Qual foi o Maior Casal do Cinema Mudo?

GRETA GARBO & JOHN GILBERT – O MAIOR CASAL DO CINEMA MUDO

garbo_gilbert3Hollywood será para sempre a fábrica de sonhos que produz novos astros e estrelas a cada dia, mas quando consegue reunir um astro e uma estrela em um casamento perfeito nas telas, temos a chamada “química” entre um ator e uma atriz – uma atuação repleta de entregas, cumplicidades e interação que quem assiste quase acredita que eles são um casal de verdade. Muitas vezes, eles são. Vários casais das telas eram casados na vida real, ou no mínimo amantes ou namorados quando atuaram juntos. Como esquecer a parceria entre Katherine Hepburn e Spencer Tracy – que nunca se casaram, porque ele nunca se divorciou da primeira mulher – que atravessou quase três décadas e terminou apenas com a morte do ator em 1967? Ou os filmes de aventuras e romance de Errol Flynn e Olivia De Havilland que formaram uma das parcerias mais famosas do cinema, atuando juntos em 8 produções? Há ainda os casais que só atuaram juntos uma vez, mas em filmes antológicos e que são inesquecíveis para qualquer cinéfilo, como Clark Gable e Vivien Leigh em “E o Vento Levou” ou Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em “Casablanca”.

No final do período silencioso, que coincide com a formação mítica de algumas estrelas hollywoodianas, não havia nas telas nenhum outro casal mais “quente” do que John Gilbert e Greta Garbo. Eles fizeram apenas 3 filmes nesse período, “A Carne e o Diabo” (Flesh and the Devil, 1926), “Amor” (Love, 1927) e “A Woman of Affairs” (1928), mas que foram suficientes para que transportassem para a vida real as fantasias românticas que viviam nas telas. Greta e Gilbert formavam de fato um belo casal. Ele era, na época, o único rival de Rudolph Valentino capaz de competir pelos corações do público feminino e garantia da Metro para arrecadar com a venda de ingressos de cinema. O romance entre Garbo e Gilbert atiçava a curiosidade do público, fazia vender tablóides e era certeza de sucesso quando atuavam juntos.

garbo_gilbert_2
Havia não só a beleza de um casal de estrelas de primeira grandeza, mas a tal “química” entre eles era produto de uma fórmula perfeita. Com a morte de Valentino, Gilbert herdou o título de “Homem mais Sexy do planeta”, enquanto Garbo era ainda uma estrela em ascensão mas com a reputação de “Rainha de Gelo”, e de um coração também de gelo. Eles se conheceram no primeiro filme que fizeram juntos, “A Carne e o Diabo”, dirigido por Clarence Brown em 1926, mas Gilbert já era um ator famoso antes disso. Ele começou a fazer filmes em 1915 e prosseguiu até o início dos anos 20 creditado como Jack Gilbert em produções modestas de William Fox. Seu último filme na Fox foi “Romance Ranch”, de 1924, quando mudou-se para a Metro. Ali, trabalhou em “His Hours”, de King Vidor, “The Merry Widow”, de Erich von Stroheim, e “O Grande Desfile” (The Big Parade), de King Vidor. este último, fez dele um astro.

Garbo_Gilbert_Flesh_1
Gilbert já era divorciado de Leatrice Joy, sua segunda esposa, quando conheceu Greta Garbo. “Olá Greta”, disse ele quando se encontraram pela primeira vez. “É senhorita Garbo”, respondeu ela, secamente. De alguma forma, Gilbert conseguiu derreter o gelo e atingiu o coração da estrela sueca, como nenhum outro homem fez antes ou faria depois. Antes de a produção terminar, ambos se tornaram amantes. O filme foi um sucesso e ajudou a transformar Garbo na maior estrela da época, com sua beleza etérea, traços perfeitos em uma mistura de frescor, exotismo e modernidade ao viver uma mulher amoral que dormia com quem ela quisesse. Por sua vez, Gilbert cimentou ainda mais a sua reputação como o maior amante das telas.

Flesh and the Devil (1926)

Garbo_Gilbert_Flesh_2
O relacionamento entre eles tornou-se público e notório, para o delírio dos fãs. Gilbert não escondia seu amor por Greta e a pediu em casamento diversas vezes, mas ela sempre se esquivava. Uma lenda de Hollywood dizia que o casamento certa vez foi confirmado, mas que Garbo não compareceu à cerimônia, fato que muitos biógrafos de Garbo desmentem. Percebendo o que tinham em mãos, os executivos da MGM logo escalaram o casal em dois novos filmes. O primeiro, com o sugestivo título de “Love”, uma adaptação moderna de Anna Karenina. O segundo, “A Woman of Affairs”, tinha em sua publicidade a frase “Garbo and Gilbert in Love”.

garbo_gilbert_love

Greta Garbo in 'A Woman of Affairs', by James Manatt, 1928

Garbo_Gilbert_A-Woman-of-Affairs_2
O romance esfriou pouco tempo depois, assim como suas carreiras seguiram caminhos opostos. Enquanto Garbo se tornava a maior estrela do planeta, a carreira de Gilbert entrou em decadência. Muitos historiadores afirmam que sua voz era fina demais e por isso ele não conseguiu continuar atuando nos “talkies”. Outros afirmam que não havia nada de errado com a voz dele, mas que ele foi vítima da perseguição do chefão da Metro Louis B. Mayer. Ele e Mayer se odiavam devido às constantes reclamações de Gilbert por melhores salários e ofertas de filmes para atuar. Uma das lendas diz que Gilbert chegou a agredir Mayer após este ter feito um comentário sobre Garbo que desagradou o ator. Verdade ou não, o fato é que Mayer odiava Gilbert e sempre lhe oferecia papéis ruins em produções menores, e que teria espalhado esse boato de que a voz de Gilbert era inadequada ao modelo masculino que ele representava.

O público que correu aos cinemas para ver o ator em seu primeiro “talkie”, o romance “His Glorious Night”, de 1929, porém, ria de nervoso durante a projeção, não pela voz do ator, mas por causa de sua péssima atuação, resultado de um roteiro mal escrito e de cenas embaraçosas de romance – parodiadas mais tarde no filme “Cantando na Chuva”, de 1952. O fracasso seguido de outros insucessos, provocou profunda depressão em Gilbert. A sorte do ator pareceu melhorar quando Irving Thalberg assumiu o controle do estúdio, oferecendo melhores trabalhos para Gilbert, entre eles “The Phantom of Paris” (1931), originalmente destinado a Lon Chaney, que tinha morrido de cancer poucos meses antes, e “Downstairs” (1932), baseado em uma história original sua. Apesar do sucesso de crítica, ambos os filmes não ajudaram Gilbert a recuperar o prestígio. Ele deixou a Metro em 1933.

garbo_gilbert_queen_christina
Garbo, porém, insistia que Gilbert retornasse à Metro. Ela tanto insistiu que conseguiu trazer o ator de volta para atuar ao lado dela em “Rainha Christina”, dirigido naquele mesmo ano por Rouben Mamoulian. O filme, porém, foi um retumbante fracasso. O casal já não tinha o mesmo charme dos anos de silêncio, com Gilbert atuando de forma automática, sentindo-se pressionado em ter a melhor atuação de sua vida e ao mesmo tempo intimidado pela presença da diva sueca, em uma espécie de “Nasce uma Estrela” da vida real. Depois de “Rainha Cristina”, a carreira de Gilbert foi sepultada definitivamente. A Columbia ainda deu-lhe uma chance em “The Captain Hates the Sea”, de 1934, mas como no filme nada funcionou, este acabou sendo o último filme do ator.

Com o fim da sua carreira, deprimido e frustrado, Gilbert se entregou ao alcoolismo. Nessa época ele ainda teve um envolvimento com a atriz Marlene Dietrich, mas morreria de ataque cardíaco em janeiro de 1936, aos 38 anos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: