Filmes: Rainha Christina (1933)

RAINHA CHRISTINA
queenchristina_1Título Original: Queen Christina
País: Estados Unidos
Ano: 1933
Duração: 99 min.
Direção: Rouben Mamoulian
Elenco: Greta Garbo, John Gilbert, Lewis Stone, Ian Keith, C. Aubrey Smith, Reginald Owen, Elizabeth Young, Georges Renavent, David Torrence.
Sinopse:
No século XVII, a Rainha da Suécia deve escolher se permanece leal ao seu país ou abdica ao trono para viver com seu amante.

Em “Rainha Christina”, a direção inspirada do especialista Rouben Mamoulian aproveita a beleza deslumbrante da estrela sueca para construir um clássico do cinema romântico, apoiado em excepcional fotografia em preto e branco e direção de arte caprichada, e joga, de forma inteligente e ousada com a ambigüidade sexual da personagem para criar cenas de amor memoráveis entre Garbo e John Gilbert, assim como é antológica a cena final.

O filme que ajudou a consolidar o mito Greta Garbo

Muitas histórias cercam “Rainha Christina”, talvez o mais mítico dos filmes estrelados pela diva sueca. Greta Garbo, inicialmente solicitou que Laurence Olivier representasse o papel principal, Don Antonio, uma vez que ela ficou impressionada com seu desempenho em “Westward Passage” (1932). Em julho de 1933, a imprensa noticiou que Olivier tomaria parte do filme, mas quando fizeram os ensaios, em agosto, Garbo e Olivier não tinham a menor química, e ele foi liberado, embora a MGM honrasse seu vencimento negociado de US $ 1.500 por semana durante quatro semanas. Garbo pediu que John Gilbert fosse escalado para o papel em seu lugar. Desde que o prestígio de John Gilbert começou a decair em Hollywood, Garbo insistiu o quanto pôde para que ele conseguisse os principais papéis masculinos, e “Rainha Chistina” é um desses exemplos. Infelizmente, o filme não ajudou Gilbert a se manter entre os grandes atores, e ele pouco tempo depois acabaria esquecido por completo.

O filme foi lançado em 26 de dezembro de 1933, e embora Greta Garbo já fosse um dos grandes expoentes de Hollywood, ninguém levava fé de que aquela produção de Mamoulian sobre a rainha da Suécia permaneceria visto, revisto e admirado em pleno século 21. A história de Christina foi alterada, mas no entanto não há graves distorções. Christina desde cedo recebeu do pai uma educação masculinizada para que estivesse apta a herdar o trono. Supostamente, assim como no filme, ela teria um relacionamento com Ebba, sua dama de companhia, e muitos historiadores insistem que Christina abdicou do trono em 1654 para ficar com ela, mesmo Ebba tendo se casado pouco tempo antes. Após deixar o trono, Christina viajou para Roma vestida como homem e se dedicou às artes e à cultura geral. Mais tarde, envolveu-se com um cardeal para o qual deixou suas posses quando morreu aos 63 anos de idade.

O filme mostra uma série de fatos reais de sua vida (a sua coroação em 1632 e seu desejo de paz), bem como alguns eventos complementares, mas, como a maioria dos outros filmes, a história tinha que ser interpretada como a necessidade da audiência de 1930 pedia. Christina viaja como homem e acaba dividindo um quarto com um enviado do Rei da Espanha, Don Antonio De Pimentel, que se torna seu amante. As cenas íntimas são bastante controversas para a época, mas também muito discretas, embora perceba-se que só havia uma cama no quarto. É a cena mais memorável do filme, pela forma como Mamoulian mostrou que seu talento era realmente extraordinário: nada vulgar ou explícito, e sem tabus. Christina é mostrada andando pelo quarto e tocando todos os objetos, a fim de memorizá-los como parte da noite de amor com Don Antonio. Greta Garbo dá uma de suas melhores performances nesta cena, que foi tão cuidadosamente coreografada que a atriz a realizou com o uso de um metrônomo. Além disso, o lesbianismo da personagem fica subentendido. Existe apenas um momento em que Christina beija uma de suas servas na boca.

O roteiro deixa passagens polêmicas da vida da monarca de fora, focando-se mais no desejo de Christina por sua felicidade pessoal e amorosa com Don Antonio, algo que os diálogos acentuam bem: “I’m tired of being a symbol, Chancellor, I long to be a human being! This longing I cannot suppress!” (“Eu estou cansada de ser um símbolo, chanceler, eu quero ser um ser humano! Esse desejo eu não posso omitir!” Esse é outro aspecto importante no filme, que mostra o desejo de Christina em agir como um ser humano, não um símbolo de seu país. Sua célebre frase reflete bem sua personalidade. Tudo o que ela faz é pensando em sua felicidade e nos planos de uma vida feliz com Antonio. No entanto, Antonio morre em seus braços e seu amor não pode ser cumprido. O plano final do filme com Christina de pé na proa de um navio é outro momento impressionante, magnífico. Antes de filmar esta cena, Mamoulian teria dito a Greta: “Eu quero o seu rosto para ser uma folha de papel em branco. Quero que o texto seja escrito por cada membro da audiência …”

Para esta cena e o famoso close fechado no rosto de Garbo na proa do navio, o diretor Rouben Mamoulian queria que a câmera começasse com um plano longo e em seguida, em uma tomada ininterrupta, gradualmente fixasse em dois-terços do rosto de Garbo, permanecendo até o final da sequência. Infelizmente, com uma lente de 48 milímetros tão perto do rosto humano, os poros tendem a assemelhar-se a crateras na superfície da lua. A solução encontrada pelo diretor foi anexar à frente da lente um filtro de vidro semelhante à uma régua, mais claro em uma das extremidades e mais difuso em seu comprimento. Assim feito, a câmera se moveu sobre o rosto da estrela, suavizando as suas características faciais com um resultado mais lisonjeiro.

Greta Garbo realizaria performances sublimes em muitos filmes, incluindo “Anna Karenina” (1935), “Love” (1927), “Mata Hari” (1931), “Camille” (1936), e em todos eles, ela foi perfeita, mas seu desempenho em “Rainha Christina” é tão bom quanto em “Camille”, pelo qual ela chegou a receber uma indicação ao Oscar. Basta reparar em como ela age interpretando um homem enquanto se encontra com Antonio na pousada, ou quando Christina pede o fim da Guerra dos Trinta Anos: “Espólios, glória, bandeiras e cornetas! O que está por trás destas palavras altissonantes? Morte e destruição!”

John Gilbert também faz um bom trabalho como Antonio, mas ele, como todo mundo no filme, permanece na sombra de Greta. Embora muitos afirmassem que a voz de Gilbert era imprópria para os “talkies”, em “Queen Christina” percebe-se que não há nada de errado nela. Pelo contrário, Gilbert repete seus diálogos com uma bem treinada acentuação clássica e muita articulação, o que ajuda a provar que ele na verdade foi vítima da perseguição de Louis B. Mayer, que o odiava e praticamente arruinou sua carreira. Por sua vez, o alcoolismo destruiria também a saúde do ator, que morreria em 1936, aos 38 anos.

Muito poucas atrizes conseguiram deixar um traço tão perene como Greta Garbo o fez nos poucos filmes em que atuou. “Queen Christina” é uma obra de arte elevada em vários níveis. Mais de 70 anos se passaram desde que foi lançado e o filme ainda é um prazer de se ver. Existem filmes que você assiste e se esquece rapidamente. Existem filmes que você pode gostar de vê-los mais de uma vez para se lembrar por mais tempo. “Queen Christina” é um filme que, depois de ter visto uma vez, você nunca mais vai esquecer.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0024481/

Trailer:

Cena “Memorizando o Quarto”:

Galeria de Imagens:

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