Atrizes: Olga Baclanova

Estrangeiros em Hollywood: Olga Baclanova

Nome: Ólga Vladímirovna Baclanova
Nascimento e local: 19 de agosto de 1896, Moscou, Império Russo (Rússia)
Falecimento e local: 6 de setembro de 1974, Vevey, Vaud, Suíça
Ocupação: Atriz
Casamentos: Vlademar Zoppi (1922–1929, divórcio); Nicholas Soussanin (1929–1939, divórcio); Richard Davis (1939 – ?)

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Aos 47 anos de idade, Olga Baclanova era uma mulher exuberante, mas sobre a qual pesava o ressentimento de ter abandonado sua terra natal e o temor pela segurança de seus familiares que permaneceram em sua antiga pátria agora devastada pela II Grande Guerra. Em 1925, durante uma turnê pelos Estados Unidos com a trupe do Teatro de Arte de Moscou, Olga Baclanova, que chegou a ser condecorada pelo regime soviético por sua contribuição às artes, desertou.A deserção era uma traição aos olhos de seus compatriotas e ela sempre temeu a vingança do regime sobre sua família. Essa preocupação sempre a acompanhou ao longo da carreira em Hollywood.

Quando estava desempenhando o papel mais longo de sua vida – o de Madame Daruschka na peça “Claudia” – o qual repetiu centenas de vezes durante dois anos e meio na Broadway e em turnê por todo o país – Olga Baclanova teve a chance de viver a personagem nas telas de cinema. Quando Olga encostou seu carro em frente ao Teatro Geary de Los Angeles e pisou na calçada, tinha no rosto um sorriso magnânimo. Olga cumprimentou as pessoas que esperavam por ela e entrou no teatro, seguindo até seu camarim. Lá recebeu a reprovação de sua agente por mais uma chegada tardia. Poucos minutos depois, ela já estava no palco, para mais uma atuação.

Olga Baclanova

Olga Baclanova 3Nascida Ólga Vladímirovna Baclanova, em Moscou, em 19 de agosto de 1896, Olga foi uma das seis crianças do casal Vladimir e Alexandra Baklanoff, esta uma atriz dos primeiros filmes produzidos na URSS mas que tinha abandonado a vida artística para se casar e ter filhos. Seu pai era um homem rico e adepto dos espetáculos teatrais. O que o sr. Baklanoff não imaginava é que no dia em que levou sua filha de dez anos para ver a primeira peça da vida dela estava plantando na menina um gosto pela atuação que nunca mais ela iria abandonar.

Olga estudou drama no Instituto Cherniavsky antes de ser aceita para o prestigiado Teatro de Arte de Moscou, em 1912 aos 16 anos de idade, disputando a vaga com outros 400 aspirantes. Durante seu aprendizado, Olga costumava passar os verões na Crimeia, onde começou a aparecer em pequenas produções experimentais. Ao que tudo indica, Olga chegou a atuar em cerca de 18 filmes. Uma de suas colegas de classe foi Maria Ouspenskaya, que no início de 1920 chegaria aos Estados Unidos onde abriu uma escola de teatro baseada no método de atuação de Stanislavsky.

Em 1917, Olga já participava de grandes montagens baseadas em obras de Puskin, Chekov, Turgenev, Shakespeare, Dickens e Berger, mas sua família não escapou de uma tragédia durante a Revolução que derrubou o Czar: seu pai foi assassinado e sua família ficou confinada a um quarto de sua mansão. Nessa época, Olga tomou a decisão de se casar com um advogado chamado Vlademar Zoppi por razões de conveniência. Olga havia feito anteriormente o primeiro filme de propaganda comunista intitulado “Pão” e sabia que sua segurança agora dependia de sua cumplicidade com o novo regime. Seu mentor no TAM, Nemirovitch-Danchenko, decidiu abrir um novo estúdio para produzir obras de artistas clássicos em montagens “avant-garde”. Nos anos de 1920 a 1925, Olga Baclanova foi a jóia principal em cinco grandes produções, e se preparou para o desafio estudando dança, canto e voz com os grandes mestres disponíveis no Teatro.

olga-1920Olga Baclanova no papel título de “La Perichole”, 1920, produção do Teatro de Arte de Moscou.

Em 1925, Olga recebeu o maior prêmio que um artista soviético poderia merecer: o de “Artista Digno da República”, além de diversos elogios por sua dedicação às artes. Naquele mesmo ano, a trupe do Teatro iria excursionar pela Europa com alguns de seus melhores artistas, revivendo antigos êxitos em uma turnê que se encerraria em Nova York no final do ano, tudo sob a égide de Morris Gest, um conhecido empresário do ramo.  Ao final da turnê americana, toda a companhia regressou à Rússia, mas Olga decidiu permanecer nos Estados Unidos. Dizem que foi Gest que incentivou Olga a permanecer na América diante da nova realidade política na URSS. O novo regime se consolidou no poder, eliminando toda a oposição e exercendo total controle sobre todo tipo de manifestação artística. A liberdade de expressão foi estrangulada, o regime se voltaria contra o “avant-garde” e mergulharia a cultura russa em um conservadorismo indigesto e absoluto.

olga-1925Olga Baclanova em “The Fountain of Bakhshi”, durante a turnê americana do Teatro de Arte de Moscou, 1925.

O porte físico atraente, o ar de mulher fatal e o visual loiro e exótico da atriz logo chamaram a atenção dos estúdios durante uma apresentação dela na peça “The Miracle” em Los Angeles, na qual Olga interpretava uma freira. Seu filme de estreia foi um pequeno papel não creditado em “A Pomba” (The Dove), de 1927, dirigido por Roland West e estrelado por Norma Talmadge. Foi o suficiente para que Conrad Veidt a notasse e pedisse que Olga fosse contratada para interpretar a Duquesa Josiana,  a mulher fatal que se torna o interesse romântico de seu personagem desfigurado no filme “O Homem que Ri”, dirigido por Paul Leni em 1928.

olga-the-dove-1927Olga, em foto promocional do filme “The Dove”, 1927

olga-conrad-veidt-the-man-who-laughs-1928“O Homem que Ri”, com Conrad Veidt, 1928.

Olga Baclanova atuou no ano seguinte em “Street of Sin”, produção da Famous Players-Lasky, considerado um filme perdido, dirigido pelo prestigiado Mauritz Stiller e estrelado pelo grande ator alemão Emil Jannings. Olga interpretava Annie, mas antes do fim das filmagens Stiller adoeceu e foi obrigado a retornar à Suécia, onde veio a falecer. Josef von Sternberg, que havia escrito a história, assumiu a direção junto com Ludwig Berger e Lothar Mendes, todos não creditados. Embora Fay Wray tivesse sido contratada para co-estrelar o filme no papel de Elizabeth, quem roubou as cenas foi mesmo Baclanova.  Sua atuação foi tão elogiada que Olga foi cotada para atuar no papel principal do filme seguinte de Jannings, “Sins of the Fathers”, mas o ator, não querendo ser suplantado novamente pela atriz novata, vetou a sua participação e Olga acabou substituída por Ruth Chatterton.

olga-street-of-sin-1928“Streets of Sin”, 1928.

Na primavera de 1928, a Paramount ofereceu a Olga um contrato de cinco anos. O estúdio tentou promover a atriz de todas as formas possíveis, subtraindo anos à sua idade e mudando seu sobrenome para Baclanova – até então ela era creditada como Olga Baklanova. Os meses seguintes testemunharam o surgimento de uma nova estrela na constelação de Hollywood. Dois grandes filmes traziam o nome de Baclanova em destaque: o primeiro e o mais notável é sem dúvida “Nas Docas de Nova York”, dirigido por Josef von Sternberg, onde Olga magnificamente interpretou uma prostituta. Logo em seguida, a atriz apareceu em “Forgotten Faces”, dirigido por Victor Schertzinger. Sua atuação neste filme como Lilly Harlow, ao lado de atores como Clive Brook, Fred Kohler e William Powell, também foi decisiva para a atriz, que ganhou muitos elogios por parte da crítica especializada.

olga-forgotten-faces-1928“Forgotten Faces”, 1928.

Em “Nas Docas de Nova York”, Baclanova mostrou todo o seu potencial dramático, auxiliada por um diretor que era um dos mestres da época. Se não fosse por todos os seus méritos como realizador de filmes, Sternberg passaria para a história somente como o sujeito que revelou Marlene Dietrich, o que também não é pouca coisa. O filme ganhou muito com a visão artística de Sternberg e com o roteiro de Jules Furthman e John Monk Saunders. Na trama, George Bancroft vive um marujo de folga na costa leste que vai à terra firme e acaba salvando a vida de uma moça chamada Mae (Betty Compson), que tentou o suicídio atirando-se ao mar. Ele acaba se apaixonando por ela e a pede em casamento.

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O filme lembra muito “Anna Christie”, peça de Eugene O’Neill que seria adaptada para as telas dois anos depois no primeiro filme falado de Greta Garbo, e de maneira realista e soberba, ganha força na atuação de Baclanova, que interpreta Lou, uma mulher cínica e amargurada, que é abandonada pelo marido e que para fugir da miséria ganha a vida como prostituta de um bar à beira-mar. Sem ilusões e derrotada pela adversidade, Lou pergunta à jovem em tom sarcástico logo após ela ter ouvido a proposta de casamento de seu salvador: “Você acredita que ele pode te tornar uma pessoa decente apenas se casando com você?” e responde logo em seguida “Até eu me casar, eu era uma pessoa decente!”

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“Nas Docas de Nova York” não é visualmente tão arrojado quanto os filmes seguintes de Sternberg, que em seguida iniciaria a sua série de seis filmes com Marlene Dietrich, mas certamente é o mais comovente de seus trabalhos. Mostrando uma perfeita sincronia com o que o público estava interessado em ver nas telas (lembrando que as grandes produções da época como “Aurora”, “Sétimo Céu” ou “A Turba” falavam sobre a vida de pessoas humildes enfrentando as dificuldades da vida moderna), o diretor conta uma história simples mas inundada de emoções reais, que muitos podem dizer que é o melhor trabalho de sua carreira, por mais que pese na memória títulos como “O Anjo Azul” e “O Expresso de Shanghai”.

A carreira de Baclanova parecia que ia deslanchar após o êxito de “Nas Docas de Nova York”. Ainda em 1928, ela apareceu em “Three Sinners”, um drama dirigido por  Rowland V. Lee, onde interpretou a Baronesa Hilda Brings, um mero veículo para a estrela Pola Negri, cuja carreira já estava em declínio, e no western “Avalanche”, dirigido por Otto Brower, onde atuou ao lado de Jack Holt – ambos os filmes considerados perdidos.

three_sinners_1928“Three Sinners”, 1928.

avalanche_1928“Avalanche”, 1928.

Porém, o advento do cinema falado se mostrou um obstáculo quase intransponível para a atriz. Além disso, seus personagens anteriores nos primeiros filmes produzidos pelos estúdios Fox e Paramount a estigmatizaram em papéis de vamp ou femme fatale. Seus maneirismos de palco e a sua enorme dificuldade para se adaptar à língua inglesa iriam acabar relegando a atriz a papéis cada vez menores a partir de então. Seu filme seguinte foi “The Woman Disputed”, de 1928, o último filme mudo estrelado por Norma Talmadge. Olga foi contratada para atuar no papel de uma condessa, mas suas cenas foram apagadas e a atriz substituída por Gladys Brockwell.

No ano seguinte, já no perído sonoro, a Paramount decidiu reunir Olga e George Bancroft, seu parceiro de cena em “Nas Docas de Nova York”, em “The Wolf of Wall Street”, filme de pouca expressão dirigido por Rowland V. Lee. A produção sofreu um forte revés quando um incêndio destruiu o equipamento montado para a captura do som, obrigando a equipe a improvisar um novo sistema para concluir o filme no prazo marcado para o seu lançamento em janeiro de 1929. Foi o primeiro filme a utilizar o recurso da dublagem, com o ator Paul Lukas sendo dublado por Lawford Davidson e como filmes sonoros eram a grande novidade do momento, este acabou atraindo um bom público.  No filme, Baclanova canta “Love Take Heart” e diz suas frases com um sotaque bastante intrigante, difícil de entender. Isso obrigou o estúdio a dar-lhe a partir de então papéis compatíveis, interpretando mulheres russas ou do leste europeu.

wolf_of_wall_street_1929“The Wolf of Wall Street”, com George Bancroft, 1929.

“A Dangerous Woman”, melodrama dirigido por Gerald Grove e Rowland V. Lee, foi o último em que ela tem o papel de protagonista. Aqui fica ainda mais evidente a dificuldade de Olga com o idioma (seu inglês é quase ininteligível). Ela vive Tania Gregory, casada com Frank George (Clive Brook), e a história se passa no continente africano, em um posto britânico perdido no meio da selva. Em uma das cenas, a atriz está sentada ao piano e tenta manter um diálogo, mas ela acaba voltando os olhos para a partitura – onde estavam escritos os diálogos foneticamente preparados para a cena. A despeito de todos os problemas do filme, a atuação de Baclanova como uma devoradora de homens chamou a atenção pelos seus gestos exagerados e movimentos sensuais.

dangerous_woman-1929“Dangerous Woman”, 1929.

dangerous_woman_1929Olga Baclanova, Clive Brook, Neil Hamilton, “Dangerous Woman”, 1929.

No verão de 1929, Olga entrou com um processo pedindo a anulação de seu contrato, alegando ter compreendido errado o prazo de contrato como de um ano e não cinco. O tribunal aceitou seu pedido com base em sua compreensão pobre do inglês e sua incapacidade de interpretar corretamente as cláusulas assinaladas nele.

Naquele mesmo ano, após finalmente obter o divórcio de seu primeiro marido, o russo Vlademar Zoppi, com quem continuava legalmente casada e com quem teve um filho, Olga pôde se casar com seu noivo Nicholas Soussanin, um ator russo cuja carreira vinha em franca decadência. A Paramount lhe ofereceu um novo contrato, mas novos papéis não foram oferecidos, pois o estúdio preferiu apenas usar sua imagem enviando a atriz a simples eventos de divulgação. No fim do ano, ela acabaria dispensada. Seu último filme na Paramount foi a comédia “The Man I Love”, dirigida por William A. Wellman e estrelada por Richard Arlen e Mary Brian.

the_man_i_love_1929“The Man I Love”, 1930.

cheer_up_and_smile_1930“Cheer Up and Smile”, 1930.

Olga recebeu uma proposta para estrelar um filme sobre Beethoven na Inglaterra, mas uma vez lá, a produção foi encerrada. Após dois meses, ela e o marido retornaram a Hollywood. Em 1930, Olga assinou um contrato com a Fox para atuar em duas comédias musicais. Em ambas interpretou uma femme fatale, o que consolidou ainda mais a sua imagem de “Tigresa russa”, dois filmes inexpressivos que exploravam seus dotes como cantora. O primeiro foi “Cheer Up and Smile”, dirigido por Sidney Lanfield, e o segundo “Are You There?”, dirigido por Hamilton MacFadden, mero veículo para a atriz em ascensão Beatrice Lilly. No filme Olga interpreta a Condessa Helenka e estava visivelmente grávida até para os olhares mais desatentos. Logo após as filmagens, Olga deu à luz seu segundo filho e permaneceria em casa durante quase um ano.

are_you_there_1930Olga Baclanova visivelmente grávida em “Are You There?”, 1930.

Quando Olga retornou ao trabalho em 1931, a MGM estava produzindo os melhores filmes da época. Olga foi contratada pelo estúdio para atuar em “The Great Lover”, dirigido por Harry Beaumont, um drama musical sobre um famoso cantor de ópera que se apaixona por uma artista iniciante, estrelado por Adolphe Menjou. O filme marcou a estreia da atriz Irenne Dunne como cantora, e na história Olga vive Savarova, uma cantora de ópera envelhecida e ex-amor do personagem de Menjou, em uma atuação distinta e consideravelmente emotiva, bastante elogiada pela crítica.

the_great_lover_1931Com Adolphe Menjou, em “The Great Lover”, 1931.

Em 25 de setembro de 1931 Olga Baclanova tornou-se uma cidadã americana. Como sua carreira estava em declínio, ela retornou aos palcos, sua grande paixão. Em outubro de 1931, ela apareceu ao lado de Branwell Fletcher em uma produção para a costa oeste de “Silent Witness”, que já tinha sido encenada com sucesso na Broadway. Em novembro, ela foi escalada por Tod Browning para viver a oportunista e imoral trapezista Cleopatra em “Monstros”, estrelando o filme ao lado de verdadeiros artistas de circo, a maioria deles portadores de deformidades autênticas. O filme acabaria rejeitado e esquecido, sendo redescoberto mais de 30 anos depois, quando ganhou status de cult.

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Sobre a experiência, a atriz contou que ficou profundamente abalada pelo drama daquelas pessoas com quem atuou: “Tod Browning os apresentou um a um, e eu não podia olhar para eles, eu quase desmaiei. Eu queria chorar quando os vi. Eles tinham rostos bonitos, mas eram muito pobres, você sabe. Browning me segurou e disse para eu ser forte e não desmaiar novamente porque eu teria que trabalhar com eles. E foi muito difícil na primeira vez. Cada noite eu me sentia muito mal porque eu não conseguia olhar para eles. Eu estava muito deprimida e eu não conseguia… aquilo me feria como ser humano”.

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O filme, extremamente controverso e perturbador, não ajudou em nada a carreira de Baclanova, embora aproveitasse bem o visual exótico da atriz, que tem aqui uma grande atuação apesar de todos os excessos promovidos pelo diretor. Na história, sua personagem se casa com o anão dono de um circo depois que descobre que ele é herdeiro de uma pequena fortuna, e planeja com o amante Hércules envenená-lo até a morte para ficar com a herança. Em suas primeiras exibições, o público da época reagiu com horror ao carnaval de aberrações expostas pelo diretor Browning, o que forçou o estúdio MGM a cortar as passagens mais perturbadoras. Mas foi em vão, pois além de ter sido um enorme fracasso de bilheteria, “Monstros” teve sua exibição proibida em diversos estados.

downstairs_1932Com John Gilbert, “Downstairs”, 1932.

billion_dollar_scandal_1933“Billion Dollar Scandal”, 1933.

Após “Monstros”, tanto a carreira de Baclanova quanto a de Tod Browning jamais iriam se recuperar. Ela atuaria apenas em mais dois filmes: “Downstairs”, produção da MGM de 1932, estrelada por outro astro em decadência, John Gilbert, e baseado em uma história escrita por ele onde Olga tem uma pequena participação como a Baronesa Eloise von Burgen, e o drama criminal “Billion Dollar Scandal”, produzido pela Paramount em 1933. Quando os convites para filmar pararam de chegar, Olga passou a se dedicar exclusivamente aos palcos e de 1933 a 1943 atuou em diversas peças de sucesso, excursionando por todo o país: “Cat And The Fiddle”, “Twentieth Century”, “Grand Hotel” e “Idiot’s Delight”. Sua estreia nos palcos londrinos veio em 1936 com a peça “Going Places”, outro grande sucesso.

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“Claudia”, 1943.

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Olga separou-se de seu segundo marido por volta de 1939. O último grande papel, porém, veio com a produção de “Claudia”, peça escrita por Rose Franken e que a manteve ocupada entre 1941 e 1943. Quando a peça foi adaptada para as telas em um filme dirigido por Edmund Goulding e estrelado por Robert Young, Olga repetiu o mesmo papel que viveu nos palcos, o de Madame Daruschka, uma cantora de ópera mundana incapaz de conter-se na hora de proferir conselhos para a jovem noiva vivida por Dorothy McGuire em sua estreia nos cinemas. Foi o seu canto dos cisnes. Olga Baclanova se retirou definitivamente das telas de cinema.

Olga Baclanova foi casada três vezes. A primeira com Vlademar Zoppi, casamento que durou de 1922 até o divórcio em 1929. O segundo marido foi Nicholas Soussanin, com quem se casou naquele mesmo ano e se divorciou em 1939, e por último Richard Davis, um russo com nome americanizado e dono do Teatro de Belas Artes de Nova York, com quem se casou em 1939. Foi ele quem a encorajou a se aposentar, mas Olga continuou atuando nos palcos por mais algumas temporadas, encerrando a carreira definitivamente em 1948, após atuar na Broadway com a peça “Louisiana Lady”. Relatos dizem que Olga teria aparecido em um episódio da série de TV “Man Against Crime”, em 1951.

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Durante os anos 60, Olga foi entrevistada pelos estudiosos de cinema Richard Lamparski, Kevin Brownlow e John Kobal que ajudaram a trazer seu nome de volta à mídia e reconheceram a sua enorme contribuição e importância como artista das telas. Entre várias lembranças, Olga contou como Josef von Sternberg a castigava durante as filmagens de “Nas Docas de Nova York” por sua incapacidade de seguir sua direção, dizendo que qualquer extra sem treinamento faria melhor do que ela. Depois de toda a humilhação que sofreu, Olga buscou dar sempre o melhor de si a cada nova cena, ou pelo menos aquilo que ela achava que Sternberg classificaria como o seu melhor desempenho.

Olga sempre foi uma mulher graciosa e encantadora, mas sua memória começou a trai-la. Ela se mudou para Vevey, na Suíça, e lá passou os seus últimos anos de vida, quando sua saúde se debilitou. Olga Baclanova morreu em uma casa de repouso, em 6 de setembro de 1974, após graves problemas de saúde, provavelmente em decorrência do Mal de Alzheimer.

Filmografia:

Kogda zvuchat struny serdtsa (1914)
Simfoniya lyubvi i smerti (1914)
Zhenshchina vampir (1915)
Po trupam k schastyu (1915)
Lyubov pod maskoy (1915)
Velikiy Magaraz (1915)
Zagrobnaya skitalitsa (como Olga Baklanova, 1915)
Tot, kto poluchaet poshchechiny (1916)
Tsvety zapozdalye (curta metragem, 1917)
Khleb (1918)
The Dove (não creditado, 1927)
The Czarina’s Secret (curta metragem, 1928)
Three Sinners (1928)
O Homem Que Ri (The Man Who Laughs, 1928)
Street of Sin (1928)
Forgotten Faces (1928)
Nas Docas de Nova York (The Docks of New York, 1928)
The Woman Disputed (cenas apagadas, 1928)
Avalanche (1928)
The Wolf of Wall Street (1929)
A Dangerous Woman (1929)
The Man I Love (1929)
Cheer Up and Smile (1930)
Are You There? (1930)
The Great Lover (1931)
Monstros (Freaks, 1932)
Downstairs (1932)
Billion Dollar Scandal (1933)
Telephone Blues (curta-metragem, 1935)
The Singing Silhouette (curta-metragem, 1935)
The Double Crossky (curta-metragem, 1936)
Claudia (1943)

Tributo:

Uma resposta

  1. exelente post, adoro a fase do cinema mudo.obrigado.

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