Filmes: Cupido é Moleque Teimoso (1937)

CUPIDO É MOLEQUE TEIMOSO
awfultruth_6Título Original: The Awful Truth
País: Estados Unidos
Ano: 1937
Duração: 91 min.
Direção: Leo McCarey
Elenco: Cary Grant, Irene Dunne, Ralph Bellamy, Alexander D’Arcy, Cecil Cunningham, Molly Lamont, Esther Dale, Joyce Compton, Robert Allen, Robert Warwick, Mary Forbes.
Sinopse:
Jerry e Lucy decidem se divorciar após alguns mal-entendidos, que colocam a fidelidade do casal em dúvida. Eles disputam a posse de seu cão de estimação, mas ainda apaixonados, irão fazer de tudo para que o outro não consiga se dar bem em sua nova relação.

Considerada uma das melhores comédias da história do cinema, rendeu a Leo McCarey o Oscar de Melhor Diretor. Com um humor desenfreado, diálogos irreverentes, excelentes interpretações dos seus atores e a realização segura de McCarey, “Cupido é Moleque Teimoso” é um dos mais magníficos exemplos da “screwball comedy” americana e que resistiu à prova do tempo.

Uma das melhores comédias da história do cinema

O divórcio era um tema quente na década de 20, quando os casais começaram a usufruir da liberdade social que ele proporcionou. O tema serviu de base a muitos romances e peças de teatro, entre elas “The Awful Truth”, de Arthur Richman, levada aos palcos em 1922. A peça foi posteriormente adaptada para o cinema várias vezes: a primeira, em 1925, numa versão muda dirigida por Paul Powell e estrelada por Agnes Ayres e Warner Baxter; a segunda em 1929, numa versão falada dirigida por Marshall Neilan e interpretada por Ina Claire, que também estrelou a peça na Broadway; e a terceira em 1937. Em 1953, foi refeita pela Columbia, com o título “Let’s Do It Again “, dirigida por Alexander Hall e estrelada por Jane Wyman e Ray Milland.

O argumento desta conhecida versão teve vários autores, mas a história final foi escrita pelo realizador Leo McCarey em conjunto com o casal Sidney Buchman e Viña Delmar (apenas o nome desta surge na ficha técnica do filme), que já haviam colaborado anteriormente com o realizador no filme “Make Way for Tomorrow”. Os diálogos de “Cupido é Moleque Teimoso”, que o realizador confessou, tentavam contar de forma aproximada a história da sua própria esposa, e foram, em grande parte, improvisados por ele e pelos atores durante a rodagem do filme, o que contribuiu ainda mais para o frenezi que o público vê na tela. Para os papéis principais, McCarey, que também produziu o filme, apostou em três nomes não muito óbvios para este tipo de filme: Irene Dunne, Cary Grant e Ralph Bellamy.

Com perto dos 40 anos de idade, Irenne Dunne começou a sua carreira na Broadway, tendo-se posteriormente mudado para Hollywood, onde desempenhou papéis dramáticos em filmes sentimentais e participou de alguns musicais. O seu primeiro papel como comediante ocorreu em 1936 no filme “Theodora Goes Wild”, que ela tentou evitar a todo custo, porque considerava uma comédia demasiado fácil. No entanto, a atriz acabou por ter sucesso no gênero, trabalhando bastante e fazendo da improvisação uma das suas melhores características. Tudo isso fica mais do que evidente ao vê-la no papel de LucyWarriner. Sua atuação não é apenas admirável, mas sua personagem apresenta tantas camadas sutilmente exploradas por ela que permitem à atriz uma variedade de nuances dentro de uma única cena, e algumas das cenas deste filme estão entre as mais inspiradas cenas de humor do cinema. Ela recebeu uma indicação ao Oscar, mas vê-la atuar neste filme é essencial para entender porque Irene Dunne foi uma das maiores atrizes durante os anos 30 e 40 em Hollywood.

Por sua vez, Cary Grant já tinha uma carreira estabelecida quando participou deste filme, mas a sua imagem de galã e comediante ainda não tinha “nascido”. Depois do sucesso em “Uma Loira para Três” (She Done Him Wrong, 1933), “Vivendo em Dúvida” (Sylvia Scarlett, 1935) e “A Dupla do Outro Mundo” (Topper, 1936), ele finalmente se tornaria um dos mais requisitados atores após “Cupido é Moleque Teimoso”. O mais curiso foi o fato de grande parte do filme assentar na improvisação, o que deixava o ator pouco à vontade e ele tentou não participar do filme. Mas Grant acabou fazendo um excelente trabalho e sua atuação mostra porque ele se tornou um mestre no gênero, exibindo aqui uma facilidade para realizar certas proezas que iriam estar presentes em vários de seus filmes futuros baseados na comédia puramente física, como”Jejum de Amor” e “Levada da Breca”, ou mesmo nos thrillers “Ladrão de Casaca” e “Intriga Internacional”. Não foi à toa que ele era um dos atores preferidos de Hitchcock. Some-se ao talento de Grant a técnica de improvisação do diretor Leo McCarey, que se revelou perfeita para ele compor um personagem romântico e cheio de humor, um tipo no qual o ator viria a se aperfeiçoar ao longo da sua carreira. Em contraponto ao humor (aparentemente) anárquico do par principal, Ralph Bellamy constrói um personagem sereno, mas com um humor sutil, revelando-se perfeito para o equilíbrio do filme.

Entre as curiosidades do filme está o fato de o cão “Mr. Smith” ser interpretado por “Skippy”, que também atuou como o cão Asta na série de filmes “The Thin Man”, estrelados por William Powell e Myrna Loy. A sua atuação é de longe a melhor já feita por um cão na história do cinema. O diretor Leo McCarey conquistou o Oscar de Direção naquele ano, e o filme recebeu ainda indicações nas categorias de Filme, Atriz (Irene Dunne), Ator Coadjuvante (Ralph Bellamy) e Roteiro. A trilha sonora inclui a canção “My Dreams Are Gone with the Wind”, letra e música de Ben Oakland e Milton Drake. “Cupido é Moleque Teimoso” é certamente uma das maiores comédias de todos os tempos.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0028597/

Trailer:

Melhores Cenas:

Galeria de Imagens:

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