Filmes: Rashomon (1950)

rashomon_3RASHOMON
Título Original: Rashomon
País: Japão
Ano: 1950
Duração: 88 min.
Direção: Akira Kurosawa
Elenco: Toshiro Mifune, Masayucki Mori, Machiko Kyo, Takashi Shimura, Minoru Chiaki, Daisuke Kato, Kichijiro Ueda, Fumiko Honma.
Sinopse:
No Japão do século 12, um fazendeiro e sua mulher são atacados numa floresta. Ela é violentada e ele morre. Ao longo do julgamento do caso, cada uma das quatro testemunhas conta o ocorrido segundo diferentes pontos de vista. Na busca da versão real, o drama questiona o próprio conceito de verdade.

Clássico do cinema japonês da década de 50 que gerou várias imitações, graças à tese que defende: ninguém vê o mesmo fato exatamente como outras pessoas o vêem. A fotografia em preto e branco do grande Kazuo Miyagawa , o roteiro brilhante, a direção inspirada de Akira Kurosawa e o elenco afiadíssimo (com destaque para Toshiro Mifune e Takashi Shimura) o tornaram um exemplo perfeito do gênero e justificaram a conquista do Oscar de melhor filme estrangeiro.

A verdade como uma questão de simples ponto de vista

De forma admirável, “Rashomon” expõe e analisa a fragilidade moral do ser humano, quando posto diante de uma situação que exige a coragem de assumir a verdade de um fato. No incidente envolvendo a esposa, o marido e o bandido, durante um passeio do casal pela floresta, vê-se que quando essas pessoas prestam depoimento à autoridade policial, cada uma o faz apresentando uma versão diferente do fato, visando a não se comprometer. Impossível saber qual é a verdadeira, pois cada um dos depoentes falseia o ocorrido, para tirar proveito dele. Nem na versão do marido morto pode-se confiar, porque ela é divulgada por intermédio de uma pessoa viva – um medium. Ou seja, alguém suscetível às fraquezas do ser humano.

“Rashomon”, assim, seria uma obra totalmente cética em relação à natureza humana, ao revelar que o homem carece da disposição de assumir a verdade sobre uma ocorrência em que estiver envolvido. “Seria” porque, depois de revelar os depoimentos, o filme no final faz um sinal otimista de esperança na recuperação do homem. E nada melhor que esse aceno seja feito pelo lenhador, que, mesmo já com muitos filhos, resolve adotar o recém-nascido deixado pela mãe num imóvel desabitado, do qual um vagabundo roubara os panos que o cobriam. É bom dizer, aliás, que esse final otimista foi elaborado por Kurosawa e seu co-roterista Shinobu Hashimoto. Ele inexiste nos contos (do escritor Ryonosuke Akutagawa, que cometeu suicídio aos 35 anos) em que o filme se baseia. Com 40 anos na época, Kurosawa ainda podia ter ilusões em relação ao homem. Se o filme fosse feito muitos anos depois, talvez dificilmente ele o encerrasse dessa maneira.

Saindo do aspecto temático, “Rashomon” se apresenta como uma mais do que bem-sucedida combinação de fatores que o tornam um filme extraordinário. As imagens das cenas na floresta não contêm apenas a beleza plástica, como aquela em que o sol aparece por entre as árvores. Além disso, elas fazem inserir um elemento poético, aliado a um elemento onírico: o marido conduzindo pela rédea o cavalo, em que a mulher, usando um chapéu e um véu brancos, está montada. A música de Fumio Hayasaka inspirada em muitas passagens do Bolero de Ravel, é outro ponto a destacar, sobretudo quando acompanhada pelo toque de tambores.

No tocante ao comportamento do elenco, cabe uma menção especial ao desempenho dos três atores centrais. A atuação extrovertida de Toshiro Mifune, no papel do bandido, a qual privilegia os gestos exuberantes e o gargalhar constante, contrapõe-se à de Masayucki Mori (o marido). É uma interpretação trabalhada muito mais na expressão facial, compondo uma máscara muda e gélida, que pode exprimir a ironia e o desprezo em relação à mulher. Quanto a esta, vivida por Machiko Kio, cujo momento alto se dá quando ela leva as mãos crispadas aos olhos, para não ver a expressão de desdém do marido. Uma imagem em que se casam a beleza visual do close e a dramaticidade da interpretação.

Ganhador do Festival de Veneza e do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (dizem que premiar de alguma forma o filme foi a razão de a Academia criar essa nova categoria), “Rashomon” abriu as portas do Ocidente para Akira Kurosawa, que, com os filmes seguintes, consolidou o seu nome como um dos maiores diretores do cinema em todos os tempos.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0042876/

Filme Completo Legendado:

Galeria de Imagens:

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