Filmes: Capitão Blood (1935)

CAPITÃO BLOOD
captainblood_12Título Original: Captain Blood
País: Estados Unidos
Ano: 1935
Duração: 119 min.
Direção: Michael Curtiz
Elenco: Errol Flynn, Olivia de Havilland, Lionel Atwill, Basil Rathbone, Ross Alexander, Guy Kibbee, Henry Stephenson, Robert Barrat, Hobart Cavanaugh, Donald Meek, Jessie Ralph, Forrester Harvey, Frank McGlynn, Sr., Holmes Herbert, David Torrence, J. Carroll Naish, Pedro de Cordoba, George Hassell, Henry Cording.
Sinopse:
Século 17, Inglaterra. Ao socorrer um soldado rebelde ferido, o médico Peter Blood é preso injustamente por traição ao Rei James e condenado à morte. Enviado à Jamaica, ele acaba sendo vendido como escravo e passa a trabalhar em uma plantação. Após a invasão de piratas espanhóis, ele e um grupo de escravos fogem e formam uma tripulação de piratas.

O filme foi baseado no romance “Captain Blood: His Odyssey” de Rafael Sabatini, publicado em 1922, e pode ser apontado como uma refilmagem do homônimo filme silencioso de 1924, do qual só sobreviveu uma cópia truncada de cerca de 30 minutos. “Capitão Blood” marcou o início da carreira de sucesso do então desconhecido australiano Errol Flynn como um ator fanfarrão e heróico, e o seu primeiro encontro nas telas com a atriz Olivia de Havilland. Juntos eles fizeram mais oito filmes. Para o sucesso do filme, muito contribuíram o carisma do ator (então com 26 anos) e a beleza da atriz (então com 19 anos), além da tarimba inegável do diretor de “Casablanca” Michael Curtiz, com quem o ator trabalharia em um total de 12 filmes. Outros destaques ficam para o score de Erich Wolfgang Korngold, a fotografia de Ernest Haller e Hal Mohr, e a montagem de George Amy.

Um dos maiores filmes de aventuras já produzidos

“Capitão Blood” tornou-se uma excelente introdução a uma lenda de Hollywood. Curiosamente, o ator Errol Flynn nunca esteve nos planos iniciais da Warner para este filme. Com a intenção de atrair o mesmo público que fez de “Mutiny on the Bounty” e “Treasure Island” sucessos de bilheteria, Jack Warner queria Robert Donat para o papel-título, mas quando este não compareceu às gravações por problemas de saúde (que acabariam por encurtar sua carreira) e Brian Aherne recusou o papel, o chefão do estúdio apostou naquele desconhecido australiano chamado Errol Flynn. Famoso em seu país natal após atuar em 1933 no filme “In the Wake of the Bounty”, vivendo o próprio Fletcher Christian e baseado no famoso motim, Flynn só havia feito pequenos papéis em três filmes sem grande repercussão chamados “Murder at Monte Carlo”, produzido na Inglaterra, “The Case of the Curious Bride” e “Don’t Bet on Blondes”, e saltou para o grande estrelato em Hollywood com “Capitão Blood”. Diz uma lenda que foi a esposa de Jack Warner que recomendou ao marido que contratasse Flynn, na época com 26 anos, descrito por ela como “o homem mais bonito que já tinha visto”, trazendo-o direto da Inglaterra, onde Flynn sobrevivia como como ator de teatro. O filme acabou se tornando a maior aposta da Warner para o ano de 1935 e uma superprodução custando um milhão de dólares mas de grande risco já que não possuía nenhum nome conhecido em seu elenco, pois tanto Errol Flynn quanto a atriz Olivia de Havilland (em seu quarto filme apenas) se tornariam estrelas somente após o seu lançamento.

Graças a esse lobby, do qual participou também a atriz Lili Damita, esposa de Flynn na vida real, o ator foi contratado pelo estúdio sem precisar fazer nenhum teste. O diretor escalado foi o húngaro Michael Curtiz, que já havia trabalhado com Flynn em “The Case of the Curious Bride” mas que teve problemas com o ator por conta de sua pouca experiência e nervosismo, que beiravam o amadorismo. Curtiz não se deixou esmorecer e trabalhou exaustivamente com Flynn até ele ganhar confiança. As primeiras cenas foram descartadas e novamente filmadas. Ao fim dos ensaios, a Warner sabia que tinha um novo astro capaz de competir com Clark Gable, Gary Cooper e Douglas Fairbanks pelo público feminino da época. Em seu primeiro filme como protagonista, Flynn iria tirar de Fairbanks o título de maior espadachim das telas!

Sem querer, Jack Warner acertou em cheio, pois raras vezes foi vista nas telas uma parceria tão bem sucedida quanto esta, que reuniu o ator Errol Flynn, a atriz Olivia de Havilland e o diretor Michael Curtiz, responsáveis por uma das maiores aventuras cinematográficas de todos os tempos: “As Aventuras de Robin Hood”, de 1938. Aqui, a união desses talentos é igualmente memorável. O charme e o físico do ator, encontram-se à altura da beleza e do talento de sua parceira Olivia, e com a competência do diretor de “Casablanca” resultou em cenas empolgantes e inesquecíveis de ação, romance e aventura. O ator e o diretor Michael Curtiz trabalhariam juntos num total de 12 filmes. Ao lado de Olivia de Havilland, Flynn atuaria em um total de 9 filmes no período entre 1935 e 1941: “Capitão Blood”, “A Carga da Brigada Ligeira”, “Somos do Amor”, “As Aventuras de Robin Hood”, “Amando sem Saber”, “Uma Cidade que Surge”, Meu Reino por um Amor”, “A Estrada de Santa Fé” e “O intrépido general Custer”.

No filme, assistimos como o médico irlandês Peter Blood cai em desgraça ao atender um rebelde ferido durante a revolta contra James II em 1685. Acusado de traição, ele é sentenciado à escravidão na Jamaica e depois é comprado pelo Col. Bishop (Lionel Atwill), o homem mais rico e influente do lugar, e conhece a sobrinha deste, Arabella (Olivia). Durante um ataque de piratas espanhóis, Blood e alguns companheiros fogem e se tornam eles mesmos piratas. A história segue com várias reviravoltas – inclusive Blood se tornando simpatizante da Inglaterra representada por Lord Willoughby (Henry Stephenson) que após a Revolução Gloriosa de 1688 derruba James II -, em meio à grandes batalhas, romance e terminando em um duelo memorável (que se repetiria três anos mais tarde com grandioso efeito cênico em “As Aventuras de Robin Hood”) entre Peter Blood e o pirata Lavasseur (Basil Rathbone).

Embora não oficialmente, a transformação do pirata em governador da Jamaica pode ser espelho da história real (ocorrida uma década antes de quando a história do filme se passa) do notável pirata Henry Morgan, que se tornou Governador da Jamaica como uma recompensa por suas ações contra os espanhóis. Morgan, por sua vez, foi interpretado por Laird Cregar em “The Black Swan”, outro grande filme do gênero capa-e-espada. Um dos aspectos mais notáveis do roteiro de Casey Robinson baseado em novela de Rafael Sabatini é o aspecto humano do personagem principal, que torna Peter Blood diferente de todos os heróis do gênero vistos até então. Lançado no auge da moda dos filmes de piratas ou dos romances do gênero capa-e-espada, “Capitão Blood” se tornou um divisor de águas, apontando um novo modelo para os filmes que iriam explorar o filão dali para a frente. Flynn faz muito bem seu papel, com seu charme habitual, bom humor, boa aparência e graça atlética nas cenas de luta, servindo de inspiração para muitos outros atores que mais tarde experimentaram o gênero.

Algumas cenas importantes foram filmadas em Palm Springs, na Califórnia. Seis editores trabalharam para reduzir os 60.000 metros de película em 12 bobinas, a tempo para o seu lançamento nos cinemas na véspera do Natal. Curiosamente, nenhum navio de tamanho real foi usado nas cenas de batalha. Elas foram criadas por uma combinação de processos de filmagens, usando miniaturas e imagens de um filme mudo, “The Sea Hawk” (1924), também baseado em outro romance de Rafael Sabatini, mas o resultado é tão verossímil por conta dos bons efeitos especiais a cargo de Fred Jackman que nem percebemos que estamos diante de um filme produzido em 1935. O estreante Erich Wolfgang Korngold, que se tornaria um dos maiores músicos do cinema, tinha apenas três semanas para compor a trilha para o filme. Como ele estava envolvido na composição da música para um filme da Paramount chamado “Give Us This Night” (1936), ele decidiu usar trechos de duas composições de Franz Liszt para algumas das cenas de ação. No entanto, ele insistiu que os seus créditos na tela fossem por “arranjos musicais”, embora mais da metade da música do filme fosse original.

Embora não tenha o dramatismo épico de “A Carga da Brigada Ligeira” ou a opulência romântica de “As Aventuras de Robin Hood”, “Capitão Blood” permanece até hoje como uma das maiores aventuras cinematográficas já realizadas.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0026174/

Trailer:

Galeria de Imagens:

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