Atores: Rudolph Valentino

RUDOLPH VALENTINO: O GRANDE AMANTE LATINO

Nome: Rodolfo Alfonso Raffaello Pierre Filibert Guglielmi di Valentina D’Antonguolla
Nascimento e local: 6 de maio de 1895, Castellaneta, Itália
Morte e local: 23 de agosto de 1926, Los Angeles, California
Ocupação: Ator
Nacionalidade: Italiana
Casamento: Jean Acker (1919 – 1923); Natacha Rambova (1923 – 1926)

O fascínio que os astros e as estrelas de Hollywood despertam no público que assiste a seus filmes remonta ao início do Cinema. Não só o glamour que envolvia figuras míticas femininas como Garbo ou Dietrich para o público masculino daquela época, como não havia melhor chamariz para o público feminino que frequentava as salas de cinema nos primórdios da Sétima Arte do que o primeiro “Latin Lover” que se tem notícia: Rudolph Valentino. Valentino era triunfantemente sedutor, as mulheres o amavam, suspiravam por ele e o imaginavam como o ápice do romance. Os homens o odiavam, tinham aversão a seus filmes e embora não admitissem, copiavam o visual do ator.

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O Grande Amante Latino do Cinema

Considerado o primeiro símbolo sexual masculino do cinema, Rudolph Valentino conquistou o caminho para os corações das mulheres americanas em 1921 com seu o primeiro papel de destaque em “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, no qual ele interpretou o filho playboy de um barão do gado argentino. Este filme hoje em dia jaz praticamente esquecido dentro de uma filmografia onde o filme mais citado, sem dúvida, será também o de seu papel mais famoso como o personagem-título de “O Sheik”, o conquistador dos desertos da Arábia.

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Nascido em Castella, na Itália em 1895, em 6 de maio de 1895, Rodolfo Alfonso Raffaello Pierre Filibert Guglielmi di Valentina D’Antonguolla tinha pai italiano, Giuseppe, um veterinário que morreu de malária quando ele tinha 11 anos de idade, e Marie Berta, de origem francesa. Ele teve um irmão mais velho, Alberto, que morreu em 1981, uma irmã mais jovem, Maria, e uma irmã mais velha, Beatrice, morta ainda na infância. Rudolph cresceu uma criança problemática, cujo comportamento frequentemente desagradava o pai. Adolescente, viveu um tempo na França, mas logo retornou à Itália, indo para os Estados Unidos em 1913.

Sem dinheiro, Valentino passava seu tempo pelas ruas de Nova York, se sustentando servindo mesas em restaurantes até conseguir emprego como taxi dancer no Maxim’s. Seu envolvimento com a socialite e herdeira chilena Blanca de Saulles, casada com um proeminente empresário, foi seu primeiro escândalo: sabendo do caso, o marido usou de seu prestígio para que Valentino fosse preso por adultério. Como não haviam evidências suficientes, valentino teve a fiança reduzida e deixou a cadeia alguns dias depois. Após Blanca de Saulles assassinar o marido a tiros, e já desempregado, Valentino temendo envolver-se em um novo escândalo, fugiu da cidade unindo-se à uma companhia de música que o deixou na Costa Oeste dos Estados Unidos.

Em 1917, ele já conseguia emprego em companhias de música e dança, entre as quais a produção de Al Jolson “Robinson Crusoe Jr.” Em San Francisco, conheceu o ator Norman Kerry, que o convenceu a tentar carreira no cinema e foi seu colega de quarto durante algum tempo. Em Los Angeles, ele continuou trabalhando como dançarino e professor de dança, além de se envolver com mulheres mais velhas que formavam a grande parcela de sua clientela na época. Seu primeiro papel no cinema foi em “My Official Wife” (1914), seguido de “The Battle of the Sexes” (1914), “The Quest of Life” (1916), “Alimony” (1917), todos como extra (não-creditado).  Seu primeiro papel de destaque foi em “A Society Sensation” (1918), creditado como Rudolpho De Valentina. Seu nome, porém, era sempre escalado para papéis de vilão ou gangster. Desanimado, ele passou uma temporada em Nova York, onde conheceu Paul Ivano, que seria de grande ajuda em sua carreira. Em 1919, como Rudolpho De Valintine, atuou em “The Delicious Little Devil”, ao lado da estrela Mae Murray, e em “Nobody Home”, como Rodolph Valentine.

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Enquanto filmava na Florida “Stolen Moments”, ele chamou a atenção da roteirista June Mathis, que o tinha visto em “Eyes of Youth”, e o queria para o papel de Julio Desnoyers na versão para as telas do romance “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, de Vicente Blasco Ibañez. O diretor escolhido foi Rex Ingram, com o qual Valentino teve uma desavença, e Mathis serviu de conciliadora entre ambos. “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, lançado no começo de 1921, transformou Valentino em astro da noite para o dia. Este foi um dos primeiros filmes a bater a casa dos 1 milhão de dólares de bilheteria. Sabendo que tinha um astro a mais em sua constelação, a Metro negou-se a dar-lhe um salário maior do que os 350 dólares semanais que recebia e ainda o escalou para um papel menor no filme B “Uncharted Seas”. Nesse filme, Valentino conheceu Natacha Rambova, que seria a sua segunda esposa.

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Rambova, Mathis, Ivano e Valentino trabalharam em “Camille”, estrelado por Alla Nazimova. Valentino fazia o papel de Armand, interesse amoroso de sua personagem no filme, considerado muito avant garde para a época. O último filme de Valentino na Metro foi “The Conquering Power” (1921), que foi um estrondoso sucesso de bilheteria. Após deixar a Metro, Valentino entrou para a Famous Players-Lasky, e June Mathis mais tarde juntou-se a ele naquela companhia, irritando Ivano e Rambova. Jesse Lasky percebeu o potencial do ator e o escalou em um papel que solidifcaria a sua imagem como o maior símbolo sexual da época. Em “O Sheik”, ele viveu o Sheik Ahmed Ben Hassan, que eternizou sua imagem de “Latin Lover” graças às cenas de romance com Lady Diana, seu interesse amoroso, vivida pela atriz Agnes Ayres.

A Lasky explorou o carisma de Valentino em mais quatro longas produzidos, com destaque para a sua atuação à la Douglas Fairbanks em “Moran of the Lady Letty” e no fracasso de crítica e público “Beyond the Rocks”, onde atuou ao lado de Gloria Swanson – filme considerado perdido até 2002, quando foi descoberta uma cópia em bom estado de conservação que foi restaurada e lançada em DVD em 2006.

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Problemas de produção em seu filme seguinte, “Blood and Sand” irritaram Valentino profundamente, desde a escolha do diretor que não o agradava quanto a mudança das locações da Espanha para Hollywood. O casamento com Rambova seguiu-se ao final das filmagens, e também um processo por bigamia, que levou à anulação do casamento e a separação do casal por um ano. Em meio a todo o escândalo, “Blood and Sand” foi um enorme sucesso e é considerado o melhor filme de Valentino.

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Mesmo separados, o casal ainda trabalharia junto no filme seguinte de Valentino, “The Young Rejah”, que foi um fracasso total. Deprimido pela separação com Rambova, Valentino tem possivelmente a sua pior atuação. O filme acabou perdendo-se, e hoje apenas fragmentos dele sobreviveram. Insatisfeito com a Lasky, Valentino consultou Rambova e seu advogado, decidindo declarar a “One man Strike” contra a produtora por questões salariais e quebra de contrato. A Lasky já enfrentava problemas com quedas na arrecadação dos filmes, e ofereceu a Valentino um salário de 7 mil dólares por semana. Valentino recusou a oferta e em carta aberta explicou que o controle artístico era mais importante do que o dinheiro. A Lasky contra-atacou publicamente afirmando que Valentino não valia o investimento devido aos problemas que acarretava para o estúdio – seus escândalos de bigamia, divórcio, dívidas e temperamento difícil.

Outros estúdios começaram a flertar com ele. Joseph Schenck estava interessado em lançar sua esposa na época, Norma Talmadge, em uma produção de “Romeu e Julieta” estrelada por Valentino. June Mathis, que se mudaram para a Goldwyn Pictures e estava a cargo do projeto de “Ben-Hur”, queria Valentino no filme. A Lasky, porém, exerceu seu direito e extendeu o contrato com o ator, impedindo-o de trabalhar em qualquer outro estúdio. Derrotado e humilhado, Valentino viu-se também com uma dívida de 80 mil dólares, e precisou entrar com uma apelação para diminuir essa quantia. Não podendo atuar como ator, precisou aceitar outros tipos de emprego. Assim sendo, ele uniu-se à George Ullman, que se tornou seu empresário, e passou a atuar na Mineralava Beauty Clay Company, junto com Natacha Rambova em uma turnê vitoriosa que percorreu os Estados Unidos e o Canadá.

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De volta aos Estados Unidos, foi oferecido a ele um salário de 7 500 dólares por semana para trabalhar na Ritz-Carlton Pictures, com total controle criativo e poder trabalhar em Nova York. Por conta disso, Valentino desistiu de estrelar uma produção italiana de “Quo vadis”. O primeiro filme sob novo contrato, “Monsieur Beaucaire”, no qual Valentino vivia o Duque de Chartres, foi um retumbante fracasso. A culpa foi atribuída à Rambova, como prova de sua natureza controladora, o que a levaria mais tarde a ser barrada dos sets de filmagens. O último filme seu na Lasky foi “A Sainted Devil”, outro de seus filmes perdidos, e também um enorme fracasso financeiro.

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Valentino estava livre da Lasky mas preso a um contrato com a Ritz-Carlton para quatro filmes. O primeiro deles, “The Hooded Falcon” atrasou o início das filmagens por insatisfação do casal Valentino-Rambova com o roteiro de June Mathis. Obrigada a reescrever o roteiro, Mathis brigou com Valentino e ambos ficaram dois anos sem se falar. Com esse atraso, ele aceitou filmar “Cobra” sob a condição de que o filme não fosse lançado antes de “The Hooded Falcon”. Os problemas e gastos com a pós-produção do filme, obrigaram a Ritz-Carlton a cancelar o contrato com Valentino.

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Durante as filmagens de “Monsieur Beaucaire”, Charles Chaplin e Douglas Fairbanks negociaram secretamente com Valentino um contrato com a United Artists que lhe daria 10 mil dólares por semana para atuar em apenas 3 filmes e mais porcentagem sobre a bilheteria. A exigência do estúdio era que Rambova fosse excluída totalmente dos filmes e dos sets de filmagens. Ao aceitar tais cláusulas, Valentino acabou pondo fim à sua união com Rambova, que por conta de um acordo mediado por George Ullman obteve uma compensação financeira que possibilitou a ela seu único filme sozinha, “What Price Beauty?”, estrelado por Myrna Loy.

Valentino escolheu “The Eagle” como o seu primeiro filme na United Artists. Com o seu casamento sob pressão, Rambova afastou-se alegando que precisava de “férias conjugais”, o que aumentou os boatos de um romance dele com sua parceira de tela, Vilma Bánky – que ambos negaram. “The Eagle” foi bem recebido pela crítica, mas não obteve grande retorno de bilheteria.

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Valentino levava uma vida de excessos, frequentemente mergulhado em dívidas e escândalos. Ele decidiu então recorrer à uma pretensa continuação de seu filmes mais famoso na esperança de pagar as dívidas. “The Son of the Sheik” (1926) usou os trajes autênticos que ele comprou no exterior e permitiu a Valentino um papel duplo, novamente atuando ao lado de Vilma Bánky. O filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria. Feliz, Valentino reconcliou-se com June Mathis, com quem não falava há dois anos.

Divórcios, bigamia, escândalos, homossexualismo

A despeito do sucesso de Valentino com as mulheres, não obstante sempre existiram rumores na imprensa questionando a sua masculinidade e que o irritavam constantemente. Em uma época em que ele e Douglas Fairbanks disputavam os corações femininos, e baseando-se em Fairbanks como o epiteto do modelo masculino da época, dizia-se que a maioria dos homens desejavam ser como ele, mas nenhum desejava ser como Valentino. Para as mulheres, Valentino era mais sedutor e o modelo perfeito de marido e amante. Os homens agiam como Fairbanks, mas imitavam o visual de Valentino.

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Valentino não era apenas interessado em atuar. Durante seu início de carreira ele procurava aprender muito observando o trabalho dos artistas nos sets de filmagens. O trabalho de bastidores o fascinava a ponto de ele passar horas estudando as técnicas de corte e planos dos diretores e sempre gostou dos desafios de filmar em locações. Em 1925, ele conseguiu criar a sua propria produtora, a Rudolph Valentino Productions.

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Mas a vida pessoal sempre foi problemática. Em 1919, ainda um ilustre desconhecido, casou-se com sua amiga de tela Jean Acker para livrá-la de um possível escândalo de lesbianismo envolvendo ela e as atrizes Grace Darmond e Alla Nazimova. O casamento nunca se consumou. O casal, porém, permaneceu legalmente casado até 1921, quando Acker, alegando abandono, conseguiu o divórcio. Ela e Valentino permaneceram amigos até a morte do ator. Foi nessa época que ele conheceu Winifred Shaughnessy, mais conhecida por seu nome artístico de Natacha Rambova – figurinista, desenhista, decoradora e protegida de Alla Nazimova – nos sets de “Uncharted Seas”.

natacha-rambova-valentino-2Valentino e Rambova trabalharam juntos em “Camille”, casando-se em 1922, no México. Segundo a lei da califórnia, por não cumprir o prazo legal de um ano após seu divórcio com Jean Acker, Valentino foi preso por bigamia. Para ele não ser novamente preso, tiveram que viver separadamente até cumprir-se o prazo judicial. Em março de 1924, Valentino e Rambova se casaram legalmente, mas a presença dominadora e autoritária de Rambova afastava os amigos de Valentino, irritava produtores, diretores e demais artistas ligados ao ator. Ser banida dos sets de filmagens foi a gota d’água para ela, que se separou de Valentino em 1925. Em seu testamento, Valentino vingou-se de Rambova, legando-lhe de herança um mísero dólar.

Em agosto de 1926, Valentino passou mal no Hotel Ambassador, em Nova York, e foi hospitalizado às pressas com um diagnóstico de apendicite e úlcera gástrica. Ele foi operado imediatamente mas apesar de todos os esforços dos médicos houve complicações. Ele foi acometido de uma pleurite grave no pulmão esquerdo que se aproveitou de sua saúde enfraquecida. Era comum na época os médicos negarem aos pacientes sua condição terminal e Valentino morreu acreditando que iria se recuperar e já fazia planos para seus próximos filmes. Em 23 de agosto ele entrou em coma, morrendo poucas horas depois, aos 31 anos.

A morte súbita, no auge da carreira, chocou o público da época, provocando uma histeria no público feminino. Mulheres cometeram suicídio, a multidão pelas ruas obrigou a polícia a aumentar seu efetivo para tentar controlar os ânimos. Cerca de 100 mil pessoas acorreram ao funeral do ator. O corpo foi depois transportado para Los Angeles e enterrado em uma cripta cedida pela amiga June Mathis. Ela morreria no ano seguinte e ambos continuam enterrados lado a lado no Hollywood Memorial Park Cemetery (atualmente The Hollywood Forever Cemetery) em Hollywood.

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Sobre suas experiências com as mulheres, “O Grande Amante Latino”, como era conhecido, ofereceu essa observação pertinente: “Generalizar sobre as mulheres é perigoso. Especializar-se nelas é infinitamente pior”.

Filmografia:

My Official Wife (1914)
The Quest of Life (1916)
The Foolish Virgin (1916) (não-creditado)
Seventeen (não-creditado, 1916)
Alimony (1917)
A Society Sensation (1918)
All Night (1918)
The Married Virgin/Frivolous Wives (1918)
The Delicious Little Devil (1919)
The Big Little Person (1919)
A Rogue’s Romance (1919)
The Homebreaker (1919)
Out of Luck (1919)
Virtuous Sinners (1919)
The Fog (1919)
Nobody Home (1919)
The Eyes of Youth (1919)
Stolen Moments (1920)
An Adventuress (1920)
The Cheater (1920)

Passion’s Playground (1920)
Once to Every Woman (1920)
The Wonderful Chance (1920)
The Four Horsemen of the Apocalypse (1921) (“Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”)
Uncharted Seas (1921) (“Corações Cegos”)
The Conquering Power (1921) (“Eugênia Grandet”)
Camille (1921) (“Dama das Camélias”)
The Sheik (1921) (“O Xeque”)
Moran of the Lady Letty (1922) (“De Marujo a Comandante”/ “A Ferro e Fogo”)
Beyond the Rocks (1922) (“Esposa Mártir”)
Blood and Sand (1922) (“Sangue e Areia”)
The Young Rajah (1922) (“O Jovem Rajá”)
Monsieur Beaucaire (1924)
A Sainted Devil (1924) (“Pecador Divino”)
Cobra (1925)
The Eagle (1925) (“O Águia”)
The Son of the Sheik (1926) (“O Filho do Xeque”)

Tributo:

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