Filmes: Sonho de uma Noite de Verão (1935)

midsummer_1SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO
Título Original: A Midsummer Night’s Dream
País: Estados Unidos
Ano: 1935
Duração: 133 min.
Direção: William Dieterle e Max Reinhardt
Elenco: Olivia de Havilland, Mickey Rooney, James Cagney, Joe E. Brown, Dick Powell, Jean Muir, Hugh Herbert, Ian Hunter, Frank McHugh, Victor Jory.
Sinopse:
Teseu, rei de Atenas, vai casar com Hipólita, Rainha das Amazonas. Demétrio está envolvido com Hermia, mas Hermia ama Lisandro. Helena ama Demétrio. Oberon e Titânia, do reino das fadas, têm uma ligeira discussão na floresta, mas eles não estão sozinhos: Lisandro e Hermia têm lá um encontro, Helena e Demétrio, também, assim como alguns atores que estão ensaiando uma peça para o casamento de Teseu e Hipólita.

Clássica, encantadora, envolvente e caprichada produção da Warner, baseada na peça de William Shakespeare, cuja primeira parte teria sido encenada em Londres, em 1595, o filme teve inúmeros problemas durante a sua produção, desde a suspensão do co-diretor Max Reinhardt por conta de uma pendência judicial ao acidente com o ator Mickey Rooney, que precisou atuar com uma perna quebrada e foi dublado por George Breakston em várias cenas. Muitos aspectos técnicos do filme são notáveis, não só a parte artística da adaptação, que inclui a trilha sonora de Erich Wolfgang Korngold adaptando trechos compostos por Felix Mendelssohn-Bartholdy usados na adaptação para os palcos alguns anos antes e a fotografia premiada com o Oscar de Hal Mohr. O filme é uma prova do esmero do estúdio Warner, na época comandado por Hal B. Wallis e Jack Warner,  muito evidente no maravilhoso trabalho na direção de arte, cenários e efeitos especiais, estes a cargo de Hans Koenekamp, Fred Jackman e Byron Haskin, que nos anos 50 dirigiria o clássico sci-fi “Guerra dos Mundos”.

Nunca antes no cinema um texto de Shakespeare tinha sido tão irresistível

O principal dos muitos problemas que atrapalharam o cronograma das filmagens de “Sonho de uma Noite de Verão” foi a suspensão do co-diretor Max Reinhardt por conta de uma ação por quebra de contrato movida contra ele por uma companhia cinematográfica francesa, o que obrigou William Dieterle a assumir as filmagens até que um juiz desse ganho de causa a Reinhardt e ele pudesse retornar às filmagens. Austríaco de nascimento, Reinhardt não falava uma palavra em inglês, o que obrigou seu colega de direção William Dieterle a atuar também como intérprete durante as filmagens. “Sonho de uma Noite de Verão” acabou sendo o único filme hollywoodiano dirigido por Reinhardt, um dos mais lendários diretores de teatro de todos os tempos.

O diretor de fotografia Ernest Haller começou as filmagens, mas foi demitido e substituído por Hal Mohr, que descartou todo o material já rodado e realizou um trabalho inteiramente novo. Pelo resultado obtido, Mohr acabaria ganhando o Oscar de Fotografia naquele ano. Um prêmio merecido, sobretudo pelo esforço do cinegrafista em capturar as imagens nas cenas passadas na florestas, que pediam uma iluminação especial, obtida com o uso de tinta alumínio, teias de aranha e partículas de metal que pudessem refletir a luz e criar o clima de conto de fadas essencial para a história.

O compositor Erich Wolfgang Korngold foi escolhido pessoalmente por Reinhardt, mas após um acordo decidiram usar a música incidental composta por Felix Mendelssohn-Bartholdy, que o próprio Renhardt já havia usado em uma adaptação que fez da peça para os palcos. Como esta trilha era muito curta para um filme com mais de duas horas, Korngold adaptou alguns trechos dela e partes de outras composições desse autor, ampliando-as para uma orquestra maior e coral, além de criar partituras de sua própria autoria, provando porque era considerado um dos maiores compositores do cinema. Korngold criou uma partitura sinfônica para o filme, mas preferiu permanecer não-creditado, dando o crédito musical para Mendelssohn. O filme foi banido da Alemanha pelo Governo nazista porque tanto Reinhardt quanto Felix Mendelssohn-Bartholdy eram judeus.

O filme marcou a estreia de Olivia de Havilland no Cinema, antes da fama conquistada ao estrelar “Capitão Blood” ao lado de Errol Flyyn, lançado no mesmo ano, e traz no elenco um jovem Mickey Rooney. O ator, tido como tendo 11 anos, na verdade tinha 14, e quebrou uma perna durante as filmagens. Por conta disso, foi filmado enquanto andava numa bicicleta por detrás dos arbustos e precisou ser dublado por outro ator em várias de suas cenas.

Aliás, difícil imaginar James Cagney, Mickey Rooney e Dick Powell fazendo Shakespeare, mas eles o fazem muito bem. Todo o elenco está excelente e o sotaque de tantos atores norte-americanos não traz nenhum prejuízo para os versos de Shakespeare. Outras grandes atuações incluem Ian Hunter, Joe E. Brown, Anita Louise, Victor Jory, Frank McHugh, Jean Muir, Hugh Herbert, Arthur Treacher e Billy Barty. Ross Alexander, preparado para o estrelato pela Warner, teve seu melhor papel aqui como um dos jovens amantes. A fama, porém, nunca sorriu para ele. Apesar de todo o esforço do estúdio que em seguida o escalou para o elenco de “Capitão Blood”, o mundo de Alexander desabou quando sua homossexualidade veio à público. Um casamento de conveniência com a jovem atriz Aleta Friele terminou em tragédia quando ela cometeu suicídio. Dois anos mais tarde, relegado a filmes menores e sofrendo de profunda depressão, ele morreu, vítima de suicídio.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0026714/

Trailer:

Filme (pode ser removido a qualquer momento com base em direitos autorais):

Galeria de Imagens:

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