Grandes Diretores: Billy Wilder

BILLY WILDER
Um dos maiores nomes da história do cinema, Billy Wilder teve êxito tanto no drama quanto no suspense e na comédia, além de revelar enorme talento na direção de atores

A carreira de roteirista, cineasta e produtor de Billy Wilder estendeu-se por mais de 50 anos em mais de 60 filmes. Ele é lembrado como um dos mais brilhantes cineastas de sua época em Hollywood e vários de seu filmes foram aclamados tanto pelo público quanto pela crítica entre os melhores de todos os tempos.

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O OLHAR CRÍTICO DO “AMERICAN WAY OF LIFE”

Samuel Wilder, que adotaria o pseudônimo de Billy Wilder, nasceu em Sucha, Áustria, hoje Polônia, em 22 de junho de 1906. Filho Max Wilder, hoteleiro, e Eugenia Dittler, ambos judeus. abandonou a Universidade de Viena depois de estudar Direito por um ano, para ser repórter de um importante jornal da capital. Em seguida, foi para Berlim, onde continuou trabalhando como jornalista e fez suas primeiras incursões no cinema, colaborando como roteirista. Sua primeira experiência cinematográfica foi no semidocumentário de Robert Siodmak “Menschen am Sontag”, de 1929, em cujos créditos também estavam Curt Siodmak (co-roteirista), Edgar G. Ulher (co-diretor), Fred Zinnemann e Eugene Shuftan (fotógrafos). De 1929 a 1932, colaborou no roteiro de 11 filmes.

billywilder1Com a ascensão do nazismo ao poder, em 1933, teve que abandonar a Alemanha devido as suas origens judaicas. Sua mãe e avós morreram em Auschwitz. Viveu alguns meses na França, já sonhando em fazer carreira em Hollywood, e co-dirigiu e co-escreveu um filme estrelado por Danielle Darrieux, “Mauvaise Graine”. Em 1934, chegou aos Estados Unidos e, depois de algumas dificuldades com a língua, conseguiu tornar-se conhecido como roteirista, principalmente após a união profissional com o roteirista Charles Brackett. Juntos, escreveram grandes sucessos: “Meia-Noite”, de 1939, de Mitchel Leisen, “A Oitava Esposa do Barba Azul”, de 1938, “Ninotchka”, de 1939, ambos de Ernst Lubistch, e “Bola de Fogo”, de 1942, de Howard Hawks.

A primeira oportunidade com a direção surgiu com “A Incrível Susana”, de 1942. Durante a década de 40, dirigiu filmes escritos em parceria com Charles Brackett e produzidos por este. Essa parceria rendeu vários êxitos artísticos e comerciais. “Pacto de Sangue”, de 1944, foi o único filme de Wilder nessa época a não ter a assinatura de Brackett e sim do escritor policial Raymond Chandler. O filme era um thriller noir, cínico e amoral, mas o seu grande êxito do período foi “Farrapo Humano”, de 1945, no qual Ray Milland vive um escritor fracassado e alcóolatra que durante um final de semana tenta se livrar do vício, mas acaba tendo que empenhar a máquina de escrever e roubar a bolsa de uma mulher para comprar bebida, até ir parar na enfermaria de um hospital. A dupla Wilder-Brackett adaptou o romance de Charles R. Jackson, mas modificaram o fim para torná-lo mais comercial. A impressionante cena do delirium tremens e a surpreendente transformação de Ray Milland durante o filme, são os grande trunfos deste drama impressionante, vencedor do Oscar de Filme, Diretor e Ator.

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“Crepúsculo dos Deuses”, de 1950, é a indiscutível obra-prima do cineasta, uma sátira ácida a Hollywood, estrelada pela ex-musa do cinema mudo Gloria Swanson, no papel de uma decadente ex-estrela que procura voltar à glória através de um roteirista frustrado que se torna seu amante (William Holden). O filme conta com surpreendentes aparições de Erich Von Stroheim (famoso diretor do cinema mudo), Buster Keaton e Cecil B. De Mille. No ano em que “A Malvada” foi o grande vencedor do Oscar, Wilder conseguiu os Oscar de Direção de Arte e Roteiro, e marcou o fim de sua parceria com Brackett.

billywilder6“A Montanha dos Sete Abutres”, de 1951, é considerado o filme mais forte do diretor, no qual Kirk Douglas interpreta um repórter sem escrúpulos que explora deliberadamente a trágica situação de um homem preso numa mina. Foi sucesso de crítica mas fracasso nas bilheterias. Aos poucos, Wilder foi se mostrando um hábil, cínico e certeiro comentarista do american way of life: o arrivismo a qualquer custo que chega até ao assassinato: o estrelato e a sua degeneração e o jornalismo (inspirado em suas experiências na juventude) como componente perverso do sistema americano.

“Inferno 17”, seu filme seguinte, uma comédia dramática passada num campo de prisioneiros durante a Segunda Guerra, foi grande sucesso de público e rendeu o Oscar de Melhor Ator para William Holden. Com a mesma habilidade com que abordava o drama e a crítica social, Wilder também mostrava-se um excelente maestro de comédias sofisticadas, como “Sabrina”, de 1954, estrelada por Audrey Hepburn, Humphrey Bogart e William Holden, ou “Amor na Tarde”, de 1957, com Audrey Hepburn e Gary Cooper. Em “Testemunha de Acusação”, de 1958, ele adaptou para as telas a célebre peça teatral de Agatha Christie, estrelada por Marlene Dietrich e Charles Laughton em ótimas atuações.

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Wilder transformou Marilyn Monroe numa competente comediante em “O Pecado Mora ao Lado”, de 1955, e depois em “Quanto Mais Quente Melhor”, de 1959, estrelado por ela, Jack Lemmon e Tony Curtis, onde os dois atores, após presenciarem um assassinato, são obrigados a se travestir de mulheres para fugirem dos gangsters. Eles arrumam emprego num orquestra só de mulheres e conhecem a ingênua Sugar, vivida por Marilyn, que sonha casar-se com um milionário. O filme é um marco da comédia maliciosa.

billywilder5A partir de “Amor na Tarde”, Wilder inicia um período de parceria com o roteirista I.A.L. Diamond. “Se Meu Apartamento Falasse”, de 1960, uma comédia dramática no qual Jack Lemmon é um homem que empresta seu apartamento para os encontros amorosos do seu patrão e a amante, em troca de promoção, mas quando ela tenta o suicídio e ele a socorre, ambos se apaixonam. Foi o último grande êxito do cineasta, premiado com Oscar de Filme, Direção e Roteiro Original. Wilder e Jack Lemmon voltariam a trabalhar juntos na comédia romântica “Irma La Douce”, de 1963, estrelada por Shirley MacLaine.

Wilder continuou trabalhando nos anos 70, mas seus filmes já não atraíam mais a atenção do público. Os tempos agora eram outros, embora ele fizesse filmes interessantes, como “A Vida Íntima de Sherlock Holmes”, “A Primeira Página” (novamente com Jack Lemmon), “Fedora” (uma espécie de retorno à era dourada de Hollywood) ou “Amigos Amigos, Negócios à Parte”, em que voltou a trabalhar com Jack Lemmon e Walter Matthau, e que acabou sendo o último filme dirigido por ele. Billy Wilder faleceu em 28 de março de 2002, em sua casa em Beverly Hills, aos 95 anos, vítima de pneumonia.

Filmografia:

Buddy Buddy (Amigos, amigos, negócios a parte, 1981)
Fedora (Fedora, 1978)
The Front Page (A primeira página, 1974)
Avanti!    (Avanti… Amantes a italiana, 1972
The Private Life of Sherlock Holmes (A vida íntima de Sherlock Holmes, 1970)
The Fortune Cookie (Uma loura por um milhão, 1966)
Kiss Me, Stupid    (Beija-me, idiota, 1964)
Irma la Douce (Irma la Douce, 1963)
One, Two, Three    (Cupido não tem bandeira, 1961)
The Apartment (Se meu apartamento falasse, 1960)
Some Like It Hot (Quanto mais quente melhor, 1959)
Witness for the Prosecution (Testemunha de acusação, 1957)
Love in the Afternoon (Um amor na tarde, 1957)
The Spirit of St. Louis    (Águia solitária, 1957)
The Seven Year Itch (O pecado mora ao lado, 1955)
Sabrina    (Sabrina, 1954)
Stalag 17 (Inferno nº 17, 1953)
Ace in the Hole    (A montanha dos sete abutres, 1951)
Sunset Blvd. (Crepúsculo dos deuses, 1950)
A Foreign Affair (A mundana, 1948)
The Emperor Waltz (Valsa do imperador, 1948)
The Lost Weekend (Farrapo humano, 1945)
Death Mills, 1945)
Double Indemnity (Pacto de sangue, 1944)
Five Graves to Cairo (Cinco covas no Egito, 1943)
The Major and the Minor    (A incrível Suzana, 1942)
Mauvaise graine    (Semente do mal, 1934)

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