Filmes: O Véu Pintado (1934)

PaintedVeil01O VÉU PINTADO

Título Original: The Painted Veil
País: Estados Unidos
Ano: 1934
Direção: Richard Boleslawski
Duração: 85 min.
Elenco: Greta Garbo, Herbert Marshall, George Brent, Warner Oland, Jean Hersholt, Bodil Rosing, Katharine Alexander, Cecilia Parker, Soo Yong, Forrester Harvey.
Sinopse: Na Áustria, Katrin, uma mulher ainda jovem, sente-se solitária ao ver a irmã mais nova se casar. Ela acaba aceitando o pedido de casamento de um homem mais velho, Walter Fane, um médico que ela acabou de conhecer. Katrin segue o marido para uma região inóspita no interior da China onde uma epidemia de cólera está dizimando a população. Sentindo-se negligenciada pelo marido, ela se envolve com Jack Townsend, o embaixador Britânico cujos planos políticos irão acabar por afastá-lo de Katrin.

PaintedVeil08Somente a presença mítica de Greta Garbo para justificar o interesse do público por esse melodrama banal, baseado em novela de W. Somerset Maugham sobre um triângulo amoroso que se passa nos cafundós da China durante uma epidemia de cólera. Mas além da presença da diva sueca, há sempre aqueles detalhes curiosos e os cuidados habituais típicos de um filme de Greta Garbo na MGM capazes de sustentar o interesse de qualquer fã do cinema clássico. É claro que Garbo teve atuações muito melhores em filmes muito superiores em qualidade técnica e artística. Mas a redenção de sua personagem ao final, quando tem de fazer uma difícil escolha entre o marido enfermo que ela aprendeu a amar e o amante que se arrepende e retorna para levá-la embora, encerra a trama de maneira satisfatória em 85 minutos de narrativa e com Greta Garbo no auge da carreira.

Mas há duas coisas no filme que não convencem. A primeira é o roteiro de John Meehan, Salka Viertel e Edith Fitzgerald que divide a história em três atos: o prólogo na Europa (que devido a exibições testes mal sucedidas precisou sofrer diversos cortes para deixar a história menos enfadonha), o desinteressante affair entre os personagens de Garbo e George Brent (ator sem nenhum carisma, diga-se de passagem), e a parte final, quando a personagem de Garbo sofre uma reviravolta interna ao perceber que está apaixonada pelo próprio marido, vivido por Herbert Marshall. Nada que não tivesse sido visto antes, mas também nada tão ruim que possa desmerecer este que é um dos filmes menos conhecidos da atriz.

PaintedVeil06A segunda é acreditar que a personagem de Garbo poderia estar tão desesperada em sua solidão (ou seria inveja pelo fato de a irmã mais nova ter se casado primeiro que ela ou apenas tédio por viver confinada em um quarto durante tantos anos?) a ponto de aceitar se casar com o primeiro homem que encontrou pela frente, um homem mais velho e totalmente dedicado à sua profissão. O personagem de Herbert Marshall (ator conhecido por participar de grandes produções como “Duelo ao Sol”, “A Carta” e “Pérfida”), porém, faz jus ao talento do ator, cujos atos e palavras justificam não só a mudança de comportamento da personagem de Garbo no final, como dá um sentido real à trama que até então não fazia quase nenhum sentido.

Algumas curiosidades cercam “O Véu Pintado”, como a escolha da atriz Cecilia Parker para viver Olga, a irmã mais nova de Katrin, no primeiro terço do filme. Egressa da série de filmes “Andy Hardy” (que durou até o final dos anos 50 e onde fazia a irmã mais velha de Mickey Rooney), alguns Westerns e produções B da MGM, Cecilia tem uma curiosa cena de beijo com Garbo. Este foi o primeiro filme de Garbo lançado após a vigência do famigerado Código de Produção de 1934. Isso limitou o potencial triângulo amoroso criado por Maughan em seu romance e obrigou o estúdio a fazer modificações para que o final se encaixasse em um modelo aceitável para a moral da época.

Algumas cenas de “O Véu Pintado” filmadas na China por George W. Hill foram também utilizadas em “Terra dos Deuses” de 1937 e o filme que custou pouco mais de meio milhão de dólares, faturou cerca de US$ 1,6 milhão em bilheterias ao redor do mundo. O público norte-americano, porém, reagiu com risadas nas primeiras exibições diante dos figurinos exóticos desenhados por Adrian e usados por Garbo ao longo do filme. Uma anedota de bastidores se tornou muito conhecida entre os biógrafos da diva sueca. Floyd Porter, eletricista-chefe do estúdio era encarregado de seguir Garbo pelo cenário com uma luz apontada diretamente aos olhos dela, para lhes dar mais brilho. Garbo tinha por hábito dar um tapinha no ombro de Floyd toda vez que saía do estúdio.

PaintedVeil07Há que se destacar a excelente fotografia de William H. Daniels, a música do sempre competente Herbert Stothart, os cenários de Cedric Gibbons e o esforço do diretor Richard Boleslawski em dar credibilidade a personagens tão apáticos. Bolesław Ryszard Srzednicki foi um ator, diretor e professor de atuação polonês que trabalhou na Rússia antes da Revolução de 1917, e fez seus primeiros filmes na Polônia no início dos anos 20. Ao imigrar para a América no início daquela década, ele assumiu a pronúncia inglesa de seu nome e abriu uma escola de atuação baseada no Método Stanislavski com outra imigrante, Maria Ouspenskaya. Entre seus alunos estavam Lee Strasberg, Stella Adler e Harold Clurman – que fundariam o Group Theatre (1931-1941), o primeiro na América a  utilizar as técnicas de Stanislavski.

A carreira de Boleslawski em Hollywood, porém, foi curta por conta de sua morte prematura aos 48 anos, em 1937: de 1930 a 1937, foram 20 filmes, em que teve a chance de dirigir alguns dos maiores astros da época – Lionel Barrymore, Clark Gable, Fredric March, Charles Laughton, Marlene Dietrich, Joan Crawford e, é claro, Greta Garbo.

Além desta versão com Greta Garbo, a novela de Somerset Maughan foi filmada outras duas vezes: “O Sétimo Pecado”, de 1957, estrelado por Eleanor Parker e Bill Travers, e “O Despertar de Uma Paixão”, de 2006, com Naomi Watts e Edward Norton.

“O Véu Pintado”, Cena do Beijo – Greta Garbo e Cecilia Parker:

Galeria de Fotos:

Download “O Véu Pintado” (1934) AVI c/Legendas*:

Deposit Files: Parte 1 / Parte 2 – Bitshare: Parte 1 / Parte 2

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