Filmes: O Galante Mr. Deeds (1936)

O GALANTE MR. DEEDS

mrdeeds_10Título Original: Mr. Deeds Goes to Town
País: Estados Unidos
Ano: 1936
Duração: 115 min.
Direção: Frank Capra
Elenco: Gary Cooper, Jean Arthur, George Bancroft, Lionel Stander, Douglass Dumbrille, Raymond Walburn, H.B. Warner, Ruth Donnelly, Walter Catlett, John Wray, Margaret Matzenauer, Warren Hymer, Muriel Evans, Spencer Charters, Emma Dunn, Wyrley Birch, Arthur Hoyt, Stanley Andrews, Pierre Watkin, Christian Rub, Jameson Thomas, Mayo Methot, Russell Hicks, Irving Bacon.
Sinopse:
O simplório e honesto poeta Longfellow Deeds, de Mandrake Falls, recebe uma herança milionária de seu tio, sendo obrigado a deixar sua vida no interior e partir para Nova York, onde lidará com pessoas que só pensam em se aproveitar de sua fortuna e humildade. Ele se envolve em um romance com uma esperta jornalista e se torna alvo de implacáveis homens de negócio e parentes oportunistas.

Escrito por Robert Riskin a partir de uma história de Clarence Budington Kelland, este é mais um clássico do humor romântico, otimista e popular de Frank Capra, que em plena era do New Deal do presidente Roosevelt usava seus filmes para exaltar os valores morais dos cidadãos americanos responsáveis pela reconstrução do país pós-Depressão. Antes de ser puramente otimista ou unilateral, é uma visão rica em contrastes e deliciosa em suas implicações. Ganhou o Oscar de Diretor, o segundo de Capra, e tem seu maior apelo na química perfeita entre os astros Gary Cooper e Jean Arthur. Foi uma das produções mais caras da Columbia até então custando cerca de 800 mil dólares, mas um sucesso de público e um dos melhores filmes do diretor, que aqui inicia sua trilogia populista, ao qual seguiram “A Mulher Faz o Homem”, de 1939, e “Adorável Vagabundo”, de 1941.

Mais um clássico edificante de Frank Capra que o tempo eternizou

“O Galante Mr. Deeds” e “Adorável Vagabundo” representam os dois lados de uma mesma moeda. Ambos são filmes de Frank Capra. Ambos são estrelados por Gary Cooper. E ambos apresentam histórias de mulheres que usam o jornal em que atuam para distorcer ou manipular os dois protagonistas desses filmes. Em cada filme, as duas mulheres (Barbara Stanwick em “Adorável Vagabundo” e Jean Arthur em “Mr. Deeds”) acabam sendo traídas pelo amor e passam a ver os personagens de Cooper como eles realmente são. Ambos os filmes transformam um homem comum em herói do povo, e nesse aspecto o rosto confiável e a boa índole do ator vencedor do Oscar por “Sargento York” fizeram dele o modelo perfeito de herói que Capra imaginara em seus filmes.

“O Galante Mr. Deeds”, como boa parte da filmografia de Frank Capra, integra um conjunto de filmes que pode levar os saudosistas a concluir: não se fazem mais filmes como antigamente. Leve, divertido, cativante, e ainda inteligente e crítico, marca uma era de Hollywood que parece que não volta mais. Personagens fortes, bem delineados, cenas deliciosas a todo o momento, ainda hoje, se mantém atual em seu discurso, mesmo que cada vez se torne mais e mais utópico. Impensável nos dias de hoje, acreditar numa figura como Longfellow Deeds.

Nesta deliciosa comédia dramática de Capra, Gary Cooper, em um dos seus melhores papéis, interpreta um jovem do interior que recebe uma herança de U$ 20 milhões de dólares. Como um autêntico herói “capriano”, Longfellow Deeds dá mais importância a seus princípios e valores do que qualquer bem material. Convencido a ir para a cidade receber sua fortuna, ele aceita, mas com uma intenção nobre: visitar o túmulo do General Grant. Chegando lá, a vida na cidade começa a entrar em conflito com sua pureza quase infantil e isso começa a afetá-lo e a frustrá-lo. A princípio todos ao seu redor querem tirar proveito do novo milionário e mesmo aqueles que parecem querer ajudá-lo, têm suas segundas intenções. Capra usa o conflito Campo x Cidade para fazer sua crítica aos valores morais da sociedade americana. O homem inocente vem do campo puro, bondoso e quase infantil e se defronta com luxúria, ganância e egoísmo. No fundo, isto talvez seja uma maneira de criticar o meio que ele, Capra, vive e trabalha, onde as pessoas muitas vezes crescem à custa da exploração e pilhéria daqueles que o cercam.

Apesar de todo o contexto social, político e econômico em que o filme está inserido, isso tudo pouco importa nos dias de hoje. A diferença entre os filmes clássicos que Capra dirigiu nos anos 30 e 40 para qualquer um que ganhe a luz em nossos dias, é que esse diretor talentosíssimo sabia usar a mesma mágica habitual sobre um elenco escalado a dedo e dirigido com esmero. Prova disso é que Capra esperou seis meses até que o chefão da Columbia, Harry Cohn, pudesse tirar o ator Gary Cooper da Paramount para dar-lhe o papel de Longfellow Deeds, mesmo pagando uma multa de 100 mil dólares pelo atraso no início das filmagens. E esse seria o papel de uma vida se o ator em questão não fosse um dos grandes mitos do Cinema, qualquer ator que o representasse poderia se aposentar em seguida e viver da glória de ter atuado em um filme de Frank Capra.

Embora fosse indicado para o Oscar naquele ano, Cooper perdeu para Paul Muni por “Émile Zola”, mas Capra ganhou o de Melhor Direção. Jean Arthur interpreta a heroína Louis “Babe” Bennett, um papel parecido com aquele que viveria em “A Mulher Faz o Homem”, que Frank Capra dirigiria em 1939, e que conclui sua trilogia populista. “O Galante Mr. Deeds” é sem dúvida o melhor momento de sua carreira como atriz. Curiosamente, a atriz Carole Lombard, escolhida para o papel, abandonou a produção para trabalhar em “Irene, a Teimosa”, enquanto Harry Cohn era contra a contratação de Jean Arthur, uma escolha pessoal de Capra, que mais uma vez se mostrou acertada. A despeito da história pouco crível do fazendeiro arruinado que move Deeds a disponibilizar toda a sua herança e ter sua sanidade questionada pelo executor do processo, o vilanesco personagem de Douglass Dumbrille, o filme não envelheceu em sua maneira de ressaltar os valores mais nobres do ser humano, nem seu charme original ficou diminuído pela passagem do tempo.

O filme deve muito à direção preciosa de Capra e ao roteiro de Robert Riskin, muito inteligente e que constantemente avança. Parece não haver nenhuma ponta solta, todas as cenas, todos os diálogos e toda a conduta dos personagens funcionam para nos levar ao ponto de virada da trama: a maravilhosa transformação de Longfellow Deeds enquanto tenta defender-se de seus acusadores no tribunal é um ensaio magnífico para a cena em que James Stewart discursa no Congresso, em “A Mulher Faz o Homem”. Todo o elenco está perfeito, reafirmando mais uma vez o enorme talento de Frank Capra na direção de atores, até mesmo o jovem Lionel Stander, cinquenta anos antes de ser o mordomo Max no seriado de TV “Casal 20”.

Talvez seja a prova mais evidente de que alguns diretores (Lubitsch, Hitchcock, Ford, Hawks) tinham um “toque” pessoal e inconfundível, e é com esse toque que Capra apela às massas e manipula as emoções do público. A visão criativa do diretor e a forma como obtém grandes desempenhos, com destaque para o mordomo vivido por Raymond Walburn, ainda permanecem intactos. Curiosamente, Frank Capra e a Columbia planejavam fazer uma sequência deste filme intitulada “Mr. Deeds Goes to Washington”, reunindo Gary Cooper e Jean Arthur, baseado na história “The Gentleman from Wyoming”, de Lewis R. Foster. O projeto não vingou, mas em 1939 dele nasceu “A Mulher Faz o Homem” (Mr. Smith Goes to Washington), estrelado por James Stewart e Jean Arthur.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0027996/

Trailer:

Galeria de Imagens:

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