Filmes: Asas (1927)

ASAS
wings_1Título Original: Wings
País: Estados Unidos
Ano: 1927
Duração: 139 min.
Direção: William A. Wellman
Elenco: Clara Bow, Charles “Buddy” Rogers, Richard Arlen, Gary Cooper, Jobyna Ralston, Arlette Marchal, El Brendel, Henry B. Walthall, Roscoe Karns, Hedda Hopper, Richard Tucker, Roscoe Karns.
Sinopse:
A aviação americana na I Guerra Mundial é vista sob o ponto de vista de dois pilotos, de classes sociais diferentes e que amam a mesma mulher.

Primeira produção a ganhar o Oscar de Filme, e único filme sem diálogos a ganhar o prêmio até “O Artista”, de 2012, “Asas” tem seu interesse restrito a aspectos históricos do cinema, como o Oscar dado ao técnico Roy Pomeroy pelos efeitos especiais pioneiros. A sua história banal, é valorizada pelas sequências de ação, com música e efeitos de som sincronizados. Roteiro de Hope Loring e Louis D. Lighton, é baseado na história de John Monk Saunders. Numa época em que os efeitos especiais eram rudimentares, “Asas” tem por base cenas de ação e acrobacias aéreas extraordinárias, que, ainda hoje, surpreendem pelas tomadas espetaculares. O realizador William A. Wellman (ex-piloto e veterano da I Guerra Mundial) filmou as cenas de ação como se tratasse de uma operação militar, comandando um “exército” de 3.500 figurantes (na sua maioria militares, resultado do apoio do exército norte-americano ao filme), 65 pilotos e 17 operadores de câmera, para além de atores e técnicos da Paramount. O resultado, após um ano de produção e 2 milhões de dólares de orçamento, é um filme com cenas de ação impressionantes onde é possível perceber o perigo real pelo qual os pilotos passaram durante as filmagens. “Asas” fica também na história do cinema como o filme que lançou a carreira de Gary Cooper. Muito embora apareça brevemente no filme (apenas três minutos em cena) a sua presença impressionou o público e o ator ganhou uma exposição que lançou a sua carreira. Durante anos, “Asas” foi dado como perdido, mas a descoberta de uma cópia em nitrato na Cinémathèque Française permitiu que o filme voltasse a ser exibido e em 1987, a Biblioteca do Congresso Norte-Americano procedeu ao restauro do filme, que se encontra no programa de salvaguarda da Biblioteca.

Um clássico que vale pelos efeitos pioneiros

“Wings” se tornaria o primeiro de muitos filmes sobre aviação dirigido por William A. Wellman, que era um piloto e um veterano do renomado Esquadrão francês Lafayette Flying Corp da Primeira Guerra Mundial. O avião pilotado por ele foi batizado de “Celia”, em honra à sua mãe e a ele são dados os créditos de três registros de derrubada de aviões inimigos, além de cinco outras prováveis derrubadas. o avião de Wellman foi abatido e ele sobreviveu à queda, mas se tornaria manco pelo resto da vida. Após a guerra, Wellman serviu ao Exército americano por dois anos e ensinou táticas de combate aos cadetes de Rockwell Field em San Diego.

“Wings” é baseado em uma história original de John Monk Saunders, com roteiro de Hope Loring e Louis D. Lighton e títulos de Julian Johnson. O escritor Byron Morgan manteve constante correspondência com a Famous Players-Lasky entre 1925 e 1926 através da qual apresentou suas ideias para um filme sobre a aviação na Primeira Guerra Mundial. Apesar de ter recebido um pagamento de 3 750 dólares por sua contribuição, Morgan não recebeu créditos no filme.

Embora “Wings” tenha tido a sua estréia em 1927 e continuado em compromissos de contrato em “road show” durante o ano de 1928 ele não foi registrado pelos direitos de autor até 5 de janeiro de 1929, momento em que uma partitura musical e efeitos sonoros foram adicionados para o seu lançamento nacional. As seqüências aéreas foram projetadas em Magnascope e, de acordo com fontes da época, eram colorizadas de uma forma não natural, com céu e nuvens coloridas habilmente e uma chama disparando dos aviões. A mesma fonte indicou que o filme tinha quatorze bobinas de comprimento quando foi mostrado primeiramente para uma plateia de San Antonio, mas foi cortado antes do lançamento oficial e que o tempo de execução de 139 minutos foi dividido por um intervalo depois de 65 minutos. Além disso, um efeito de tela dividida horizontalmente foi usado durante uma das cenas de batalha aérea.

Na primeira cerimônia de entrega do Oscar, “Wings” ganhou o prêmio de Melhor Produção, enquanto “Aurora” recebeu o de Melhor Qualidade Artística. Os dois prêmios foram eliminados no ano seguinte e desde então um único prêmio passou a ser entregue na categoria principal do Oscar. Curiosamente, “Wings” se tornou o único filme mudo a vencer o Oscar de Melhor Filme até “O Artista” receber o mesmo prêmio em 2012.

De acordo com o diário de produção encontrado pela AMPAS, a filmagem de várias cenas foi remarcada para acomodar a conclusão por parte da atriz Clara Bow do filme “Rough House Rosie”. Embora houvesse uma trama romântica na história, a presença de Clara Bow neste filme interpretando a enfermeira Mary Preston foi apenas uma forma de o estúdio explorar a sua enorme popularidade na época. Sua participação em “Asas” é meramente decorativa, o que desagradou a atriz, que além disso detestou o uniforme que precisou usar no filme. Richard Arlen, que interpreta David Armstrong, e era um veterano da Força Aérea Real na I Guerra Mundial, e Charles “Buddy” Rogers, que interpreta Jack Powell e que aprendeu a pilotar durante as filmagens, fizeram os seus próprios vôos em algumas das sequências vistas no filme. Vários pilotos militares e dublês civis realizaram proezas no filme e de acordo com várias fontes, o dublê de piloto Dick Grace sofreu uma grave torção no pescoço ao executar uma acrobacia aérea precisando permanecer internado em um hospital durante seis semanas até se recuperar. Grace também foi identificado como o aviador norte-americano que se encolhe quando é beijado por uma francesa ao ser condecorado. Margery Chapin Wellman e Gloria Wellman, esposa e filha do diretor Wellman, aparecem no filme como uma camponesa francesa e sua filha, respectivamente, proximo ao final do filme. O próprio Wellman faz uma participação durante a batalha final, onde é visto sendo baleado.

De acordo com algumas fontes, Richard Johnston atuou como assistente do diretor, Frank Blount como gerente de produção, Edith Head como figurinista e Otto Dyar como fotógrafo. Fotógrafos de cenas adicionais no filme foram E. Burton Steene, L.B. “Bill” Abbott, George Stevens e o sargento Ward. As seguintes pessoas supervisionaram as seqüências de vôo: S.C. Campbell, Ted Parsons, Carl von Hartmann e James A. Healy. O Brigadeiro F.P. Lahm e o Major F.M. Andrews comandaram os pilotos militares. O Brigadeiro-General Paul B. Malone estava no comando da construção em Camp Stanley, e o Capitão P.E. Ketchum, um engenheiro militar, supervisionou a reprodução técnica e histórica dos sistemas de trincheira retratados no filme. O Tenente Hap Arnold, que mais tarde se tornaria um general, serviu como consultor técnico, o Major P.M. Jones supervisionou as manobras de tropas do solo, o Capitão Robert Mortimer atuou como supervisor de munições e o oficial de comunicações foi o capitão Walter Ellis. O Tenente-Comandante Harry Reynolds e o Capitão Bill Taylor ajudaram a preparar os planos para a filmagem.

Todas as cenas foram pensadas ao pormenor, no entanto, tal preparação não impediu alguns acidentes graves e a perda de aviões. Um piloto do exército morreu em uma queda e Wellman temia que isso forçasse a interrupção das filmagens. Após uma perícia, o exército culpou o piloto pelo acidente e não o diretor. A produção do filme foi feita com contribuições importantes do Departamento de Guerra dos Estados Unidos. A recriação da batalha de St. Mihiel foi rodada em locações em Camp Stanley, perto de San Antonio, no Texas, e sequências aéreas foram filmadas em Kelly Field. A produção comandada por Wellman gastou um ano em pesquisas na escola de Brooks Field para garantir a autenticidade das cenas. Além dos locais de filmagens, o Departamento de Guerra disponibilizou desde aviões a pilotos aéreos de todo o país. Militares atuaram como soldados em terra, e também ajudaram a equipe de produção através da construção de trincheiras e a produzir explosivos.

Além do Oscar de Melhor Filme, “Asas” recebeu um prêmio especial dado a Roy Pomeroy pelos efeitos especiais e técnicos. Apesar da exímia reconstituição histórica, da ótima fotografia a cargo de Harry Perry e das cenas impressionantes de combate, “Wings” é mais lembrado pela primeira cena de beijo entre dois personagens masculinos e pela breve cena de Gary Cooper como o cadete White, que ajudou a lançar sua carreira e foi o início de seu relacionamento amoroso com a atriz Clara Bow. Em 1987, técnicos da Biblioteca do Congresso norte-americano concluiram uma cópia restaurada de “Wings” que foi encontrada na Cinemateca de Paris depois de o filme ter sido dado como perdido durante muitos anos. Charles Rogers, um dos poucos veteranos do filme que ainda viviam nessa época, assistiu à estréia da nova impressão realizada no Teatro Mary Pickford da Biblioteca, nomeado assim para a sua falecida esposa.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0018578/

Trailer Versão Restaurada:

Cenas do Filme:

Galeria de Imagens:

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