Atrizes: Ingrid Bergman

INGRID BERGMAN: A MAIS LUMINOSA DAS ESTRELAS DE HOLLYWOOD

Nome: Ingrid Bergman
Nascimento e local: 29 de Agosto de 1915, Estocolmo, Suécia
Falecimento: 29 de agosto de 1982, Londres, Inglaterra
Ocupação: Atriz
Nacionalidade: Norte-americana
Casamentos: Lars Schmidt (1958 – 1975); Roberto Rossellini (1950 – 1957); Dr. Petter Lindström (1937 – 1950)

Desde criança ela queria ser atriz. E famosa. Parecia um sonho impossível, já que aquela menina solitária, filha única que perdeu a mãe quando ainda tinha dois anos e o pai logo após completar doze, era extremamente tímida. Mas Ingrid Bergman alcançou seu objetivo. Como tudo em sua vida, foi uma questão de tempo (coincidentemente um dos títulos das dezenas de filmes em que atuou), e o tempo da atriz entre nós, por coincidência, começou e terminou no mesmo dia – 29 de agosto, em anos diferentes.

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De santa à pecadora, a estrela sueca manteve seu brilho até o fim

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Filha de mãe alemã e pai sueco, ela nasceu em Estocolmo, nesta data, em 1915 e faleceu em Londres, em 1982, logo após a discreta celebração de seus 67 anos. Quando tinha apenas dois anos de idade, perdeu a mãe Friedel. O pai, Justus Samuel Bergman, que era artista e fotógrafo, despertou na menina o gosto pelas artes, compartilhando o sonho de que ela seria uma estrela da ópera. Ingrid estudou canto por três anos, mas no fundo seu desejo era mesmo ser atriz, e encenava peças no estúdio de fotografia do pai. Quando ele faleceu, aos 13 anos de idade, Ingrid foi morar com uma tia, que morreu de complicações cardíacas seis meses depois. Em seguida, ela foi morar com seus tios Hulda e Otto, que tinham 5 filhos.

Perseverante e metódica, Ingrid iniciou na adolescência um diário que foi de grande ajuda para sua biografia, escrita em 1980 junto com Alan Burgess (Histórias de uma Vida). Aos 17 anos, ela teve a grande chance ao participar de uma audição para a Escola Real de Arte Dramática de Estocolmo. Ela recordaria mais tarde o nervosismo que sentiu na hora dos testes, e depois quando deixou o palco, completamente arrasada:  “Enquanto eu caminhava para fora do palco, eu estava de luto, eu estava em um funeral. O meu. Foi a morte do meu eu criativo. Meu coração tinha realmente se partido…”

No entanto, suas impressões estavam todas erradas. Os juízes adoraram Ingrid. Um deles chegou a dizer que diante dele estava uma grande e promissora atriz. No livro, ela lembra a importância de ter sido aceita pela Escola Real de Arte Dramática de Estocolmo em 1932, após o teste em que representou trechos de peças de Ronstand e Strindberg: “Tornei-me uma pessoa incrivelmente feliz, expansiva, porque estava fazendo exatamente o que queria. E era tão fácil pra mim”.

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Essa facilidade permitiu que ela fosse sempre natural e verdadeira no cinema – em que estreou em 1933, ainda estudante, com um pequeno papel na comédia “Munkbrogreven”, produzido pela Svenskfilmindustri. Até 1939 já tinha atuado em mais de novve filmes, entre os quais “Intermezzo” (1936), no papel da parceira de um violinista casado. Adultério e música clássica configuravam uma combinação rara, um sucesso, e a realização de Gustav Molander chegou a Nova York em 1938. Resultado: o produtor David O’Selznick (de “E o Vento Levou”) se interessou pela história e por aquela atriz diferente.

Ingrid hesitou em ir para Hollywood. Desde 1937 estava casada com o dentista Petter Lindstron, pai de sua filha Pia. Mas em 1939 já filmava a versão americana de “Intermezzo”, sob a direção de Gregory Ratoff e ao lado de Leslie Howard. O êxito foi estrondoso. Diante da intensificação da Segunda Guerra, assinou um contrato de exclusividade por sete anos com Selznick. Logo levou para os EUA a filha e o marido.

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Era a segunda sueca a dar certo em Hollywood. Mas, ao contrário de Greta Garbo que, em declínio, resolveu ficar sozinha no início dos anos 40, Ingrid ascendia em popularidade, conquistando público e crítica com suas personagens sensuais e divididas (Casablanca) ou frágeis e desamparadas (“Por Quem os Sinos Dobram” e “À Meia-Luz”, que lhe valeu o Oscar de melhor atriz em 1944). Mas apesar do prestígio aumentar com suas atuações nos filmes de Alfred Hitchcock, ela parecia insatisfeita.

Numa noite de 1948, Ingrid e seu marido Petter entraram num pequeno cinema de Hollywood e assistiram a “Roma, Cidade Aberta”. Ao término da projeção, ela estava emocionada. Talvez fosse essa a resposta à sua insatisfação. Mas nem de longe poderia imaginar que aquele filme de Roberto Rosselini, carro-chefe do movimento neo-realista italiano, seria o ponto inicial de uma dramática mudança em sua vida.

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“Nunca mais quero ver um filme com essa vagabunda”. Esta foi a reação de uma dona-de –casa brasileira em fins de 1949 e fazia eco ao que se dizia nos Estados e outros países. O motivo do escândalo era a gravidez anunciada de Ingrid, fruto de seu adultério com Rosselini – ocorrido durante as filmagens de “Stromboli”.

Afinal, o público ainda a tinha na memória como a freira de “Os Sinos de Santa Maria” ou a mística guerreira “Joana D’Arc”. Ao dar à luz a Robertino em 2 de fevereiro de 1950, sem o divórcio de Petter ter sido concedido, a “pecadora” já estava banida de Hollywood.

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Ingrid fixou-se na Europa e fez vários filmes com Rosselini – com quem ainda teve as gêmeas Ingrid e Isabella (a atriz de “Veludo Azul” e tantos outros filmes). Mas o cineasta era um marido sufocante, que não a deixava trabalhar com outros diretores. Só Jean Renoir conseguiu vencer essa barreira quase intransponível, fazendo  com que a atriz se mostrasse radiante em “As Estranhas Coisas de Paris” (“Elena et les Hommes”, de 1956). No mesmo ano, já com o casamento em crise, deu-se a volta ao cinema norte-americano pelas mãos de Anatole Litvak. Filmado na Inglaterra, “Anastácia, a Princesa Esquecida” rendeu a Ingrid o prêmio de melhor atriz da Associação dos Críticos de Nova York. Ao recebê-lo, em janeiro de 1957, só encontrou festas e aplausos. A América pedia perdão pelo desprezo de outrora.

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O filme propiciou não só esse doce retorno e o Oscar de melhor atriz, mas também fez Ingrid intensificar a carreira. Sem a tutela repressiva de Rosselini ou de Selznick e já casada com o empresário sueco Lars Schmidt, ela podia escolher os roteiros, peças e diretores que lhe interesassem. Atuava em comédias leves (Indiscreta) filmes de suspense (“Assassinato no Expresso Oriente”, que deu a ela o Oscar de atriz coadjuvante de 1974) ou dramas como “Sonata de Outono”, de seu compatriota Ingmar Bergman. Durante as filmagens com Bergman, em 1977, Ingrid detectou os primeiros sinais do câncer que a mataria. Mas enfrentou a doença com estoicismo e não vacilou em contrarioar as ordens médicos em 1981 quando aceitou o papel-título de “Golda”, minissérie sobre a estadista israelense Golda Meir.

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Ingrid Bergman morreu com serenidade em sua casa, cercada do carinho de alguns de seus filhos, de seu ex-marido Lars (de quem se separou em 1975) e da mulher deste. Encerrava-se a notável trajetória de brilho e luta daquela que se mostrou a mais luminosa de todas as atrizes.

Filmografia:

1982 – A Woman Called Golda (TV)
1978 – Sonata de Outono (Hostsonaten)
1976 – Questão de Tempo (A Matter of Time)
1974 – Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express)
1973 – A Aventura da Descoberta (From the Mixed-Up Files of Mrs. Basil E. Frankweiler)
1970 – Caminhando sob a Chuva da Primavera (Walk in the Spring Rain)
1970 – Langlois
1969 – Flor de Cacto (Cactus Flower)
1967 – Stimulantia
1965 – O Rolls-Royce Amarelo (The Yellow Rolls-Royce)
1964 – A Visita (The Visit)
1961 – Mais uma Vez Adeus (Goodbye Again)
1958 – A Pousada da Sexta Felicidade (The Inn of the Sixth Happiness)
1958 – Indiscreta (Indiscreet)
1956 – As Estranhas Coisas de Paris (Elena et les hommes)
1956 – Anastácia, a Princesa Esquecida (Anastasia)
1955 – o Medo (La Paura)
1954 – Joana d’Arc de Rossellini (Giovanna d’arco al rogo)
1953 – Nós, as Mulheres (Siamo Donne)
1953 – Viagem pela Itália (Viaggio in Italia)
1951 – Europa’51
1949 – Stromboli (Stromboli, terra de Dio)
1949 – Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn)
1948 – Joana d’Arc (Joan of Arc)
1948 – O Arco do Triunfo (Arch of Triumph)
1946 – Interlúdio (Notorious)
1945 – Quando Fala o Coração (Spellbound)
1945 – Mulher Exótica (Saratoga Trunk)
1945 – Os Sinos de Santa Maria (The Bells of St. Mary’s)
1944 – Swedes in America
1944 – À Meia-Luz (Gaslight)
1943 – Por Quem os Sinos Dobram (For Whom the Bell Tolls)
1942 – Casablanca (Casablanca)
1941 – Fúria No Céu (Rage in Heaven)
1941 – O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde)
1941 – Os Quatro Filhos de Adão (Adam Had Four Sons)
1939 – Intermezzo, uma História de Amor (Intermezzo, a Love Story)
1938 – En Enda Natt
1938 – Juninatten
1938 – A Mulher que Vendeu a Alma (En Kvinnas Ansikte)
1938 – Dollar
1938 – Die 4 Gesellen
1936 – Pa Solsidan
1936 – Intermezzo (Intermezzo)
1935 – Valborgsmassoafton
1935 – Swedenhielms
1935 – Ocean Breakers”
1935 – Munkbrogreven
1935 – Branningar
1934 – The Count of The Monk’s Bride

Tribute:

Galeria de Imagens:

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