Douglas Fairbanks e Mary Pickford

OS  PRIMEIROS REI E RAINHA DE HOLLYWOOD

Ela foi a primeira “namoradinha da América”, ele o primeiro rei de Hollywood. Juntos, Mary Pickford e Douglas Fairbanks se tornaram o casal mais celebrado da era silenciosa do cinema.

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Mary Pickford e Douglas Fairbanks já eram casados quando se conheceram em 1916. Ela era casada com Owen Moore, ator de segunda e alcóolatra inveterado, e ele era casado com a socialite Beth Sully, com quem teve um filho, Douglas Fairbanks Jr. Ambos mantiveram o romance em secredo durante anos até Mary conseguir o divórcio de Moore em Março de 1920, e Fairbanks se divorciar em novembro do ano anterior. Uma semana depois do divórcio assinado, Mary Pickford se casou com Douglas Fairbanks em uma cerimônia simples. O estado de Nevada, porém, contestou o divórcio (o problema não foi resolvido até 1922), e o casal temia uma repercussão negativa na mídia, mas os fãs celebraram a união e seguiam o casal onde quer que ele fosse. A lua-de-mel na Europa foi concorrida com os fãs cercando o casal nas ruas e obrigando ambos a permanecerem a maior parte do tempo no hotel.

pickfair_06A verdade é que além do enorme carisma, o casal Pickfair (uma tendência dos norte-americanos em unir os sobrenomes de casais famosos já vem desde aquela época) sabia como ninguém escolher os filmes que estrelavam. Mary Pickford e Douglas Fairbanks fizeram alguns dos filmes mais bem sucedidos do período do cinema mudo. Juntos com Charles Chaplin e D.W. Griffith fundaram o estúdio United Artists, em um esforço inédito de realizadores de cinema para terem o controle criativo total sobre seus filmes e de tirar uma fatia maior dos lucros. A UA foi fundada em 5 de fevereiro de 1919 para fazer frente às grandes corporações cinematográficas da época que já começavam a dominar o mercado. Como produtora independente, a UA atuava também na distribuição dos filmes, contratando e consagrando realizadores em começo de carreira como Walt Disney, Alexander Korda e David O. Selznick.

Mary e Douglas foram também os primeiros atores a imortalizar suas mãos em concreto na frente do Grauman’s Chinese Theatre. Em 1920, ele comprou um enorme terreno e reformou o lugar para erguer ali uma mansão de 22 quartos, batizada de “Pickfair”. Os dois artistas, atuando como uma espécie de embaixadores de Hollywood, promoviam festas luxuosas e se divertiam convidando para elas as personalidades mais importantes da época. Ser convidado para frequentar a Pickfair, era como ser admitido no círculo fechado da verdadeira realeza.

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Ironicamente, as atividades públicas nas quais o casal era frequentemente visto junto e que promoveram o romance secreto entre eles, também foram a razão de seu afastamento. Entre trabalho, negócios e carreira individual, o casal raramente tinha tempo para ficar a sós. Ao mesmo tempo em que envelheciam, tanto Mary quanto Douglas insistiam em continuar atuando em filmes como se tivessem a idade de seus personagens nas telas. Ela era sempre a menininha adolescente, tímida e sonhadora, ele sempre o jovem aventureiro e fanfarrão. Não conseguindo dar um novo rumo às suas carreiras, e já no advento do cinema sonoro, as carreiras de ambos se desvaneceram. Tanto Mary quanto Douglas começariam casos extraconjugais. Ainda em 1927, no set de “Meu Único Amor”, Mary conheceu e se apaixonou pelo galã Charles “Buddy” Rogers, doze anos mais novo do que ela, que vinha do sucesso estrondoso obtido em “Asas”, filmado no mesmo ano. Durante uma viagem à Europa, Fairbanks começou um romance com a socialite inglesa Lady Sylvia Ashley. Ao saber do caso, Mary Pickford pediu o divórcio, que veio em 1933.

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Mary declarou que Douglas era “o garoto que nunca cresceu” e “na sua vida particular, Douglas sempre enfrentou essa situação da única maneira que conhecia, fugindo dela”. Douglas Fairbanks se casou com Lady Ashley logo após o divórcio com Mary, e continuou casado com ela até sua morte, em dezembro de 1939 de ataque cardíaco, aos 56 anos. Suas últimas palavras foram “Eu nunca me senti melhor”. Após o divórcio com Fairbanks, Mary e Charles Rogers se casaram em 1937, e moraram juntos na mansão Pickfair, que ficou para Mary na divisão dos bens. Mary aposentou-se das telas em 1933, mas continuou trabalhando na produção de filmes. Devido à um aborto sofrido na juventude, Mary não podia ter filhos e o casal adotou um menino, Ronald, e uma menina, Roxanne, nos anos 40. Nessa época, Mary raramente era vista em público e aos poucos foi se tornando reclusa. Em 1952 ela e Chaplin venderam a United Artists para Arthur Krim. mais tarde o estúdio seria comprado pela MGM. Mary Pickford morreria em 1979, aos 87 anos de idade.

Em todos os anos em que estiveram em frente às telas, o casal Mary Pickford e Douglas Fairbanks atuou junto pouquíssimas vezes. Seus rostos são vistos em cena de multidão em “Ben-Hur”, de 1925. No filme “Black Pirate”, estrelado por Douglas Fairbanks, no final da trama, quem o ator abraça não é a co-protagonista Billie Dove, mas sim a sua esposa Mary Pickford (não creditada). Em 1927, o filme russo “A Kiss From Mary Pickford”, dirigido por Sergei Komarov, utilizava cenas da visita do casal à URSS. Na história, ambos surgem como eles mesmos. Em “The Gaucho”, novamente estrelado por Fairbanks, Mary faz uma participação não creditada como a Virgem Maria.

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O único filme realmente estrelado pelo casal viria apenas em 1929, já no período sonoro, “The Taming of the Shrew”, uma comédia romântica baseada na peça de William Shakespeare. Foi uma tentativa de ambos salvarem suas carreiras, já em franco declínio. O filme, porém, foi um fracasso de bilheteria. Mary ainda faria mais dois filmes, “Kiki” e “Secrets”, antes de sair de cena. Fairbanks seria visto ainda em “Reaching for the Moon” (1930), “Around the World in 80 Minutes” (1931), “Mr. Robinson Crusoe” (1932) e “The Private Life of Don Juan” (1934).

Em janeiro de 1988, a mansão Pickfair, que estava em posse de Jerry Buss, dono do Los Angeles Lakers, foi vendida para a famigerada atriz Pia Zadora e seu marido, o negociante Meshulam Riklis. Ela mandou colocar tudo abaixo para construir sua própria residência, segundo ela por estar “cheia de cupins”. E assim foi destruída uma das últimas remanescências da idade de ouro do cinema norte-americano.

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