Filmes: Émile Zola (1937)

ÉMILE ZOLA
emilezola_03Título Original: The Life of Émile Zola
País: Estados Unidos
Ano: 1937
Duração: 116 min.
Direção: William Dieterle
Elenco: Paul Muni, Gale Sondergaard, Joseph Schildkraut, Gloria Holden, Donald Crisp, Erin O’Brien-Moore, John Litel, Henry O’Neill, Morris Carnovsky, Louis Calhern, Ralph Morgan, Vladimir Sokoloff, Grant Mitchell.
Sinopse:
Enquanto divide um apartamento com o pintor Paul Cezanne e escreve seu primeiro best-seller, “Nana”, o escritor francês Émile Zola enfrenta dificuldades financeiras e se envolve no famoso caso Dreyfus, disposto a provar a inocência de um oficial judeu acusado de passar informações secretas aos alemães e por isso sentenciado à prisão perpétua na Ilha do Diabo.

Apesar do título original, não se trata de uma biografia do célebre escritor, mas sim de uma reconstituição dramática do “Caso Dreyfus”. Alfred Dreyfus foi um capitão francês, judeu, injustamente acusado de traição e condenado à Ilha do Diabo, por causa do anti-semitismo que existia no Exército francês. O filme conta, principalmente, a luta do romancista Émile Zola (que publicou o livro “Eu Acuso”) contra grandes poderes da França – o Exército, a Justiça e o Governo – para libertá-lo. Embora o anti-semitismo fosse uma das principais molas motoras do processo, ele não é mencionado no filme, muito menos a palavra “judeu”. Apesar das imprecisões históricas, como o fato de Dreyfus não ter sido libertado e seu posto devolvido em 1902 – o ano da morte de Émile Zola – mas sim em 1906, depois de ter sido levado a julgamento novamente em 1899, “Émile Zola” foi o primeiro filme da Warner a ganhar o Oscar de Melhor Filme (ganhou também o de Melhor Roteiro), mas a despeito da atuação perfeccionista de Paul Muni como o escritor Émile Zola, o ator não ganhou o Oscar, concedido a Spencer Tracy por “Marujo Intrépido”. Como Dreyfus, Joseph Schildkraut, ganhou o Oscar de Ator Coadjuvante. Em meio a tantos detalhes técnicos notáveis, destacam-se a direção de William Dieterle que consegue extrair grande dramaticidade do roteiro e excelente conteúdo humano de uma figura histórica, a fotografia de Tony Gaudio e a trilha sonora de Max Steiner.

Uma grande atuação de Paul Muni

O esmero desta produção de Jack Warner e Hal B. Walllis demostra bem o critério rigoroso que fez da Warner o estúdio mais poderoso e influente dos anos 30 e 40. Desde a escolha do diretor William Dieterle para filmar esta biografia romantizada de um período da vida do célebre escritor francês Émile Zola, bem como a escolha do ator Paul Muni para interpretá-lo – o que promove um ótimo esforço da equipe técnica em compor a maquiagem que o faz ficar mais parecido com o biografado – fica evidente também o cuidado com a fotografia (a cargo de Tony Gaudio), a trilha sonora de Max Steiner (famoso pela música de “E o Vento Levou”) e a direção de arte, a decoração dos cenários e os figurinos. Mas acima de tudo isso, o que pesa mesmo no filme é a grande atuação de Paul Muni como Émile Zola.

Certas ocasiões no cinema não são muito diferentes de algumas árias das grandes óperas clássicas. Em um determinado ponto do espetáculo, todas as luzes do palco iluminam o protagonista e o seguem suavemente enquanto os demais participantes ficam na penumbra, assim como a audiência, enquanto ele executa seu solo arrebatador. Esse momento ocorre no filme “Émile Zola”, assim que o escritor vivido por Paul Muni, dá seus passos em direção ao centro do tribunal para realizar seu discurso de defesa, contra todas as possibilidades de uma multidão zombando dele e das negativas da imprensa. A cena é um “must-in”, o momento pelo qual todo grande ator aguarda, e um desafio para qualquer grande ator que se preza, quando tudo (câmera, fotografia, edição) está meticulosamnte calculado para ele e todos (diretor, técnicos e demais atores da cena) apenas observam. E Paul Muni não decepciona, alcançando o sublime em sete minutos de cena. Três outros discursos de tribunal são comparáveis: Alec Guiness como Benjamin Disraeli (“The Mudlark”, de 1950), Gary Cooper como Howard Roark (“The Fountainhead”, de 1949) e James Stewart como Jefferson Smith (“Mr. Smith Goes to Washington”, de 1939).

No caso de Muni, sua cena de defesa acabou por ser um ponto alto de uma carreira interessante e de qualidade, mas apesar disso ele sempre foi subestimado pelos grandes estúdios da época. Do teatro para o estrelato mundial – com cerca de duas dezenas de grandes filmes para o seu crédito – Muni não agradou a todos os críticos ou fãs de cinema, mas a maioria deles realmente o aplaudiu. Entre os maldosos, estavam aqueles que o acusavam de poseur, sem nunca ter estudado formalmente o seu ofício, de exagerado ou de se prestar a maneirismos e estereótipos, mas isso não importava para ele. Muni nunca obteve contratos milionários, mas nem por isso foi esquecido pela Academia, que precipitou-se ao dar-lhe o Oscar um ano antes por sua atuação em “A Vida de Louis Pasteur” quando deveria ter esperado mais um ano, para consagrá-lo por “Émile Zola”. Como Zola, no entanto, a sua seriedade e determinação são provas convincentes de que ele era um grande ator, e o filme em si é preenchido com um plantel de intérpretes de grande potencial dentro dos quadros de estrelas da Warner. Aos créditos do filme, uma inscrição admite a mistura de ficção com realidade para efeitos dramáticos. Isso também alivia a produção de acusações de imprecisão histórica.

Em 1937, “Émile Zola” foi indicado para 10 categorias do Oscar, e venceu como Melhor Filme, Roteiro para Norman Reilly, Heinz Herald e Geza Herczeg e Ator Coadjuvante para Joseph Schildkraut como Dreyfus. Paul Muni perdeu para Spencer Tracy por “Marujo Intrépido”, mas isso agora é história. O que importa é que esse ator, que viveu à sombra dos gangsteres e mafiosos que interpretou no cinema, tem aqui a grande atuação de sua carreira. Tudo isso somado, “Emile Zola” vai além do que se convencionou chamar de “bio-pic” (filme de biografia) e se torna ainda mais cativante graças a tantos talentos envolvidos na produção. Um grande filme sobre um gigante literário cuja coragem colocou a busca da justiça acima do recebimento de elogios mundanos.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0029146/

Trailer:

Galeria de Imagens:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: