Filmes: Alta Traição (1928)

ALTA TRAIÇÃO
patriot_2Título Original: The Patriot
País: Estados Unidos
Ano: 1928
Duração: 113 min.
Direção: Ernst Lubitsch
Elenco: Emil Jannings, Florence Vidor, Lewis Stone, Vera Veronina, Neil Hamilton, Harry Cording, Carmencita Johnson, Nicholas Kobliansky, Viacheslav Savitsky, Alexander Skonnikov.
Sinopse:
Século XVIII. Na Rússia Imperial, amor e traição rodeam o Czar Paulo I, cuja liderança é cada vez mais posta em causa.

Produzido como filme mudo, “Alta Traição” teve cenas com diálogos que foram acrescentadas à revelia do diretor Ernst Lubitsch, filmadas pouco antes da sua estreia com o advento do cinema sonoro. No entanto, este drama histórico pesado provou que o diretor alemão, mais conhecido pelas suas sofisticadas comédias românticas, sabia também contar uma história dramática e o filme foi nomeado para cinco prêmios Oscar, tendo ganhado o de melhor argumento para Hans Kraly, por sua vez baseada em peça de Alfred Neumann. Este é mais um dos grandes filmes do Cinema que está dado como “perdido”, e do qual só restam apenas alguns fragmentos e o trailer original.

Um dos grandes tesouros perdidos do cinema

No século 18, na Rússia, o Czar Paulo I (Emil Jannings), filho da Grande Catarina, vive cercado por conspiradores e só confia no Conde Pahlen (Lewis Stone). Pahlen quer proteger o amigo mas por causa dos atos tresloucados do monarca, decide alijá-lo do trono, para o bem da nação. Pahlen conta com a ajuda da sua amante, a Condessa Ostermann (Florence Vidor), mas esta porém, trai Pahlen e conta ao Czar todo o plano. Conduzido à presença do soberano, Pahlen convence-o de sua lealdade e, mais tarde, o assassina.

Depois de “O Príncipe Estudante”, Ernst Lubitsch deu a Josef von Sternberg a idéia de “A Última Ordem” (The Last Command, 1927), interpretado por Emil Jannings e, contratado novamente pela Paramount, abordou outra vez um assunto russo em “Alta Traição” (The Patriot, 1928), igualmente estrelado por Jannings. O filme é baseado na peça “Der Patriot” de Alfred Neumann, encenada nos palcos berlinenses em 1927. O escritor Hans Kraly ganhou o Oscar de Roteiro por seu trabalho neste filme, mas a história de Alfred Neumann foi publicada pela primeira vez como um romance. Em 19 de janeiro de 1928, uma versão em Inglês da peça, traduzido do alemão por Ashley Dukes, estreou na Broadway. Não foi determinado se a tradução de Dukes também foi a base deste filme dirigido por Ernst Lubitsch.

Este é talvez o mais procurado de todos os filmes “perdidos”. É também o único filme perdido premiado com o Oscar. Existem alguns fragmentos nos arquivos da UCLA, mas não se tem notícias de um negativo completo. Segundo o IMDb, existe uma bobina quase completa preservada nos arquivos da Cinemateca Portuguesa, contendo oito minutos do filme, parte de uma cópia do filme original quando de sua estreia em Portugal em novembro de 1929, e que estava em poder de um colecionador do Porto.

Somente há pouco tempo foi descoberto o seu trailer, apresentado no Festival de Pordenone em 1996, que dá uma idéia da suntuosidade dos cenários de Hans Dreier e da qualidade da fotografia de Bert Glennon. O filme recebeu críticas extraordinárias na época de seu lançamento e foi nomeado para cinco prêmios Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator (Lewis Stone), Melhor Diretor (Ernst Lubitsch), Melhor Direção de Arte e Melhor Roteiro. Estranhamente, ele ganhou o prêmio de Roteiro, fato estranho em se tratando de um filme mudo no primeiro ano do cinema falado. Na verdade, seqüências faladas foram adicionadas após o lançamento do filme nos cinemas, uma prática comum mas nem sempre bem sucedida nos primeiros meses do advento do cinema sonoro. Isso incluiu uma trilha sonora sincronizada e efeitos sonoros nos momentos culminantes, como no final onde o personagem de Emil Jannings gritava: “Pahlen! Pahlen!”, chamando o amigo que o traíra por amor à pátria.

Quem assitiu o filme em sua estreia afirmou que “Alta Traição” deveria conter uma das melhores performances de Emil Jannings – talvez o maior ator alemão de todos os tempos – em toda a sua carreira, no papel do enlouquecido Czar Paulo I. Jannings – que tinha ganhado o Oscar de Melhor Ator pelo filme “The Last Command”, de 1928 – regressou à Alemanha, onde viria a fazer, entre outros, “O Anjo Azul”, de Josef von Sternberg, contracenando com Marlene Dietrich. O diretor Lubitsch, por seu lado, converteu-se com sucesso ao cinema sonoro, especializando-se em musicais e comédias sofisticadas.

“Alta Traição” tornou-se uma daquelas lendas do cinema, um daqueles filmes que você deveria assistir antes de morrer, mas que provavelmente irá morrer sem poder assistir. Como curiosidade, algumas tomadas da multidão foram aproveitadas seis anos depois por Josef von Sternberg em “A Imperatriz Galante” (The Scarlet Empress”, 1934).

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0019257/

Trailer:

Galeria de Imagens:

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