Filmes: Meu Único Amor (1927)

MEU ÚNICO AMOR
mybestgirl_2Título Original: My Best Girl
País: Estados Unidos
Ano: 1927
Duração: 78 min.
Direção: Sam Taylor
Elenco: Mary Pickford, Charles ‘Buddy’ Rogers, Sunshine Hart, Lucien Littlefield, Carmelita Geraghty, Hobart Bosworth, Evelyn Hall, Avonne Taylor, Mack Swain, John Junior, Sidney Bracey.
Sinopse:
Maggie Johnson é uma jovem que trabalha como estoquista em uma grande loja de departamento e ajuda a sustentar a família excêntrica. Quando ela se apaixona pelo jovem Joe, recém-contratado, não sabe que ele é na verdade o filho do dono da loja e que está de casamento marcado com uma ricaça da sociedade.

“My Best Girl” é um filme estrelado por Mary Pickford em 1927, baseado em história de Kathleen Norris. Foi a última atuação da atriz dentro do período silencioso e é considerado o seu melhor trabalho. A história é tipicamente a de um filme estrelado por Mary Pickford, mas o talento da atriz fica ainda mais evidente na forma como ela consegue passar da comédia para o romance e para o drama em questão de segundos. O jovem ator Charles “Buddy” Rogers foi rapidamente encaixado no elenco após o seu vertiginoso sucesso em “Wings”, o famoso drama de guerra vencedor da primeira edição do Oscar. A química entre o casal foi tão forte que eles acabaram se casando na vida real após o divórcio de Mary com Douglas Fairbanks. A fotografia é de Charles Rosher, premiado com o Oscar naquele mesmo ano por “Aurora”, de Murnau.

Provavelmente o melhor filme de um dos maiores mitos do cinema

Mary Pickford é um dos grandes mitos do cinema, mas a sua filmografia permanece quase desconhecida até para o cinéfilo mais inveterado. A despeito de sua enorme importância dentro e fora das telas, poucos se lembram de ter visto um filme estrelado por Mary Pickford. Ela foi a primeira atriz a ganhar o apelido de “America’s Sweetheart” (queridinha da América) e a primeira mulher a ter seu próprio estúdio de cinema. Ela ganhou um Oscar em 1928 por sua atuação em um filme sonoro, “Coquette”, e seu casamento com o astro das matinês Douglas Dairbanks mexeu com a curiosidade dos fãs por mais de uma década. “My Best Girl”, batizado no Brasil de “Meu Único Amor”, é provavelmente o melhor filme de sua carreira. É também o último filme de Mary Pickford no período silencioso.

O roteiro de Allen McNeil, Tim Whelan e Hope Loring adapta a história original de Kathleen Norris, que à primeira vista parece bastante convencional por conta do tema da troca de identidades. O herdeiro do dono de uma cadeia de lojas trabalha como funcionário de uma das lojas para provar que pode se virar sem a ajuda do pai, mas o que faz você se interessar pela história é justamente a atuação de Mary Pickford. Na genial e divertidíssima cena de abertura, sua personagem surge carregando uma enorme quantidade de panelas e potes que insistem em cair pelo chão enquanto ela vai esbarrando nos clientes através do salão lotado. Quando uma das panelas fica presa em seu pé e tentando se livrar dela, Maggie acaba perdendo a anágua. Enquanto luta para libertar as mãos para poder recolher a peça íntima que está caída no chão, outra mulher caminha até a peça e supõe, horrorizada, que ela lhe pertence, e acaba vestindo-a por baixo da saia. Em seguida, Maggie conhece Joe Grant, o rapaz dos seus sonhos, que acaba de ser contratado. O implícito de se observar neste filme, é o que de fato Charles “Buddy” Rogers estava pensando quando ele e Mary Pickford atuavam juntos: Os dois atores acabaram se apaixonando de verdade. Mary e Charles, que era doze anos mais novo que ela, se casaram logo após o divórcio da atriz com Douglas Fairbanks.

Naturalmente, como rege a cartilha das boas comédias românticas, o curso do amor verdadeiro nunca segue por linhas retas, pelo menos não no cinema. A mãe de Joe planeja casá-lo com uma moça rica da sociedade e ele tem um pai autoritário. Por sua vez, Maggie tem problemas familiares. Portanto, para ela levar o namorado para conhecer a família requer mais coragem e inteligência do que a maioria dos mortais poderia reunir em um momento igual de crise. O pai é passa o tempo todo sentado em sua cadeira de balanço e não tem voz ativa dentro de casa. A mãe de Maggie é uma maníaca depressiva que frequenta funerais de estranhos. “Eu não tive um choro tão bom desde o nosso casamento” diz ela ao marido ao chegar de mais um funeral. “Quem morreu, afinal?” pergunta ele. “Eu não lembro o nome, mas foi o funeral mais bonito que vi esta semana”. A câmera corta para a pilha de louças sujas na pia da cozinha quando Liz, a irmã mimada de Maggie, aparece e tem uma crise de rebeldia no momento em que Maggie e Joe chegam. Apavorada com o que ele pode pensar de sua família, Maggie diz que sua irmã está ensaiando para uma peça. É quando chega o pretendente de Liz, o gangster procurado pela polícia Nick Powell. “Ele é o vilão!” explica Maggie para Joe. Um policial bate à porta e Maggie vai atender. Surpresa, ela se sai com essa: “Que ótimo figurino. Você está igualzinho a um policial!” e depois exclama para Joe: “Ele é um ótimo ator – o tio dele conhece Lon Chaney!”

A situação do casal se complica quando os pais de Joe aproveitam o seu aniversário para realizar um jantar em que ele pediria a mão da ricaça Millicent Rogers em casamento. Na mesma noite, Liz e seu noivo são detidos pela polícia. Sem saber de nada, Maggie aceita o convite de Joe para um jantar na casa dos Merrill. Para manter as aparências, Joe convence o mordomo a ajudá-lo em sua farsa. Essa mistura de romance água-com-açúcar com comédia de equívocos, é movida exclusivamente por boas risadas, mostrando que Mary Pickford não era queridinha da América à toa. Além de ter sido uma das pioneiras na indústria cinematográfica, ela também era uma ótima atriz dramática, mas uma comediante ainda melhor. Como o crítico de cinema Steve Vineberg disse, o desempenho da atriz em “My Best Girl” é “uma combinação extraordinária de valentia e delicadeza”, mas também uma performance extraordinariamente física. Nos anos 20, era muito raro para qualquer atriz atuar nesse tipo de comédia, a comédia física, dominada por atores como Harold Lloyd, Charles Chaplin e Buster Keaton, e mesmo nos anos seguintes é muito difícil encontrar uma atriz atuando dessa maneira. Carole Lombard e Lucille Ball eram especialistas nesse tipo de atuação, mas ver Mary Pickford fazendo palhaçadas na tela certamente é o melhor de tudo em “My Best Girl”. Porém, vê-la atuando nas cenas românticas com Charles Rogers é algo que beira o sublime. Mais próximo ao final, quando Maggie tenta enganar Joe para que ele se case com sua noiva e finge que sabia quem ele era o tempo todo, é que fica evidente o grande talento dessa atriz.

Charles Buddy Rogers encarna com perfeição o estereótipo do bom moço e apesar de um começo de carreira tão triunfal (além de “My Best Girl”, ele estrelou “Asas” e “Get Your Man”, esses dois últimos atuando ao lado de Clara Bow, todos produzidos no mesmo ano) fica difícil compreender porque sua carreira não deslanchou. Todo o elenco está ótimo, inclusive Mack Swain (de “Em Busca do Ouro”) que faz uma pequena participação como o juiz na sequência do tribunal.

O filme foi lançado apenas três semanas depois de “O Cantor de Jazz”, foi o último filme silencioso estrelado por Mary Pickford e a sua melhor incursão dentro do gênero das screwballs. A carreira de Pickford não duraria muito tempo após o advento do cinema sonoro. Apesar de ter ganhado um Oscar no ano seguinte com “Coquette”, o público não aceitou ver sua atriz preferida fazendo papéis mais adultos e a própria Mary Pickford reconheceu que estava velha demais para interpretar mocinhas ingênuas e adolescentes românticas. Ela encerrou a carreira de atriz em 1933, mas continuou atuando na indústria do cinema. Ela e Charles Rogers se casaram em 1937, um ano depois do seu divórcio com Douglas Fairbanks e continuaram casados até a morte da atriz, em 1979, aos 87 anos de idade.

O fotógrafo Charles Rosher, habitual colaborador da atriz e responsável pela fotografia esplêndida de “My Best Girl”, certa vez afirmou: “Ela conhecia tudo o que era para conhecer sobre cinema”.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0018183/

Filme Completo:

Galeria de Imagens:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: