Filmes: Jezebel (1938)

JEZEBEL
jezebel_4Título Original: Jezebel
País: Estados Unidos
Ano: 1938
Duração: 103 min.
Direção: William Wyler
Elenco: Bette Davis, Henry Fonda, George Brent, Margaret Lindsay, Donald Crisp, Fay Bainter, Richard Cromwell, Henry O’Neill, Spring Byington, John Litel, Gordon Oliver, Janet Shaw, Theresa Harris, Margaret Early, Irving Pichel.
Sinopse:
No sul dos Estados Unidos, pouco antes da Guerra Civil de 1860, moça rica e mimada aprende de modo amargo as duras lições da vida. Ela tem a chance de mostrar seu amor por seu ex-noivo, que se casou com outra, após uma tragédia que abate a cidade onde vivem.

Melodrama de alto nível, com produção requintada da Warner, reúne um excelente elenco para coroar uma das melhores atuações da carreira de Bette Davis, aqui iniciando com o diretor William Wyler uma parceria de três ótimos filmes que se estenderia por a “A Carta” (1940) e “Pérfida” (1941). Conduzido com extremo bom gosto nos cenários e nos figurinos, este clássico não só deu à Davis o merecido Oscar de Atriz (o segundo de sua carreira), como também permitiu que Fay Bainter levasse o de Atriz Coadjuvante, como a tia de sua personagem. Fonda e Brent que disputam o amor da jovem, também estão perfeitos. A fotografia, em belíssimo preto e branco, é de Ernest Haller, de “E O Vento Levou”. John Huston, a pedido do amigo William Wyler, colaborou no roteiro.

Uma atuação inesquecível de Bette Davis

Depois de ganhar o Oscar de melhor atriz em 1936 por “Perigosa”, Bette Davis começou a se queixar que a Warner não estava lhe dando roteiros dignos de seu talento. Em 1936, a Warner suspendeu seu pagamento por ela ter recusado um papel. Ela então foi para a Inglaterra, em violação do seu contrato, com a intenção de estrelar em um filme sem a aprovação da Warner. O estúdio tentou detê-la dizendo-lhe que se ela não trabalhar para eles, não iria trabalhar em nenhum lugar. Em desafio, ela processou o estúdio. Apesar de a atriz ter perdido a ação, a Warner começou a levá-la mais a sério e até mesmo pagou suas despesas judiciais. A sua participação em “Jezebel” foi uma maneira que o estúdio encontrou de acalmar os ânimos da atriz. Nenhum estúdio, muito menos a Warner – que não tinha tantos astros sob seu contrato como tinha a Metro, por exemplo -, podia se dar ao luxo de dispensar uma atriz do quilate de Bette Davis

Na época em que este filme foi produzido, a atriz tornou pública sua intenção de estrelar uma futura produção de David O. Selznick chamada “Gone With the Wind”, no papel de uma garota sulista chamada Scarlet O’Hara. Ela chegou realmente a ser considerada para o papel, mas a Warner disse a Selznick que não aceitaria emprestá-la a não ser que ele também levasse Errol Flynn para o papel de Rhett Butler. Davis se recusou a trabalhar com Flynn, embora Selznick não tivesse a intenção de concordar em escalar Flynn de qualquer maneira. Muitos acreditavam que a Warner propositadamente criara um negócio impossível para punir Davis pela ação ao mesmo tempo em que fingia estar apenas querendo ajudá-la. Não está claro se “Jezebel” foi oferecido a ela antes ou após as negociações para “Gone with the Wind”, mas isso hoje em dia pouco importa, porque Bette Davis saiu-se vitoriosa de qualquer maneira: “Jezebel” proporcionou a ela uma das melhores performances de sua carreira e o seu segundo Oscar de melhor atriz.

A história se passa em Nova Orleans, em 1850. Embora existam referências à abolicionistas e a perspectiva de guerra, toda a história tem lugar antes da guerra. A história centra-se no estilo de vida do sul no período e desta forma é muito semelhante a “E o vento Levou”, pois também segue a vida e os tempos de uma mulher muito determinada chamada Julie Marsden (Bette Davis), que poderia ter sido companheira de alma de uma certa Scarlet O’Hara. Julie choca a sociedade local com a sua insolência quando vai a um baile usando um vestido vermelho quando era costume para todas as meninas do sul de vestirem branco (embora o famoso vestido vermelho fosse de fato de cetim preto, usado porque o vermelho não produzia bastante contraste no filme em preto e branco), e como resultado, seu noivo Preston Dillard (um jovem Henry Fonda) fica mortificado e rompe o compromisso. Incluídos na história estão alguns duelos sobre pontos de honra, um retrato nítido de uma epidemia de febre amarela e a nobre ressurreição de uma contrita Julie Marsden no retorno de Preston.

Como sempre, o diretor William Wyler (com quem Bette Davis foi romanticamente ligada) faz um trabalho fantástico na direção, dando ao filme um sabor genuíno do Sul e do período em que se passa a narrativa. A fotografia em preto e branco neste filme é soberba e foi uma das categorias a que o filme foi indicado. Certamente, esta é uma das melhores e mais memoráveis performances de Bette Davis e ajudou a garantir seu lugar na história do cinema como uma das maiores estrelas de Hollywood. Apesar de nunca mais ganhar outro Oscar, ela seria nomeada mais oito vezes, sendo cinco nomeações consecutivas entre 1939 e 1943. Ironicamente, em 1940, ela perdeu justamente para Vivien Leigh, que ganhou no papel que Davis almejava atuar. Fay Bainter também está maravilhosa como a tia Belle Bogardus ganhando o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Henry Fonda mostra um breve esboço da gandeza de suas atuações no futuro e pinta um retrato fabuloso de Prteston Dillard e George Brent (que boatos dizem ter tido um caso com Bette Davis), também tem um forte desempenho como Buck, o cavalheiro que duela com seu melhor amigo para defender a honra de Julie. Para quem esteja interessado em ver porque Bette Davis é considerada uma das grandes atrizes de sua época, este é um filme obrigatório.

Um grande clássico que o tempo conservou

O filme é baseado na peça “Jezebel”, de Owen Davis, (estreada em Nova York, em 13 de dezembro de 1933). De acordo com uma notícia de pré-produção, a Warner Bros. iniciou as negociações dos direitos de tela para a peça de Owen Davis em 1935, em um momento em que Ruth Chatterton foi considerada para o papel feminino principal. Fontes indicam que os direitos eram de co-propriedade de Guthrie McClintic e da atriz Miriam Hopkins, que atuou na montagem da peça na Broadway. Hopkins inicialmente estipulou que ela só permitiria a venda dos direitos para a Warner se a estrelasse no papel principal. Em janeiro de 1937, os direitos para reproduzir a peça de Davis foram comprados pelo estúdio por US$ 12.000.

Após a conclusão do primeiro tratamento do filme, Edmund Goulding, um conhecido escritor e diretor, escreveu um memorando para o produtor executivo Hal Wallis, datado de 17 de julho de 1937, no qual ele deu sua opinião sobre a história, achando-a pouco interessante: “Embora seja perfeitamente possível colocar na tela uma imagem nítida sobre a história do triunfo da vadia Julie Marsden, a trama soa como aquelas impertinentes crianças que escrevem coisas obscenas em um muro e, quando os outros fogem, uma delas fica lá e diz que foi ela que fez isso, perguntando ‘e daí?'” Em 22 de julho de 1937, Gouldman recebeu um memorando de Wallis como resposta no qual afirmava que as suas sugestões para melhorar a história eram uma “combinação de elementos de muitas histórias à moda antiga e de outras peças”, descartando as sugestões de Goulding como desnecessárias e complicadas para se adaptar a um roteiro já definido: “Eu peço que você deixe-nos fazer o nosso script. Você gostou do tratamento e tenho certeza que você vai gostar do nosso roteiro.”

O filme foi orçado em US$ 1,25 milhões. Houve muitos memorandos enviados pelo chefão Wallis ao produtor associado Henry Blancke devido aos atrasos nas filmagens, acusando o diretor William Wyler de gastar inúmeras tomadas para filmar uma única cena, elevando o orçamento e o tempo de filmagem. Em 4 de novembro de 1937, Wallis escreveu a Blancke: “Você acha que Wyler está furioso com Fonda ou por algo por causa de seu passado. Parece que ele não se contenta com nada que Henry Fonda faça, até que tenham sido feitos dez ou onze takes. Afinal, ambos se divorciaram da mesma garota, Margaret Sullavan, mas o passado deveria ser passado… Possivelmente Wyler gosta de ver estes grandes números na lousa, e talvez pudéssemos arranjar para que ele comece logo com o número “6” em cada tomada, então ele não ia demorar tanto para chegar até a nove ou dez tomadas como ele gosta”. Em janeiro de 1938, Wallis, ainda irritado pela excessiva demora de Wyler em concluir o filme, escreveu a Blanke queixando-se de uma cena que foi filmada dezesseis vezes, e perguntou: “Que diabos está acontecendo com ele, ele está absolutamente louco?” As filmagens de “Jezebel” foram concluídas em 17 de janeiro de 1938, 28 dias após o cronograma. Uma biografia de Jane Fonda sugere que seu pai e Wyler eram bons amigos, e que Fonda teve apenas ligeiras queixas sobre a demora por conta dos muitos takes que Wyler insistia em filmar.

Fontes dizem que o próprio diretor Wyler tocava o violino para a música “O Danúbio Azul” para Bette Davis, que dançava no filme. Fontes da Warner também observam que Davis usou dezesseis trajes diferentes, cada um com um custo de mais de US$ 500, e que o vestido vermelho famoso que ela usou em uma cena-chave do filme custou 850 dólares, e era, na verdade, de cetim preto porque o vermelho aparece cinza em um filme em preto-e-branco. Um total de 30.000 dólares foram gastos em roupas para o filme, e setenta e cinco costureiras trabalharam durante um mês fazê-las. O diretor de arte Robert Haas construiu um “conjunto completo de cenários em miniatura” para Wyler, que os usou para planejar as cenas de cada dia. Haas construiu uma casa de fazenda da Louisiana na fazenda da Warner, que foi localizada a aproximadamente 30 milhas a partir do estúdio da Califórnia. De acordo com fontes modernas, Henry Fonda tinha um acordo com a Warner de que o seu trabalho no filme seria concluído no início de Dezembro 1937 para que ele pudesse assistir ao nascimento de sua filha Jane Fonda. Como a produção foi atrasada, Fonda teve que sair antes e todas as suas cenas com Davis foram concluídas de forma que deixou a atriz fazendo as cenas em close-up sem o ator lá para ler as suas linhas.

Outro detalhe que na época não prejudicou o sucesso de “Jezebel” foram as provocações devido à semelhanças deste filme com “E o Vento Levou”. Uma delas foi que a compra dos direitos de filmagem da peça foram uma resposta da Warner por não ter conseguido os direitos de filmagem do romance de Margareth Mitchell, e que as motivações devastadoras de Jezebel na história fariam Scarlet O’Hara parecer uma garotinha puritana. O produtor de “E o Vento Levou”, David O. Selznick, enviou um telegrama a Jack Warner acusando “Jezebel” de “reunir caracterizações, atitudes e cenas que lembravam “Gone with the Wind”. Selznick passou a lista de cenas específicas que ele sentia eram muito semelhantes às de “E o Vento Levou”, inclusive uma de uma discussão em torno da mesa de jantar da diferença “entre o Norte e o Sul, a discussão de uma guerra iminente, e as previsões pelos sulistas de que o Norte ganharia”. Essa cena foi retirada do filme antes de seu lançamento. De qualquer forma, Selznick ficou tão impressionado com a música do compositor Max Steiner em “Jezebel” que o contratou para compor o score musical de “E o vento Levou”. A música inclui “O Danúbio Azul” de Johann Strauss II, “Jezebel”, música de Harry Warren, com letra de Johnny Mercer, “Oh, Shoo My Love” e “Aunt Dina Drunk”, de compositor indeterminado. No final das contas, Bette Davis ganhou seu segundo Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação de Julie, e Fay Bainter ganhou um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O filme recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme e Ernest Haller recebeu uma nomeação para Melhor Fotografia.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0030287/

Trailer:

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