Filmes: King Kong (1933)

KING KONG
Título Original: King Kong
Origem: Estados Unidos
Ano: 1933
Duração: 104 min.
Direção: Merian C. Cooper e Ernest B. Shoedsack
Elenco: Fay Wray, Robert Armstrong, Bruce Cabot, Frank Reicher, Sam Hardy, Noble Johnson, Steve Clemente, James Flavin.
Sinopse:
Durante a depressão, um realizador e a sua equipe viajam até uma ilha remota para a rodagem de um filme e ali encontram uma tribo que venera um gorila gigante, King Kong. A tribo rapta a atriz do filme para a sacrificar, mas King Kong acaba por se apaixonar por ela. Quando a equipe de filmagem resgata a atriz , seu realizador decide capturar o gorila e levá-lo para Nova York onde o exibe como uma atração.

Visualmente fascinante, esta aventura permanece encantando o público ao longo de gerações graças a efeitos de trucagem geniais. Embora a tecnologia tenha evoluído, os efeitos especiais da época mantêm o vigor original, seja na cena do rapto da mocinha pelo gorila, na luta deste com a ave pré-histórica ou na antológica seqüência final, no topo do Empire State Building. A direção joga com a emoção do público numa espécie de “A Bela e a Fera” moderno, graças à música de Max Steiner, ao carisma da estrela Fay Wray e à animação da criatura pelo mestre da stop-motion e dos efeitos visuais Willis O’Brien. Os atores são meros coadjuvantes de uma história em que o astro principal são os incríveis efeitos que dão movimento e vida a um ser que parece saído dos pesadelos mais terríveis do subconsciente humano.

Um clássico que habita o inconsciente coletivo de todos nós

Para a lendária e ranzinza crítica americana Pauline Kael, esse é um dos mais poderosos filmes de aventura já produzidos em Hollywood. O Video Movie Guide de Leonard Maltin o definiu como a “clássica versão de A Bela e a Fera, cujos efeitos especiais e a animação de Willis O’Brien até hoje não foram superados”. A sofisticada e iconoclasta revista New Yorker o considerou “a trajetória de um desajustado”.

Pouco importa a presença dos atores humanos no filme, muito menos a canastrice de seu elenco principal. Os verdadeiros astros são os bonecos e as maquetes criadas pela equipe de técnicos liderada pelo gênio criativo de Willis O’Brien. King Kong, graças aos incríveis efeitos que dão movimento e vida a um ser que parece saído dos pesadelos mais terríveis do subconsciente humano, acaba ganhando uma dimensão muito maior. Ele é o verdadeiro herói da história. O personagem é uma espécie de outsider, quase um personagem saído de um filme de Jim Jarmusch, que se depara com um ambiente desconhecido e hostil. Kong, um macaco gigante, depois de ser descoberto por uma equipe cinematográfica, preso e levado para a civilização para servir como atração de circo, obriga a quem assiste o filme a permanecer para sempre indeciso: temer o monstro ou ter pena dele?

A ambigüidade de sentimentos que o filme desperta vai além de simples aventura, pois se existe algo para ser incluído na categoria dos filmes míticos já produzidos pelo cinema americano, certamente “King Kong” estará nessa condição. O filme já serviu ao longo dos anos e ao fim de incontáveis exibições para todo tipo de tese, desde o porquê da tensão sexual entre o macaco apaixonado e o objeto de sua paixão, a mocinha interpretada por Fay Wray, até considerações sobre como a cidade moderna pode destruir um ser inocente e selvagem. “King Kong” nada mais é do que um filme B de monstros, tão honesto em suas intenções quanto é eficiente em divertir e entreter como poucos filmes do período conseguem até os dias de hoje, em se tratando da época em que foi feito.

Produção da RKO ao custo de 670 mil dólares que traz o nome de David O. Selznick como produtor executivo e do compositor Max Steiner assinando a trilha sonora, “King Kong” permanecerá para sempre como um triunfo da técnica em uma época em que o cinema ainda engatinhava nos aspectos de som e efeitos visuais. Muitos podem categorizar o filme como relíquia arqueológica, mas não podem negar que a fórmula de ação-ficção-suspense usada no filme não se desgastou, muito menos a força das imagens e o perfeito domínio da dupla de diretores sobre a narrativa. Além, é claro, da certeza de que, mesmo após 80 anos da sua estréia, “King Kong” mantém a plasticidade de suas imagens intacta, de quando inaugurou a fase em que Hollywood começava a descobrir as possibilidades das trucagens e dos efeitos especiais.

Para qualquer um que estude cinema, “King Kong” é tecnicamente um filme intrigante. Se para o público moderno o grande macaco é visto apenas como uma seqüência de animação mal executada, na época ele gerou comentários exaltados sobre como foram realizados a maioria dos truques de câmera e efeitos de animação. Os executivos do estúdio RKO, onde ele foi filmado, ficaram impressionados com o resultado (ninguém nunca havia visto nada assim antes) e que o sucesso comercial do filme foi o responsável por evitar que o estúdio falisse. “King Kong” também exigiu acrobacias dos seus diretores: algumas seqüências realizadas, como as dos aviões disparando sobre ele nos céus de Nova York, exigiram habilidade e criatividade do diretor Merian C. Cooper (que, como curiosidade, faz o close de um dos pilotos). Esta seqüência final, em particular, foi a mais difícil de ser filmada: nela o modelo em miniatura de 18 polegadas de altura foi substituído por um ator em roupa de macaco, até a cena da queda de Kong do alto do prédio, onde novamente foi utilizada a miniatura. Outra curiosidade: o próprio Empire State Building estava em fase de construção durante as filmagens. Originalmente, Kong escalaria o prédio da Chrysler (que também estava em construção na época), por ser mais alto, mas logo depois os construtores do Empire decidiram adicionar uma torre de observação e o mastro no alto do prédio, tornando-o o mais alto edifício do mundo naquela época. E é para lá que decidiram levar Kong, justamente por isso.

Além disso, “King Kong” representa uma aula que cineastas do porte de Steven Spielberg, George Lucas, Tim Burton ou Peter Jackson (que acabou realizando a sua própria versão em 2006, já que havia afirmado que este era o seu filme preferido) assistiram, como uma demonstração das imensas possibilidades do cinema de entretenimento. Por razões óbvias, qualquer comparação com as versões de 1976 e de 2006 seria injusta, devido à evolução dos efeitos visuais no cinema. Mesmo assim, o filme impressiona tanto pelas imagens poderosas como pela eficiência em transformá-las em uma narrativa perfeita, que culmina em um clímax antológico que desde sua estréia em 1933 habita o inconsciente de todos nós.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0024216/

Trailer:

Empire State Building – Sequência Final:

Galeria de Imagens:

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