Filmes: Infâmia (1936)

INFÂMIA
thesethree_2Título Original: These Three
País: Estados Unidos
Ano: 1936
Duração: 93 min.
Direção: William Wyler
Elenco: Miriam Hopkins, Merle Oberon, Joel McCrea, Catherine Doucet, Alma Kruger, Bonita Granville, Carmencita Johnson, Mary Anne Durkin, Marcia Mae Jones, Margaret Hamilton, Walter Brennan.
Sinopse:
Karen Wright e Martha Dobie, colegas da faculdade, graduadas, encaram o futuro sem lar e sem dinheiro. Karen, no entanto, herdou uma fazenda de sua avó e acredita que pode transformá-la em uma escola para meninas com a ajuda de Martha. Com a ajuda do Dr. Joe Cardin, que lhes diz para não desistirem, tomam um empréstimo e arrumam a casa da fazenda. Tudo parece ir de acordo, até que uma aluna elabora um plano de vingança por ter sido punida pelas professoras.

Depois do sucesso obtido na Universal, o diretor William  Wyler foi contratado por Samuel Goldwyn para dirigir esta adaptação da polêmica peça “The Children’s Hour”, de Lillian Hellman. O roteiro evitou a censura da época, transformando o tema central do lesbianismo (uma aluna acusa duas professoras de terem um caso) em um triângulo amoroso convencional. O espírito da peça, porém, se manteve, não apenas pela hábil direção de Wyler, mas também pelos desempenhos de Merle Oberon, Miriam Hopkins (as professoras) e Bonita Granville (a aluna). Aqui, ficou famosa a cena em que Margaret Hamilton (antes de encarnar a Bruxa de “O Mágico de Oz”) dá um tapa na personagem de Bonita Granville. Outros destaques do filme são a primorosa fotografia de Gregg Toland e a música de Alfred Newman. A história seria refilmada em “Infâmia”, de 1961, dirigido pelo próprio Wyler e estrelado por Audrey Hepburn, Shirley MacLaine e James Garner, onde o lesbianismo, com o fim da censura em Hollywood, é o tema central, assim como na peça, sendo mais fiel à história de Lillian Hellman.

O diretor William Wyler realiza um contundente estudo sobre a mentira, baseado em fatos reais

Em 1931, o notável criminologista escocês William Roughead publicou um volume grande de seus ensaios sobre crimes famosos intitulado “Bad Companions”. Um dos ensaios foi chamado de “The Great Drumshleugh Case”. Situado em Edimburgo, em 1810, o caso ficou conhecido como “Miss Jane Pirie and Miss Marianne Woods vs. Dame Cumming Gordon” e contava a história de duas mulheres de uma escola para meninas da capital escocesa, e como uma garota maliciosa espalhou um boato que arruinou a elas e a escola, que foi fechada. A fedelha disse a todos que as duas mulheres eram amantes. O livro foi lido por Lillian Hellman, que assumiu a história e a trama em sua peça “The Children’s Hour”, apenas mudando o cenário para a América e colocando um homem (o médico Joe Cardin) na adaptação para os cinemas como o terceiro vértice do triângulo.

Embora os ensaios de Roughead sejam um bom lugar para começar uma série de estudos para histórias que dariam boas peças ou roteiros, a título de curiosidade, um estudo mais extenso do incidente foi publicado em 1983 por Lillian Faderman. A autora não desculpa a rapariga de seu ataque mal-intencionado, mas ela produz algumas evidências de que as duas senhoras podiam ter tido um caso, e mostra que a jovem acabaria sendo vítima da própria publicidade. A menina, Jane Cumming, foi uma neta ilegítima de Lady Cumming Gordon, e seu nascimento não agradou à avó ou sua família. Desprezada por essa razão, sua atitude de desconfiança e antipatia (levando ao ódio contra suas professoras) é parcialmente compreensível. Mas Jane Pirie, uma das professoras, moveu uma série de caras ações legais contra a avó, que terminou revelando todas as falhas de caráter da neta. Como resultado, quando Lady Cumming Gordon acabou de pagar as despesas (ela perdeu a causa final), Jane tornou-se mais indesejada do que já era e acabou banida do contato com a família.

Adaptando para as telas a sua peça (encenada na Broadway pela primeira vez em novembro de 1934), mas abrindo mão da polêmica do lesbianismo devido à vigência do Código de Produção, Lillian Hellman não diminuiu em nada a dramaticidade da história. Mesmo assim, ela precisou ocultar a origem do texto alterando o título original “The Children’s Hour” para “The Lie”, e posteriormente “These Three”, o título definitivo do filme. A maioria das linhas de diálogo foram mantidas no roteiro e a própria autora sentiu-se satisfeita com as mudanças que foi obrigada a fazer, e uma vez que não se detinha mais no lesbianismo e sim em um escândalo amoroso, o tema se manteve, ou seja, não mais focado na mentira, mas nas consequências terríveis que ela provoca na vida de pessoas inocentes.

Mestre na direção de atores, William Wyler percebeu o poder do texto de Hellman e realizou um contundente estudo sobre a mentira e de suas consequencias. Para isso, não poderia ter se valido de melhores coadjuvantes, a começar pela indicada ao Oscar Bonita Granville, cuja personagem exerce sua maldade com tanto gosto que impressiona, ainda mais quando movida pela vingança e à força da chantagem consegue convencer a personagem de Marcia Mae Jones (também brilhante) a acompanhá-la na mentira. Possivelmente uma das melhores atuações de uma criança até hoje nas telas. Curiosamente, a atriz, que era loira, precisou ter suas madeixas pintadas de castanho para que sua personagem parecesse mais sombria e maligna. Destaque também para Margaret Hamilton, alguns anos antes de se tornar a Bruxa Má do Oeste em “O Mágico de Oz”. Miriam Hopkins, até então habituada a papéis pouco importantes, surpreende e arranca simpatias do público, apesar de sua personagem não se matar como na peça original. Merle Oberon, que também nunca conseguiu um lugar ao sol entre as grandes atrizes da sua época, também surpreende, possivelmente com a melhor atuação de sua carreira. A vitória delas e o final otimista típico da Hollywood dos anos 30 não desmerecem os méritos desse grande filme e de todos os envolvidos em sua realização, representando o triunfo da inocência sobre a calúnia.

Em “Infâmia”, de 1961, o próprio Wyler retornaria à história, e com o fim da censura, dessa vez pôde abordar o tema do lesbianismo conforme a peça original, preservando inclusive o título dela, “The Children’s Hour”. O filme foi estrelado por Audrey Hepburn, Shirley MacLaine e James Garner. Miriam Hopkins, que viveu Martha Dobie neste filme, interpreta a tia de sua personagem, Lily Mortar.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0028356/

Filme Completo:

Galeria de Imagens:

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