Filmes: Sedução do Pecado (1928)

SEDUÇÃO DO PECADO
sadiethompson_2Título Original: Sadie Thompson
País: Estados Unidos
Ano: 1928
Duração: 91 min.
Direção: Raoul Walsh

Elenco: Gloria Swanson, Lionel Barrymore, Blanche Friderici, Charles Lane, Florence Midgley, James A. Marcus, Sophia Artega, Will Stanton, Raoul Walsh.
Sinopse:
Gloria Swanson está espetacular como a prostituta Sadie Thompson que chega a Pago-Pago, uma remota ilha nos mares do sul em busca de uma nova vida. Ali conhece o soldado Timothy O’Hara e seduz Alfred Davidson, um pastor casado e muito respeitado na região.

Não fosse por seu papel quase autobiográfico no filme “Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder, em que interpretou uma ex-diva do cinema mudo que vive esquecida em sua mansão em Hollywood, a atriz Gloria Swanson talvez tivesse tido o mesmo destino que sua personagem naquele filme. Uma das maiores estrelas do cinema mudo, cujo prestígio e fama acabariam destruídos por seu gênio difícil e escolhas equivocadas, ela estrela e produz (não creditada) este drama silencioso baseado na novela “Rain” de W. Somerset Maugham, por sua vez inspirada na peça de John Colton e Clemence Randolph encenada na Broadway em 1922 e como musical em 1944, e depois refilmada em 1932 como “O Pecado da Carne” (Rain), com Joan Crawford, e em 1953 como “A Mulher de Satã” (Miss Sadie Thompson), com Rita Hayworth. Nenhuma das duas versões, porém, alcança o brilho deste filme, um magnífico trabalho de direção de Raoul Wash e um tour-de-force de Gloria Swanson, que ajuda a compreender porque ela foi considerada a primeira grande Diva do Cinema.

O mito Gloria Swanson em seu melhor momento nas telas

Durante sua vida Somerset Maugham (1874-1965) ficou conhecido por romances como “Of Human Bondage” (Servidão Humana), e peças como “O Círculo”. Hoje, porém, ele é sobretudo recordado por seus contos, dos quais o de 1921 “Miss Thompson” é facilmente o mais famoso. A história original foi logo adaptada para o teatro sob o título de “Rain” e foi um tremendo sucesso. A peça foi encenada inúmeras vezes e continua a ser revivida em uma base consistente, e também houve três adaptações para a tela grande. Mas a melhor delas é o filme mudo de 1928 “Sadie Thompson”, estrelado por Gloria Swanson (1897-1983). Swanson foi talvez a primeira Diva de Hollywood, uma atriz tão controversa como ela era popular. Até o final de 1920 sua ligação com o famigerado Joe Kennedy (pai de John, Robert e Ted) lhe deu cacife para se tornar sua própria produtora e, com o dinheiro dos Kennedy por trás dela, ela escolheu a história de Maugham e lançou-se no papel-título. Foi uma escolha inspirada. Gloria Swanson empresta a si mesma características um pouco duras e uma grande atuação, e muitos consideram que este é o seu melhor desempenho de toda a sua carreira.

A história diz respeito a colisão de uma prostituta impetuosa (Gloria Swanson) e Alfred Davidson (Lionel Barrymore), um ministro de igreja casado e conservador, que se encontram presos durante um temporal em um hotel decadente em Pago-Pago, uma remota ilha dos mares do sul. Desnecessário dizer que as faíscas voam, especialmente quando Davidson pressiona o governador da ilha para deportar Sadie logo que possível. Mas gradualmente verifica-se que Davidson pode ter mais de um motivo para querer que Sadie parta: pode ser que ele encontre nela uma tentação a que nem mesmo ele poderia resistir.

Dona dos direitos de filmagem, a própria atriz escolheu o diretor Raoul Walsh (que também atua no filme, como o sargento Timothy O’Hara, interesse romântico da personagem dela). Curioso ver Walsh, um diretor mais adepto ao gênero de ação, explorar tão bem o dramático triângulo amoroso e ainda atuar em um dos seus vértices. Percebe-se as cenas entre ele e Sadie carregadas de uma ternura regular, típica dos filmes de romance do período, filmadas com cuidado e harmonia. Em contraste, estão as cenas entre Sadie e Davidson, todas cheias de intensidade, com muitos cortes e os rostos emoldurados por flagrantes close-ups. Gloria Swanson entrega uma atuação magnífica, poderosa e inesquecível. Lionel Barrymore também está ótimo, mas é a performance de Swanson neste drama moderno e bastante ousado para os padrões da época (produzido antes do Código de Produção que submeteria os filmes a rigorosos padrões de conduta moral)o grande trunfo do filme.

Um grande filme, cujos destaques técnicos ficam por conta da fotografia a cargo de Georges Barnes, Robert Kurrle e Oliver Marsh, da direção de arte de William Cameron Menzies e da montagem de C. Gardner Sullivan. Infelizmente, o filme não sobreviveu completo. A versão original segundo fontes, possuía 97 minutos de duração, mas na versão restaurada, que substituiu com fotogramas e cartões de títulos os minutos finais que se perderam ao longo do tempo, o filme consta como 91 minutos. Toda uma cena, decisiva para o filme, envolvendo Barrymore e Swanson foi irremediavelmente perdida, mas é fácil imaginar o que teria acontecido entre eles. Nada, porém, que prejudique o prazer de se assistir a um dos grandes clássicos do cinema mudo e à uma grande atuação de uma de suas maiores estrelas.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0019344/

Parte 1/7 do Filme Completo (versão restaurada):

Todas as partes podem ser acessadas pela página do usuário:
http://www.youtube.com/user/mediasocialism/videos

Galeria de Imagens:

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