Filmes: Psicose (1960)

psycho_10PSICOSE
Título Original: Psycho
País: Estados Unidos
Ano: 1960
Duração: 109 min.
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Anthony Perkins, Vera Miles, Janet Leigh, John Gavin, John McIntire, Martin Balsam.
Sinopse:
Secretária de uma imobiliária foge com o dinheiro do patrão, planejando encontrar-se com o namorado que mora em outra cidade. Durante a viagem de carro, ela resolve passar a noite num motel de beira de estrada, cujo gerente mantém uma estranha relação com a mãe.

Um dos mais famosos filmes do mestre do suspense, em que o soberbo domínio da técnica cinematográfica faz esquecer eventuais imperfeições do argumento e do roteiro. Os pontos altos são a fotografia em preto-e-branco de John L. Russell, a trilha sonora de Bernard Herrmann, o planejamento visual de Saul bass, especialmente na cena do chuveiro, e o desempenho de Anthony Perkins, o melhor de sua carreira. Baseado em um romance de Robert Bloch, teve duas sequências produzidas para o cinema e uma para a TV.

Uma aula de cinema neste que é o maior sucesso comercial de toda a carreira de Hitchcock

O que mais pode ser dito sobre este clássico que o tempo transformou em obra prima? Mais de cinco décadas depois, “Psicose” parece ter atingido o status inalterável de obra-prima, mas antes de criar um modelo de cinema de terror para as gerações futuras, o filme ainda é motivo para muitas considerações. A estréia de Hitchcock no chamado grand guignol, o terror sangrento, deixando de lado a estética visual limpa e discreta de seus trabalhos até então, também é uma inovação do ponto de vista do terror psicológico. Aqui, adaptação de um romance de Robert Bloch, a psicopatia social remete a um estado de obsessão mórbida e freudiana na relação entre o esquisito Norman Bates – que tem por sugestivo hobby a taxidermia – e a sua mãe autoritária e dominadora. O ponto de partida para o personagem foram as atrocidades do psicopata norte-americano Ed Gein, mas pelas mãos do mestre do suspense, a trama se transforma em cinema em estado bruto.

Fracasso de crítica na época – mais uma vez os críticos não conseguem ver a dimensão de um gênio – mas sucesso absoluto de público, “Psicose” reafirma o talento de Hitchcock para perceber os anseios do público e surpreendê-lo a cada momento. Janet Leigh é a heroína loira da vez, mas logo na meia hora inicial, Hitchcock surpreende a todos e mata a mocinha na antológica cena do chuveiro. Foram 45 segundos, 78 diferentes posições de câmera e que levou uma semana para ser filmada, um triunfo de técnica e edição, em que pairam dúvidas sobre sua autoria: Hitchcock dizia que o mérito era dele, mas a maioria endossa a afirmação de Saul Bass que dizia ser o autor da cena (o programador visual ficou famoso pelos créditos de abertura de vários filmes do cineasta), o que também não vem ao caso, onde o importante é o impacto da sequência – o sangue na verdade era calda de chocolate, uma das vantagens de se filmar em preto e branco. A despeito do seu autor e além da apurada seqüência de planos e cortes precisos, a cena é o começo da grande brincadeira que Hitchcock se propôs a fazer com o público e ironicamente é também o clímax da sua narrativa. Matando a mocinha logo de cara, Hitchcock surpreende o espectador para em seguida conduzi-lo por tortuosos e obscuros labirintos que permeiam a mansão Bates, numa alusão ao monstruoso subconsciente de seu personagem Norman Bates, taxidermista e gerente de hotel, solitário e atormentado por uma relação com a mãe que só se esclarece no final.

Também é interessante observar como o cineasta supera o baixo orçamento e a ausência de astros – nada de Cary Grant, James Stewart ou Grace Kelly – e realiza um filme que se tornou uma aula para diretores que se aventuraram pelo gênero desde então. O autor da gótica fotografia em preto e branco é John L. Russell, que substitui Robert Burks, antigo colaborador de Hithcock, mas o músico ainda é Bernard Herrmann. É ele o autor do gritante arranjo de violinos que acompanha a célebre cena do chuveiro, mas sua participação vai muito além disso, criando um score que transita entre o lúgubre e o soturno. Hitchcock acreditava no cinema como instrumento de sustos e tensões, o que já bastaria para fazer de “Psicose” um clássico, mas o filme que redefiniu as regras do terror, também transformou a psicanálise em diversão e deu a Anthony Perkins, um ilustre desconhecido, o papel da sua vida, a sua melhor atuação, um personagem do qual nunca mais se desvencilhou e que serviria de modelo para os futuros psicopatas do cinema. O filme teria uma continuação caça-níqueis em 1983 com Anthony Perkins e Vera Miles reprisando seus papeis e uma refilmagem inútil dirigida por Gus Van Sant em 1998.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0054215/

Trailer:

Alfred Hitchcock Apresenta “Psicose”:

A cena do chuveiro – com e sem música:

Galeria de Imagens:

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