Filmes: Ben- Hur (1959)

BEN-HUR
benhur1959_2Título Original: Ben-Hur
País: Estados Unidos
Ano: 1959
Duração: 211 min.
Direção: William Wyler
Elenco: Charlton Heston, Jack Hawkins, Stephen Boyd, Hugh Griffith, Martha Scott, Cathy O’Donnell, Haya Hayareet, Sam Jaffe, Finlay Currie, Frank Thring, Terence Longdon, André Morell, Marina Berti, George Ralph.
Sinopse:
Os primórdios do Cristianismo na trajetória de Judá Ben-Hur, jovem e rico judeu que vive em Jerusalém com a mãe viúva e a irmã, mas é traído por um amigo de infância, perde a fortuna e é vendido como escravo. A partir daí, planeja voltar em busca de vingança.

Majestosa superprodução épica produzida por Sam Zimbalist para a Metro-Goldywn-Mayer, adaptada do romance do General Lew Wallace, de 1880 e já filmado em 1926 por Fred Niblo, ambiciosa em todos os sentidos: ao custo de 15 milhões de dólares, 211 minutos de duração, filmada nos gigantescos estúdios da Cinecittá em Roma, teve o clímax do filme – a célebre corrida de bigas – custado sozinha 1 milhão de dólares, consumido seis meses de preparação e três de filmagens, utilizado cinco câmeras, 80 cavalos e cerca de 8 000 extras. O resultado final é uma seqüência primorosa, empolgante e inesquecível. No papel-título recusado por Rock Hudson, Marlon Brando e Burt Lancaster, Charlton Heston brilhou e levou o Oscar de Melhor Ator, dos 11 que o filme obteve – um novo recorde na época: Filme, Diretor, Ator, Ator Coadjuvante (Griffith, como o xeque Ilderin a quem Ben-Hur passa a pertencer), Fotografia (Robert Surtees), Montagem, Direção de Arte, Som, Figurinos, Efeitos Especiais e Música (Miklos Rosza).

Um épico monumental e um recorde que permanece até hoje

Filmes grandes às vezes são difíceis de se ver, ainda mais se eles tiverem mais de três horas de duração. Mas se o filme em questão for um dos mais belos, bem realizados e consistentes da história do cinema, ninguém se importa em ficar quase quatro horas em frente à televisão. É claro que se trata da obra máxima de William Wyler (dos também excelentes “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” e “A Princesa e o Plebeu”), “Ben-Hur”. Lançado em 1959, e sendo a segunda versão adaptada para o cinema do livro homônimo do Coronel Lew Wallace (a primeira foi em 1926, sendo que o filme era mudo, mas também foi um marco para a sua época) esse filme marcou época pela beleza imposta na tela, principalmente levando-se em consideração que os recursos disponíveis eram escassos. Para os padrões dos filmes vistos até aquele ano, este foi um acontecimento único.

Sempre constando nas listas dos melhores filmes de todos os tempos, “Ben-Hur” se destacou também porque a sua história, ainda que fictícia, confunde-se com a história de Jesus Cristo no tempo de sua pregação e crucificação (um dos momentos mais belos do filme). Antes mesmo de Russel Crowe e o seu general Maximus de “Gladiador” entrarem em cena para vingar a sua família, Judá Ben-Hur (Charlton Heston, em um dos papéis mais memoráveis já vistos no cinema e que lhe rendeu o Oscar de melhor ator), já passava de escravo a corredor de bigas, se tornando um deus das multidões, tudo para tentar se vingar de seu antigo amigo Messala (interpretado por Stephen Boyd). A história gira em torno de Judá Ben-Hur, que vivia no início do século primeiro como um príncipe e mercante de Jerusalém. Quando o seu amigo de infância Messala foi escolhido pelo governador para ser o oficial comandante de uma das legiões romanas, Judá ficou feliz. Mas com o passar do tempo as visões dos dois amigos divergiram-se e eles acabaram por se separarem. Durante uma parada de boas vindas, uma telha da casa de Judá cai, quase acertando o governador. Mesmo tendo consciência de que seu amigo era inocente, Messala acaba mandando-o para as Galés. Não se sentindo rogado por fazer aquilo, também condenou a mãe e a irmã de Judá para passar o resto de suas vidas na prisão. Sabendo disso, Judá jurou que um dia ele voltaria para se vingar. Ao longo do tempo, Judá passou por todo o tipo de provação, fortalecendo seu espírito a cada nova dificuldade que supera. Foi vítima de um ataque no mar por uma frota inimiga; salvou-se numa escapada de sorte, levando consigo o novo cônsul Quintus Arrius (Jack Hawkins), que por isso, acabou adotando-o. Depois, Judá começou a correr de biga no circo romano, onde adquiriu experiência com o passar dos tempos. A partir disso, o filme começa a nos preparar para uma das cenas mais bem realizadas da história: a corrida de bigas.

A corrida de bigas tem os dezessete minutos mais intensos que um espectador pode querer de um filme. Com uma tensão crescente à medida em que os competidores vão finalizando suas voltas em torno da arena, a narrativa utiliza de um realismo angustiante, imposto por Wyler, que faz o público ter arrepios vendo as quedas dos participantes das bigas, enquanto duelam para chegar na frente e ao mesmo tempo duelam pelas suas próprias vidas. Certa vez, durante uma entrevista, Charlton Heston declarou que “aquele sujeito com cara de assustado na corrida de bigas era eu mesmo”. Por sua vez, o clímax da cena, a queda e o atropelamento de Messala por um competidor que vinha logo atrás, é outro ponto-chave no enredo do filme, além de também ser incrivelmente realista. Hoje em dia, com milhões gastos em computação gráfica, seria quase impossível recriar toda esta sequência de forma tão convincente e com resultados de tamanha veracidade. Após a corrida de bigas, e vitorioso, Judá descobre por Messala, pouco antes de este morrer devido aos ferimentos que sua mãe e irmã ainda estão vivas, mas que foram levadas para um retiro de leprosos. É a última das suas provações e ele decide levá-las para casa, mesmo sabendo que sua irmã está morrendo. No caminho, se deparam com Jesus Cristo sendo levado para crucificação, em outra sequência memorável do filme e que faz Judá reconhecer o homem que ajudou a salvar sua vida quando ele era um escravo ao oferecer-lhe água. Ele tenta retribuir, mas um soldado o impede, jogando a agua fora. Judá continua acompanhando o seu martírio na Cruz. Nesse momento, acontece um milagre e a mãe e a irmã de Judá são curadas. Isso o faz abdicar de toda a raiva existente em seu interior, voltando para sua família em paz com seu coração. Uma bela lição de vida, além de ser o momento mais emocionante do filme, e que o encerra.

“Ben-Hur” marca o exato momento em que os críticos franceses – aqueles que admiravam Wyler do início de carreira – perderam a paciência com ele após o êxito desse monumental épico cristão. O próprio André Bazin escrevia notas de rodapé explicando que o Wyler que ele admirava era aquele que dirigiu “Pérfida”, não a sua encarnação posterior. De qualquer forma, “Ben-Hur” é um dos maiores espetáculos dramáticos e grandiosos do cinema. William Wyler estabeleceu seus objetivos com relação ao filme: entreter o público aproveitando todas as possibilidades visuais que a história oferecia e ganhar muito dinheiro. Ele conseguiu os dois. A despeito do desapontamento obtido com o tanque do estúdio para a batalha naval, que é a única sequência pouco convincente de todo o filme, “Ben-Hur” possui uma sequência gloriosa de climaxes. A cena em que as galeras escravas são forçadas a acelerar para o prazer de seu comandante e que simbolizam um homoerotismo latente na montagem, é como se Eisenstein filmasse em Cinemascope. E a corrida de bigas, que continua impressionante, foi um triunfo cênico para a época. Mas entre esses dois momentos do filme, o que existe é uma história surpreendentemente bem contada, com bons atores atuando com convicção e um substancial drama humano, acima da média do modelo bíblico que se via nas telas durante toda a década de 50, quando esse gênero se tornou tão popular graças a filmes como “Os Dez Mandamentos”, “Quo Vadis”, “O Manto Sagrado”. Por sua vez, “Ben-Hur” representa o ápice desse modelo cinematográfico, e ao mesmo tempo, o seu último suspiro. Logo depois, o gênero cairia no desinteresse do público durante os anos seguintes. Mesmo o suposto relacionamento homossexual entre Judá e Messala fica subentendido, e a sua morte é possivelmente a mais convincente e agoniante já vista até então.

“Ben-Hur” deve ser visto como uma prova definitiva da força visual, da versatilidade, do comprometimento de Wyler com a coesão dramática, e a sua habilidade em transformar material literário de difícil compilação em cinema popular de primeira categoria. O romance do General Lew Wallace, escrito em 1880, foi um investimento de 15 milhões – um fracasso levaria a MGM à falência -, mas rendeu 80 milhões nas bilheterias. O produtor Sam Zimbalist morreu antes de ver o filme pronto, em 1958, aos 54 anos. Wyler ganhou o Oscar pela Direção, mas o grande momento do filme – a corrida de bigas – não foi dirigida por ele, e sim pelos diretores de segunda unidade Andrew Marton, Yakima Canutt e Mario Soldati. Foi também a primeira a ser filmada, custando sozinha um milhão de dólares, seis meses de planejamento, mobilizado quase mil operários, durante três meses para ser finalizada. Foram usadas cinco câmeras, quase 80 cavalos e cerca de 8 mil extras, movimentando toda a Cinecittá, o grande estúdio italiano onde o filme foi rodado ao longo de dez meses. O resultado foi um superespetáculo de três horas e 32 minutos. Como Judah Ben-Hur, Charlton Heston ganhou o papel da sua vida depois que Burt Lancaster e Rock Hudson recusaram, e estava a princípio escalado para viver Messala.

Outro número impressionante referente a “Ben-Hur” é o de Oscars que arrebatou: além de melhor ator (Charlton Heston), melhor diretor (William Wyler) e, claro, melhor filme, ele ainda levou as estatuetas de melhor ator coadjuvante (Hugh Griffith, como o sheik Ilderim, traficante de escravos a quem Judá passa a pertencer), melhor direção de arte, melhor fotografia (Robert Surtees), melhor figurino, melhor montagem, melhor trilha sonora (Miklos Rozsa), melhor som e melhores efeitos especiais. Deixou de ganhar apenas o de melhor roteiro adaptado. Foram 11 no total, valor só igualado 38 anos depois, por “Titanic”. William Wyler é o recordista em indicações na categoria de diretor. Foram 12 vezes, ganhando em três oportunidades, além de “Ben-Hur”: “Rosa da Esperança” (1942) e “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” (1946).

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0052618/

Trailer:

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