Filmes: O Ladrão de Bagdá (1924)

O LADRÃO DE BAGDÁ
thiefofbagdad_3Título Original: The Thief of Bagdad
País: Estados Unidos
Ano: 1924
Duração: 155 min.
Direção: Raoul Walsh
Elenco: Douglas Fairbanks Sr., Julanne Johnston, Anna May Wong, Snitz Edwards, Charles Belcher, Brandon Hurst, Noble Johnson, SoJin, Tote Du Crow.
Sinopse:
Adaptado do livro “As Mil e Uma Noites”, o filme mostra a missão de um jovem e esperto ladrão em derrotar um feiticeiro e devolver ao sultão o trono, com a ajuda de um “Gênio” que lhe concederá três desejos quando for libertado da garrafa.

Em “O Ladrão de Bagdá”, Douglas Fairbanks Sr. atingiu o auge da sua carreira como herói estonteante e fanfarrão em espetáculos de aventuras, históricos ou fantasistas. A nível visual, este filme é sem dúvida a película mais deslumbrante alguma vez realizada até aquele momento e por muitos anos a frente, cuja concepção única se deve a esse gênio da cenografia cinematográfica que foi William Cameron Menzies. Num terreno de seis acres e meio – o maior de toda a história de Hollywood -, Menzies decidiu recriar a Bagdá mítica, como se esta fosse um mundo mágico, onírico, inesquecível, simultaneamente real e irreal, com os seus tapetes voadores, os seus cavalos alados, os seus minaretes altivos, os seus pavimentos luminosos e dragões ferozes. Ao interpretar Ahmed, um ladrão em busca da sua princesa, Fairbanks – de peito nú e com roupas sedosas que se lhe colavam ao peito – explora, como nunca tinha feito antes na grande tela, um erotismo sensual. Anna May Wong, a jovem escrava mongol, dá-lhe réplica adequada. Apesar de Raoul Walsh, cineasta telentoso e capaz, receber o título de realizador de “O Ladrão de Bagdá”, a sua concepção geral é da responsabilidade de Fairbanks, que, dada a sua ambição artística desmedida, nele participou como produtor, argumentista, estrela principal e dublê de suas próprias cenas mais arriscadas.

Um filme que continua visualmente impressionante e divertido mais de 80 anos depois

Houve uma época, tão em moda quanto nos dias de hoje, em que os anti-heróis eram os favoritos do público e nenhum daqueles atores de tela foi mais popular ou mais romântico do que Douglas Fairbanks, o primeiro modelo masculino ideal do cinema mudo. E mesmo que não possa ser inteiramente de acordo com o gosto da crítica, entre tantos outros trabalhos memoráveis do ator, que se afirme que o melhor de seus filmes foi sem dúvida “O Ladrão de Bagdá”, produzido em 1924. Contudo, não pode ser desconsiderado que Fairbanks foi, à sua maneira ingênua, um dos principais contribuidores e responsáveis pela evolução do cinema. Ninguém da sua geração foi capaz de igualar suas performances nas telas. De Tom Mix a William S. Hart, de Rudolph Valentino a John Gilbert e John Barrymore, nenhum deles eram algo mais do que simples intérpretes ou apenas uma imagem projetada nas telas, ou tinham mais personalidade do que Fairbanks. Nenhum deles também se esforçava um pouco mais para criar um estilo de cinema. E ninguém mais do que Fairbanks recebeu tanto apoio e carinho dos fãs.

Quanto a “O Ladrão de Bagdá”, o filme nos traz Fairbanks no auge de seu estilo extravagante, o que é francamente e, neste caso, abertamente, dedicado ao mito de fabricação. E ainda é um exemplo brilhante da mágica do cinema, produzido como um espetáculo mudo. O interessante é que Fairbanks tinha uma personalidade de base sólida que ele conscientemente tinha evoluído e adaptado para diversas finalidades de entretenimento, entre os muitos filmes de aventura que estrelou desde que percebeu a enorme potencialidade dos filmes de fantasia para atrair o público aos cinemas, como fez anteriormente em “A Marca do Zorro” ou “Robin Hood”. Para muitos, porém, a sua realização suprema em termos de atuação no cinema é o seu filme seguinte “O Ladrão de Bagdá”, para o qual ele dedicou a maior parte de 1923 se preparando para o filme. Nesta composição eclética de vários dos contos das “1001 e Uma Noites” em uma história verdadeiramente romântica das aventuras de um malandro cínico que se apaixona pela filha do califa e, finalmente ganha seu amor por feitos de bravura, Fairbanks dá um salto completo na área da fantasia pictórica absoluta que tinha sido aberto por Georges Méliès em França, mas foi quase totalmente negligenciado até então pelos fabricantes de filmes americanos.

Para superar o castelo normando que ele construiu para Robin Hood, Fairbanks e seu diretor de arte William Cameron Menzies chegaram ao extremo de construir uma cidade fantástica e um palácio, com cúpulas e minaretes cintilantes, escadarias e pontes que sobem para fora do cenário. Eles não tinham pretensão de simular a realidade oriental. A cidade de seus sonhos é uma compilação de ilustrações de livros de histórias infantis. As paredes de prata foram construídas e pintadas de forma que parecessem flutuar acima de pavimentos sólidos. A decoração foi criada para sugerir que era sem substância e peso. E os projetos para as “Adventures of the Seven Moons”, que compõem a última parte do filme, eram misturas inéditas de cenários animados e truques de fotografia.

“O Ladrão de Bagdá” é a história de um malandro bonito, charmoso, musculoso e aventureiro que corre sobre as ruas apinhadas de Bagdá em pantalonas revoltas, com o torso nu e um lenço de pirata amarrado em sua cabeça. Uma noite, ele se atreve a entrar no palácio do califa, e desliza do alto, por meio de uma corda mágica. Uma vez lá dentro, ele encontra um colar de pérolas em um baú e se depara com o quarto da filha do califa, dormindo com suas damas ao seu redor. A partir deste momento, o ladrão fica encantado pela beleza da princesa, e inventa várias formas enganosas de atingir a sua atenção e favor. O mais bem sucedido é disfarçar-se como um dos pretendentes principescos que vieram a Bagdá para pedir sua mão. Ele consegue ser escolhido (pelo acidente de ser lançado de seu cavalo para a roseira muito que, como uma linha de meta, deve ser tocada primeiro por um pretendente para ganhar), mas seu disfarce é descoberto, e as ordens do califa são que ele seja açoitado e atirado às feras. No entanto, a princesa, agora apaixonada pelo deslumbrante e bravo ladrão, consegue a sua liberação para que ele possa participar de um novo concurso promovido pelo califa para arranjar um pretendente: trazer de volta o mais raro tesouro de terras distantes e mágicas.

Trata-se de uma série de aventuras do ladrão e de seus rivais, enquanto lutam para invadir sortidas regiões fabulosas, como o Vale dos Monstros e a Cidadela da Lua, e a obtenção de tesouros como a maçã mágica, o tapete voador e o cavalo alado, que a imaginação de Fairbanks e de seus colaboradores dão vida nas telas. A criatividade e o humor das suas criações são deliciosos e quase profética na realidade pelo como eles previram que o cinema iria recorrer à fantasia nos anos seguintes, como um prelúdio para filmes como Horizonte Perdido”, “King Kong” ou “O Mágico de Oz”. Desnecessário dizer que tudo termina com o ladrão conquistando a princesa e os dois viajando pelo céu a bordo do tapete mágico, quando as estrelas cintilam e formam um título onde se lê “Happiness Must Be Earned” (“A felicidade deve ser conquistada”).

É claro que há uma incongruência completamente despreocupada com a coisa toda, uma indiferença feliz com a lógica e com o personagem, onde o ladrão das arábias é um óbvio super-homem anglo-saxão sorridente e galanteador, a princesa (interpretada por Julanne Johnston) é uma bela loira nórdica. O pai dela (interpretado por Brandon Hurst), bem poderia ser um próspero banqueiro ou dono de empresas, e o príncipe mongol representa um conceito ocidental sobre a típica vilania oriental encarnada no ator Sojin. “O Ladrão de Bagdá” é uma pictórica e deslumbrante aventura de amor e puro entretenimento, uma exibição franca e completa de Fairbanks para feitos mirabolantes dentro de um ambiente espectacular de artifícios cênicos e cinematográficos que ele mesmo construiu para si e que até então representam o ápice de sua carreira como ator e realizador de filmes. Nem mesmo a longa duração, mais de duas horas e meia de projeção, um exagero em se tratando de filmes silenciosos, preocupa.

Estranhamente, “O Ladrão de Bagdá” nunca foi tão popular como “Robin Hood”, apesar de ter sido reconhecido como um trabalho mais imperativo. Depois disso, Fairbanks continuou a fazer filmes de espetáculo em trajes de época, embora não em escala tão ambiciosa ou extravagante como este. Seu filme seguinte, “The Black Pirate”, também merece créditos especiais por ter sido o primeiro a abordar os filmes de piratas, criando um novo cenário para os filmes de ação e muitas oportunidades para que o ator desempenhasse um novo herói e exibisse seus dotes atléticos e seu talento de espadachim. Em 1930, ele e Mary Pickford fizeram sua primeira produção juntos em seu primeiro filme falado. Foi uma adaptação mais sangrenta de “A Megera Domada”, de Shakespeare. Profissionalmente, foi o começo do fim para ambos. Seus filmes, estimados no período de silêncio, não sobreviveram ao som. Fairbanks fez quatro filmes antes que ele e Miss Pickford se divorciassem em 1936. Isso foi o fim para ele, que morreu em 1939, aos 56 anos, deixando para trás uma carreira magnífica e valiosas contribuições para a Sétima Arte.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0015400/

Filme (Parte 1):

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