Atores: Harold Lloyd

HAROLD LLOYD: O GÊNIO ESQUECIDO

Nome: Harold Clayton Lloyd, Sr.
Nascimento e local: 20 de abril de 1893, Burchand, Nebraska
Morte e local: 8 de março de 1971, Beverly Hills, California
Ocupação: Ator
Nacionalidade: Norte-americana
Casamento: Mildred Davis (1923–1969)

No início de sua carreira, Harold Lloyd poderia se considerado só mais uma imitação de Chaplin, mas com roupas apertadas. Com o tempo, acabou trocando o bigodinho por um chapéu de palha e um óculos tartaruga, com certa elegância. Representava o americano médio confrontado pela freneticidade da urbanização: arranha-céus, negócios, médicos charlatões. Ele foi uma personalidade baseada na ausência de personalidade. Seu personagem – o jovem franzino, de óculos, chapéu de palha e terno, não necessariamente tímido, mas sempre desastrado – combinava uma certa densidade psicológica parecida com a de Chaplin, com uma inacreditável destreza física, tipo Keaton. Só em 1919 descobriu o fator decisivo para seu personagem: os óculos. Esta foi sua originalidade: criou um personagem absolutamente comum e apagado, a quem aconteciam as situações mais incomuns e que o faziam, sem querer, transformar-se em um super-homem.

Harold Lloyd fez 206 filmes durante a sua carreira, a grande maioria na era do cinema mudo, sendo considerado, junto com Charles Chaplin e Buster Keaton, um dos maiores comediantes da época.

Quando se trata de responder à pergunta “Quem foi o maior ator do cinema mudo”, o debate justamente resume-se a Charlie Chaplin versus Buster Keaton, de uma forma semelhante como tentar escolher entre os Beatles ou Elvis como os melhores de todos os tempos. Mas o cinema mudo, principalmente a comédia silenciosa, não foi feita apenas de Chaplin e de Keaton. Muitos hoje em dia nem sequer terão ouvido falar em Harold Lloyd, mas ele também foi grande em sua época.

Se Chaplin era o eterno vagabundo e Keaton o dândi com o rosto de pedra, o que caracterizava Harold Lloyd em seus filmes era um par de óculos sem lentes que o transformariam em astro, independentemente do personagem que interpretava nas telas: o galanteador, o caixeiro, o caipira ou o ricaço sem noção, todos pertencentes a um mundo que só ele acha que entende. De fato, provavelmente não é um exagero dizer que os óculos de Lloyd eram mais famosos do que ele. A carreira de Lloyd não foi tão prolífica quanto à de Chaplin, nem tão celebrada quanto à de Keaton, mas se pudéssemos resumir a carreira de Lloyd por um único filme (assim como “A General” representa o must para a carreira de Buster Keaton), o filme-chave de Harold Lloyd para se assistir com certeza é “O Homem-Mosca” (Safety Last!, de 1923). Embora existam filmes muito bons estrelados por Lloyd, como “Girl Shy”, “For Heaven’s Shake” ou “The Freshman”, não existe cinéfilo no mundo que não associe a imagem abaixo à figura de Harold Lloyd:

Sem dúvida, a cena mais marcante de sua carreira, na qual seu personagem escala um prédio e se pendura no ponteiro de um relógio, feita por ele mesmo sem o uso de dublês – embora mais tarde ele tenha confessado que havia colchões apoiados por andaimes alguns andares abaixo, caso ele caísse durante as filmagens. Lloyd chegou a ser chamado em sua época de “The Third Genius” (O Terceiro Gênio), em uma alusão aos seus colegas, mas dizer que era um gênio pode ter sido um exagero. Embora ele soubesse criar comédia de inspiração e de instinto, seu ângulo de visão era mais focado. Você não verá em seus filmes os delírios cênicos de Chaplin, como os anjos de “O Garoto”, ou Keaton deixando seu corpo para subir a uma tela de cinema como em “Sherlock Jr.”

Harold Clayton Lloyd, Sr. nasceu em 20 de april de 1893, e estrelou cerca de 200 comédias silenciosas e “talkies”, entre 1914 e 1947. Seus filmes freqüentemente continham sequências de grandes peripécias ou prolongadas cenas de perseguição que exploravam seus talentos físicos, pelos quais ele é mais lembrado hoje. Lloyd pendurado nos ponteiros de um relógio no alto de um prédio é uma das imagens mais marcantes do cinema, mas ele fez muitas dessas manobras perigosas por conta própria, e continuaria fazendo, apesar de ter se machucado em agosto de 1919, ao fazer fotos de divulgação para o Roach Studio. Um acidente com uma bomba confundida como um adereço resultou na perda do polegar e do dedo indicador da sua mão direita (a lesão seria disfarçada em filmes futuros com o uso de uma luva de prótese especial, embora muitas vezes a luva não passasse despercebida). A explosão foi forte o suficiente para que o diretor e cinegrafista também fossem gravemente feridos. Quando explodiu, o artefato queimou o peito e o rosto de Lloyd, ferindo seu olho. Apesar da proximidade da explosão, ele manteve sua visão.

Quando seus pais se separaram, Lloyd escolheu ficar com seu pai. Muito jovem ainda mudou-se para a California onde trabalhou para a companhia de filmes de Thomas Edison e em seguida formou uma parceria com o diretor Hal Roach, que fundaria seu próprio estúdio em 1913. Lloyd se tornaria o ator mais bem sucedido entre 1915 e 1919, em quase cem curtas produzidos pelo estúdio.

Por volta de 1918, Lloyd e Roach começaram a desenvolver seu personagem definitivo (The “Glass” character, chamado simplesmente “Harold”). O personagem teria sido criado por Roach depois que este sugeriu que Lloyd era bonito demais para fazer comédia. Anteriormente, ele havia usado um bigode falso em “Lonesome Luke”, mas os resultados não agradaram. Diferentemente de Chaplin e Keaton que viviam um único personagem, os de Lloyd nunca pertenceram a uma única classe social, e seus personagens estavam sempre se esforçando para obter sucesso e reconhecimento. Dentro dos primeiros anos da estreia do personagem, ele havia retratado camadas sociais que vão de um andarilho faminto em “From Hand to Mouth” a um socialite rico em “Captain Kidd’s Kids”.

Em 1921, Roach e Lloyd passaram a produzir comédias mais longas, que incluem o aclamado “Grandma’s Boy”, o popular “Safety Last!” e “Why Worry?”. A parceria terminaria em 1924, quando Lloyd tornou-se um produtor independente de seus próprios filmes, através da Harold Lloyd Film Corporation, com seus filmes distribuídos pela Pathé e mais tarde pela Paramount e Twentieth Century-Fox. Lloyd foi um dos membros fundadores da Academy of Motion Picture Arts and Sciences.

São desse período outros de seus filmes mais famosos:  “Girl Shy”, “The Freshman”, “The Kid Brother” e “Speedy”, seu último filme silencioso. “Welcome Danger” seria originariamente um filme mudo, mas Lloyd decidiu durante a pós-produção refazê-lo com diálogos. Todos os filmes foram enorme sucesso de público e ajudaram a consolidar seu prestígio entre os grandes realizadores do cinema mudo.

As gags de Lloyd são mais convencionais, mas nem por isso menos engraçadas, como o smoking alugado que se desfaz em pedaços durante uma dança enquanto é costurado de volta. “Lloyd era um homem comum”, escreveu Walter Kerr em seu livro “The Silent Clowns”, “como o resto de nós: normal e sem muita inspiração. Se ele queria ser um comediante de sucesso, ele teve de aprender a ser único, e aprender da maneira mais difícil.”

Roger Ebert resumiu as diferenças entre os três comediantes da seguinte forma: “Lloyd é um homem de verdade escalando um prédio; Keaton, como ele fica exatamente no local onde um prédio não vai esmagá-lo, é um instrumento do destino cósmico, e Chaplin é um visitante ao nosso universo a partir do que existe em sua mente”.

Ainda assim, gênio ou não, Harold Lloyd inspirou gerações de atores que vieram depois dele. Cary Grant modelou seu desempenho no clássico “Levada da Breca” (Bringing Up Baby) na persona de Harold Lloyd, que por sua vez, foi a base para a imitação genial de Tony Curtis em “Quanto Mais Quente Melhor” (Some Like It Hot) ou de Jerry Lewis em vários de seus filmes. E eu não seria a primeira pessoa a notar que Woody Allen tomou posse da imagem de Lloyd para criar seu próprio estilo – que pode essencialmente ser definido como Bob Hope no corpo de Harold Lloyd.

Harold Lloyd foi indicado para um Globo de Ouro no final de sua carreira, para a comédia de Preston Sturges “The Sin Of Harold Diddlebock”, de 1947 (mais tarde editado e renomeado para “Mad Wednesday”), e recebeu um Oscar honorário em 1953. Ele morreu em 8 de março de 1971, com a idade de 78 anos, vivendo tempo suficiente para ver um renascimento do interesse em sua carreira.

Tribute:

Filmografia:

Harold Lloyd sempre teve muito cuidado com seus filmes, mas muitos deles tiveram os negativos originais destruídos em um incêndio em sua propriedade em 1946. Os curtas que compõem a filmografia mais antiga de Harold Lloyd sobreviveram em vários arquivos ao redor do planeta. A lista a seguir é temporária, uma vez que novos filmes podem ser descobertos e integrados à sua filmografia.

1913:
The Old Monk’s Tale (1913) (estreia não-creditado)
The Twelfth Juror (1913) (não-creditado)
Cupid in a Dental Parlor (1913) (não-confirmado)
Hulda of Holland (1913) (uncredited)
His Chum the Baron (1913) (não-confirmado)
A Little Hero (1913) (não-creditado)
Rory o’ the Bogs (1913) (não-creditado)

1914:
Twixt Love and Fire (1914) – também estrelando Fatty Arbuckle
Sealed Orders (1914) (não-confirmado)
Samson (1914) (não-creditado)
The Sandhill Lovers (1914) (como Hal Lloyd)
The Patchwork Girl of Oz (1914) (não-creditado)

1915:
Beyond His Fondest Hopes (1915)
Pete, the Pedal Polisher (1915)
Close-Cropped Clippings (1915)
Hogan’s Romance Upset (1915) (não-creditado)
Willie Runs the Park (1915)
Just Nuts (1915) – como Willie Work
Love, Loot and Crash (1915) (não-creditado)
Their Social Splash (1915)
Miss Fatty’s Seaside Lovers (1915) – também estrelando Fatty Arbuckle
From Italy’s Shores (1915)
Court House Crooks, or Courthouse Crooks (1915) (não-creditado)
The Hungry Actors (1915)
The Greater Courage (1915)
A Submarine Pirate (1915) – Cook

COMO LONESOME LUKE:
1915:
Spit-Ball Sadie (1915)
Terribly Stuck Up (1915)
A Mixup for Mazie (1915)
Some Baby (1915)
Fresh from the Farm (1915)
Giving Them Fits (1915)
Bughouse Bellhops (1915)
Tinkering with Trouble (1915)
Great While It Lasted (1915)
Ragtime Snap Shots (1915)
A Foozle at the Tee Party (1915)
Ruses, Rhymes and Roughnecks (1915)
Peculiar Patients’ Pranks (1915)
Lonesome Luke, Social Gangster (1915)

1916:
Lonesome Luke Leans to the Literary (1916)
Luke Lugs Luggage (1916)
Lonesome Luke Lolls in Luxury (1916)
Luke, the Candy Cut-Up (1916)
Luke Foils the Villain (1916)
Luke and the Rural Roughnecks (1916)
Luke Pipes the Pippins (1916)
Lonesome Luke, Circus King (1916)
Luke’s Double (1916)
Them Was the Happy Days! (1916)
Luke and the Bomb Throwers (1916)
Luke’s Late Lunchers (1916)
Luke Laughs Last (1916)
Luke’s Fatal Flivver (1916)
Luke’s Society Mixup (1916)
Luke’s Washful Waiting (1916)
Luke Rides Roughshod (1916)
Luke, Crystal Gazer (1916)
Luke’s Lost Lamb (1916)
Luke Does the Midway (1916)
Luke Joins the Navy (1916)
Luke and the Mermaids (1916)
Luke’s Speedy Club Life (1916)
Luke and the Bang-Tails/Luke and the Bangtails (1916)
Luke, the Chauffeur (1916)
Luke’s Preparedness Preparations (1916)
Luke, the Gladiator (1916)
Luke, Patient Provider (1916)
Luke’s Newsie Knockout (1916)
Luke’s Movie Muddle/The Cinema Director (1916)
Luke, Rank Impersonator (1916)
Luke’s Fireworks Fizzle (1916)
Luke Locates the Loot (1916)
Luke’s Shattered Sleep (1916)

1917:
Lonesome Luke’s Lovely Rifle (1917)
Luke’s Lost Liberty (1917)
Luke’s Busy Day (1917)
Luke’s Trolley Troubles (1917)
Lonesome Luke, Lawyer (1917)
Luke Wins Ye Ladye Faire (1917)
Lonesome Luke’s Lively Life (1917)
Lonesome Luke on Tin Can Alley (1917)
Lonesome Luke’s Honeymoon (1917)
Lonesome Luke, Plumber (1917)
Stop! Luke! Listen! (1917)
Lonesome Luke, Messenger (1917)
Lonesome Luke, Mechanic (1917)
Lonesome Luke’s Wild Women (1917)
Lonesome Luke Loses Patients (1917)
Birds of a Feather (1917)
From Laramie to London (1917)
Love, Laughs and Lather (1917)
Clubs Are Trump (1917)
We Never Sleep (1917)

COMO O “GLASSES”/”ÓCULOS” (PERSONAGEM TAMBÉM CONHECIDO POR”THE BOY”/”O GAROTO”)
1917:
Over the Fence (1917)
Pinched (1917)
By the Sad Sea Waves (1917)
Bliss (1917)
Rainbow Island (1917)
The Flirt (1917)
All Aboard (1917)
Move On (1917)
Bashful (1917)
Step Lively (1917)
The Big Idea (1917)

1918:
The Tip (1918)
The Lamb (1918)
Hit Him Again (1918)
Beat It (1918)
A Gasoline Wedding (1918)
Look Pleasant, Please (1918)
Here Come the Girls (1918)
Let’s Go (1918)
On the Jump (1918)
Follow the Crowd (1918)
Pipe the Whiskers (1918)
It’s a Wild Life (1918)
Hey There! (1918)
Kicked Out (1918)
The Non-Stop Kid (1918)
Two-Gun Gussie (1918)
Fireman Save My Child (1918)
The City Slicker (1918)
Sic ‘Em, Towser (1918)
Somewhere in Turkey (1918)
Are Crooks Dishonest?/Doing, Doing, Done (1918)
An Ozark Romance (1918)
Kicking the Germ Out of Germany (1918)
That’s Him (1918)
Bride and Gloom (1918)
Two Scrambled (1918)
Bees in His Bonnet (1918)
Swing Your Partners (1918)
Why Pick on Me? (1918)
Nothing but Trouble (1918)
Back to the Woods (1918)
Hear ‘Em Rave (1918)
Take a Chance (1918)
She Loves Me Not (1918)

1919:
Wanted – $5,000 (1919)
Going! Going! Gone! (1919)
Ask Father (1919)
On the Fire, aka. The Chef (1919)
I’m on My Way (1919)
Look Out Below (1919)
The Dutiful Dub (1919)
Next Aisle Over (1919)
A Sammy in Siberia (1919)
Just Dropped In (1919)
Young Mr. Jazz (1919)
Crack Your Heels (1919)
Ring Up the Curtain/Back-Stage! (1919)
Si, Senor (1919)
Before Breakfast (1919)
The Marathon (1919)
Pistols for Breakfast (1919)
Swat the Crook (1919)
Off the Trolley (1919)
Spring Fever (1919)
Billy Blazes, Esq. (1919) – como Billy Blazes (paródia aos westerns da época)
Just Neighbors (1919)
At the Old Stage Door (1919)
Never Touched Me (1919)
A Jazzed Honeymoon (1919)
Count Your Change (1919)
Chop Suey & Co. (1919)
Heap Big Chief (1919)
Don’t Shove (1919)
Be My Wife (1919)
The Rajah (1919)
He Leads, Others Follow (1919)
Soft Money (1919)
Count the Votes (1919)
Pay Your Dues (1919)
His Only Father (1919)
Bumping Into Broadway (1919)
Captain Kidd’s Kids (1919)
From Hand to Mouth (1919)

DÉCADA DE 20:
His Royal Slyness (1920)
Haunted Spooks (1920)
An Eastern Westerner (1920)
High and Dizzy (1920)
Get Out and Get Under/My Beautiful Automobile (1920)
Number, Please? (1920)
Now or Never (1921)
Among Those Present (1921)
I Do (1921)
Never Weaken (1921)
Dogs of War (1923) (filmada simultaneamente a “Why Worry?”, onde Lloyd interpreta a si mesmo)

LONGA-METRAGENS SILENCIOSOS:
A Sailor-Made Man (1921)
Grandma’s Boy (1922)
Doctor Jack (1922)
Safety Last! (1923)
Why Worry? (1923)
Girl Shy (1924)
Hot Water (1924)
The Freshman (1925)
For Heaven’s Sake (1926)
The Kid Brother (1927)
Speedy (1928)

LONGA-METRAGENS SONOROS:
Welcome Danger (1929)
Feet First (1930)
Movie Crazy (1932)
The Cat’s-Paw (1934)
The Milky Way (1936)
Professor Beware (1938)
The Sin of Harold Diddlebock (1947)
Mad Wednesday (1950)
Harold Lloyd’s World of Comedy (1962) (antologia de cenas de seus filmes mais famosos)
The Funny Side of Life (1963) (outra antologia, produzida por Harold Lloyd)

Uma resposta

  1. Muito justo e correto os jovens comentarem e lerem sobre esse grande ator. Parabéns pelo belo trabalho.

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