentine, que havia feito um trabalho maravilhoso iluminando Joan Crawford em “Fogueira de Paixões” (Posessed), de 1947, e Ingrid Bergman em “Joana D’Arc”, de 1948.

Valentine filmou cerca de 23 minutos de filme em preto-e-branco. Garbo contou que estava apavorada mas os resultados foram  impressionantes e certamente agradariam os investidores. Valentine, então com 84 anos, foi contratado como diretor de fotografia, mas logo após ter realizado o teste, ele ficou gravemente doente e morreu pouco tempo depois.

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Wanger chamou dois dos melhores cinegrafistas da época: William Daniels e James Wong Howe para realizarem mais testes de tela com fotografia em preto-e-branco.

Howe01Em 25 de Maio, Garbo chegou aos estúdios da United Artists em Hollywood para seu teste de tela com o cinegrafista James Wong Howe. Garbo usava um grande chapéu de palha, um par de calças e uma blusa branca, e distribuía sorrisos. Ela foi para o camarim e 45 minutos depois apareceu no palco maquiada e com o cabelo preso, vestindo uma jaqueta xadrez e um lenço preto. Enquanto Howe analisava como iria montar as luzes e compor a fotografia, Garbo perguntou se poderia fumar um cigarro. Howe consentiu, e a atriz colocou um cigarro em sua piteira. Howe ligou sua câmera e o rosto de Garbo ganhou vida. Cerca de uma hora depois, Garbo se virou para ele: “Suficiente agora?”

Howe concordou. “Bom”, disse ela, “eu acho que vou para casa.”

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Daniels01Algumas horas depois, porém, Garbo se encontrou com William Daniels nos estúdios da Universal, para a qual Daniels trabalhava. Lá ela fez seu terceiro teste de tela. Garbo sentia-se um pouco tímida e temerosa de como ela poderia aparentar durante o teste, mas feliz por reencontrar seu antigo cameraman. Daniels trabalhou com Garbo na maioria de seus filmes na MGM, sendo o primeiro “Terra de Todos” (The Temptress), de 1926, e o último “Ninotcka”, de 1939.

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No dia seguinte, os laboratórios da Pathé em Hollywood revelaram os resultados de ambos os testes. Analisando os testes e as diferenças de estilo, o de Howe aparentava ser mais interessante e ele foi contratado. George Schlee afirmou que haviam sido excelentes e de fato todos eles o foram. Garbo viu os testes e admitiu que ficou muito feliz com os resultados. A grande estrela do cinema ainda não tinha perdido o brilho.

Joseph Valentine’s Screen test:

James Wong Howe’s Screen test:

Os testes acabaram perdidos por quase 40 anos. Em 1989, fragmentos foram encontrados e divulgados para o público após a morte de Greta Garbo em 1990. Conta-se que o teste de Valentine durou cerca de 20 minutos, e os de Howe e Daniels juntos somavam cerca de 13 minutos.

James Mason e Edith Piaf

Investidores convencidos, tudo parecia estar dando certo. Os cenários ficaram prontos em agosto. A principal fotografia foi marcada para começar em setembro de 1949, em Roma, e o lançamento do filme foi planejado para o começo de 1950 para coincidir com o centenário da morte de Balzac. A produção que estava orçada em cerca de 225 mil dólares, porém, acabou subindo para meio milhão de dólares. O salário inicial de Garbo  era 100 mil dólares. Se o filme arrecadasse mais de dois milhões de dólares, ela receberia um adicional de 50 mil mais 15% sobre o lucro.

Wanger teria negociado com grandes estúdios americanos para lançar o filme nos Estados Unidos, entre eles a Columbia Pictures e a RKO, que teria obtido os direitos de distribuição. O apoio do produtor inglês J. Arthur Rank deu a Wanger o apoio financeiro de que ele precisava para poder escalar atores ingleses no filme e realizar a pós-produção na Inglaterra.

La_DuchesseEm 1949, uma revista da Suécia anunciava a volta de Garbo em um filme ao lado de James Mason chamado “Lover and Friend”, distribuído pela RKO Pictures.

Vários atores foram considerados para interpretar o Duque de Langeais, entre eles Errol Flynn, Louis Jourdan, Lawrence Olivier e Robert Cummings. Garbo sugeriu o nome do ator inglês James Mason após tê-lo visto atuar ao lado de Joan Bennett em um filme produzido por Wanger, “Na Teia do Destino” (The Reckless Moment), mas queria conhecê-lo antes. Wanger arranjou um encontro para eles na casa do ator em Berverly Hills. Garbo passou uma tarde agradável na companhia de Mason e sua esposa, sorrindo e brincando no jardim com os filhos do casal.

Anos mais tarde, James Mason lembrou o quanto Garbo estava surpreendente, espontânea, divertida e sorridente. Ele disse que o roteiro do filme não era muito interessante, mas que seria muito interessante para ele atuar ao lado dela. Eles acabaram se tornando amigos, com Garbo visitando o casal Mason algumas vezes depois disso, mas eles nunca conversavam sobre filmes ou sobre o filme que quase fizeram juntos. O salário de Mason seria de 75 mil dólares.

Max Ophuls, que acabaria escolhido para dirigir o filme, pensou em vários atores britânicos para atuar como Armand de Montriveau, entre eles Jack Hawkins,  Frank Allenby,  Geoffrey Keen e Frederick Lester. Ophuls também sugeriu ao produtor Walter Wanger vários outros artistas para compor sua equipe de produção, entre os quais os cenógrafos Jean D’Eaubonne e Leon Barsacq, o técnico de som Joseph de Bretagne, o gerente de produção e assistente de direção Ralph Baum e o editor Michael Luciano.

Sally Benson foi contratada para escrever o roteiro do filme a partir do roteiro original que Frances Marion havia escrito para a versão americana de 1922. O filme ganhou os títulos de “The Duchess Of Langelais” na Inglaterra e “Lover and Friend” na América. Benson tinha escrito os roteiros de “Agora Seremos Felizes” (Meet Me in St. Louis), estrelado por Judy Garland, de 1944, e “A Sombra de uma Dúvida” (Shadow of a Doubt), de Alfred Hitchcock, mas o primeiro esboço de roteiro para “The Duchess” não agradou Wanger. Diziam que Benson tinha problemas com bebida e era negligente no trabalho, e apesar das revisões que fez no roteiro, Wanger pediu a Ophuls que o terminasse.

Wanger teve a ideia de inserir uma canção de Edith Piaf na história. Havia no roteiro duas cenas que se passavam em um café do século 19 e que mostravam uma cantora desiludida do mundo que na opinião de Wanger seria perfeita para ser vivida pela própria Edith Piaf.

Garbo em Technicolor

George Cukor foi a primeira escolha para dirigir o filme que marcaria o retorno de Greta Garbo. Ele tinha sido o responsável pelo último filme dela em Hollywood, “Duas Vezes Meu”, que dirigiu em 1941. Infelizmente, pouco antes ele havia assinado com a MGM para dirigir Katharine Hepburn em “A Costela de Adão” (Adam’s Rib), e outros diretores foram considerados: Robert Siodmak, Mervyn Leroy, Henry Koster e William Dieterle, além de Curtis Bernhardt, Irving Rapper e Vittorio De Sica. Ao assistirem o grande sucesso da Broadway dirigido por Joshua Logan, “South Pacific”, Garbo e Schlee pensaram que ele seria perfeito para dirigir o filme. Logan, porém, nunca aceitou os termos do contrato e a escolha acabou ficando com o diretor franco-alemão Max Ophuls.

Diziam que o contrato de Garbo garantia que ela atuaria em um filme em preto-e-branco, com base no argumento de que a “mística de Garbo” só se beneficiaria em contrastes de preto, branco e cinza. Mas na verdade não havia essa cláusula no contrato, o que aumentou os rumores de que o filme seria feito em Technicolor e que teria havido pelo menos um teste de tela realizado em cores.

Começam os problemas

Parecia que nada poderia dar errado. Mas deu. O plano financeiro de “A Duquesa” começou a ruir quando o orçamento para o filme fugiu ao controle. A presença de Garbo se tornou imediata na Itália para conseguir os recursos adicionais necessários para a produção começar. Assim que chegou em Roma, em 1º de setembro, Garbo foi cercada pelos paparazzi. Ela teve uma reunião com o produtor Giuseppe Amato, com o publicitário Angelo Rizzoli e outros investidores. Walter Wanger estava em uma importante viagem e não pôde ir ao encontro, crucial para o projeto e um dos dias mais perturbadores de toda a carreira de Greta Garbo.

Garbo percebeu que Amato e Rizzoli queriam que ela sorrisse e flertasse com aquele bando de italianos ricos para os convencer a colocar suas fortunas na conta da produtora. Greta disse que não faria isso. Ela ainda era Greta Garbo e não iria servir de “cavalo de circo” para eles. As coisas rapidamente foram de mal a pior: Amato ficou chocado porque Greta achou que ele tinha arranjado os fotógrafos e informado a imprensa de sua presença ali.

Com os custos de produção nas nuvens e o início das filmagens adiado para outubro, a situação ficou tensa no final de setembro quando os jornais italianos disseram que Rizzoli estava deixando o projeto por conta das exigências impossíveis de Garbo, que ela não queria se comprometer enquanto o filme não estivesse totalmente financiado. Wanger e Frenke queriam se livrar dos italianos mas tinham ido longe demais. Eles sabiam que aquilo tudo era mentira, e que embora Garbo tivesse estabelecido certas cláusulas, ela nunca cogitou em pedir aumento de salário ou abandonar o projeto com a saída dos investidores.

La_Duchesse_fanart_posterPoster criado por um fã para o filme de Greta Garbo que nunca aconteceu.

Quando Max Ophuls e James Wong Howe chegaram em Roma, tudo estava mergulhado no caos. Por sua vez, James Mason se recusou a viajar para a Itália até que os termos sobre seu salário e início das filmagens estivessem definidos. Os produtores cogitaram em contratar Errol Flynn ou Louis Jourdan em seu lugar, e enviaram um telegrama para os agentes de Garbo na América informando sobre a possível mudança de protagonista.

Walter Wanger estava descontente com a lentidão e os custos da produção, e principalmente com a presença de Schlee e as tentativas dele de interferir no processo criativo do filme. Para Wanger, Schlee era uma barreira para o seu contato direto com Garbo e acusou Schlee de fazer duras críticas em relação a presença dos investidores estrangeiros no projeto. Por sua vez, Schlee afirmou que Garbo não aceitaria nem Flynn nem Jourdan atuando ao lado dela.

George_Schlee-3Greta Garbo e George Schlee, que ela conheceu em 1941 e com o qual teve um relacionamento que durou até 1960.

Para piorar, um duro golpe foi a falta de instalações disponíveis para as filmagens. A MGM havia reservado todos os estúdios da Cinecittá para a produção de seu drama épico “Quo Vadis”. Henry Henigson, alto executivo da MGM, chegou a oferecer a Wanger as instalações desde que ele começasse a rodar imediatamente e concluísse as filmagens a tempo do início da produção de seu filme. Sem o apoio de Rizzoli e sem um homem de comando em Roma, isso se tornou impossível.

Sally Benson deu prosseguimento às más notícias quando decidiu processar a Wanger International por quebra de contrato. As mudanças feitas por Max Ophuls no roteiro original de “A Duquesa” levantaram a ira dos moralistas de plantão. O chefe do Código de Produção Joseph Breen informou os produtores que o roteiro de Benson/Ophuls era inaceitável para os padrões da época. Em novembro, Wanger decidiu liberar Ophuls para que realizasse na França aquele que seria considerado um de seus melhores trabalhos: “Conflitos de Amor” (La Ronde), de 1950.

Finalmente, os investidores italianos abandonaram o projeto. Garbo perdeu a fé no filme. Sem dinheiro para o filme, Wanger precisou recomeçar, buscando o apoio de algum grande estúdio de Hollywood. Howard Hughes demonstrou interesse e chegou a ser dito que ele iria investir o meio milhão necessário para salvar a produção, mas como o próprio Hughes estava enfrentando problemas financeiros na época, ele só poderia financiar parte do filme.

Nunca mais um filme de Garbo

Em janeiro de 1950, Wanger convocou uma reunião com a imprensa. Ele anunciou oficialmente o adiamento do filme, dizendo que não culpava Garbo pelo atraso e desmentiu todos os rumores de que ela estava velha demais. Pelo contrário, que Garbo estava agora mais linda do que nunca, ainda mais fluente no inglês e que ela iria encantar mais do que antes no próximo filme que fizesse.

Por sua vez, Garbo confidenciou ao amigo Cecil Beaton, que conheceu em Paris, o tempo enorme que perdeu e que a impediu de realizar outros trabalhos. Garbo afirmou que essas “pessoas de filmes” são muito difíceis de lidar e que elas mentem o tempo todo, e que ainda tinha esperanças de trabalhar no filme no futuro, mas que não era nada agradável trabalhar para pessoas que você não gosta.

Wanger não desistiu do filme. Ele tentou novos financiamentos, inclusive propondo que Garbo atuasse sem salário e investisse seu próprio dinheiro no filme, ficando com a maior parte dos lucros. Nem Garbo nem Schlee ficaram muito interessados, nem os grandes estúdios sondados, como RKO, Paramount, Columbia, Warner e 20th Century Fox. Wanger tentou uma última vez convencer Garbo e escreveu uma carta pessoal para ela em fevereiro de 1950. Mas era o fim. Garbo pediu a liberação de seu contrato e voltou, triste, para Nova York. Ela queria muito ter feito esse filme e o filme esteve realmente muito, muito perto de acontecer.

walter-wanger_39Muito rumores foram ditos na época e acusações foram feitas de todos os lados. Mas os motivos principais porque “A Duquesa de Langeais” nunca foi realizado foi a desistência dos investidores italianos e as diferenças entre Walter Wanger e George Schlee, que nunca se entenderam. Muitos acusaram Schlee de ter sido o responsável pelo fiasco do filme e por conta disso, Greta Garbo nunca mais retornou ao cinema. Nunca se estabeleceu o grau de relacionamento entre Garbo e Schlee, que era casado com Valentina, figurinista de Garbo em Nova York, onde se conheceram em 1941. Schlee tinha uma bem protegida casa na Riviera, conhecida como “Garbo’s house”. Quando ele morreu em 1964, Garbo ficou profundamente chocada. Ela se importava muito com ele e sentiu muito a sua falta até o fim da vida.

Walter Wanger, que começou a carreira no final dos anos 20, ainda era um produtor de sucesso em Hollywood, quando em 1951, levado pelo ciúmes disparou um tiro contra o agente de sua esposa Joan Bennett, Jennings Lang, acusando-os de terem um caso. Entre os filmes mais importantes que produziu posteriormente estão “Vampiros de Alma”, o clássico de ficção-científica dirigido por Don Siegel em 1956, “Quero Viver!”, dirigido por Robert Wise em 1958 e que deu o Oscar de atriz à Susan Hayworth, e a mal fadada produção “Cleópatra”, estrelada por Elizabeth Taylor em 1963. Depois de ter se separado de Joan Bennett em 1965, Wanger faleceria em 1968, aos 74 anos.

A fonte para este artigo está no site www.garboforever.com. Informações adicionais foram obtidas nos sites IMDb e Wikipedia.

Atrizes: Shirley Temple

CRIANÇAS PRODÍGIOS NO CINEMA: SHIRLEY TEMPLE

Nascimento: 23 de abril de 1928, Santa Mônica, Califórnia
Falecimento: 10 de fevereiro de 2014, Woodside, Califórnia
Filhos: Lori Black, Charles Alden Black Jr., Linda Susan Agar
Filiação: George Francis Temple, Gertrude Temple
Cônjuge: Charles Alden Black (de 1950 a 2005), John Agar (de 1945 a 1950)

Oficial Website: http://www.shirleytemple.com/.

Shirley-Temple-Wall“Durante esta Depressão, quando o espírito do povo está mais triste do que em qualquer outro momento, é uma coisa magnífica que por apenas 15 centavos, um americano pode ir ao cinema e olhar para o rosto sorridente de uma criança e esquecer de seus problemas.” – Franklin Delano Roosevelt.

Shirley Jane Temple faleceu em 10 de fevereiro deste ano, aos 85 anos de idade, em sua casa em Woodside, na Califórnia, de causas naturais. Ela começou a carreira aos três anos de idade, e logo ganhou fama com os filmes “Olhos Encantadores” (1934), “Alegria de Viver” (1934), “A Pequena Órfã” (1935), “Heidi” (1937) e “A Princesinha” (1939). Shirley Temple representava para o público norte-americano a inocência e a esperança durante os anos da Grande Depressão, e os filmes onde aquela menina de cachinhos dourados dançava e cantava funcionavam como um alívio e um alento só comparáveis com as comédias otimistas de Frank Capra. Shirley Temple herdou de Mary Pickford a alcunha de “America’s Sweetheart” (queridinha da América) e foi elogiada pelo presidente dos Estados Unidos entre 1933 e 1945 Franklin D. Roosevelt por conta de seu otimismo e sorriso contagiantes: “Desde que nosso país tenha Shirley Temple, nós vamos ficar bem”.

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Em 1935, Shirley Temple foi a primeira atriz a ganhar o “baby Oscar” – uma estatueta com metade do tamanho de um Oscar normal – prêmio dado a crianças que se destacaram na atuação. Naquela época, crianças não competiam com adultos nas várias categorias da premiação. O site oficial de Shirley Temple lista que ela estrelou 14 curtas-metragens e 43 longas-metragens, quase todos antes dos 12 anos de idade, em uma carreira que foi de 1931 a 1961. Seu último grande filme, porém, foi “A Kiss for Corliss”, de 1949. Durante grande parte da década de 30, a atriz foi campeã absoluta de bilheteria, batendo todas as grandes produções com estrelas do quilate de Clark Gable, Bing Crosby, Robert Taylor, Gary Cooper, Katharine Hepburn e Joan Crawford. Não foi à toa que a MGM queria Shirley Temple para viver Dorothy em “O Mágico de Oz”. A Fox, que tinha contrato com a atriz, porém, negou seu empréstimo e foi assim que Judy Garland ganhou o papel.

Shirley Temple Cary GrantShirley Temple com Cary Grant, em “Solteirão Cobiçado”, de 1947.

Shirley Temple chegou a estrelar bons filmes como adolescente e jovem adulta, entre eles “Solteirão Cobiçado”, de 1947, com Myrna Loy e Cary Grant, e “Sangue de Heróis” (Fort Apache, de 1948), com John Wayne, Henry Fonda e John Agar, que foi seu primeiro marido. Mas por uma dessas misteriosas razões que a própria razão desconhece, sua carreira adulta não deslanchou. A estrela de Shirley Temple parecia ter perdido o brilho dos seus primeiros anos.

Cachê de US$ 10

shirley temple 1Shirley Temple nasceu em 23 de abril de 1928, em Santa Monica, Califórnia Era filha de George Francis Temple, que trabalhava num banco, e de Gertrude Amelia Krieger, que era apaixonada por dança e incentivou a filha desde o princípio, inclusive baseando o visual da menina no estilo de Mary Pickford, a grande estrela da época. A pequena Shirley começou a ter aulas num estúdio de dança aos três anos, em Los Angeles. Lá, em 1931, foi descoberta por Charles Lamont, diretor de elenco da Educational Pictures, que fazia uma série de curtas-metragens chamada “Baby Burlesks” – eram paródias de filmes com adultos, mas estreladas exclusivamente por crianças. Em sua estreia, no ano seguinte, Shirley recebeu um cachê de US$ 10. Antes de obter esse trabalho, Shirley foi audicionada para atuar na série “Our Gang” (também conhecida como “Hal Roach’s The Little Rascals”), mas falhou no primeiro teste. Tempos depois, já contratada pela Educational, fez uma segunda audição para o show, mas o responsável pelo elenco de “Our Gang”, Robert F. McGowan, se recusou a aceitar o salário pedido pela mãe da atriz, e ela acabou não sendo contratada.

The Pie-Covered WagonShirley Temple e um amigo, no curta “The Pie-Covered Wagon”, de 1932.

Mais tarde, Shirley descreveu esses trabalhos iniciais como “uma exploração cínica de nossa inocência infantil que ocasionalmente era racista ou sexista” – muito por conta do fato de as crianças se vestirem como adultos e terem diálogos de adultos. Os “Burlesks” eram uma série de um único rolo, a qual seguiu-se a série “Frolics of Youth”, onde Shirley vivia Mary Lou Rogers, uma menina às voltas com sua família suburbana. Shirley começou a aparecer em pequenos papéis em produções da Universal, Paramount e Warner, mas com a falência da Educational em 1933, a atriz assinou seu primeiro contrato com um grande estúdio, a Fox Film Corporation, depois de um teste para atuar em “Alegria de Viver” (“Stand Up and Cheer!”), com um salário de 150 dólares por duas semanas.

Agora e Sempre com Gary CooperAo sucesso desse filme veio outros grandes sucessos, “Change of Heart”, em que ela atuou não creditada ao lado de James Dunn e Janet Gaynor, “Dada em Penhor” (“Little Miss Marker”), seu primeiro papel de destaque, e “A Queridinha da Família” (Baby Take a Bow). O contrato de Shirley foi estendido para sete anos. Sua mãe Gertrude, também foi contratada como sua cabelereira e assistente pessoal por US$ 25 por semana. O filme seguinte de Shirley, “Agora e Sempre” (Now and Forever), estrelado por Gary Cooper e Carole Lombard, também foi outro estrondoso sucesso de bilheteria, transformando a atriz no rosto mais conhecido do país e o símbolo do entretenimento familiar.

Olhos EncantadoresAos seis anos de idade ela recebia US$ 1,25 mil por semana. Em valores corrigidos, o salário equivaleria a US$ 21 mil por semana. A esses valores era acrescido um bônus de 15 mil dólares por filme. Os rendimentos da família se duplicavam com merchandising e produtos licenciados, como as bonecas Shirley Temple e uma linha de roupas e acessórios para meninas. Shirley relembrou anos mais tarde que nessa época deixou de acreditar em Papai Noel quando sua mãe a levou a uma loja para o conhecer, e o funcionário vestido de Papai Noel lhe pediu um autógrafo. “Olhos Encantadores “ (Bright Eyes) foi lançado em dezembro de 1934 e foi o primeiro a ser produzido especialmente para aproveitar os talentos da menina, que teve seu nome colocado pela primeira vez acima do título do filme. O número musical em que ela canta “On the Good Ship Lollipop”, vendeu mais de 500 mil cópias, e a atuação de Shirley provou que ela poderia interpretar não só personagens multidimensionais como também estabeleceu a fórmula para os futuros filmes da atriz.

Em 1935, aos seis anos de idade, Shirley foi uma das apresentadoras da cerimônia de entrega do Oscar, tornando-se a mais jovem apresentadora do Oscar de todos os tempos ao entregar o prêmio de melhor atriz para Claudette Colbert, por “Aconteceu Naquela Noite”. Em 1937, Shirley entregou a Walt Disney um prêmio especial da Academia por “Branca de Neve e os Sete Anões”: uma estatueta normal seguida por outras sete pequenas estatuetas.

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Quando a Fox Film se tornou a 20th Century Fox, o chefe do novo estúdio, Darryl F. Zanuck, focou suas atenções sobre Shirley Temple. Afinal, ela era nada mais nada menos do que a maior estrela do estúdio. Uma equipe de dezenove roteiristas foi criada especialmente para desenvolver histórias que se adequassem à imagem que o público fazia dela e à terrível crise social e econômica que se abateu sobre a América nos anos da Depressão. Esses filmes eram vistos como geradores de esperança e otimismo, que levaram o presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, a declarar que “é uma coisa esplêndida que por quinze centavos um americano possa ir ao cinema e olhar o rosto sorridente de uma criança e esquecer todos os seus problemas”.

Shirley com Marlene DietrichA maioria dos filmes de Shirley Temple eram comédias dramáticas que misturavam cenas de canções e danças, sempre com um forte apelo sentimental e situações melodramáticas, produzidas com baixo orçamento mas que se transformavam em verdadeiros blockbusters. Os roteiros sempre giravam em torno de temas parecidos, onde Shirley desempenhava o papel da pequena órfã de mãe ou de pai, que vivia em um asilo e quase sempre servia de cupido para jovens casais ou adultos alienados ou sua presença servia de catarse para que adultos mesquinhos atingissem a redenção graças à sua bondade e otimismo contagiantes. Quando a atriz entrou na adolescência, a fórmula precisou ser ligeiramente alterada. A ingenuidade, a naturalidade e a inocência dos seus anos de criança começavam a se tornar inadequados aos personagens teens que ela precisava interpretar de agora em diante.

A Nossa GarotaEm 1934, Shirley assinou um contrato para quatro filmes por ano. Foi um sucesso atrás do outro: “A Mascote do Regimento “ (The Little Colonel), “A Nossa Garota” (Our Little Girl), “A Pequena Órfã” (Curly Top), onde merece destaque a canção “Animal Crackers in My Soup”, e “ A Pequena Rebelde” (The Littlest Rebel), lançado em 1935. Em 1936, mais quatro filmes que se tornaram o grande ganha-pão da Fox naqueles tempos difíceis: “O Anjo do Farol” (Captain January), “Pobre Menina Rica” (Poor Little Rich Girl), “Princesinha das Ruas” (Dimples) e “Pequena Clandestina” (Stowaway). O chefão do estúdio decidiu investir mais dinheiro nas produções estreladas por Shirley, além de dar-lhe um considerável aumento de salário: 2 500 dólares por semana.

Pobre Menina RicaShirley Temple, em “Pobre Menina Rica”, de 1936.

Shirley com Victor McLaglen QueridinhaShirley Temple com Victor McLaglen em “Queridinha do Vovô”, de 1937.

Em 1937, John Ford foi escalado para dirigir “Queridinha do Vovô” (Wee Willie Winkie), considerado por Shirley como o seu filme favorito, e uma lista de grandes astros contratados para atuar ao lado dela: Victor McLaglen, C. Aubrey Smith e Cesar Romero. Apenas mais um filme estrelado por Shirley foi lançado em 1937, “Heidi”. Apesar de financeiramente vantajoso, o contrato dela com a Fox não dava à atriz ou a seus pais qualquer controle criativo nos filmes estrelados por ela.

Em 1938, mais três filmes: “Sonho de Moça” (Rebecca of Sunnybrook Farm), “Little Miss Broadway” e “O Anjo da Felicidade” (Just Around the Corner). Os dois primeiros foram mal recebidos pela crítica e o terceiro se tornou o primeiro filme de Shirley Temple a ir mal nas bilheterias. No ano seguinte, Zanuck precisava de um grande sucesso para sua atriz em crescimento, e comprou os direitos do livro “A Little Princess” para uma adaptação para as telas orçada em 1,5 milhão de dólares – o dobro dos custos de “Just Around the Corner” – e o escolheu para ser o primeiro filme em Technicolor da 20th Century Fox. Lançado em 1939, “A Princesinha” foi um sucesso de bilheteria e, convencido de que Shirley Temple seria também uma atriz adulta de sucesso, recusou uma oferta substancial da MGM, que a queria emprestado para estrelar “O Mágico de Oz”. Shirley foi escalada para atuar em “Susannah of the Mounties”, que apesar de bem sucedido nas bilheterias, seria o último grande sucesso de Shirley Temple, cujo nome começava a cair na lista das estrelas preferidas do público.

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Shitley Temple The Auotgraph HoundAinda em 1939, Shirley Temple foi objeto de uma pintura de Salvador Dali, “Shirley Temple, The Youngest, Most Sacred Monster of the Cinema in Her Time” e sua figura foi animada para atuar ao lado do Pato Donald no curta  “The Autograph Hound”. No ano seguinte, ela estrelou em “O Pássaro Azul” (The Blue Bird) e “Mocidade” (Young People). Logo em seguida, os pais de Shirley Temple resgataram o contrato dela com a Fox e a mandaram para a Westlake, uma escola exclusiva para meninas, em Los Angeles. Shirley tinha 12 anos de idade.

Um ano depois de sua saída da Fox, a Metro viu a oportunidade de ter a atriz sob seu contrato. Ela foi escalada para atuar com Judy Garland e Mickey Rooney no musical “Calouros na Broadway” (Babes on Broadway), mas a ideia foi rapidamente abandonada para evitar que o nome de Shirley fosse eclipsado pelos dos dois astros. Ela acabou substituída por Virginia Weidler. Encostada na Metro, Shirley estrelou apenas um filme, “Kathleen”, de 1941, interpretando a personagem título, uma adolescente infeliz. Com o fracasso desse filme, seu contrato foi cancelado. Na United Artists, a atriz atuou em “Miss Annie Rooney”, de 1942, outro fracasso de público. Desapontada, Shirley se afastou das telas por dois anos.

Miss Annie RooneyQuase uma adolescente, Shirley Temple estrelou Miss Annie Rooney, de 1942, (na foto, ao lado de Dickie Moore), um fracasso de público que a faria se afastar das telas por quase dois anos.

Em 1944, o todo poderoso David O. Selznick assinou um contrato pessoal com Shirley Temple e a escalou para dois filmes sobre guerra que foram bem recebidos pelo público e crítica: “Desde Que Partiste” (Since You Went Away) e “Ver-te-ei Outra Vez” (I’ll Be Seeing You). No entanto, o interesse de Selznick em promover a carreira da atriz Jennifer Jones, fez com que ele se esquecesse de Shirley, que acabou emprestada para outros estúdios. “Ninguém Vive Sem Amor” (Kiss and Tell), “Solteirão Cobiçado” (The Bachelor and the Bobby-Soxer) e “Sangue de Heróis” (Fort Apache) são os únicos filmes dela nesse período que merecem destaque.

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Shirley com Cary Grant e Myrna Loy

Segundo o biógrafo Robert Windeler, os filmes de Shirley Temple nessa época não eram totalmente ruins, nem mal produzidos ou fracassos totais de bilheteria, mas possuíam um ranço de filme B e atuações diferentes daquelas que o público se acostumou a ver. Selznick chegou a aconselhar que Shirley se mudasse para o exterior, ganhasse maturidade como atriz e até mudasse de nome, pois ela vivia sob um estigma que seria perigoso para sua carreira a partir de então. Depois de perder o papel de Peter Pan nos palcos da Broadway, em agosto de 1950, Shirley Temple fez um balanço de sua carreira. Ela anunciou sua aposentadoria oficial em 16 de dezembro de 1950.

Entre janeiro e dezembro de 1958, Shirley Temple foi a apresentadora de uma bem sucedida série de TV da NBC sobre contos de fada chamada “Shirley Temple’s Storybook”. Ela chegou a atuar em três dos episódios de 60 minutos cada, um deles um especial de Natal com a participação de seu filho, chamado “Mother Goose”. Devido a problemas de produção, a série foi reestruturada em 1960 e levada ao ar como “The Shirley Temple Show”, mas não conseguiu disputar a atenção dos patrocinadores com os sucessos da época, como “Maverick”, “Lassie”, “Dennis the Menace” e os especiais de Walt Disney, sendo cancelada em setembro de 1961. Shirley continuou atuando na televisão, fazendo aparições especiais em outros shows, inclusive o piloto de uma série chamada “Go Fight City Hall” que nunca foi lançada.

Depois que deixou a atuação de lado no começo dos anos 60, Shirley Temple decidiu ingressar na carreira política, candidatando-se ao Congresso dos Estados Unidos em 1967, mas não conseguiu se eleger. Mais tarde, foi delegada dos Estados Unidos na ONU, em 1969 e 1970, e depois embaixadora, servindo em Gana (1974-1976) e na antiga Tchecoslováquia (1989).

Mas além de uma carreira meteórica no Cinema e uma bem sucedida carreira como diplomata, Shirley Temple foi uma mulher de coragem. Em 1972, aos 44 anos, ela foi diagnosticada com câncer de mama e precisou fazer uma mastectomia. Por conta disso, ela foi uma das primeiras celebridades a falar abertamente sobre a doença e, mais tarde, relembrando o drama que viveu e superou, Shirley declarou: “A alternativa é pior, se você não faz nada a respeito. Eu acreditei em meu médico e em Deus”, afirmou. Também deu conselhos a outras mulheres: “Não fique em casa e não tenha medo. Vá ao médico e faça um exame”.

Shirley com John AgarEm 1945, aos 17 anos, Shirley Temple se casou com o ex-soldado e ator John Agar, com quem atuou em “Sangue de Heróis” e “Uma Mulher Contra o Mundo”. Shirley pediu o divórcio em 1950 em razão do alcoolismo do marido, com o qual teve uma filha, Linda.

O site oficial de Shirley informa que a atriz se casou em 1945, aos 17 anos, com John Agar, um ex-soldado que se tornou ator. Ambos atuaram juntos em “Fort Apache”, de 1948, e “Uma Mulher Contra o Mundo” (Adventure in Baltimore), de 1949. Eles ficaram casados até 1949, quando Shirley pediu o divórcio em razão do alcoolismo do marido. O casal teve uma filha, chamada Linda Susan Agar. Em 1950, Shirley se casou com o executivo Charles Black, antigo oficial da marinha. Tiveram dois filhos, Charlie Jr. e Lori, permanecendo casada até a morte dele, em agosto de 2005. Uma vez questionada sobre o seu maior motivo de orgulho, Shirley costumava dizer: “Meus três filhos, minha neta e meus dois bisnetos”. No questionário de seu site, há uma pergunta sobre qual carreira ela gostaria de ter seguido se não fosse atriz mirim. “Eu queria estar no FBI. Também queria ser vendedora de tortas”, comentou. Depois, lembrou-se de um episódio em que chegou a exercer a atividade. “Essa vontade era tão forte, que o estúdio providenciou um pequeno carrinho e o encheu de tortas. Eu circulava pelo set e as vendia para a equipe. Eu tinha cerca de oito anos de idade. Sempre vendia todas, e não tinha de pagar por elas. Era um grande negócio!”

Muitos rumores cercaram a carreira de Shirley Temple. Um deles dizia que a sua certidão de nascimento foi forjada para que ela aparentasse ter um ano a menos. Outro rumor surgiu na Europa, dizendo que Shirley era na verdade uma anã de 30 anos de idade. O boato foi tanto que o Vaticano enviou o Padre Silvio Massante para investigar se ela era de fato uma criança. Por ela nunca ter aparecido sem os dentes durante seus primeiros anos na Fox, o público foi levado a crer que ela tinha todos os dentes de um adulto. O que acontecia é que para esconder a perda dos dentes, a atriz usava placas dentárias em público. Outra crença era de que Shirley era obrigada a limar os dentes para que parecessem com os de uma criança pequena.

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Os cachinhos dourados da pequena atriz também despertavam a imaginação e chamavam a atenção do público. Marca registrada da atriz, o penteado que ela usava tinha exatamente 52 cachos. A mãe de Shirley, Gertrude, era quem prendia os seus cabelos e os dava forma, e os amarrava pouco antes de ela ir dormir. Também aplicava produtos para que ficassem mais loiros. Shirley quando ia nadar não podia mergulhar os cabelos na piscina, podia apenas umedecê-los, usando toucas de banho uma sobre a outra. Os cabelos de Shirley Temple exigiam uma atenção redobrada com a atriz nas ruas por conta da perseguição de “caçadores de souvenirs”, que queriam um cacho de seus cabelos como recordação, ou para evitar que ela fosse vítima de fãs que tentavam arrancar seus cabelos para testar a teoria de que não seriam uma peruca.

Em 8 de fevereiro de 1960, Shirley ganhou uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Em 1992, foi homenageada pelo National Board of Review. E, em 1998, pelo prestigioso Kennedy Center Honors. Foi ainda considerada uma das grandes estrelas do cinema em todos os tempos pela revista “Premiere” e pela “Entertainment Weekly”. Já em 2006, ganhou um prêmio especial pelo conjunto da obra do Sindicato de Atores dos Estados Unidos (SAG). Ela também aparece na lista de “50 grandes lendas do cinema” feita pelo American Film Institute.

TRIBUTO:

GALERIA DE FOTOS:

Feliz Aniversário, Mrs. Hepburn

Hoje, 4 de Maio, a inesquecível atriz Audrey Hepburn estaria completando 85 anos de idade. Para homenagear a atriz em seu 85º aniversário, Google criou um Doodle para ela em sua página inicial:

audrey-hepburn-85th-birthdayVocê pode ler mais sobre ela – e ver lindas fotos – em meu tributo para uma das maiores divas de Hollywood de todos os tempos clicando aqui.

Por favor, visite o site oficial da atriz e saiba como ajudar o Fundo Audrey Hepburn para a Infância: http://www.audreyhepburn.com/

audrey-hepburnAté o final da Segunda Guerra Mundial, sem água ou eletricidade em sua casa na Holanda, Audrey e sua família estavam comendo bulbos de tulipas para permanecerem vivos.

audrey-oscarAudrey Hepburn recebe um Oscar por sua primeira aparição em um filme norte-americano, “A Princesa e o Plebeu”, em 1954. Seu co-astro Gregory Peck, foi inicialmente definido para ter seu nome na parte superior dos cartazes de publicidade, mas Peck fez os executivos da Paramount alterá-los, dizendo: “Sou inteligente o suficiente para saber que essa menina vai ganhar o Oscar em seu primeiro filme, e eu vou parecer um tolo, se o nome dela não estiver lá em cima com o meu. “

audrey-fawnAudrey Hepburn ganha um beijo da corça que apareceu no filme “Green Mansions”, de 1959, no qual ela estrelou. Ela acabou mantendo-o como um animal de estimação temporariamente.

audrey-unicefLogo depois de se tornar embaixadora da UNICEF, Audrey Hepburn foi em uma missão à Etiópia, onde anos de seca e guerra civil causaram uma fome terrível.

TRIBUTO:

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Reblogado do meu outro blog All That I Love.