Filmes: Boêmio Encantador (1938)

BOÊMIO ENCANTADOR

holiday_1Título Original: Holiday
País: Estados Unidos
Ano: 1938
Duração: 95 min.
Direção: George Cukor
Elenco: Katharine Hepburn, Cary Grant, Doris Nolan, Lew Ayres, Edward Everett Horton, Henry Kolker, Binnie Barnes, Jean Dixon, Henry Daniell, Harry Allen, Frank Benson, Aileen Carlyle, Edward Cooper, Robert Hale, Margaret McWade, Frank Shannon, Charles Trowbridge, Marion Ballou, Beatrice Blinn, Thomas Braidon, Maurice Brierre.
Sinopse:
Um jovem sonhador apaixona-se por uma moça rica e quando ela e o pai o querem prender a uma vida monótona ligada aos negócios, ele começa a ter duvidas quanto ao casamento.

Deliciosa comédia produzida pela Columbia Pictures, baseada na peça de Philip Barry, onde Katharine Hepburn e Cary Grant mostram todo o seu talento em uma história perfeita para os dois, muito à vontade, depois de terem atuado juntos em “Levada da Breca”, outro grande clássico daquele mesmo ano. Tudo gira à volta dos dois atores, o que deixa a sensação de que os restantes personagens apenas existem para enfatizar a presença dos dois. O argumento, porém, é sólido e inteligente, com personagens bem construídos. Isso permite também que o cenário (grande parte da ação acontece na mansão dos Seton), pelas lentes habilidosas do diretor Cukor, ganhe uma dimensão própria e seja um importante elemento do filme.

Uma comédia bem a frente de seu tempo

Pouco importa em “Boêmio Encantador” a sua aparência típica de romance dos anos 30 (que o título em português parece tornar ainda mais evidente), quando a presença da atriz Katherine Hepburn, já tendo ganhado um Oscar, era o principal chamariz nas bilheterias, pois o filme é muito mais do que um veículo para uma estrela em franca ascensão. Na época em que foi produzido, infelizmente, o Código de Produção soprou para longe o prestígio e o poder de muitas atrizes que, como Hepburn, conquistaram força e prestígio em Hollywood. Por conta disso, os papéis fortes para as mulheres desapareceram porque as mulheres já não tinham uma voz forte no cinema. Assim, Joan Crawford, Miriam Hopkins, Norma Shearer, entre outras, tiveram problemas e acabariam afundando nos papéis que lhe foram dados a partir de então. No caso deste filme de George Cukor, Hepburn teve a sorte de conhecer pessoas que a ajudaram a atuar nessa adaptação da peça “Holiday”, de Philip Barry, de 1928, na qual ela mesma já tinha atuado antes (ela tinha sido suplente de uma colega de palco), e que acabou por ser um excelente cartão de visita uma vez que a presença da atriz é um atrativo a mais neste grande filme.

Cary Grant é Johnny Case, jovem empresário mais concentrado em fazer uma carreira fazendo algo que gosta do que em obter rios de dinheiro. Durante um feriado, ele conhece Julia Seton (Doris Nolan), os dois se apaixonam e ele vai a Nova York para conhecer o pai dela, sem saber que ela vem de uma família muito rica, o que o deixa perplexo, principalmente quando conhece a família da jovem, o que inclui sua irmã de pensamento moderno Linda (Hepburn) e o irmão alcóolatra Ned (Lew Ayres). Ambos não compartilham das ideias que o pai tem sobre o modo como as coisas devem ser, e logo simpatizam com Johnny. Quando os planos para o casamento avançam, fica claro que Johnny será forçado a anular seus sonhos, não só para ganhar a aprovação do pai deles, mas porque Julia pensa que essa é a maneira mais correta de agir.

A primeira coisa a dizer sobre o filme é que o título em português engana mais do que o original “Holiday”, fazendo parecer uma comédia romântica como aquela que reuniu os mesmos Grant e Hepburn em “Levada da Breca”, por exemplo. “Holiday” é na verdade uma comédia dramática, não apenas charmosa na escalação de seu elenco, mas suficientemente sincera em seus argumentos, graças mais uma vez à direção impecável de George Cukor e à química extraordinária que Cary Grant e Katharine Hepburn demonstram na tela. Ela claramente detém a atenção do público e tira o brilho de todos à sua volta, mas o faz com emoção e tamanha naturalidade raras vezes vista nos filmes produzidos atualmente.

Por sua vez, Grant parece repetir o tipo que marcaria a sua carreira, mas seu personagem se sobressai a todas as outras performances do ator por exigir mais delicadeza e paixão do que ele estava acostumado até então. Méritos para o diretor Cukor, um dos maiores gênios do cinema na condução de atores, e não é por coincidência que todo o elenco secundário está perfeito, até mesmo Doris Nolan no papel da noiva, mesmo que o público fique se perguntando o que realmente Johnny viu nela para abandonar seu celibato de quase 30 anos. Lew Ayres também está muito bem como o irmão alcóolatra, mas o destaque fica para o casal amigo de Johnny, os Potter, interpretados por Edward Everett Horton e Jean Dixon, dois intelectuais com senso de humor mais árido que a paisagem do Mojave. Cada cena com eles torna ainda mais agradável participarmos da história.

Os títulos de trabalho do filme foram “Unconventional Linda” e “Vacation Bound”. Fontes afirmam que Joan Bennett foi cotada para o elenco como Julia Seton e Ginger Rogers foi inicialmente cogitada como Linda Seton. George Cukor teria testado Rita Hayworth para o papel de Julia, mas considerou a atriz inexperiente demais e o papel ficou com Doris Nolan. Katharine Hepburn contou em sua autobiografia que a Columbia a tomou emprestado da RKO para esta produção depois que ela recusou o papel principal em “Aves sem Rumo” (“Mother Carey’s Chickens”, de 1938). Hepburn, que tinha acabado de ser rotulada como “veneno de bilheteria” pelos donos de cinemas independentes após uma série de fracassos que estrelou para a RKO, incluindo a sua filmagem anterior, “Levada da Breca”, deixou o estúdio logo após a produção. A atriz tinha sido a suplente para o papel de “Linda” na peça da Broadway e esperava estrelar a versão cinematográfica do filme, e foi ela quem convenceu o chefão do estúdio Harry Cohn a produzi-lo para a Columbia. Ela também solicitou George Cukor como diretor e Cary Grant para o papel de Johnny.

Embora Donald Ogden Stewart e Sidney Buchman tenham sido creditados pelo roteiro, Cukor alegou que este foi inteiramente obra de Stewart. Por sua vez, Stewart foi um dos melhores amigos de Philip Barry, o autor da peça original, e trabalhou na fase de produção da peça, inclusive interpretando o personagem Nick Potter, personagem vivido por Edward Everett Horton neste filme. Horton também atuou no mesmo papel na primeira versão cinematográfica da peça, filmada pela Pathé em 1930, e estrelada por Ann Harding e Mary Astor. Em 15 de junho de 1978, uma versão musical da peça, intitulada “Happy New Year”, foi inaugurada em Nova York, com dezesseis canções de Cole Porter.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0030241/

Melhores Momentos:

Cary Grant & Katharine Hepburn Holiday Scene:

Galeria de Imagens:

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