Arquivos Mensais: janeiro \27\UTC 2013

Filmes: Sedução do Pecado (1928)

SEDUÇÃO DO PECADO
sadiethompson_2Título Original: Sadie Thompson
País: Estados Unidos
Ano: 1928
Duração: 91 min.
Direção: Raoul Walsh

Elenco: Gloria Swanson, Lionel Barrymore, Blanche Friderici, Charles Lane, Florence Midgley, James A. Marcus, Sophia Artega, Will Stanton, Raoul Walsh.
Sinopse:
Gloria Swanson está espetacular como a prostituta Sadie Thompson que chega a Pago-Pago, uma remota ilha nos mares do sul em busca de uma nova vida. Ali conhece o soldado Timothy O’Hara e seduz Alfred Davidson, um pastor casado e muito respeitado na região.

Não fosse por seu papel quase autobiográfico no filme “Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder, em que interpretou uma ex-diva do cinema mudo que vive esquecida em sua mansão em Hollywood, a atriz Gloria Swanson talvez tivesse tido o mesmo destino que sua personagem naquele filme. Uma das maiores estrelas do cinema mudo, cujo prestígio e fama acabariam destruídos por seu gênio difícil e escolhas equivocadas, ela estrela e produz (não creditada) este drama silencioso baseado na novela “Rain” de W. Somerset Maugham, por sua vez inspirada na peça de John Colton e Clemence Randolph encenada na Broadway em 1922 e como musical em 1944, e depois refilmada em 1932 como “O Pecado da Carne” (Rain), com Joan Crawford, e em 1953 como “A Mulher de Satã” (Miss Sadie Thompson), com Rita Hayworth. Nenhuma das duas versões, porém, alcança o brilho deste filme, um magnífico trabalho de direção de Raoul Wash e um tour-de-force de Gloria Swanson, que ajuda a compreender porque ela foi considerada a primeira grande Diva do Cinema.

O mito Gloria Swanson em seu melhor momento nas telas

Durante sua vida Somerset Maugham (1874-1965) ficou conhecido por romances como “Of Human Bondage” (Servidão Humana), e peças como “O Círculo”. Hoje, porém, ele é sobretudo recordado por seus contos, dos quais o de 1921 “Miss Thompson” é facilmente o mais famoso. A história original foi logo adaptada para o teatro sob o título de “Rain” e foi um tremendo sucesso. A peça foi encenada inúmeras vezes e continua a ser revivida em uma base consistente, e também houve três adaptações para a tela grande. Mas a melhor delas é o filme mudo de 1928 “Sadie Thompson”, estrelado por Gloria Swanson (1897-1983). Swanson foi talvez a primeira Diva de Hollywood, uma atriz tão controversa como ela era popular. Até o final de 1920 sua ligação com o famigerado Joe Kennedy (pai de John, Robert e Ted) lhe deu cacife para se tornar sua própria produtora e, com o dinheiro dos Kennedy por trás dela, ela escolheu a história de Maugham e lançou-se no papel-título. Foi uma escolha inspirada. Gloria Swanson empresta a si mesma características um pouco duras e uma grande atuação, e muitos consideram que este é o seu melhor desempenho de toda a sua carreira.

A história diz respeito a colisão de uma prostituta impetuosa (Gloria Swanson) e Alfred Davidson (Lionel Barrymore), um ministro de igreja casado e conservador, que se encontram presos durante um temporal em um hotel decadente em Pago-Pago, uma remota ilha dos mares do sul. Desnecessário dizer que as faíscas voam, especialmente quando Davidson pressiona o governador da ilha para deportar Sadie logo que possível. Mas gradualmente verifica-se que Davidson pode ter mais de um motivo para querer que Sadie parta: pode ser que ele encontre nela uma tentação a que nem mesmo ele poderia resistir.

Dona dos direitos de filmagem, a própria atriz escolheu o diretor Raoul Walsh (que também atua no filme, como o sargento Timothy O’Hara, interesse romântico da personagem dela). Curioso ver Walsh, um diretor mais adepto ao gênero de ação, explorar tão bem o dramático triângulo amoroso e ainda atuar em um dos seus vértices. Percebe-se as cenas entre ele e Sadie carregadas de uma ternura regular, típica dos filmes de romance do período, filmadas com cuidado e harmonia. Em contraste, estão as cenas entre Sadie e Davidson, todas cheias de intensidade, com muitos cortes e os rostos emoldurados por flagrantes close-ups. Gloria Swanson entrega uma atuação magnífica, poderosa e inesquecível. Lionel Barrymore também está ótimo, mas é a performance de Swanson neste drama moderno e bastante ousado para os padrões da época (produzido antes do Código de Produção que submeteria os filmes a rigorosos padrões de conduta moral)o grande trunfo do filme.

Um grande filme, cujos destaques técnicos ficam por conta da fotografia a cargo de Georges Barnes, Robert Kurrle e Oliver Marsh, da direção de arte de William Cameron Menzies e da montagem de C. Gardner Sullivan. Infelizmente, o filme não sobreviveu completo. A versão original segundo fontes, possuía 97 minutos de duração, mas na versão restaurada, que substituiu com fotogramas e cartões de títulos os minutos finais que se perderam ao longo do tempo, o filme consta como 91 minutos. Toda uma cena, decisiva para o filme, envolvendo Barrymore e Swanson foi irremediavelmente perdida, mas é fácil imaginar o que teria acontecido entre eles. Nada, porém, que prejudique o prazer de se assistir a um dos grandes clássicos do cinema mudo e à uma grande atuação de uma de suas maiores estrelas.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0019344/

Parte 1/7 do Filme Completo (versão restaurada):

Todas as partes podem ser acessadas pela página do usuário:
http://www.youtube.com/user/mediasocialism/videos

Galeria de Imagens:

Filmes: Jezebel (1938)

JEZEBEL
jezebel_4Título Original: Jezebel
País: Estados Unidos
Ano: 1938
Duração: 103 min.
Direção: William Wyler
Elenco: Bette Davis, Henry Fonda, George Brent, Margaret Lindsay, Donald Crisp, Fay Bainter, Richard Cromwell, Henry O’Neill, Spring Byington, John Litel, Gordon Oliver, Janet Shaw, Theresa Harris, Margaret Early, Irving Pichel.
Sinopse:
No sul dos Estados Unidos, pouco antes da Guerra Civil de 1860, moça rica e mimada aprende de modo amargo as duras lições da vida. Ela tem a chance de mostrar seu amor por seu ex-noivo, que se casou com outra, após uma tragédia que abate a cidade onde vivem.

Melodrama de alto nível, com produção requintada da Warner, reúne um excelente elenco para coroar uma das melhores atuações da carreira de Bette Davis, aqui iniciando com o diretor William Wyler uma parceria de três ótimos filmes que se estenderia por a “A Carta” (1940) e “Pérfida” (1941). Conduzido com extremo bom gosto nos cenários e nos figurinos, este clássico não só deu à Davis o merecido Oscar de Atriz (o segundo de sua carreira), como também permitiu que Fay Bainter levasse o de Atriz Coadjuvante, como a tia de sua personagem. Fonda e Brent que disputam o amor da jovem, também estão perfeitos. A fotografia, em belíssimo preto e branco, é de Ernest Haller, de “E O Vento Levou”. John Huston, a pedido do amigo William Wyler, colaborou no roteiro.

Uma atuação inesquecível de Bette Davis

Depois de ganhar o Oscar de melhor atriz em 1936 por “Perigosa”, Bette Davis começou a se queixar que a Warner não estava lhe dando roteiros dignos de seu talento. Em 1936, a Warner suspendeu seu pagamento por ela ter recusado um papel. Ela então foi para a Inglaterra, em violação do seu contrato, com a intenção de estrelar em um filme sem a aprovação da Warner. O estúdio tentou detê-la dizendo-lhe que se ela não trabalhar para eles, não iria trabalhar em nenhum lugar. Em desafio, ela processou o estúdio. Apesar de a atriz ter perdido a ação, a Warner começou a levá-la mais a sério e até mesmo pagou suas despesas judiciais. A sua participação em “Jezebel” foi uma maneira que o estúdio encontrou de acalmar os ânimos da atriz. Nenhum estúdio, muito menos a Warner – que não tinha tantos astros sob seu contrato como tinha a Metro, por exemplo -, podia se dar ao luxo de dispensar uma atriz do quilate de Bette Davis

Na época em que este filme foi produzido, a atriz tornou pública sua intenção de estrelar uma futura produção de David O. Selznick chamada “Gone With the Wind”, no papel de uma garota sulista chamada Scarlet O’Hara. Ela chegou realmente a ser considerada para o papel, mas a Warner disse a Selznick que não aceitaria emprestá-la a não ser que ele também levasse Errol Flynn para o papel de Rhett Butler. Davis se recusou a trabalhar com Flynn, embora Selznick não tivesse a intenção de concordar em escalar Flynn de qualquer maneira. Muitos acreditavam que a Warner propositadamente criara um negócio impossível para punir Davis pela ação ao mesmo tempo em que fingia estar apenas querendo ajudá-la. Não está claro se “Jezebel” foi oferecido a ela antes ou após as negociações para “Gone with the Wind”, mas isso hoje em dia pouco importa, porque Bette Davis saiu-se vitoriosa de qualquer maneira: “Jezebel” proporcionou a ela uma das melhores performances de sua carreira e o seu segundo Oscar de melhor atriz.

A história se passa em Nova Orleans, em 1850. Embora existam referências à abolicionistas e a perspectiva de guerra, toda a história tem lugar antes da guerra. A história centra-se no estilo de vida do sul no período e desta forma é muito semelhante a “E o vento Levou”, pois também segue a vida e os tempos de uma mulher muito determinada chamada Julie Marsden (Bette Davis), que poderia ter sido companheira de alma de uma certa Scarlet O’Hara. Julie choca a sociedade local com a sua insolência quando vai a um baile usando um vestido vermelho quando era costume para todas as meninas do sul de vestirem branco (embora o famoso vestido vermelho fosse de fato de cetim preto, usado porque o vermelho não produzia bastante contraste no filme em preto e branco), e como resultado, seu noivo Preston Dillard (um jovem Henry Fonda) fica mortificado e rompe o compromisso. Incluídos na história estão alguns duelos sobre pontos de honra, um retrato nítido de uma epidemia de febre amarela e a nobre ressurreição de uma contrita Julie Marsden no retorno de Preston.

Como sempre, o diretor William Wyler (com quem Bette Davis foi romanticamente ligada) faz um trabalho fantástico na direção, dando ao filme um sabor genuíno do Sul e do período em que se passa a narrativa. A fotografia em preto e branco neste filme é soberba e foi uma das categorias a que o filme foi indicado. Certamente, esta é uma das melhores e mais memoráveis performances de Bette Davis e ajudou a garantir seu lugar na história do cinema como uma das maiores estrelas de Hollywood. Apesar de nunca mais ganhar outro Oscar, ela seria nomeada mais oito vezes, sendo cinco nomeações consecutivas entre 1939 e 1943. Ironicamente, em 1940, ela perdeu justamente para Vivien Leigh, que ganhou no papel que Davis almejava atuar. Fay Bainter também está maravilhosa como a tia Belle Bogardus ganhando o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Henry Fonda mostra um breve esboço da gandeza de suas atuações no futuro e pinta um retrato fabuloso de Prteston Dillard e George Brent (que boatos dizem ter tido um caso com Bette Davis), também tem um forte desempenho como Buck, o cavalheiro que duela com seu melhor amigo para defender a honra de Julie. Para quem esteja interessado em ver porque Bette Davis é considerada uma das grandes atrizes de sua época, este é um filme obrigatório.

Um grande clássico que o tempo conservou

O filme é baseado na peça “Jezebel”, de Owen Davis, (estreada em Nova York, em 13 de dezembro de 1933). De acordo com uma notícia de pré-produção, a Warner Bros. iniciou as negociações dos direitos de tela para a peça de Owen Davis em 1935, em um momento em que Ruth Chatterton foi considerada para o papel feminino principal. Fontes indicam que os direitos eram de co-propriedade de Guthrie McClintic e da atriz Miriam Hopkins, que atuou na montagem da peça na Broadway. Hopkins inicialmente estipulou que ela só permitiria a venda dos direitos para a Warner se a estrelasse no papel principal. Em janeiro de 1937, os direitos para reproduzir a peça de Davis foram comprados pelo estúdio por US$ 12.000.

Após a conclusão do primeiro tratamento do filme, Edmund Goulding, um conhecido escritor e diretor, escreveu um memorando para o produtor executivo Hal Wallis, datado de 17 de julho de 1937, no qual ele deu sua opinião sobre a história, achando-a pouco interessante: “Embora seja perfeitamente possível colocar na tela uma imagem nítida sobre a história do triunfo da vadia Julie Marsden, a trama soa como aquelas impertinentes crianças que escrevem coisas obscenas em um muro e, quando os outros fogem, uma delas fica lá e diz que foi ela que fez isso, perguntando ‘e daí?'” Em 22 de julho de 1937, Gouldman recebeu um memorando de Wallis como resposta no qual afirmava que as suas sugestões para melhorar a história eram uma “combinação de elementos de muitas histórias à moda antiga e de outras peças”, descartando as sugestões de Goulding como desnecessárias e complicadas para se adaptar a um roteiro já definido: “Eu peço que você deixe-nos fazer o nosso script. Você gostou do tratamento e tenho certeza que você vai gostar do nosso roteiro.”

O filme foi orçado em US$ 1,25 milhões. Houve muitos memorandos enviados pelo chefão Wallis ao produtor associado Henry Blancke devido aos atrasos nas filmagens, acusando o diretor William Wyler de gastar inúmeras tomadas para filmar uma única cena, elevando o orçamento e o tempo de filmagem. Em 4 de novembro de 1937, Wallis escreveu a Blancke: “Você acha que Wyler está furioso com Fonda ou por algo por causa de seu passado. Parece que ele não se contenta com nada que Henry Fonda faça, até que tenham sido feitos dez ou onze takes. Afinal, ambos se divorciaram da mesma garota, Margaret Sullavan, mas o passado deveria ser passado… Possivelmente Wyler gosta de ver estes grandes números na lousa, e talvez pudéssemos arranjar para que ele comece logo com o número “6” em cada tomada, então ele não ia demorar tanto para chegar até a nove ou dez tomadas como ele gosta”. Em janeiro de 1938, Wallis, ainda irritado pela excessiva demora de Wyler em concluir o filme, escreveu a Blanke queixando-se de uma cena que foi filmada dezesseis vezes, e perguntou: “Que diabos está acontecendo com ele, ele está absolutamente louco?” As filmagens de “Jezebel” foram concluídas em 17 de janeiro de 1938, 28 dias após o cronograma. Uma biografia de Jane Fonda sugere que seu pai e Wyler eram bons amigos, e que Fonda teve apenas ligeiras queixas sobre a demora por conta dos muitos takes que Wyler insistia em filmar.

Fontes dizem que o próprio diretor Wyler tocava o violino para a música “O Danúbio Azul” para Bette Davis, que dançava no filme. Fontes da Warner também observam que Davis usou dezesseis trajes diferentes, cada um com um custo de mais de US$ 500, e que o vestido vermelho famoso que ela usou em uma cena-chave do filme custou 850 dólares, e era, na verdade, de cetim preto porque o vermelho aparece cinza em um filme em preto-e-branco. Um total de 30.000 dólares foram gastos em roupas para o filme, e setenta e cinco costureiras trabalharam durante um mês fazê-las. O diretor de arte Robert Haas construiu um “conjunto completo de cenários em miniatura” para Wyler, que os usou para planejar as cenas de cada dia. Haas construiu uma casa de fazenda da Louisiana na fazenda da Warner, que foi localizada a aproximadamente 30 milhas a partir do estúdio da Califórnia. De acordo com fontes modernas, Henry Fonda tinha um acordo com a Warner de que o seu trabalho no filme seria concluído no início de Dezembro 1937 para que ele pudesse assistir ao nascimento de sua filha Jane Fonda. Como a produção foi atrasada, Fonda teve que sair antes e todas as suas cenas com Davis foram concluídas de forma que deixou a atriz fazendo as cenas em close-up sem o ator lá para ler as suas linhas.

Outro detalhe que na época não prejudicou o sucesso de “Jezebel” foram as provocações devido à semelhanças deste filme com “E o Vento Levou”. Uma delas foi que a compra dos direitos de filmagem da peça foram uma resposta da Warner por não ter conseguido os direitos de filmagem do romance de Margareth Mitchell, e que as motivações devastadoras de Jezebel na história fariam Scarlet O’Hara parecer uma garotinha puritana. O produtor de “E o Vento Levou”, David O. Selznick, enviou um telegrama a Jack Warner acusando “Jezebel” de “reunir caracterizações, atitudes e cenas que lembravam “Gone with the Wind”. Selznick passou a lista de cenas específicas que ele sentia eram muito semelhantes às de “E o Vento Levou”, inclusive uma de uma discussão em torno da mesa de jantar da diferença “entre o Norte e o Sul, a discussão de uma guerra iminente, e as previsões pelos sulistas de que o Norte ganharia”. Essa cena foi retirada do filme antes de seu lançamento. De qualquer forma, Selznick ficou tão impressionado com a música do compositor Max Steiner em “Jezebel” que o contratou para compor o score musical de “E o vento Levou”. A música inclui “O Danúbio Azul” de Johann Strauss II, “Jezebel”, música de Harry Warren, com letra de Johnny Mercer, “Oh, Shoo My Love” e “Aunt Dina Drunk”, de compositor indeterminado. No final das contas, Bette Davis ganhou seu segundo Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação de Julie, e Fay Bainter ganhou um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O filme recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme e Ernest Haller recebeu uma nomeação para Melhor Fotografia.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0030287/

Trailer:

Galeria de Imagens:

Atores: Lon Chaney

LON CHANEY: O HOMEM DAS MIL FACES

Nome: Leonidas Frank Chaney
Nascimento e local: 1 de abril de 1883, Colorado Springs, Colorado
Falecimento e local: 26 de agosto de 1930, Los Angeles, Califórnia
Ocupação: Ator
Casamento: Cleva Creighton (1906-1915); Hazel Hastings (1915-1930)

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Se listas fossem justas, e se alguém resolvesse fazer uma lista com os maiores atores do início do cinema, o nome de Lon Chaney, estaria entre os cinco primeiros, ao lado de lendas como Charlie Chaplin, Buster Keaton, Douglas Fairbanks ou Emmil Jannings. Lon Chaney teve o seu melhor período de atividade entre 1920 e 1930, gozando do prestígio de ser um dos mais versáteis e talentosos atores que Hollywood já conheceu, especializado em interpretar personagens grotescos, monstruosos ou atormentados por traumas ou deformações físicas. Para tanto, ele utilizava técnicas inovadoras de maquiagem desenvolvidas por ele mesmo e que lhe valeram o apelido de “O Homem das Mil Faces”.

Leonidas Frank Chaney nasceu em Colorado Springs, em 1º de abril de 1883, filho de Frank H Chaney e Emma Alice Kennedy, cujo pai foi o fundador da escola local para mudos, a Colorado School for the Deaf and Blind, em 1874. Foi nela que os pais de Chaney se conheceram – ambos eram surdos. Como filho de pais surdos, Chaney desenvolveu desde cedo uma técnica particular de pantomima, que faria dele um mestre na arte da atuação. Sua estreia nos palcos aconteceu em 1902 e logo ele estava viajando em um teatro de Vaudeville, além de apresentar-se em peças de teatro. Aos 16 anos, casou-se com Cleva Creighton, e dessa união nasceu seu único filho, Creighton Chaney, que mais tarde seguiria a carreira do pai como Lon Chaney Jr.

Uma tragédia, porém, abalou o casamento: em 1913, devido a problemas conjugais, Cleva tentou o suicídio engolindo cloreto de mercúrio durante uma peça do marido no Majestic Theater de Los Angeles. O suicídio não se consumou, mas arruinaria a sua carreira de cantora. O escândalo e o divórcio também prejudicaram a carreira de Chaney, que abandonou o teatro e foi para Hollywood. Por volta de 1915, ele já estava sob contrato da Universal atuando em vários filmes graças também à sua incrível habilidade de maquiador. As amizades que cultivou proporcionaram a ele bons papéis a partir de então, e incentivaram Chaney a investir em papéis mais macabros e que acabariam marcando para sempre a sua carreira como ator de cinema. Mais tarde, Chaney se casou com uma de suas colegas de palco, a corista Hazel Hastings, e juntos ele conseguiu a custódia do filho, então com dez anos de idade.

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O Homem das Mil Faces

Graças à sua habilidade como ator e maquiador, e um dom natural para transformar-se em figuras grotescas e repugnantes, para em seguida vestir suas criações com uma tocante humanidade, Lon Chaney ganhou o respeito e a admiração de todos que tiveram a sorte de trabalhar com ele. Norma Desmond dizia que em sua época eles não precisavam de diálogos porque tinham rostos. E Lon Chaney, mesmo com o rosto coberto por toneladas de próteses e maquiagem, se via muitas vezes limitado a contar histórias apenas com os olhos. Como ele conseguia transmitir tanta emoção e profundidade de sentimentos com pouco mais de um olhar é o testemunho mais poderoso de sua dedicação e talento.

Em 1917, Chaney era um proeminente ator, mas seu salário na Universal não refletia o seu status. Durante uma negociação por um aumento, ele ouviu do executivo do estúdio, William Sistrom a frase: “Você nunca vai valer mais do que cem dólares por semana”. Foi o bastante para que ele deixasse o estúdio. O primeiro ano foi difícil, mas em 1918, graças à sua atuação em um filme de William S. Hart chamado “Riddle Gawne”, os talentos de Chaney como ator foram reconhecidos pela indústria.

De volta à Universal, Chaney foi integrado ao time de atores composto por Dorothy Phillips e William Stowell, e juntos estrelaram “The Piper’s Price”. Ao grupo, juntou-se mais tarde Claire DuBrey, e tão bem sucedidos foram os primeiros filmes que eles estrelaram que em dois anos a Universal produziu cerca de 14 produções nas quais eles se alternavam nos papéis principais, quase todos dirigidos por Joe De Grasse ou por sua esposa Ida May Park, grandes amigos de Chaney na Universal. Nesse período, Chaney abandonou a trupe para filmar “Ridlle Gawne” e “The Kaiser, Beast of Berlin”. O último filme que fizeram juntos foi “Paid in Advance”, de 1919, por conta da morte trágica de William Stowell em uma colisão de trens durante uma viagem à África em que explorava locações para um novo filme. Muitos desses filmes hoje estão perdidos, alguns ainda existem em cópias deterioradas em coleções particulares ou arquivos de cinematecas.

Em 1919, Chaney teve uma atuação magistral como o personagem “The Frog” em “The Miracle Man”, que demonstrou não apenas o seu talento como ator, mas também o seu talento como mestre da maquiagem. O sucesso comercial e de crítica, colocou Chaney no mapa dos maiores atores da época. Ele continuaria a demonstrar ambos os talentos nos filmes seguintes, que alternavam tramas de crime e aventura, como “The Penalty”, onde viveu um gansgter. Chaney atuaria em dez filmes dirigidos por Tod Browning (que mais tarde dirigiria o clássico “Drácula”, com Bela Lugosi), sempre interpretando personagens desfigurados ou mutilados, dos quais o mais famoso é sem dúvida “O Monstro do Circo” (The Unknown, de 1927).

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“O Monstro do Circo” é de longe o mais intenso e demente dos filmes dirigidos por Browning, no qual Chaney interpreta Alonzo, um atirador de facas sem braços que esconde um segredo e se apaixona por sua colega de picadeiro vivida pela então novata Joan Crawford. A atriz sempre dizia que muito do que ela aprendeu sobre atuar, devia à sua parceria com Chaney neste filme, apenas de observá-lo atuar.

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Outro filme importante de Browning estrelado por Chaney foi “London After Midnight”, produzido pela Metro em 1927 e considerado hoje como um dos mais lendários filmes perdidos – destruído durante um incêndio em um depósito da MGM em 1967. Na história, uma trama policial com toques de horror fantasmagórico, Chaney interpreta um inspetor da Scotland Yard que investiga a morte de um milionário, e debaixo de uma maquiagem extraordinária, ele também interpreta o vilão do filme, Edward C. Burke, o “vampiro”. Sobre o filme, mais tarde ele seria refilmado por Tod Browning em 1935 como “Mark of the Vampire”, com Lionel Barrymore e Bela Lugosi.

phantom-of-the-opera-5Em 1923, viria a consagração ao interpretar Quasimodo em “O Corcunda de Notre Dame”, adaptação da novela de Victor Hugo, dirigida por Wallace Worsley e produzida por Carl Laemmle e Irving Thalberg. Além de se tornar o grande sucesso da Universal naquela temporada, arrecadando mais de três milhões de dólares, o filme é notável pelos cenários que reproduzem a Paris do século XV assim como a estupenda atuação de Chaney e a maquiagem grotesca que ele mesmo desenvolveu para o personagem. O sucesso do filme animou a Universal a investir naquele novo filão cinematográfico – que viria a se tornar a marca do estúdio durante os anos 20 e 30 – o filme de horror, e novamente Chaney estrelaria em uma adaptação de um clássico da literatura. Ele viveu Erik, o Fantasma da Opera House de Paris, em “O Fantasma da Ópera”, de 1925, baseado no romance gótico de Gastón Leroux. Dirigido por Rupert Julian, entre os vários méritos cinematográficos da adaptação, está a assustadora maquiagem criada pelo ator, uma das mais grotescas e deformadas caracterizações do cinema.

Em 1924, Chaney estrelaria “Lágrimas do Palhaço” (He Who Gets Slapped), uma vigorosa e dramática adaptação da peça russa de Leonid Andreyev, famosa por vários motivos. Primeiro por ter sido a primeira obra produzida pelo recém-criado estúdio Metro-Goldwyn-Mayer e o primeiro a trazer o leão Léo como a mascote oficial da MGM, desde que surgiu como logo da Goldwyn-Pictures Corporation em 1917, muito antes da fusão dos estúdios. Segundo, o filme marcou a carreira do diretor Victor Seastroms (Victor Sjöström), diretor sueco que faria grandes filmes em Hollywood como “A Letra Escarlate” e “O Vento”, ambos com Lillian Gish, além de lançar ao estrelato os jovens Norma Shearer e John Gilbert. No filme, Chaney interpreta um cientista, Paul Beaumont, que durante anos se dedicou a pesquisas sobre a origem da humanidade. Quando sua pesquisa finalmente se completa, seus documentos são roubados e ele é traído pela esposa e humilhado por seu melhor amigo, que publica suas pesquisas como se fossem de sua autoria. Anos mais tarde, Paul atua como “Ele”, um palhaço de circo e seu ato consiste em ser humilhado e espancado pelos outros palhaços para divertimento do público. O título original vem de seu nome artístico, “He Who Gets Slapped” (algo como “aquele que recebe a palmada”). O destino fará com que Ele se apaixone pela filha do dono do circo (Norma Shearer) e trará a oportunidade de vingança ao recolocá-lo frente a frente com o homem que desgraçou sua vida.

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O talento de Chaney não se limitava às suas grandes atuações físicas e maquiagem que criava para o cinema. Diziam que ele também era um exímio dançarino, cantor e comediante, embora muitos não imaginassem o surpreendente alcance de sua voz de barítono nem sua afiada veia cômica. Chaney vivia afastado da mídia, mantendo sua vida pessoal o mais protegida possível dos tablóides e colunas de fofocas de Hollywood. Raramente saía para promover seus filmes. Seus últimos anos de carreira foram sob contrato de Metro (1925-1930), e no período o grande destaque ficou com “Tell it to Marines”, de 1926, considerado por Chaney um de seus filmes favoritos em que atuou. Chaney ganhou ao longo da carreira o respeito e a admiração dos colegas de profissão, tendo ajudado muitos aspirantes a ator ou atriz a iniciarem as carreiras. Ele gostava de ensinar sua técnica e de compartilhar sua experiência com os demais membros do elenco e da equipe técnica dos filmes em que atuava.

laugh-clown-laugh-1Em “Laugh, Clown, Laugh”, de 1928, Chaney interpreta Tito, um palhaço de um circo itinerante que encontra uma criança abandonada e a cria como sua filha. Anos mais tarde, com Simonetta já crescida, Tito descobre que está apaixonado por ela, e sua melancolia só piora com a possibilidade de vê-la casada com o jovem Luigi. O filme se baseia em uma peça estrelada por Lionel Barrymore em 1923, na Broadway, e sobreviveu aos nossos dias em uma cópia incompleta. A MGM adiou o lançamento do filme por alguns anos para evitar comparações com o filme de 1924 da Universal “He Who Gets Slapped”, no qual Chaney também viveu um palhaço de circo. O drama de um pai apaixonado por sua filha adotiva também era um tema delicado para ser exposto em um filme, e este poderia ter sido um desastre não fosse a atuação magistral de Chaney. Mesmo assim, temendo a reação do público, a Metro ordenou que dois finais diferentes fossem filmados: Em um, o personagem sofre uma histeria emocional e morre após uma queda. No segundo, ele sobrevive e vê os jovens namorados se casarem.

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No papel de Simonetta, Loreta Young, aos 14 anos, conseguiu o seu primeiro papel de destaque no cinema. Mais tarde ela reconheceria que a ajuda e a dedicação de Chaney naquele filme foram fundamentais para ela, protegendo-a da dureza do diretor Herbert Brenon nos sets de filmagem: “Eu estarei para sempre em dívida com aquele homem sensível e doce até eu morrer”.

The-Unholy-Three-1930-posterDurante as filmagens de “Thunder”, no inverno de 1929, Chaney teve pneumonia. Naquele mesmo ano, ele foi diagnosticado com câncer no pulmão. A neve artificial utilizada nas filmagens causou uma gravíssima infecção no ator, e a despeito dos tratamentos a que foi submetido, sua condição física se debilitou rapidamente. Logo depois de concluir as filmagens de “The Unholy Three”, uma refilmagem de um de seus filmes anteriores (1925), Chaney morreria de hemorragia. Em ambos os filmes, baseados na novela de Clarence Aaron “Tod” Robbins, Chaney interpretou o Professor Echo, um ventríloquo que reúne os colegas para cometer crimes. A produção de 1930, porém, além de marcar o fim de uma carreira magnífica, ficou conhecido também por ter sido o único “talkie” estrelado por Lon Chaney. A sua morte prematura aos 47 anos foi profundamente lamentada pelos amigos, pelos colegas de profissão e pelos fãs. Para muitos, Chaney era mais do que um grande ator, era uma inspiração e um modelo de caráter em um meio tão competitivo e cruel quanto é a indústria cinematográfica norte-americana.

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“Eu queria lembrar as pessoas de que os tipos mais submissos da humanidade podem ter dentro de si a capacidade de auto-sacrifício supremo”, escreveria o ator em um artigo autobiográfico publicado em 1925 na revista Film: “O anão ou o mendigo disforme das ruas, podem ter os mais nobres ideais. A maioria dos meus papéis desde em O Corcunda, O Fantasma da Ópera, O Palhaço, e outros, carregam o tema do auto-sacrifício ou da renúncia. São estas as histórias que eu desejo representar.”

Certa vez, o célebre autor de ficção-científica Ray Bradbury comentou sobre Lon Chaney: “Ele foi alguém que atuava sobre as nossas psiques. De alguma forma, ele penetrava nas sombras dentro de nós e era capaz de expor alguns de nossos medos mais secretos e mostrá-los na tela. A história de Lon Chaney é a história dos amores não-correspondidos. Ele expõe aquela parte de você que está escondida, porque você tem medo de que não é amado, medo de que nunca será amado, e medo de que exista alguma parte em você que é tão grotesca que o mundo irá se afastar de você.”

Ao longo de 18 anos, Chaney atuou em 161 filmes e dirigiu 6. Seu filho Creighton mudou o nome para Lon Chaney Jr. em homenagem ao pai, e obteve uma razoável carreira cinematográfica, embora seja mais lembrado pelo filme “O Lobisomem” (The Wolf Man), de 1941. Em 1957, Lon Chaney foi retratado no filme “The Man of a Thousand Faces”, pelo ator James Cagney.

Filmes:

The Honor of the Family (1912) (uncredited)
The Ways of Fate (1913)
Shon the Piper (1913)
The Blood Red Tape of Charity (1913)
The Restless Spirit (1913) (uncredited)
Poor Jake’s Demise (1913)
The Sea Urchin (1913)
The Trap (1913)
Almost an Actress (1913)
An Elephant on His Hands (1913)
Back to Life (1913)
Red Margaret, Moonshiner (1913)
Bloodhounds of the North (1913)
The Lie (1914)
The Honor of the Mounted (1914)
Remember Mary Magdelen (1914)
Discord and Harmony (1914)
The Menace to Carlotta (1914)
The Embezzler (1914)
The Lamb, the Woman, the Wolf (1914)
The End of the Feud (1914)
The Tragedy of Whispering Creek (1914)
The Unlawful Trade (1914)
Heartstrings (1914)
The Forbidden Room (1914)
The Old Cobbler (1914)
The Hopes of Blind Alley (1914)
A Ranch Romance (1914)
Her Grave Mistake (1914)
By the Sun’s Rays (1914)
The Oubliette (1914)
A Miner’s Romance (1914)
Her Bounty (1914)
The Higher Law (1914)
Richelieu (1914)
The Pipes of Pan (1914)
Virtue Its Own Reward (1914)
Her Life Story (1914)
Lights and Shadows (1914)
The Lion, the Lamb, and the Man (1914)
A Night of Thrills (1914)
Her Escape (1914)
The Sin of Olga Brandt (1915)
Star of the Sea (1915)
The Small Town Girl (1915)
The Measure of a Man (1915)
The Threads of Fate (1915)
When the Gods Played a Badger Game (1915)
Such is Life (1915)
Where the Forest Ends (1915)
Outside the Gates (1915)
All for Peggy (1915)
The Desert Breed (1915)
Maid of the Mist (1915)
The Grind (1915)
The Girl of the Night (1915)
The Stool Pigeon (1915)
For Cash (1915)
An Idyll of the Hills (1915)
The Stronger Mind (1915)
The Oyster Dredger (1915)
Steady Company (1915)
The Violin Maker (1915)
The Trust (1915)
Bound on the Wheel (1915)
Mountain Justice (1915)
Quits (1915)
The Chimney’s Secret (1915)
The Pine’s Revenge (1915)
The Fascination of the Fleur de Lis (1915)
Alas and Alack (1915)
A Mother’s Atonement (1915)
Lon of Lone Mountain (1915)
The Millionaire Paupers (1915)
Under a Shadow (1915)
Father and the Boys (1915)
Stronger Than Death (1915)
Dolly’s Scoop (1916)
The Grip of Jealousy (1916)
Tangled Hearts (1916)
The Gilded Spider (1916)
Bobbie of the Ballet (1916)
The Grasp of Greed (1916)
The Mark of Cain (1916)
If My Country Should Call (1916)
Felix on the Job (1916)
The Place Beyond the Winds (1916)
Accusing Evidence (1916)
The Price of Silence (1916)
The Piper’s Price (1917)
Hell Morgan’s Girl (1917)
The Mask of Love (1917)
The Girl in the Checkered Coat (1917)
The Flashlight (1917)
A Doll’s House (1917)
Fires of Rebellion (1917)
The Rescue (filme) (1917)
Pay Me (1917)
Triumph (filme) (1917)
The Empty Gun (1917)
Anything Once (1917)
The Scarlet Car (1917)
The Grand Passion (1918)
Broadway Love (1918)
The Kaiser, the Beast of Berlin (1918)
Fast Company (1918)
A Broadway Scandal (1918)
Riddle Gawne (1918)
That Devil Bateese (1918)
The Talk of the Town (1918) (1918)
Danger–Go Slow (1918)
The Wicked Darling (1919)
The False Faces (1919)
A Man’s Country (1919)
Paid in Advance (1919)
The Miracle Man (1919)
When Bearcat Went Dry (1919)
Victory (1919)
Daredevil Jack (1920)
Treasure Island (1920)
The Gift Supreme (1920)
Nomads of the North (1920)
The Penalty (1920)
Outside the Law (1921)
For Those We Love (1921)
Bits of Life (1921)
The Ace of Hearts (1921)
The Trap (1922)
Voices of the City (1922)
Flesh and Blood (1922)
The Light in the Dark (1922)
Oliver Twist (1922) (1922)
Shadows (1922)
Quincy Adams Sawyer (1922)
A Blind Bargain (1922)
All the Brothers Were Valiant (1923)
While Paris Sleeps (1923)
The Shock (1923)
The Hunchback of Notre Dame (1923)
The Next Corner” (1924)
He Who Gets Slapped (1924)
The Monster (1925)
The Unholy Three (1925)
The Phantom of the Opera (1925) (1925)
The Tower of Lies (1925)
The Blackbird (1926)
The Road to Mandalay (1926)
Tell It to the Marines (1926)
Mr. Wu (1927)
The Unknown (1927)
Mockery (1927)
London After Midnight (filme) (1927)
The Big City (1928)
Laugh, Clown, Laugh (1928)
While the City Sleeps (1928)
West of Zanzibar (1928)
Where East is East (1929)
Thunder (1929)
The Unholy Three (1930)

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