Filmes: A Múmia (1932)

A MÚMIA
mummy1932_2 Título Original: The Mummy
País: Estados Unidos
Ano: 1932
Duração: 73 min.
Direção: Karl Freund
Elenco: Boris Karloff, Zita Johann, David Manners, Arthur Byron, Edward Van Sloan, Bramwell Fletcher, Noble Johnson, Kathryn Byron, Leonard Mudie, James Crane, Henry Victor, Arnold Gray, Tony Marlow, Eddie Kane.
Sinopse:
Em 1921, uma expedição no Egito descobre a múmia de 3700 anos de idade do príncipe egípcio Im-Ho-Tep, condenado a ser enterrado vivo por cometer sacrilégio. Em sua tumba também estava um papiro que pode trazer Im-Ho-Tep de volta à vida. Quando um membro da expedição lê o encantamento em voz alta, o principe renasce e vai em busca da sua princesa, reencarnada em uma bela jovem.

Célebre produção da Universal, que juntamente com outros clássicos do gênero, transformou o estúdio fundado por Carl Laemmle, na “casa dos monstros” na década de 30, graças a filmes como “Dracula”, “Frankenstein”, “O Homem Invisível” e este “A Múmia”, que marcou a carreira de Boris Karloff. Graças à atmosfera sombria construída pelo lendário Karl Freund, que se inspira nos modelos expressionistas e a excelente maquiagem de Jack Pierce, o filme mantém o interesse e permanece até hoje como um dos mais importantes do gênero em todos os tempos.

Um clássico do horror com toques expressionistas

Para o sucesso de público e crítica que foi “A Múmia” na época do seu lançamento e para a vitória desse filme sobre o tempo e sobre todas as suas inúmeras sequências e remakes, foram decisivas as participações de três grandes nomes do cinema em todos os tempos: o diretor do filme Karl Freund, mais conhecido por seu trabalho como fotógrafo nos clássicos do cinema Expressionista alemão e que emigrou para Hollywood no final dos anos 20, o maquiador Jack Pierce, um dos maiores especialistas em efeitos de maquiagem no início do cinema norte-americano, e o ator Boris Karloff, que vinha de outro grande êxito de público e crítica, “Frankenstein”, e cuja atuação em “A Múmia” elevou-o para sempre entre os grandes atores do cinema.

Falar em Karl Freund, é referir-se à uma das maiores lendas da cinematografia de todos os tempos. Fotógrafo dos mais memoráveis filmes do período silencioso, tanto na Alemanha quanto nos Estados Unidos, Freund fotografou “Metropolis” de Fritz Lang e vários filmes para F.W. Murnau, mas dirigiu apenas dois filmes em sua carreira: “Mad Love” (1935), estrelado por Peter Lorre, e este “A Múmia”, de 1932, que hoje habita o imaginário coletivo dos fãs de cinema. O primeiro esforço de Freund na direção após fotografar “Drácula” e “Murders in the Rue Morgue” para a Universal, e realizado na sequência de “Frankenstein” e “The Old Dark Horse”, muitos dos méritos desse clássico “filme de monstro” repousam nos ombros do diretor, principalmente pela forma como Freund – usando os modelos dos filmes que fotografou ainda no tempo do cinema silencioso alemão – filmou “A Múmia” como se este fosse um filme mudo. Isso foi decisivo na construção do clima e na criação de sequências memoráveis, como a cena magistral em que Im-Ho-Tep retorna à vida ou o flashback em que ele mostra à sua amada o que aconteceu com ele.

Por sua vez, este filme já trazia Karloff como ídolo do público graças ao grande sucesso de “Frankenstein” que o tornou mundialmente conhecido, a despeito de suas grandes atuações em filmes menores. Ver Karloff atuar em “A Múmia” e observar sua figura imponente, seu rosto grave e sua voz soturna é embarcar em uma época em que grandes atores faziam a diferença em qualquer dos filmes em que atuavam. Sua atuação em “A Múmia” apenas ratificou sua entrada para a lista dos grandes astros do cinema. Os créditos também devem ser dados ao elenco de apoio, inclusive Zita Johann como Helen, uma atriz de teatro que não conseguiu fazer carreira em filmes, e o sempre confiável Edward Van Sloan em uma atuação perfeita como Dr. Muller. Como o mocinho Frank, David Manners é uma presença mais prática do que foi em “Dracula”, mas o grande destaque fica mesmo para Noble Johnson como o servo núbio.

Na época do lançamento de “A Múmia”, Boris Karloff foi anunciado como “Karloff the Uncanny” (algo como “O Estranho Karloff”) e fontes afirmam que seu salário até então ainda estava abaixo de US$ 400 por semana. A sua maquiagem, aplicada por Jack Pierce (que trabalhou com ele em “Frankenstein”) beira o magistral e consistia basicamente de uma mistura de algodão, borracha, cola e tinta. Ambos criaram um monstro que fugia aos padrões do gênero, e à maneira que atuou em “Frankenstein”, Karloff impregna o personagem de um sentido de humanidade que nunca mais seria visto em produções do gênero, muito menos nas sequências que o filme teria nos anos seguintes, em que uma vez transformado em estereótipo o personagem acabaria adquirindo feições cartunescas, assim como todos os outros monstros clássicos da Universal, sejam vampiros, lobisomens, múmias ou o próprio Frankenstein.

Embora Karloff já tivesse interpretado personagens com diálogos em filmes menores, nos outros dois filmes que o tornaram famoso anteriormente seus personagens não tinham falas: “Frankenstein” e “The Old Dark House”. O público que correu para os cinemas para ver “A Múmia” descobriu não só um grande ator, mas alguém com uma voz que parecia vir de alguma dimensão sobrenatural. Embora seja o protagonista do filme, o tempo de cena de Karloff é pequeno, e em pensar que ele se submetia a um ritual de cerca de 8 horas para ser preparado para as filmagens, o ator entrega uma atuação perfeita, levando-se em conta também a quantidade de algodão e cola aplicados para criar o rosto enrugado do personagem e que dificultavam a movimentação dos músculos faciais do ator e atrapalhavam até mesmo na hora de ele dizer suas frases. Seu corpo magro e esguio, e sua movimentação discreta, sem movimentos exagerados, e o uso que faz da sua voz são a melhor prova do cuidadoso trabalho psicológico que Karloff criou em torno do personagen.

Há muito da estrutura de “Drácula” em “A Múmia”, e se mudarmos a múmia por um vampiro e o Cairo pela Transilvânia, teremos novamente uma trágica história de amor dentro de um filme de horror, envolvendo detalhes semelhantes como o uso de símbolos religiosos para repelir o monstro, hipnose e dois atores que foram vistos atuando também em “Drácula” em papéis muito parecidos: Edward Van Sloan e David Manners. Mas “A Múmia” é um filme mais poderoso do que “Drácula”. Pode-se dizer que existem mais talentos reunidos aqui do que no filme de Bela Lugosi, e há um roteiro que deixa subentendido temas provocativos e raros nos filmes do gênero até então, como o amor proibido, a reencarnação, a profanação religiosa, a tortura e o desejo de reviver o passado mas ao mesmo tempo a necessidade de abraçar o presente, elementos combinados de forma homogêna por um dos melhores roteiros já escritos para um filme de horror.

O cuidadoso enfoque psicológico, o tema do amor proibido e as ambições de seus realizadores de se criar algo inédito e definitivo em “A Múmia” ficam bem evidentes nas cenas entre Im-Ho-Tep e Anckesen-Amon, reencarnada em Helen, e valorizadas pelos diálogos brilhantes: “Meu amor durou mais tempo do que o templo dos nossos deuses. Nenhum homem jamais sofreu tanto quanto eu sofri por você”, diz ele, algumas cenas antes de receber a resposta de Anckesen-Amon: “Não, eu estou viva. E eu sou jovem. Eu não vou morrer. Eu te amei uma vez, mas agora você pertence aos mortos. Eu sou Anckesen-Amon, mas também sou outra pessoa. Eu quero viver, ainda que neste estranho mundo novo.”

O filme inteiro custou cerca de 196 mil dólares, uma ninharia mesmo para a época, e a falta de maiores recursos é compensada com criatividade e bom gosto pela equipe de produção, que parece transportar o espectador para o Egito antigo graças aos cenários incrivelmente convincentes. Manipulando o imaginário coletivo de uma forma semelhante aos filmes alemães em que trabalhou, Freund escapa dos cortes de produção usando recursos subjetivos como a sugestão em vez do horror explícito, o uso de uma narração em flashback que é valorizada pela narração mórbida de Karloff (infelizmente, a Universal reduziu toda sequência original para diminuir os custos), e em outras passagens, o diretor dá ao personagem um aspecto ainda mais misterioso e mortal, atuando como uma força maligna capaz de assassinar pessoas a quilômetros de distância.

A história de Nina Wilcox Putnam e Richard Schayer foi intitulada “Cagliostro”, e era baseada no famoso profeta e charlatão francês que afirmava ter vivido por muitos séculos, e mais tarde foi reescrita para aproveitar a procura por temas egípcios depois da descoberta do túmulo do Faraó Tutancâmon em 1922 e a alegada maldição que a acompanhava. Um dos títulos de trabalho do filme foi “Imhotep e o Rei dos Mortos”. Após os créditos aparecem as seguintes palavras: “Este é o Pergaminho de Thoth. Aqui estão definidas as palavras mágicas pelas quais Ísis despertou Osíris dentre os mortos. Oh Amon-Ra! Oh Deus dos Deuses – A morte é apenas a porta de entrada para uma nova vida. Nós vivemos hoje, nós viveremos novamente, em muitas formas nós haveremos de retornar – Oh, Único e Poderoso”. Durante a década de 1940, a Universal produziu uma série de seqüelas, começando com “A Mão da Múmia” (“The Mummy’s Hand”, 1940), com Tom Tyler como a Múmia Kharis, e depois “A Tumba da Múmia” (“The Mummy’s Tomb”, 1942), “A Sombra da Múmia” (“The Mummy’s Ghost”, 1944) e “A Maldição da Múmia” (“The Mummy’s Curse”, 1944), todas estreladas por Lon Chaney Jr.

“A Múmia” foi refeita pelos estúdios Hammer na Inglaterra, em 1959, com direção de Terence Young e Christopher Lee no papel título. A Universal só viria a produzir o seu remake em 1999, dirigido por Stephen Sommers e estrelado por Brendan Fraser, Rachel Weisz e Arnold Vosloo. O sucesso desta nova versão de 80 milhões de dólares cheia de efeitos visuais sofisticados motivou uma sequência em 2001, “O Retorno da Múmia”, com o mesmo diretor e elenco, e um terceiro filme em 2008, já sem a presença de Rachel Weisz. Porém, antes ou mesmo depois de assistir ao remake de 1999, volte seus olhos para este filme de 1932 e tenha uma das experiências cinematográficas mais inesquecíveis de sua vida.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0023245/

Trailer:

Links para Download “A Múmia” 1932 RMVB Legendado 260 mb*:

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Galeria de Imagens:

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