Filmes: Grande Hotel (1932)

GRANDE HOTEL
grandhotel_2Título Original: Grand Hotel
País: Estados Unidos
Ano: 1932
Duração: 112 min.
Direção: Edmund Goulding
Elenco: Greta Garbo, John Barrymore, Wallace Beery, Joan Crawford, Lionel Barrymore, Lewis Stone, Jean Hersholt, Robert McWade, Ferdinand Gottschalk, Rafaela Ottiano, Morgan Wallace, Tully Marshall.
Sinopse:
Baseado em peça escrita por Vicki Baum, por sua vez adaptada por William A. Drake para a Broadway, a ação se passa num luxuoso hotel em Berlin em que várias histórias se enlaçam envolvendo uma bailarina, um barão empobrecido, um magnata prussiano, sua estenógrafa ambiciosa e seu empregado moribundo.

“Mais estrelas do que no céu” era o lema da Metro-Goldwyn-Mayer. A frase alude ao plantel de artistas sob contrato do estúdio, o mais poderoso dos anos 30. O chefe de produção da Metro na época, Irving Thalberg, sacudiu Hollywood ao reunir cinco de suas maiores estrelas em um só filme, na primeira produção verdadeiramente “all star” do cinema. Com grandes atuações e vigoroso drama, “Grande Hotel” foi o principal lucro da produtora durante os anos da Grande Depressão. Greta Garbo é a grande estrela entre as estrelas, interpretando quase a si própria no papel de uma bailarina num momento delicado da sua carreira. A sua interpretação, vista a esta distância, é extremamente exagerada e contrasta com as interpretações mais discretas e adequadas dos seus colegas, em particular, as dos irmãos Barrymore. Uma das histórias mais conhecidas da produção de “Grande Hotel” foi a conflituosa relação entre Garbo e Joan Crawford, envolvidas constantemente em lutas e picardias, o que resultou no fato de não partilharem nenhuma cena em conjunto no filme. A gestão de um tão vasto conjunto de estrelas (e egos) poderia ter resultado num filme menor, mas o realizador Edmund Gouling tem um trabalho sólido e consegue manter o ritmo certo e intercalar de forma inteligente as várias histórias. Em plena depressão e com o público americano ansioso por uma fuga das difíceis condições por que passava à época, “Grande Hotel” foi um estrondoso sucesso de bilheteira, mas apenas foi nomeado para o Oscar de melhor filme. Embora tenha ganhado esse prêmio da Academia, o filme fica na história como o único (até agora) dos filmes nomeados para melhor filme sem qualquer outra nomeação. Em meio a tantas estrelas em atuações excepcionais, a Academia ficou tão perplexa em indicar um ou outro ator ou atriz que acabou não indicando nenhum.

Um vencedor do Oscar, repleto de estrelas de alta grandeza

Cinco grandes estrelas do cinema reunidas em um único filme. Um formato narrativo inovador. Uma grande estratégia de marketing. O primeiro filme “arrasa-quarteirão” do cinema. “Grande Hotel”, filme de 1932, foi a grande aposta do estúdio MGM para aquele ano, e que acabou recebendo o Oscar de melhor filme e nenhuma outra indicação. Caso único na história e, dizem, isso acabou acontecendo mais por pressão do estúdio que por suas qualidades. Para que nenhuma de suas estrelas fosse indicada em detrimento das demais, um acordo de bastidores possibilitou a não indicação de nenhuma delas para o prêmio de atriz e ator, que ficaram para Helen Hayes (O Pecado de Madelon Claudet) e Wallace Beery, que também está no filme, mas foi premiado por sua atuação em “O Campeão”, no famoso empate técnico com Fredrich March (O Médico e o Monstro).

O filme é uma adaptação da peça da Broadway de William A. Drake, por sua vez baseada na peça alemã “Menschen im Hotel”, de autoria de Vicki Baum, que relatava as próprias experiências da escritora que foi camareira em dois hotéis em Berlin. A peça original teve estreia na Alemanha em fevereiro de 1930 e a versão para a Broadway abriu em 13 de novembro de 1930 no National Theatre, em Nova York, e teve 459 apresentações. A MGM comprou os direitos por US$ 35.000 para adaptá-la para as telas, baseando-se em seu enorme sucesso. O filme acabou sendo a maior empreitada do lendário produtor Irvin Thalberg, que teve a revolucionária – e porque não dizer arriscada – idéia de compor o elenco principal com somente astros da época. Mas a tarefa não foi fácil. O primeiro anunciado foi o grande comediante Buster Keaton. Keaton, que havia sido despedido por Louis B. Mayer, não queria voltar a trabalhar para a Metro e acabou substituído por Lionel Barrymore.

Depois, foi a lendária Greta Garbo que entrou na produção, mas a grande dama recusou o papel por se achar velha demais – ela tinha 27 anos na época – para interpretar uma primeira bailarina, mas há quem diga que foi por uma crise de estrelismo mesmo, na qual a “divina” não queria dividir os holofotes com seus colegas famosos, muito menos com Joan Crawford, seu desafeto. Garbo acabou aceitando o papel sob a condição de escolher o seu par na trama e desde que não precisasse dividir nenhuma cena com Crawford, o que de fato não aconteceu. Ela escolheu o seu ex-noivo, John Gilbert, que vinha de péssimos resultados no cinema e cuja carreira estava em declínio. Gilbert acabou sendo recusado por Thalberg e quem ficou com o papel foi John Barrymore, que na época era um dos atores mais famosos do teatro, e que era irmão de Lionel, que já estava no elenco. O modo de trabalho do ator agradou muito à estrela sueca, e ambos demonstram uma ótima interação em cena. Garbo estava tão à vontade que permitiu uma série de fotos de bastidores suas, algo extremamente raro em se tratando de Greta Garbo.

Clark Gable foi cogitado para o papel de Preysing, mas foi descartado por ser muito jovem na época. O estúdio chamou Wallace Berry, que a princípio recusou o papel por achar o personagem Preysing antipático demais e que ele poderia prejudicar sua carreira – Beery foi convencido a atuar graças à promessa de Thalberg de que ele seria o único a ter sotaque germânico na trama. No princípio, Thalberg queria sua esposa Norma Shearer para o papel da secretária Flaemmchen, mas Shearer desistiu na última hora. O estúdio chamou Joan Crawford, mas a atriz tinha muito receio com esse papel, primeiro porque sua personagem utiliza apenas um vestido durante todo o filme e, segundo, por achar as cenas que faria com Wallace Beery muito sugestivas, e que várias dessas cenas seriam cortadas pela censura da época. O diretor Edmund Goulding prometeu à atriz que todas as cenas seriam filmadas com grande cuidado – mas mesmo assim os estados americanos mais conservadores acabaram por retirar várias cenas da futura estrela. Apesar de tudo isso, houve atritos. Wallace Beery ficou tão irritado durante uma cena que abandonou as filmagens, ameaçando só retornar quando “Joan Crawford aprendesse a atuar”.

Lewis Stone e Jean Hersholt foram os últimos a integrarem as filmagens, que apesar de tudo, foram bastante tranqüilas mesmo com as insinuações de que Garbo e Crawford estavam em pé de guerra – soube-se depois que não houve hostilidades entre as duas. Apenas ataques de “estrelismos” já que ambas não fizeram nenhuma cena juntas. Uma das anedotas mais famosas sobre a rivalidade entre Garbo e Crawford, era de que Crawford sempre que cruzava com ela pelos corredores das gravações dizia “Olá, senhorita Garbo”, mas a atriz nunca lhe respondeu. Cansada, Crawford desistiu e parou de dizer qualquer coisa. Isso levou Garbo um dia a parar Crawford enquanto ela caminhava silenciosamente em sua direção, e perguntar: “Você não vai dizer alguma coisa para mim?”

“Grande Hotel” é um marco, na verdade, por ser o primeiro filme a não seguir uma linha narrativa só. Ele entrelaça vários personagens ao mesmo tempo e pode ser considerado o precursor dos chamados “filmes-painéis” (como “Magnólia” e “Short Cuts – Cenas da Vida”). Inclusive, foi muito copiado depois, como em “Se Eu Tivesse Um Milhão”, do mesmo ano. A famosa e enigmática frase do Dr. Otternschlag (Lewis Stone), “Grande Hotel… as pessoas vêm e vão, e nunca acontece nada”, proferida com certo cinismo e melancolia, vai de encontro com a trama movimentada. Garbo é a instável dançarina Grusinskaya, que desacreditada no amor não vê um rumo em sua vida, até se encontrar com o falido Barão Felix von Geigern (John Barrymore), que por sua vez se torna amigo de Otto Kringelein (Lionel Barrymore), um senhor que descobriu que está à beira da morte e decide passar seus últimos dias no luxo do hotel em que está seu patrão, o execrável Preysing (Wallace Beery), rico empresário que está para fechar um grande negócio que salvará sua carreira e que contará com os serviços da taquígrafa Flaemmchen (Joan Crawford). Os personagens de Lewis Stone e Jean Hersholt são basicamente coadjuvantes sem importância na trama.

Quem se dá melhor no filme é incontestavelmente Joan Crawford. Sua belíssima e atraente taquígrafa, cheia de dubiedade e surpresas, é um primor de presença na tela. A grande presença de Crawford inclusive fez com que fossem filmadas cenas adicionais com Garbo para que esta não se sentisse prejudicada. Mas a atriz sueca também se mostra extremamente bem em cena, mesmo estando um pouquinho deslocada no papel. Neste filme ela profere sua fala mais famosa: “Eu quero ficar sozinha, eu só quero ficar sozinha”, que definiria toda a sua vida e carreira – Garbo é considerada a atriz mais reclusa da história do cinema. Já John Barrymore entrega um personagem simpático e bastante atraente, que muitos consideram um dos dois melhores parceiros em cena de Garbo (e há quem afirme que ambos tiveram um romance), enquanto Wallace Beery não consegue fugir do estereótipo intransigente. Quem realmente desaponta é o talentoso e oscarizado Lionel Barrymore, que está caricato, exagerado e inconvincente. Seu personagem é tão mal realizado que consegue até irritar.

Edmund Goulding realizou um ótimo trabalho na direção. Notáveis são as cenas dirigidas no saguão do hotel e a tomada sobre as telefonistas logo no início do filme. Goulding só perdeu mesmo a mão com os atores – deve ter sido um probleme e tanto controlar tantos egos. Tecnicamente, a bela fotografia de William H. Daniels, os belos cenários em art déco criados por Cedric Gibbons – o saguão é um achado – e os figurinos impecáveis de Adrian se destacam. Goulding consegue amarrar todas as histórias com sutileza e sem grandes impactos na narrativa, deixando um ritmo fluente e preciso. A estreia de “Grande Hotel” no Teatro Chinês, dia 12 de abril de 1932, atraiu grandes estrelas da época – Greta Garbo, como sempre, não compareceu à festa. O público, porém, tratou de tornar “Grande Hotel” o maior sucesso de bilheteria daquele ano.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0022958/

Trailer:

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