Arquivos Mensais: novembro \28\UTC 2012

Filmes: King Kong (1933)

KING KONG
Título Original: King Kong
Origem: Estados Unidos
Ano: 1933
Duração: 104 min.
Direção: Merian C. Cooper e Ernest B. Shoedsack
Elenco: Fay Wray, Robert Armstrong, Bruce Cabot, Frank Reicher, Sam Hardy, Noble Johnson, Steve Clemente, James Flavin.
Sinopse:
Durante a depressão, um realizador e a sua equipe viajam até uma ilha remota para a rodagem de um filme e ali encontram uma tribo que venera um gorila gigante, King Kong. A tribo rapta a atriz do filme para a sacrificar, mas King Kong acaba por se apaixonar por ela. Quando a equipe de filmagem resgata a atriz , seu realizador decide capturar o gorila e levá-lo para Nova York onde o exibe como uma atração.

Visualmente fascinante, esta aventura permanece encantando o público ao longo de gerações graças a efeitos de trucagem geniais. Embora a tecnologia tenha evoluído, os efeitos especiais da época mantêm o vigor original, seja na cena do rapto da mocinha pelo gorila, na luta deste com a ave pré-histórica ou na antológica seqüência final, no topo do Empire State Building. A direção joga com a emoção do público numa espécie de “A Bela e a Fera” moderno, graças à música de Max Steiner, ao carisma da estrela Fay Wray e à animação da criatura pelo mestre da stop-motion e dos efeitos visuais Willis O’Brien. Os atores são meros coadjuvantes de uma história em que o astro principal são os incríveis efeitos que dão movimento e vida a um ser que parece saído dos pesadelos mais terríveis do subconsciente humano.

Um clássico que habita o inconsciente coletivo de todos nós

Para a lendária e ranzinza crítica americana Pauline Kael, esse é um dos mais poderosos filmes de aventura já produzidos em Hollywood. O Video Movie Guide de Leonard Maltin o definiu como a “clássica versão de A Bela e a Fera, cujos efeitos especiais e a animação de Willis O’Brien até hoje não foram superados”. A sofisticada e iconoclasta revista New Yorker o considerou “a trajetória de um desajustado”.

Pouco importa a presença dos atores humanos no filme, muito menos a canastrice de seu elenco principal. Os verdadeiros astros são os bonecos e as maquetes criadas pela equipe de técnicos liderada pelo gênio criativo de Willis O’Brien. King Kong, graças aos incríveis efeitos que dão movimento e vida a um ser que parece saído dos pesadelos mais terríveis do subconsciente humano, acaba ganhando uma dimensão muito maior. Ele é o verdadeiro herói da história. O personagem é uma espécie de outsider, quase um personagem saído de um filme de Jim Jarmusch, que se depara com um ambiente desconhecido e hostil. Kong, um macaco gigante, depois de ser descoberto por uma equipe cinematográfica, preso e levado para a civilização para servir como atração de circo, obriga a quem assiste o filme a permanecer para sempre indeciso: temer o monstro ou ter pena dele?

A ambigüidade de sentimentos que o filme desperta vai além de simples aventura, pois se existe algo para ser incluído na categoria dos filmes míticos já produzidos pelo cinema americano, certamente “King Kong” estará nessa condição. O filme já serviu ao longo dos anos e ao fim de incontáveis exibições para todo tipo de tese, desde o porquê da tensão sexual entre o macaco apaixonado e o objeto de sua paixão, a mocinha interpretada por Fay Wray, até considerações sobre como a cidade moderna pode destruir um ser inocente e selvagem. “King Kong” nada mais é do que um filme B de monstros, tão honesto em suas intenções quanto é eficiente em divertir e entreter como poucos filmes do período conseguem até os dias de hoje, em se tratando da época em que foi feito.

Produção da RKO ao custo de 670 mil dólares que traz o nome de David O. Selznick como produtor executivo e do compositor Max Steiner assinando a trilha sonora, “King Kong” permanecerá para sempre como um triunfo da técnica em uma época em que o cinema ainda engatinhava nos aspectos de som e efeitos visuais. Muitos podem categorizar o filme como relíquia arqueológica, mas não podem negar que a fórmula de ação-ficção-suspense usada no filme não se desgastou, muito menos a força das imagens e o perfeito domínio da dupla de diretores sobre a narrativa. Além, é claro, da certeza de que, mesmo após 80 anos da sua estréia, “King Kong” mantém a plasticidade de suas imagens intacta, de quando inaugurou a fase em que Hollywood começava a descobrir as possibilidades das trucagens e dos efeitos especiais.

Para qualquer um que estude cinema, “King Kong” é tecnicamente um filme intrigante. Se para o público moderno o grande macaco é visto apenas como uma seqüência de animação mal executada, na época ele gerou comentários exaltados sobre como foram realizados a maioria dos truques de câmera e efeitos de animação. Os executivos do estúdio RKO, onde ele foi filmado, ficaram impressionados com o resultado (ninguém nunca havia visto nada assim antes) e que o sucesso comercial do filme foi o responsável por evitar que o estúdio falisse. “King Kong” também exigiu acrobacias dos seus diretores: algumas seqüências realizadas, como as dos aviões disparando sobre ele nos céus de Nova York, exigiram habilidade e criatividade do diretor Merian C. Cooper (que, como curiosidade, faz o close de um dos pilotos). Esta seqüência final, em particular, foi a mais difícil de ser filmada: nela o modelo em miniatura de 18 polegadas de altura foi substituído por um ator em roupa de macaco, até a cena da queda de Kong do alto do prédio, onde novamente foi utilizada a miniatura. Outra curiosidade: o próprio Empire State Building estava em fase de construção durante as filmagens. Originalmente, Kong escalaria o prédio da Chrysler (que também estava em construção na época), por ser mais alto, mas logo depois os construtores do Empire decidiram adicionar uma torre de observação e o mastro no alto do prédio, tornando-o o mais alto edifício do mundo naquela época. E é para lá que decidiram levar Kong, justamente por isso.

Além disso, “King Kong” representa uma aula que cineastas do porte de Steven Spielberg, George Lucas, Tim Burton ou Peter Jackson (que acabou realizando a sua própria versão em 2006, já que havia afirmado que este era o seu filme preferido) assistiram, como uma demonstração das imensas possibilidades do cinema de entretenimento. Por razões óbvias, qualquer comparação com as versões de 1976 e de 2006 seria injusta, devido à evolução dos efeitos visuais no cinema. Mesmo assim, o filme impressiona tanto pelas imagens poderosas como pela eficiência em transformá-las em uma narrativa perfeita, que culmina em um clímax antológico que desde sua estréia em 1933 habita o inconsciente de todos nós.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0024216/

Trailer:

Empire State Building – Sequência Final:

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Filmes: Intriga Internacional (1959)

INTRIGA INTERNACIONAL
Título Original: North by Northwest
Origem: Estados Unidos
Ano: 1959
Duração: 136 min.
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Cary Grant, Eva Marie Saint, James Mason, Leo G. Carroll, Martin Landau, Jessie Royce Landis, Josephine Hutchinson, Philip Ober, Adam Williams.
Sinopse:
O pacato publicitário nova-iorquino Roger Thornhill vê sua vidinha monótona virar do avêsso quando, confundido com um misterioso espião, é sequestrado por agentes inimigos que tentam fazê-lo passar por culpado de um assassinato e depois matá-lo. Embora sobreviva a várias tentativas de morte, ele acaba convocado pelo serviço secreto do governo para desbaratar a conspiração.

Considerado por muitos o melhor filme de Alfred Hitchcock, pelo ritmo envolvente e pelo elenco impecável, “Intriga Internacional” tem sequências eletrizantes, como o ataque de avião contra o herói no deserto e a caçada humana entre as célebres estátuas dos quatro presidentes dos Estados Unidos, no monte Rushmore, em Dakota do Sul. Tem um roteiro primoroso de Ernest Lehman, que também escreveria o último filme de Hitchcock, “Trama Macabra”, além da música de Bernard Herrmann.

O filme é uma síntese do melhor de Alfred Hitchcock

“Impossível dizer qual meu melhor filme”, dizia Hitchcock, “é como perguntar a Casanova qual de suas amantes foi a melhor”. Dono de uma língua ferina e de tiradas como essa, à altura de seu gênio como cineasta, Hitchcock realizou com “Intriga Internacional” o seu melhor filme, na opinião de muita gente.

O mestre do suspense disse a François Truffaut durante uma das várias entrevistas que tiveram nos anos 60 que este era uma síntese de seus filmes americanos, assim como “Os 39 Degraus” era a essência de sua fase inglesa. Realizado no auge da sua carreira, sucessor de obras primas como “Janela Indiscreta” e “Um Corpo Que Cai”, esta eletrizante aventura de espionagem e suspense, recicla o velho tema do “inocente perseguido”, encarnado mais uma vez no ator preferido de Hitch, Cary Grant. Aos 55 anos, o carismático ator mostrou que tinha fôlego para esta jóia do cinema, capaz de – literalmente – tirar o fôlego da platéia. A sua trajetória kafkiana reserva-lhe momentos inesquecíveis que superam a inverossimilhança do roteiro de Ernest Lehman (também autor de “Trama Macabra”, último filme de Hitchcock) graças à eficiência com que o cineasta trabalha as imagens: ao volante de um carro sem freios e completamente bêbado, ele desce ileso uma estrada íngreme e sinuosa e depois escapa das balas disparadas por um teco-teco no meio do deserto.

Sem Grace Kelly, que abandonou o cinema para casar-se com o Príncipe Rainier de Mônaco, Hitchcock tentou recriá-la na mocinha vivida por Eva Marie Saint em closes e tomadas generosas, mas quem brilha mesmo é James Mason como o vilão elegante e brilhante. Apoiado pelos incansáveis colaboradores – o músico Bernard Herrmann, o fotógrafo Robert Burks, o designer Saul Bass e o montador George Tomasini), Hitchcock envolve o público durante toda a trama e reserva-lhe um clímax inesquecível no alto do Monte Rushmore entre as estátuas dos quatro presidentes americanos. Com um corte brusco, ele reproduz a cena dentro de uma cabine de trem, onde Grant e Saint se abraçam romanticamente, e fecha o filme com a sugestiva imagem do trem entrando num túnel… Coisa de gênio.

Não há muita coisa que possa ser dita sobre “Intriga Internacional” que já não tenha sido dita. Portanto, é assistir e comprovar que não se fazem mais filmes como os de Alfred Hitchcock.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0053125/

Trailer:

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Filmes: O Mágico de Oz (1939)

O MÁGICO DE OZ
Título Original: The Wizard of Oz
Origem: Estados Unidos
Ano: 1939
Duração: 101 min.
Direção: Victor Fleming
Elenco: Judy Garland, Bert Lahr, Frank Morgan, Ray Bolger, Jack Haley, Billie Burke, Margareth Hamilton, Charley Grapewin.
Sinopse:
A jovem Dorothy e seu cão Totó são transportados por um furacão para a Terra Mágica de Oz, onde, perseguidos pela Bruxa Má, e com a ajuda de seus novos amigos Espantalho, Homem de Lata e Leão tentam encontrar o Mágico capaz de enviá-los de volta ao Kansas.

Encantadora, deslumbrante e clássica versão do romance de L. Frank Baum e um dos maiores musicais do cinema. Desde o seu lançamento vem mexendo com o imaginário do público por várias gerações, graças à história de amor ao lar, à amizade e aos valores mais altos do ser humano encarnados nas figuras inesquecíveis do Espantalho, do Leão e do Homem de Lata. Abrindo e fechando em P & B, o filme impressiona pela fotografia em cores vivas, pelos números musicais inspirados, pelas canções imortais de Harold Arlen e E.Y. Harburg (inclusive a antológica “Over the Rainbow”, premiada com o Oscar) e pela trilha sonora de Herbert Stothart, também premiada com o Oscar. Judy Garland estreia aos 16 anos, ganhando um Oscar especial no papel que seria de Shirley Temple se a Fox não negasse o seu empréstimo à Metro-Goldwyn-Mayer.

EM ALGUM LUGAR ALÉM DO ARCO-ÍRIS…

Dorothy é uma menina que vive numa fazenda nos confins do Kansas e tem como companheiro inseparável o seu cãozinho Totó. Inadvertidamente ela faz um pedido às estrelas e acaba sendo conduzida por um tornado para o mundo maravilhoso de Oz, localizado em algum lugar além do arco-íris. Ali, faz amizade com o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde que a ajudam a enfrentar a terrível Bruxa do Oeste e a chegar até o fantástico Mágico de Oz, o único capaz de conduzi-la de volta ao Kansas.

Superprodução da Metro Goldwyn Mayer, o filme traz a marca absoluta de seu chefão, Louis B.Mayer, exemplo máximo da política de interferência no produto cinematográfico final. O primeiro diretor contratado pelo produtor Mervyn Le Roy foi Richard Thorpe, substituído em seguida por George Cukor, que por sua vez foi substituido por Victor Fleming. Fleming, porém, largou a direção para ir trabalhar em “…E o Vento Levou”, sobrando para King Vidor terminar as filmagens.

Impressionado com o sucesso alcançado por Walt Disney com “Branca de Neve e os Sete Anões”, Mayer decidiu apostar em um tema que atraísse o público infantil para os cinemas mas que não deixasse de agradar ao público mais velho, e acabou encontrando a solução numa série de contos escritos por Lyman Frank Baum, reunidos num livro chamado “The Wonderful Wizard of Oz”, que já haviam sido filmados em 1910 e 1925. Para interpretar o papel de Dorothy, Mayer queria a menina prodígio e estrela da 20th.Century Fox, Shirley Temple, mas a Fox negou-se a emprestá-la. A novata Judy Garland, então com 16 anos e considerada a princípio velha demais para o papel, acabou protagonizando o filme, após um apurado trabalho de maquiagem que ajudou a disfarçar sua idade. A peruca loira que ganhou no princípio das filmagens foi retirada por George Cukor, quando este assumiu o filme., mas |Judy teve que atuar o filme inteiro com uma cinta apertada para esconder a fartura de seus seios. Ela, porém, transformou-se numa das maiores estrelas da época e ainda ganhou um Oscar especial por sua atuação no filme.

“O Mágico de Oz” impressiona até hoje pela exuberância de sua fotografia, que utiliza vários modelos fotográficos (o início e o final são em sépia, enquanto o meio do filme é de um colorido deslumbrante), bem como pela criatividade dos cenários, pelo excepcional trabalho de maquiagem e pelos efeitos especiais absolutamente inovadores para a época. Porém, um dos maiores destaques do filme é sem dúvida a sua trilha sonora, que inclui oito canções de Harold Arlen e E. Y. Harburg, entre as quais a mitológica “Over the Rainbow”, cantada por Judy Garland no início do filme e que simboliza a sua jornada além do arco-íris e a busca do ser humano por seus próprios sonhos, onde quer que estejam. Curiosamente, a cena em que Judy a canta quase foi retirada do filme porque a Metro não concordava em ver uma de suas atrizes cantando no celeiro…

Sucesso de bilheteria desde sua estréia, custou por volta de quatro milhões de dólares, “O Mágico de Oz” conseguiu a proeza de arrebatar três Oscar no mesmo ano de “…E o Vento Levou”, entre eles o de melhor música original para Herbert Stothart, desbancando o favorito Max Steiner de “…E o Vento Levou”, e de melhor canção para “Over the Rainbow”. Há quem veja na jornada de Dorothy por Oz, uma metáfora para a Hollywood dos anos dourados, ou seja, uma espécie de referência ao próprio cinema como criador de mundos irreais tornados reais pelas mãos de seus mágicos produtores, tão explorada posteriormente inclusive na refilmagem de 1978, dirigida por Sidney Lumet e estrelada por Diana Ross como Dorothy e Michael Jackson como o Espantalho.

Embora vivesse num mundo em preto e branco, ou seja, sem a magia dos contos de fada, a menina Dorothy descobre que nem o mais maravilhoso dos lugares consegue ser melhor do que a sua própria casa.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0032138/

Trailer:

Clipe “Somewhere Over the Rainbow”:

Galeria de Imagens: