Filmes: Drácula (1931)

DRÁCULA
dracula_1Título Original: Dracula
País: Estados Unidos
Ano: 1931
Duração: 75 min.
Direção: Tod Browning
Elenco: Bela Lugosi, Helen Chandler, David Manners, Dwight Frye, Edward Van Sloan, Charles Gerrard, Frances Dade, Herbert Bunston, Joan Standing, Anna Bakacs, Nicholas Bela, Daisy Belmore, Barbara Bozoky, Todd Browning, Moon Carroll, Geraldine Dvorak, Anita Harder, Carla Laemmle, Donald Murphy, Cornelia Thaw, Dorothy Tree, Josephine Velez, Michael Visaroff.
Sinopse:
Conde da Transilvânia, atormentado por uma maldição milenar que o obriga a sugar sangue humano, aterroriza a sociedade londrina.

Versão fiel ao livro de Bram Stoker, marco do cinema de terror graças à interpretação marcante do húngaro Bela Lugosi e que se tornou antológica. O filme, também pelo visual sombrio se tornaria referência para as produções do gênero no futuro. A peça de teatro “Drácula”, de Hamilton Deane e John L. Baldereston, fazia sucesso em apresentações pelo país depois de uma vitoriosa e longa temporada na Broadway. A Universal comprou os direitos de filmagens de Florence Stoker, viúva de Bram Stocker, intermediados pelo ator principal da peça na costa oeste, Bela Lugosi, que viria a ser também o ator no filme dirigido por Tod Browning. “Dracula” se transformou no filme de maior renda bruta do ano para a Universal e responsável por manter a empresa em funcionamento depois de dois anos de prejuízo. Motivados pelo sucesso de “Drácula”, o estúdio investiu em outros monstros: “Frankenstein” (1932), “A Múmia” (1932), “O Homem Invisível” (1933), “O Gato Preto” (1934), “A Noiva de Frankenstein” (1935), entre outros. A Universal ficou mundialmente conhecida como a produtora especialista em filmes de terror; Boris Karloff foi dividir o estrelato de filmes de terror com Bela Lugosi depois de interpretar o monstro de Frankenstein, uma das imagens mais conhecidas do século XX; Jack Pierce, o criador da maquiagem dos monstros, assim como o diretor James Whale (de “Frankenstein”, “O Homem Invisível” e “A Noiva de Frankenstein”), tornaram-se lendas. Os méritos principais do sucesso do filme, além da caracterização impressionante de Lugosi no papel-título, foi a atmosfera criada pelo diretor Tod Browning, ex-artista de circo e que fez carreira nos anos 30 dirigindo filmes de terror, e em parte também pela magistral composição fotográfica criada pelo especialista Karl Freund, o mesmo de clássicos como “Metropolis”, de Fritz Lang.

Uma obra-prima do horror gótico que vence o explícito com a mais profunda sutileza

O lançamento recentemente nos cinemas do péssimo “Van Helsing – O Caçador de Monstros”, trouxe de volta a nostalgia por aqueles antigos filmes de monstros que a Universal produziu durante a década de 30. Embora o filme quisesse homenagear aqueles clássicos do passado, o resultado ficou apenas na intenção. Melhor mesmo é assistir os filmes e verificar o quanto o cinema de artesanato produzido nos anos 30 era bastante superior em arte e técnica mesmo se levando em conta toda a parafernália moderna que Hollywood utiliza atualmente.

“Drácula”, lançado em 1931 (mesmo ano de Frankenstein), é baseado na obra-prima de Bram Stoker e na peça escrita por Hamilton Deane para a Broadway, em 1927. É impressionante como o tempo passou e há tantas características clássicas na obra, e mesmo assim ela continua tão bela e forte. Se deixou de ser aterrorizante pelas inúmeras cópias e versões ao longo do tempo, pelo menos continua incômoda e mantém muitas características marcantes que o definiram como símbolo de uma geração. Na história, quase nada foi alterado: Conde Drácula é um vampiro que mora em um castelo, na Transilvânia, com três esposas. Ele decide se mudar para Londres, onde conhece Mina e resolve transformá-la em uma morta-viva. Porém, ele não contava com a inteligência e a crença do doutor Van Helsing (que nada tem a ver com a recente caracterização de Hugh Jackman), um velho destemido a estragar os planos do perverso vampiro.

Toda aquela história clássica está por aqui: o medo de crucifixos, a marca dos dentes nos pescoços, a estaca de madeira que deve ser enfiada no peito, a metamorfose para morcego e lobo, etc. Uma coisa que o público pode sentir falta são os dois caninos do vampiro, que simplesmente não aparecem no longa. Mas há uma explicação para isso: trabalhando de forma incrivelmente eficiente com o subentendido, a obra estabelece contato com a imaginação de quem quer que esteja assistindo ao filme – e isso cria um clima muito mais competente do que o monstro correndo atrás de alguém (como no final de “Frankenstein”). E, nesse tipo de filme, clima é tudo. Além do mais, a obra acerta ao não apressar as coisas: tudo é lento, pensado, onde cada movimento está no seu tempo certo. Somado à falta de som, cria um clima pesado, onde tudo o que está sendo mostrado na tela não soa ridículo. Mérito também da convincente direção de arte, na hora de criar lindos cenários sujos, e da fotografia, que os ilumina de maneira amedrontadora, com várias sombras aderindo-se aos cenários de forma quase expressionista (só que com formas bem definidas). Há ainda umas duas ou três seqüências em locação, algo que é infinitamente mais agradável do que ver aqueles cenários mal feitos de paisagens abertas. O filme ainda pega emprestado alguns planos de filmes mudos, como, por exemplo, a pessoa falar “este crucifixo” e aparecer, estático na tela, um crucifixo na mão de alguém. Vestígios de um cinema que ainda estava se acostumando a falar.

Agora, tudo poderia ir por água abaixo caso o homem no papel principal de Conde Drácula não fosse convincente o suficiente. Revivendo o papel que havia feito nos palcos da Broadway por míseros 500 dólares semanais (culpa da recente depressão que os Estados Unidos vinham se recuperando; e pensar que ele recusou o papel de monstro em “Frankenstein” porque o personagem não tinha falas), Bela Lugosi dá vida a um dos maiores ícones que o cinema já viu. Drácula, com seu charme macabro e olhar fixo dominador, não precisa de exagero de sangue, de violência e nem de dentes gigantescos para marcar presença. O seu tempo de atuação é perfeito e cada movimento é milimetricamente encaixado para dar características ao personagem: veja, por exemplo, a mão contorcida quando Drácula levanta de seu caixão, ou então o jeito de olhar, com os olhos abertos em tamanhos diferentes, quando ele está fixo em alguém. Mas não é apenas o personagem principal que brilha ao criar uma figura bizarra e, até os dias de hoje, incômoda. Dwight Frye causa arrepios com seu mal compreendido Renfield, de olhos esbugalhados e sorriso macabro no rosto. Suas ações são sempre convincentes e, se não causa mais medo, é impossível não sentir um certo incômodo com seu personagem. Já Helen Chandler, que ganhou um papel que poderia ter sido de Bette Davis, ficou com a personagem Mina, a jovem que Drácula quer transformar em morta-viva.

Mas há defeitos, como o final, que é simples demais, dando uma idéia de que tudo era mais fácil do que parecia ser na verdade. Mas são meros detalhes perto de uma obra muito mais grandiosa. Alguns o fadaram ao tempo, mas não podemos condenar a obra por ter sido tão copiada, satirizada e recriada. Preservando o clima ainda perturbador, o importante é que ela ainda consegue causar deslumbramento, mesmo com tantos anos já passados desde sua realização. É uma obra-prima do horror gótico que vence o explícito com a mais profunda sutileza. O filme continha uma seqüência de abertura alertando para o terror contido na obra, igualzinho a “Frankenstein”, mas essa passagem foi retirada da versão em 1936. Hoje, essa pequena seqüência foi perdida com o tempo.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0021814/

Filme:

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