Quem foi a grande atriz do cinema mudo?

Se a questão sobre qual era o melhor ator do cinema mudo ainda permanece sem resposta, em uma batalha interminável se seria Charles Chaplin ou Buster Keaton, outra questão permaneceria igualmente sem solução não fosse um nome: Lillian Gish. Quem foi a melhor atriz do cinema mudo?

Alguns se debaterão sobre Greta Garbo, Gloria Swanson, Mary Pickford ou Louise Brooks (esta última seria a minha escolha afetiva, baseada em um único filme que assisti dela, “A Caixa de Pandora”), mas em quantidade de filmes e longevidade nas telas, nenhuma dessas divas da era silenciosa de Hollywood se compara à Lillian Gish.

A carreira de Greta Garbo iniciou-se no cinema mudo, ainda em filmes produzidos na Alemanha como “The Joyless Street”, mas a sua fama – e consequentemente os seus melhores trabalhos, como “Rainha Cristina” e “A Dama das Camélias” – vieram após o advento do cinema falado. Garbo era divina. Com seus traços e sua figura majestosa, quando bem fotografada e dirigida, não havia em sua época estrela de maior luminosidade nas telas. Quando as palavras começaram a sair de sua boca, sua voz grave e rouca conquistou a todos de imediato. Mas embora tenha feito bons filmes mudos, como “A Carne e o Diabo” (“Flesh and the Devil”, que marcaria o encontro da atriz nas telas com o galã John Gilbert) – cujo papel herdou depois que Lillian Gish foi descartada por ter um salário muito alto -, Garbo nunca foi uma atriz tão completa quanto Louise Brooks ou Lillian Gish.

Mary Pickford foi sem dúvida a atriz mais popular durante a era do cinema mudo, conhecida como “America’s Sweetheart” (a primeira “Namoradinha da América” diga-se de passagem) e foi também a estrela mais bem paga de Hollywood. Nenhum ator ou atriz na época ganhava o salário que Mary Pickford ganhava. O sucesso dela, porém, não se limitou apenas a frente das câmeras. Ela produziu trinta e quatro filmes, escreveu mais de doze, foi co-fundadora da Academy of Motion Picture Arts and Sciences e, juntamente com Charles Chaplin, D.W. Griffith e Douglas Fairbanks, formou o estúdio United Artists Pictures. Ela ganhou um Oscar competitivo em 1930 por “Coquette”, que nem foi o seu melhor trabalho. Em 1976, a Academia reconheceu a importância de seu trabalho com o Lifetime Achievement Award. Se tivesse que escolher o melhor filme de Mary Pickford, este seria “My Best Girl”, de 1927. Mas a despeito de seu talento, e de sua importância para a História do Cinema, Mary Pickford não é a escolha mais sensata.

Outra diva do cinema mudo que Hollywood esqueceu é Gloria Swanson. Embora o mundo inteiro só tenha se lembrado dela nos anos 50 quando Billy Wilder a trouxe de volta aos holofotes em um papel quase auto-biográfico em “Crepúsculo dos Deuses”, Gloria foi uma das grandes atrizes do cinema mudo. “Não precisávamos de diálogos. Nós tínhamos rostos!” exclama Norma Desmond, personagem de Gloria naquele filme. Sem dúvida, Gloria foi uma figura marcante nas telas, com sua expressão trágica e olhar penetrante, e seus filmes eram sinônimos de bilheteria. Pode-se dizer, também, que ela foi uma atriz a frente de seu tempo. Seu prestígio, porém, começou a decair a partir da metade dos anos 20. Escolhas equivocadas como estrelar “Minha Rainha”, dirigido por Erich von Stroheim em 1929, acabariam por sepultar sua carreira definitivamente após o advento do som. Se existem dois filmes que definem o talento de uma atriz, os de Gloria Swanson são “Sedução do Pecado” e “Tudo pelo Amor”, pelos quais ela foi indicada ao Oscar.

Por fim, Louise Brooks. Embora, assim como Gloria Swanson, Louise tenha ficado por quase duas décadas completamente esquecida, não havia no final dos anos 20, melhor atriz do que ela no mundo. Quem assistiu “A Caixa de Pandora” e “Diário de uma Garota Perdida” pode confirmar a frase clássica do curador Henri Langlois: “Não há Garbo. Não há Dietrich. Somente há Louise Brooks!” A carreira de Louise, porém, seria destruída por suas atitudes revolucionárias, seu comportamento auto-destrutivo e seu gênio difícil. Ao abandonar a pós-produção de “Canary Muder Case”, as portas de Hollywood se fecharam para sempre para ela. O mundo só voltaria a falar em Louise Brooks décadas mais tarde, quando os dois filmes que fez na Alemanha foram redescobertos e seu talento finalmente reconhecido.

Restou apenas Lillian Gish. Pioneira das telas, Lillian atuou nos monumentos cinematográficos “O Nascimento de uma Nação” e “Intolerância”, dirigidos por D.W. Griffith, que definiram a estrutura da narrativa cinematográfica a partir daquilo que se convencionou chamar por filmes. Gish era a atriz preferida de Griffith, que ainda a escalou para outros papéis marcantes como em “Lírio Partido” e “Órfãs da Tempestade”, mas é a sua atuação no clássico “The Wind” (Vento e Areia, de 1928), dirigido por Victor Seastrom, que a capacita como a melhor atriz do cinema silencioso. Quando a maioria das atrizes da época ainda insistia em uma performance caricatural e de gestos exagerados, as atuações de Lillian eram suavizadas por um profundo trabalho psicológico, acentuando um realismo necessário para as mudanças nos métodos de atuação que iriam acontecer com o advento do cinema falado.

Lillian Gish atuou em 74 filmes antes de “O Cantor de Jazz” decretar o fim do cinema mudo. Quando Al Jolson encantou as plateias com sua voz, a popularidade de Lillian já estava em declínio. Seu último filme mudo foi em 1928, e foi justamente “O Vento”. O filme, que já aproveita efeitos sonoros para potencializar o drama e a psicologia da personagem de Lillian – uma vítima de estupro -, hoje considerado um pioneiro e clássico, na época não impressionou o público. A crítica também se dividiu entre os méritos da atuação de Lillian e aquela nova proposta de mídia que batia à porta dos estúdios como o vento do filme. A MGM dispensou Lillian logo após o seu lançamento, mas ela continou trabalhando. Suas atuações mais importantes, porém, foram em 1955, com o thriller noir “The Night of the Hunter”, ao lado de Robert Mitchum, e “Duel in the Sun”, de 1946, pelo qual ela foi indicada ao Oscar de atriz coadjuvante.

Em 1971, Lillian recebeu um Oscar honorário, reconhecida pela Academia por “sua contribuição para o progresso das imagens em movimento”. Lillian faria seu último filme em 1987, “As Baleias de Agosto”, encerrando assim a carreira mais longa de uma atriz de cinema em todos os tempos.

2 Respostas

  1. Ramón Rodrigues Ackles | Responder

    Amo a Lillian! Ela é minha atriz favorita da Era Muda! Gloria é divina, pena que só é lembrada por Crepúsculo dos Deuses. A Mary é uma gracinha, apenas nos filmes, ahaha. Amo a Mary. Amo todas.

  2. Meu nome e adalton alves(ton oliver) sou fa de charlie chaplin, o primeiro e unico, sou fa de marlene dietrch, mas greta garbo, sem duvida foi a maior de todos os tempos, tem que fazer sucsso na america do norte(usa),na musica sou fa dis (beatles),(jimi hendrix)05/02/2017.

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