Filmes: O Cantor de Jazz (1927)

O CANTOR DE JAZZ
jazzsinger_5Título Original: The Jazz Singer
País: Estados Unidos
Ano: 1927
Duração: 88 min.
Direção: Alan Crosland
Elenco: Al Jolson, May McAvoy, Warner Oland, Eugenie Besserer, Otto Lederer, Bobby Gordon, Richard Tucker, Cantor Joseff Rosenblatt, Jane Arden, Ernest Belcher.
Sinopse:
Jakie Rabinowitz é o filho de um cantor judeu que quebra a tradição familiar ao dedicar-se ao jazz. Quando regressa a casa é mal recebido pelo seu pai que não lhe perdoa a traição. Na noite do seu triunfo, no cabaré onde trabalha, Jackie recebe a notícia que o seu pai está à beira da morte e, por respeito, não atua e vai cantar no templo em seu lugar.

Produção da Warner considerada o primeiro filme falado da história do cinema, apesar de não o ser totalmente, mas que deu um novo impulso à indústria cinematográfica. Uma premiere do filme aconteceu em 6 de outubro de 1927 para uma plateia selecionada. A estreia oficial só se daria em 4 de fevereiro de 1928. Na história, adaptada de “The Day of Atonement”, uma peça de Samson Raphaelson, adaptada para as telas por Jack Jarmuth, um músico judeu (Al Jolson) desafia a arbitrariedade do pai, sai de casa para tentar a sorte na carreira, chegando a pintar o rosto de preto, já que o jazz na época era um estilo próprio dos negros americanos. No entanto, o drama realizado por Alan Crosland não foi, como é muitas vezes referido, o primeiro filme sonoro da história do cinema (essa honra cabe a “Don Juan”, de 1926), nem o primeiro filme da empresa Vitaphone: “O Cantor de Jazz” é sim o primeiro longa-metragem com diálogos da história da sétima arte. O investimento da Warner, então um pequeno estúdio em Hollywood, no sistema sonoro da Vitaphone revelou-se acertada, já que “O Cantor de Jazz” foi recebido entusiasticamente pelo público (arrecadando 3,5 milhões de dólares de receita de bilheteira), salvou o estúdio de um período difícil e, mais importante, revolucionou a indústria cinematográfica para sempre. Dizem os relatos da época que espectadores mais descrentes chegaram a procurar pela orquestra e o cantor, que para eles estariam escondidos dentro do cinema. Destaque para a fotografia de Hal Mohr.

O primeiro filme falado da história continua uma belíssima curiosidade para os amantes do cinema

Talvez, se os irmãos Warner não tivessem apostado suas últimas fichas em “O Cantor de Jazz”, levando adiante o processo da utilização do som no cinema, talvez ficássemos sem alguns dos grandes clássicos da história. Isso porque este foi o filme que salvou a Warner da falência em 1927, graças justamente à inovação que trouxe às telas. As pessoas adoram novidades e na segunda metade da década de 20, os filmes silenciosos estavam atraindo cada vez menos pessoas aos cinemas. Muitos experimentos já estavam em uso em Hollywood envolvendo a utilização do som, como o uso de trilha sonora e efeitos sonoros em momentos importantes dos filmes. Muitos filmes da época rodados inteiramente mudos, eram remontados às pressas acrescentando música e efeitos de som para atender à demanda do público. Outros, como por exemplo “Sem Novidade no Front” (de 1930), continuaram sendo produzidos em versões silenciosas e sonoras porque ainda existiam cinemas que não tinham se adaptado ao som. “O Cantor de Jazz” foi um estouro de bilheteria porque seus responsáveis ousaram inovar. Apesar de não ter sido o primeiro filme sonoro (honra que coube a “Don Juan”, de 1926), ele ajudou a firmar o advento da nova tecnologia como também se tornou um importante marco por ter sido o primeiro filme com diálogos e o primeiro musical da história do cinema.

O final da década de 20 foi um período turbulento para a indústria cinematográfica norte-americana. O advento do som provocou polêmicas e crises em todos os setores, desde os estúdios, produtores, técnicos e artistas às distribuidoras e salas de exibição que precisaram se adaptar à nova tecnologia às custas de altos investimentos. Alguns importantes cineastas, como Chaplin ou Eisenstein, posicionaram-se contra a implementação do som, com medo de que ele apenas deixasse tudo mais relaxado. O russo, inclusive, chegou a escrever um “Manifesto do Som”, em que dizia que o som não deveria ser usado para a ambigüidade da imagem, e sim que ele deveria trazer algo novo à construção das seqüências. Ele queria dizer que o som não deveria reproduzir exatamente aquilo que a imagem estava mostrando, como por exemplo a imagem de uma arma disparando e o seu som; e sim que o recurso deveria ser utilizado para expandir os limites que ela possuía, não ser redundante. Com o tempo, aprendemos que o som aumentou os limites do filme dos quatro cantos da tela, pois, graças a ele, temos a possibilidade de saber algo que está acontecendo fora das quatro linhas que determinam a imagem. Se há um grito, um tiro ou qualquer outro efeito sonoro óbvio fora da imagem, e o personagem reage a ele, sabemos o que está acontecendo. Isso expandiu o espaço fílmico. Não seria mais necessário colocar a imagem de uma arma disparando, cortar para um personagem reagindo a ela e assim por diante. Agora, através apenas da imagem de uma pessoa se retorcendo, somado ao ruído anterior de tiro, saberíamos que ela havia sido baleada.

“O Cantor de Jazz” ainda não utilizava esses complexos – mas hoje comuns – efeitos do som. Ele aposta no básico do básico para trazer uma novidade e assim dar o primeiro passo à um novo mundo. O som é totalmente redundante a imagem, mas ele traz algo mais: a magia das músicas em tempo real. Um espetáculo da Broadway, por exemplo, poderia ser quase perfeitamente transposto para as telas em um casamento de imagem e som. E aí está o ponto forte de “O Cantor de Jazz”. Sendo o primeiro filme falado da história, ele é limitado nos detalhes técnicos, mas sabe usar, e muito bem, a seu favor as sensações que belas canções podem trazer a um filme. O filme é uma adaptação de uma peça de Samson Raphaelson que estreou na Broadway em setembro de 1925, adaptada por Jack Jarmuth. Ele conta a história de uma tradicional família de cantores religiosos que têm um filho que não está seguindo os mesmos passos das cinco gerações anteriores. O sonho de Jakie Rabinovitz é se tornar um grande cantor de jazz, algo que choca o seu pai. Expulso de casa, ele depende apenas de seu talento para subir na vida. Todos que acompanham cinema ao longo das décadas já viram essa história antes: preconceitos, quebra de estigmas e todas as conseqüências que tem de sofrer o artista para expressar sua arte. Mas em 1927, tudo isso possuía um frescor que ajudou a história a cair nas graças do público. Por ser um dos pioneiros na utilização de som e diálogos, ninguém pode esperar que “O Cantor de Jazz” tenha uma estética similar a de produções lançadas logo em seguida, quando o som já estava dominando o mercado cinematográfico. Toda a estrutura básica vem dos filmes mudos, inclusive com os tradicionais letreiros de diálogos. Há apenas um único diálogo entre os personagens durante todo o filme, o que é assustador, devido sua sincronia e verossimilhança – lembrando que o som direto só chegou ao cinema muito tempo depois. A título de curiosidade, o primeiro filme a ter a totalidade de seus diálogos sincronizados pelo processo Vitaphone foi “Luzes de Nova York”, lançado em 1928. O Vitaphone, por sua vez, seria aposentado em 1932.

Há uma frase, que se tornou marca do filme, dita entre uma canção e outra. É, sem dúvida, a melhor cena do filme. O personagem de Al Jolson vira para a tela e, com convicção, diz: “Esperem um momento, vocês não viram nada ainda” (“wait a minute. You ain’t heard nothing yet”), logo após uma das primeiras seqüências musicais do longa. A intenção era que “O Cantor de Jazz” fosse um filme apenas com música sincronizada, mas sem diálogos. A fala de Jolson após a canção “Dirty Hands, Dirty Face” foi um improviso, que o diretor Alan Crosland sabiamente incluiu no filme. Uma das lendas sobre o filme diz que foi Sam Warner, por conta disso apelidado o “Pai dos Talkies”, que insistiu que a frase dita por Jolson fosse incluída no filme. Sam Warner morreu em 5 de outubro de 1927, apenas um dia antes da estreia do filme.

Jolson ganhou o papel após as recusas de George Jessel (que estrelou a peça) e de Edie Cantor, e é em suas costas que o filme inteiro está. Jolson convence não apenas nas seqüências mudas, pois é um ator absurdamente expressivo – a cena que ele chora quando está pintado de negro é incrivelmente sensível. Mas o seu carisma na hora do espetáculo é tão grande que fica difícil não se contagiar e reagir à música que está sendo cantada. Mas tem algo pesando contra tudo o que já foi dito até agora. “O Cantor de Jazz” é um filme muito ruim. Passado o impacto da novidade de se ouvir Al Jolson cantando após duas décadas de silêncio total no cinema, sobra muito pouco no filme que justifique uma revisão. Para os que nunca o assistiram, o filme funciona apenas como curiosidade. Uma delas, é procurar pela jovem Myrna Loy entre as garotas do coro. Para os que procuram qualidade, no mesmo ano de “O Cantor de Jazz” foram produzidos “Asas”e “Aurora”, que tecnicamente e artisticamente falando, são muito superiores.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0018037/

Filme (legendas em Francês):

Galeria de Imagens:

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