Filmes: A Letra Escarlate (1926)

A LETRA ESCARLATE
scarletletter_1Título Original: The Scarlet Letter
Ano: 1926
País: Estados Unidos
Gênero: Drama
Duração: 115 min.
Direção: Victor Sjöström
Elenco: Lillian Gish, Lars Hanson, Henry B. Walthall, Karl Dane, William H. Tooker, Marcelle Corday, Fred Herzog, Jules Cowles, Mary Hawes, Joyce Coad, James A. Marcus.
Sinopse:
Boston, Século 17. O reverendo Arthur Dimmesdale e a costureira Hester Pryne se apaixonam. Porém, ela é casada, apesar do marido estar ausente há anos. Arthur tem que fazer uma viagem e quando retorna, encontra Hester esperando um filho seu e sofrendo a repressão da sociedade puritana, que a condena a usar a letra A – de “adultério” – em sua roupa por toda a vida.

Adaptação da obra de Nathaniel Hawthorne, este primoroso drama de época, produzido antes do advento do cinema sonoro, traz o prestigiado diretor sueco Victor Sjöstrom (ou Seastrom, como passou a chamar-se na América) em um dos nove filmes que produziu para o estúdio MGM em sua passagem pelos Estados Unidos, com grandes atuações de Lillian Gish como Hester Prynne e Lars Hanson como o reverendo Arthur Dimmesdale. O roteiro de Frances Marion e o cuidadoso trabalho de reconstituição de época, aos cuidados dos cenografistas Cedric Gibbons e Sidney Ullman, e do figurinista Max Rée, são outros dos destaques do filme.

Possivelmente a melhor atuação da lendária atriz Lillian Gish

O clássico de Nathaniel Hawthorne publicado em 1850 já vinha sendo adaptado para as telas desde 1908, através de curtas, o primeiro deles dirigido por Sidney Olcott, e protagonizado por Ruth Roland como Hester Pryne. Outras adaptações em forma de curta-metragem vieram em 1911 e 1913, mas só em 1917, a história ganhou um filme completo, dirigido por Carl Harbaugh, e estrelado por Mary Martin e Stuart Holmes nos papéis principais. Outra versão viria em 1922, dirigida por Frank Miller, e estrelando Sybil Thorndike. Esta versão de “A Letra Escarlate” só foi possível graças ao empenho pessoal da atriz Lillian Gish, que encabeçou uma campanha para que a Metro-Goldywn-Mayer produzisse o filme e lutou contra os grupos de moralidade que eram contra o livro de Hawthorne, que permanecia na lista de livros proibidos. O chefão do estúdio,Louis B. mayer, estava receoso em arriscar a carreira de uma de suas atrizes mais importantes, temendo justamente a oposição dos grupos religiosos e moralistas.

Por conta disso, a atriz ironicamente enfrentou fora das telas as mesmas restrições morais que sua personagem enfrenta no filme. Ela convidou os suecos Victor Sjöström para dirigir e Lars Hanson para atuar ao seu lado, e de imediato não só se instruiu no método escandinavo de atuação como realizou uma de suas performances mais arrebatadoras, mostrando porque é considerada uma das maiores atrizes de todos os tempos. Embora a história voltasse a ser filmada por Robert G. Vignola em 1934, estrelada por Colleen Moore e Hardie Albright, esta versão é considerada a mais bem acabada, a começar pela própria transcrição do texto para as telas pela premiada roteirista Frances Marion (de “O Campeão” e “O Presídio”), a direção de arte primorosa de Cedric Gibbos e Sidney Ullman e pela fotografia de Hendrik Sartov, mas o melhor mesmo é acompanhar a maneira como Sjöström (ou Seastrom, como assinou seus filmes americanos) mostra a transformação da personagem.

No início do filme, Hester tem o rosto radiante e luminoso, enquanto brinca como costureira da comunidade, escolhe as roupas que pretende usar, ou quando está ao lado de seu amado sobretudo nas paisagens campestres, nas quais o diretor Sjöstrom preenche a tela de beleza e poesia. Mais tarde, porém, Lillian conduz o espectador diretamente ao seu drama interior, cujo climax se dá com sua inabalável calma em pé no cadafalso para suportar a vergonha ou ferozmente proteger sua filha não batizada, fruto de sua paixão proibida. Gish em nenhum instante perde o controle da personagem patética que está interpretando. A despeito de sua arrebatadora atuação em “Vento e Areia”, seu filme posterior, muitos críticos insistem em que “A Letra Escarlate” é sem dúvida alguma a sua melhor performance.

Por sua vez, o idioma não foi empecilho para o ator Lars Hanson (ele dizia suas falas em sueco, Lillian Gish dizia as suas em inglês), que tenta mostrar o lado humano e bondoso de seu personagem, um homem fraco consumido pela culpa, enquanto caminha para a inevitável e profundamente comovente conclusão. Lillian Gish gostou tanto de atuar com Hanson, que ele foi escolhido para interpretar seu par em “Vento e Areia”, também dirigido por Victor Sjöstrom. No elenco de apoio, estão excepcionais Henry B. Walthall (que atuou ao lado de Lillian Gish em “O Nascimento de uma Nação”) como Roger Prynne, que chega a Boston e prenuncia um terrível desfecho para os dois amantes, e Karl Dane, como Mestre Giles, um dos líderes da comunidade e que acrescenta um pouco de alívio cômico à essa trágica história de amor. Como curiosidade, Walthall também está presente na versão de “A Letra Escarlate”, de 1934, repetindo o personagem Roger.

O filme sofreu uma restauração em 2000 e ganhou uma trilha sonora composta por Lisa Anne Miller e Mark Northam. Por conta da utilização de fontes de qualidade e aspectos diferentes, a cópia em DVD acabou sofrendo um pouco com a adaptação para um único formato de tela. Nada que estrague o prazer de asssitir a esse clássico e comprovar o enorme talento dos envolvidos diretamente em sua realização: o talentoso diretor Sjöstrom e a lendária estrela Lillian Gish.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0017350/

Filme:

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