Filmes: Adversidade (1936)

ADVERSIDADE

anthonyadverse_2Título Original: Anthony Adverse
País: Estados Unidos
Ano: 1936
Duração: 141 min.
Direção: Mervyn LeRoy
Elenco: Fredric March, Edmund Gween, Olivia De Havilland, Anita Louise, Claude Rains, Gale Sondergaard, Donald Woods, Louis Hayward, Akim Tamiroff, Steffi Duna, Ralph Morgan.
Sinopse:
No final do século 18 na Itália, uma bela jovem se vê casada com um homem rico, mas cruel e mais velho. No entanto, ela está apaixonada por outro homem, mais jovem. Quando o marido descobre, ele mata o amante em uma luta de espadas, e leva sua esposa em uma longa viagem pela Europa. Meses depois, ela morre ao dar à luz um filho. O marido deixa o filho em um convento, onde ele é criado e recebe o nome de “Anthony Adverse” por causa da adversidade em sua vida. Já adulto, se torna aprendiz de um comerciante local, mas a sua adversidade apenas começou, e o destino o leva para Cuba, África e Paris.

Produção bem cuidada da Warner que venceu o Oscar nas categorias de Fotografia para Tony Gaudio, Montagem para Ralph Dawson, Música para Leo Forbstein e de Atriz Coadjuvante para Gale Sondergaard, a primeira a vencer nessa categoria inaugurada naquele mesmo ano, como a amiga e sócia do mercador escocês interpretado por Edmund Gween. O filme envelheceu muito em sua proposta, mas ainda merece ser visto por conta das ótimas atuações de Fredric March e Olivia De Havilland, recém-saída do grande êxito “Capitão Blood”.

Um drama de época que parece saído das páginas de Dickens

“Adversidade” se baseia no best-seller de Harvey Allen, um dos maiores êxitos literários da época da Grande Depressão, e tem nas atuações de Fredric March e Olivia De Havilland um divisor de águas em suas carreiras. O autor do livro nunca teve, a exemplo de Margaret Mitchell (autora de “E o Vento Levou”) outro livro de sucesso, mas deve ter obtido o suficiente para viver com conforto até o fim da vida. A Warner pagou cerca de 40 mil dólares ao autor pelos direitos de filmagem, mas não há como esconder as influências de Charles Dickens (“David Copperfield”) na história, mesmo que o cenário não seja a Inglaterra vitoriana. Até mesmo os personagens secundários parecem saídos das páginas de um livro de Dickens, Dumas, Tolstoi ou Balzac.

O maior mérito do filme coube ao diretor Mervyn Leroy e ao roteirista Sheridan Gibney, que conseguiram adaptar o volumoso romance de 1200 páginas em um filme de 141 minutos que por mais longo que possa parecer, não desperdiça fotogramas desnecessariamente. A prosa barroca e erudita de Allen foi transformada em uma narrativa épica de romance e aventura que explorava o interesse do público pelo gênero durante os anos 30 e ao mesmo tempo manteve os simbolismos religiosos contidos na história original (o autor parece ter sido um Católico devotado com um evidente fascínio pelo corpo religioso da Igreja, a Virgem Maria e os símbolos da crucificação). O grande problema é que tanto no livro quanto no filme o personagem principal não apresenta qualquer caráter heroico, e como seu próprio nome diz, é mais uma vítima das adversidades do destino e de constantes humilhações: um personagem absolutamente filosófico envolvido em transações financeiras e não em duelos de espada.

Anthony Young (Fredric March) é o produto de um romance entre o jovem oficial Louis Hayward (Claude Rains) e a esposa de um diplomata espanhol (Anita Louise). O marido mata Hayward em um duelo e quando sua esposa morre no parto, deixa a criança em um convento. As freiras dão-lhe o nome de “Anthony Adverse” como o menino chega no dia de Santo Antônio e é um filho da adversidade, se alguma vez houve um. Crescido, se torna aprendiz de seu avô materno (Edmund Gwen) que não o reconhece a princípio. A governanta (Gale Sondergaard, em sua estreia nos cinemas e já conquistando o Oscar de coadjuvante) descobre o segredo. Ele se apaixona por uma aspirante a cantora (Olivia De Havilland), se casam e têm um filho, mas ambos tomam caminhos diferentes em busca por bens materiais e conforto.

O filme representou um bom trabalho para Olivia De Havilland logo após o êxito de “Capitão Blood”. Embora Fredric March já estivesse com quase 40 anos para interpretar um personagem tão jovem, o ator o fez com grande convicção, ajudado pela caracterização do personagem e pelo período curto de tempo em que a história se passa, a partir de 1773 quando Anthony Adverse nasceu. O personagem de Edmund Gwenn é Dickens puro, enquanto Gale Soundergaard estabeleceu um padrão de vilã para as personagens que ela interpretaria posteriormente até ter problemas com o macarthismo do final dos anos 40. Ela ganhou o Oscar de coadjuvante simplesmente sorrindo satânicamente por duas horas, enquanto Claude Rains guarda para si a grande interpretação do filme, exultando decadência, arrogância e sadismo.

Até o seu lançamento, “Adversidade” foi o filme mais longo produzido pelos estúdios Warner, e uma das mais caras produções da época, exigindo 131 cenários diferentes, incluindo a construção de um cenário de 12 acres para as cenas passadas na África – o maior set já construído até então. Para reduzir custos, o estúdio utilizou uma maquete para as cenas em Port Royal, a mesma construída por Fred Jackman e utilizada em “Capitão Blood”. Apesar de ser um romance extenso, esta adaptação a cargo de Jack Warner conseguiu capturar as principais passagens do livro, que mesmo esquecido nos dias de hoje, ainda se mantém interessante, graças aos aspectos técnicos e artísticos: a magnífica música de Erich Wolgang Korngold (o compositor da trilha original e que não recebeu o Oscar, dado a Leo Forbstein, o Chefe do Departamento de Música da Warner, um erro histórico por parte da Academia) e a belíssima fotografia de Tony Gaudio.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0027300/

Trailer:

Warner Promo Film – The Making of Anthony Adverse:

Galeria de Imagens:

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