Atores: Humphrey Bogart

HUMPHREY BOGART: O ANTI-HERÓI POR TRÁS DO MITO

Nome: Humphrey DeForest Bogart
Nascimento e local: 25 de dezembro de 1899, Nova York
Morte e local: 14 de janeiro de 1957, Hollywood, California
Ocupação: Ator
Nacionalidade: Norte-americana
Casamento: Helen Menken (1926–1927); Mary Philips (1928–1937); Mayo Methot (1938–1945); Lauren Bacall (1945–1957)

Conhecido pelo público como Bogie, como gostava de ser chamado, é considerado um dos grandes mitos do cinema e ganhou o Oscar de melhor ator de 1951 por seu papel em “Uma Aventura na África”, dirigido pelo amigo John Huston. Foi eleito pelo American Film Institute como o maior astro do cinema norte-americano de todos os tempos.

Humphrey Bogart nunca teve aulas de teatro, mas começou sua carreira nos palcos do Brooklyn em 1921. Quando se tornou um astro das telas, a maioria dos atores de sua época imitavam o seu jeito de atuar.

Era madrugada quando Bogie e um amigo chegaram ao El Marocco carregando dois enormes ursos de pelúcia. Perto deles havia uma socialite e uma modelo, que se levantou e agarrou um dos ursos. Bogie tomou-o de volta e empurrou a mulher, que caiu no chão e insultou a segunda moça, que havia agarrado o segundo urso. O namorado dela começou a atirar pratos neles, e Bogie, seu amigo e os ursos foram expulsos do bar. Mais tarde, Bogie compareceu ao tribunal e durante o processo perguntaram: “O sr. estava bêbado?”

“E quem não está bêbado às três da manhã?”, Bogie retrucou. O caso foi arquivado.

As encrencas em que Humphrey Bogart se meteu por causa da bebida são tantas que é impossível numerá-las. “O mundo está três drinques atrás de mim”, dizia ele. Sua opinião sobre as crianças era igualmente reveladora: “O que fazer com as crianças? Elas não bebem!”. Até os amigos eram selecionados entre os aficionados do álcool, e beberrões famosos como Frank Sinatra, Spencer Tracy e Judy Garland eram presença constante na casa de quatorze quartos que Bogie e Lauren Bacall mantinham em Los Angeles. A casa grande era exigência dela, segundo Steve Bogart, filho do casal: “Meu pai ficaria feliz com dois quartos. Bastava um deles ter um bar”.

É sintomático que só aos 49 anos ele tenha se tornado pai. E foi justamente no dia em que Lauren anunciou a novidade que o casal teve a sua pior briga. “Ele disse que não se casara comigo para me perder para uma criança. Foi horrível”, ela relembra. Depois de desculpar-se por horas, Bogie aguardou com ansiosidade o nascimento de Steve Humphrey Bogart, ou Steve – papel do astro em “Uma Aventura na Martinica”, em que ele e Bacall se conheceram. Talvez por ter sido pai tão tarde, Bogart não mudou seus hábitos para conviver mais com o filho. O que ele não imaginava é que tinha pouco tempo pela frente. Se soubesse que um câncer no esôfago o mataria em apenas oito anos, talvez as coisas fossem diferentes.

O diretor e grande amigo John Huston, com quem Bogie fez “Relíquia Macabra” e “Uma Aventura na África”, também não dispensava suas doses. Em 1948, após receberem o Oscar de diretor e ator coadjuvante por “O Tesouro de Sierra Madre”, John e seu pai Walter juntaram-se a Bogie para comemorar. Terminaram jogando futebol na lama, vestidos de smoking. Como estavam bêbados demais para procurar uma bola, jogaram com uma laranja.

Em Los Angeles, Bogart tinha seu bar preferido; o Romanoff’s. E foi Mike Romanoff quem melhor resumiu o ator: “Bogie era uma pessoa de primeira classe que se comportava como se fosse de segunda classe”. Outro amigo, George Axelrod, o descreve como um homem cheio de vida. “Bogie era uma peste; nunca ria das próprias piadas.” Suas tiradas eram tão famosas quanto temidas. Ao ser apresentado a John Steinbeck, provocou: “Hemingway me disse que você não escreve tão bem assim”. Alguns entendiam seu estilo contestador; outros preferiam risca-lo da agenda. “Ninguém gosta de mim e eu não gsoto de ninguém”, dizia Bogie – que, até quando queria agradar, recusava sentimentalismos. “Cansei de olhar para essa velharia no seu pulso”, disse ele a um amigo, ao presenteá-lo com um relógio novo.

Bogart fazia questão de alfinetar os que chamava de “hipócritas e presunçosos de Hollywood”. Ganhou fama de anti-social. “As pessoas têm medo de me convidar”, disse. “Temem que eu diga algo inconveniente para Darryl Zanuck ou Louis B. Mayer – e com razão. Eu quero ser eu mesmo, não quero representar fora do trabalho”. Mas será que no fundo esse jeito arredio não era uma forma de esconder seu lado inseguro e carente?

Para Steve, o despreparo de seu pai com crianças pode ter sido produto direto da falta de amor em sua infância. Seu pai, Belmont DeForest Bogart, era um cirurgião famoso em Manhattan, e sua mãe era uma conhecida ilustradora. Tinham dinheiro, mas este não podia esconder que o casal era apaixonado pelo trabalho, não pelos filhos. “Cresci em um ambiente frio, mas simples e honesto”, disse Bogie: “Um beijo em família era um evento”. Os pais também brigavam muito, e era comum os filhos cobrirem a cabeça com travesseiro para tapar a gritaria.

O ator nasceu justamente no dia de Natal, em 1899 e foi batizado como Humphrey DeForest Bogart, o filho mais velho de Belmont DeForest Bogart e Maud Humphrey. Não é de se estranhar que seus pais nunca tenham feito uma festa para ele: nada mais prática do que aproveitar o Natal e unir o útil ao “agradável”. Sobre isso, Bogart comentou: “Nunca celebrei meu aniversário. Acho que fui trapaceado”. Por isso, certa vez, Lauren organizou uma festa surpresa para o marido. No jantar, cerca de vinte amigos o esperavam gritando feliz aniversário. Bogart chorou. “Ele ficou realmente surpreso”, conta Bacall. “Não só pela festa, mas por todas aquelas pessoas gostarem dele o suficiente para estar ali na noite de Natal”.

Pelo menos, o Dr. Bogart adorava sair e levava sempre Humphrey para pescar, caçar e velejar. Nesses passeios, Bogie descobriu uma paixão, além do trabalho como ator: o veleiro Santana. O barco era um santuário para o ator, e velejar um ritual solitário. Quando Steve estava chagando à idade de acompanhar o pai, Bogie morreu de câncer, em 1957.

Bogie viveu confortavelmente em sua infância no bairro de Upper West Side, em Nova York, e estudou em uma escola particular prestigiada, a Trinity School, e posteriormente na Escola preparatória Phillips Academy em Andover, Massachusetts. A princípio pensou em estudar medicina na Universidade de Yale, mas seus planos não se concretizaram por ter sido expulso da escola preparatória por comportamento rebelde. Depois disso dirigiu caminhões por algum tempo.

Em 1917, Bogart alistou-se na Marinha e foi lutar na 1ª Guerra. Era o leme do Leviathan, que transportava soldados. Aprontou tanto que foi preso por dez dias. Ao sair, fez novas malcriações e ficou retido por vinte dias. Ao fim da guerra, o capitão ordenou que fizesse uma lista dos melhores soldados para liberação – e a sua ficha foi a primeira da qual se encarregou. Dos dias no Leviathan, ele herdou a paralisia no lábio superior (resultado de uma briga), que deixou sua língua sutilmente presa e deu à sua voz um tom todo especial.

Aos 26 anos, ele virou assistente de palco na Broadway. Um dia deixou a cortina cair na cabeça da atriz Helen Menken – e a discussão acabou em casamento. Helen era influente e ajudou Bogart a obter bons papéis, mas a união durou pouco. Em 1927, o casal se separou. O caso com Mary Philips também começou em briga: ele reclamou que ela estava rebolando para roubar uma cena. Em 1928 eles se casaram e ficaram casados por dez anos, até ele partir rumo a Hollywood.

Seu talento foi notado pela primeira vez em 1935, como o gângster Duke Mantee na montagem de “A Floresta Petrificada”. Quando a Warner comprou a peça, iniciou testes para o papel de Mantee, e Leslie Howard, o protagonista, usou de sua influência para que Bogie fosse contratado para viver o paersonagem que interpretara tão bem nos palcos. Bogie repetiu o papel no cinema – e virou o gângster de plantão, à sombra de James Cagney, George Raft e Edward G. Robinson. O mérito de torna-lo um astro foi de John Huston, que o fez estrelar “Relíquia Macabra”. Esse reconhecimento e o sucesso de “Casablanca” foram decisivos: sua voz rouca e estilo econômico fizeram dele o ícone dos filmes noir. O Oscar viria em 1951, por “Uma Aventura na África” – dirigido, é claro, por John Huston. Ao todo, foram 75 filmes – e seriam mais, se a saúde não o tivesse traído.

Mayo Methot foi sua terceira esposa. Certa noite, Bogie entrou em casa e encontrou-a bêbada. A discussão logo começou. Mayo o ameaçou com uma faca; Bogie saiu correndo, mas ela o alcançou e enterrou a faca em suas costas. O incidente foi encoberto, Mayo se desculpou, mas ninguém estranhava as brigas do casal. Ela era alcoólatra, apresentava traços de esquizofrenia e já tentara o suicídio. Os amigos diziam que as brigas eram parte de um ritual do casal. Bogart adorava provocar Mayo, que era ciumenta e partia quase sempre para a pancadaria e chegou a botar fogo na casa.

Nessa época, durante as filmagens de “Uma Aventura na Martinica” em 1944, Bogart conheceu aquela que seria sua quarta esposa e a que lhe traria o casamento mais feliz, a jovem atriz Lauren Bacall, ou Baby (como ele a chamava por ser 25 anos mais nova). Eles se casaram em 1945 e fizeram no ano seguinte o filme “À Beira do Abismo” já como marido e mulher. Ela tinha só 19 anos mas parecia madura e tinha uma personalidade forte. Logo Bogie pediu o divórcio e onze dias depois de ele sair, o ator casou-se com Lauren, a quem fazia todas as vontades – inclusive a de ser mãe. Bacall era uma mulher ativa. Gostava de política e incitou o marido a se opor ativamente à caça às bruxas promovida pelo senador anticomunista Joseph McCarthy.

Assim, aos 50 anos, Bogart encontrou sua alma gêmea e formou uma família. Em 6 de janeiro de 1949, Lauren deu a luz ao primeiro filho do casal, Stephen Humphrey Bogart (apelidado de Steve, em honra ao personagem de Bogie em “Uma Aventura na Martinica”) e depois, em 23 de agosto de 1952, eles tiveram uma menina, Leslie Howard Bogart. O nome foi em homenagem ao ator Leslie Howard que ajudou Bogart no início da carreira. Segundo o filho do casal, foi um relacionamento marcado pelo amor, respeito e, ao que parece, felicidade.

De 1943 até 1955, Bogart fez vários filmes interpetando diferentes personagens. Em 1949, ele fundou sua própria produtora, a Santana Productions. No ano de 1951, Bogart fez o filme “Uma Aventura na África” contracenando com Katharine Hepburn num duelo memorável de interpretações e dirigido por John Huston. Este foi seu primeiro filme colorido e seu trabalho como o barqueiro Charlie Alnutt fez com que conquistasse finalmente o Oscar de melhor ator.

Em 1954, filmou “A Nave da Revolta”, baseado no livro homônimo de Herman Wouk, que ganhou o Prêmio Pulitzer em 1951, no papel do esquizofrênico Capitão Queeg. No mesmo ano ainda participou de “Sabrina” com Audrey Hepburn e William Holden e de “A Condessa Descalça”, com Ava Gardner. Seu último trabalho foi em “A Trágica Farsa” de 1956 no papel de Eddie Willis, um jornalista esportivo que vira promotor de boxe.

Uma vida toda fumando e bebendo deu a ele um câncer no esôfago. Após uma cirurgia para retirar o esôfago e dois linfomas, Bogie morreu em coma em 14 de janeiro de 1957.

Tributo:

Filmografia

Life Famous, Players-Lasky, 1920
The Dancing Town, Paramount curta-metragem, 1928
Broadway’s Like That, Warner Bros. curta-metragem, 1930
Up the River, Fox, 1930
O Querido das Mulheres (A Devil With Women) Fox, 1930
Corpo e Alma (Body and Soul) Fox, 1931
Garota Rebelde (The Bad Sister) Universal, 1931
O Temerário (A Holy Terror) Fox, 1931
Love Affair, Columbia, 1932
Big City Blues, Warner Bros., 1932
Três Ainda é Bom (Three on a Match) Warner Bros., 1932
Sede de Justiça (Midnight) Universal, 1934
A Floresta Petrificada (The Petrified Forest) Warner Bros., 1936
Balas ou Votos (Bullets or Ballots) Warner Bros., 1936
Sede de Escândalo (Two Against the World) Warner Bros., 1936
O Titã dos Ares (China Clipper) Warner Bros., 1936
A Ilha da Esperança (Isle of Fury) Warner Bros., 1936
Legião Negra (Black Legion) Warner Bros., 1937
O Grande O’Malley (The Great O’Malley) Warner Bros., 1937
Mulher Marcada (Marked Woman) Warner Bros., 1937
Talhado Para Campeão (Kid Galahad) Warner Bros., 1937
San Quentin, Warner Bros., 1937
Beco Sem Saída (Dead End) Goldwyn, 1937
Assim é Hollywood (Stand-In) United Artists, 1937
Breakdowns of 1938, Warner Bros. curta-metragem, 1938
Swing Your Lady, Warner Bros., 1938
For Auld Lang Syne, Warner Bros. curta-metragem, 1938
No Limiar do Crime (Crime School) Warner Bros., 1938
Vítimas do Terror (Racket Busters) Warner Bros., 1938
Os Homens São Uns Trouxas (Men Are Such Fools) Warner Bros., 1938
O Gênio do Crime (The Amazing Dr. Clitterhouse) Warner Bros., 1938
Anjos da Cara Suja (Angels with Dirty Faces) Warner Bros., 1938
Swingtime in the Movies, Warner Bros. curta-metragem, 1939
Contra a Lei (King of Underworld) Warner Bros., 1939
A Lei do Mais Forte (The Oklahoma Kid) Warner Bros., 1939
Vitória Amarga (Dark Victory) Warner Bros., 1939
Explorando o Crime (You Can’t Get Away With Murder) Warner Bros., 1939
Heróis Esquecidos (The Roaring Twenties) Warner Bros., 1939
A Volta do Doutor X (The Return of Doctor X) Warner Bros., 1939
Homens Marcados (Invisible Stripes) Warner Bros., 1939
Caravana do Ouro (Virginia City) Warner Bros., 1940
Um Sonho Para Dois (It All Came True) Warner Bros., 1940
Irmão Orquídea (Brother Orchid) Warner Bros., 1940
Dentro da Noite (They Drive by Night) Warner Bros., 1940
Seu Último Refúgio (High Sierra) Warner Bros., 1941
Tragédia no Circo (The Wagons Roll at Night) Warner Bros., 1941
Relíquia Macabra (The Maltese Falcon) Warner Bros., 1941
Balas Contra a Gestapo (All Through the Night) Warner Bros., 1942
O Manda-Chuva (The Big Shot) Warner Bros., 1942
Garras Amarelas (Across the Pacific) Warner Bros., 1942
Casablanca, Warner Bros., 1942
Comboio Para Leste (Action in the North Atlantic) Warner Bros., 1943
Graças à Minha Boa Estrela (Thank Your Lucky Stars) Warner Bros., 1943
Sahara, Columbia, 1943
Report From the Front, Warner Bros. curta-metragem, 1944
Passagem Para Marselha (Passage to Marseille) Warner Bros., 1944
Uma Aventura na Martinica (To Have and Have Not) Warner Bros., 1944
Conflitos D’Alma (Conflict) Warner Bros., 1945
Hollywood Victory Caravan, 20th Century-Fox curta-metragem, 1945
Um Trono Por Um Amor (Two Guys From Milwaukee) Warner Bros., 1946
À Beira do Abismo (The Big Sleep) Warner Bros., 1946
Confissão (Dead Reckoning) Columbia, 1947
Inspiração Trágica (The Two Mrs. Carrolls) Warner Bros., 1947
Prisioneiro do Passado (Dark Passage) Warner Bros., 1947
O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre) Warner Bros., 1948
Juntos Para Sempre (Always Together) Warner Bros., 1948
Paixões em Fúria (Key Largo) Warner Bros., 1948
O Crime Não Compensa (Knock on Any Door) Columbia, 1949
Tóquio Joe (Tokyo Joe) Columbia, 1949
A Morte Não é o Fim (Chain Lightning) Warner Bros., 1950
No Silêncio da Noite (In a Lonely Place) Columbia, 1950
Um Preço Para Cada Crime (The Enforcer) Warner Bros., 1951
Sirocco, Columbia, 1951
Uma Aventura na África (The African Queen) United Artists, 1951
U.S. Savings Bonds Trailer MGM curta-metragem, 1952
A Hora da Vingança (Deadline – U.S.A.) 20th Century-Fox, 1952
Campo de Batalha (Battle Circus) MGM, 1953
O Diabo Riu Por Último (Beat the Devil) United Artists, 1953
The Love Lottery Ealing, 1954
A Nave da Revolta (The Caine Mutiny) Columbia, 1954
Sabrina, Paramount, 1954
A Condessa Descalça (The Barefoot Contessa) United Artists, 1954
Não somos Anjos / Veneno de Cobra (We’re No Angels) Paramount, 1955
Do Destino Ninguém Foge (The Left Hand of God) 20th Century-Fox, 1955
Horas de Desespero (The Desperate Hours) Paramount, 1955
A Trágica Farsa (The Harder They Fall) Columbia, 1956

Galeria de Imagens:

Uma resposta

  1. newton jose medeiros | Responder

    realmente o maior ator de todos os tempos,completo.

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