Filmes: A Marca da Maldade (1958)

A MARCA DA MALDADE
Título Original: Touch of Evil
Origem: Estados Unidos
Ano: 1958
Duração: 95 min.
Direção: Orson Welles
Elenco: Charlton Heston, Vivien Leigh, Orson Welles, Marlene Dietrich, Akim Tamiroff, Zsa ZsaGabor, Joseph Calleia, Joanna Moore, Ray Collins, Dennis Weaver.
Sinopse:
Na fronteira do México, o policial mexicano Ramon Miguel Vargas e sua esposa norte-americana em lua-de-mel se envolvem com a corrupta polícia local e uma gangue de narcotraficantes.

Depois de um breve exílio na Europa, o filme marcou o retorno de Welles à Hollywood em excelente forma, graças à intervenção de Charlton Heston, que insistiu que ele também dirigisse o filme (no caso, Welles recebeu apenas pela atuação, tendo dirigido o filme praticamente de graça) e mesmo com os problemas de produção, desentendimentos entre o diretor e os chefes dos estúdios Universal e atrasos no roteiro que foi reescrito várias vezes, o filme representa o testamento do cineasta, um atestado indiscutível de sua ousadia e perfeccionismo, estampados desde a abertura genial com um longo plano-sequência que culmina na explosão de uma bomba. Este clássico corajoso, tenso, de narrativa complexa e perturbadora é baseado em romance de Whit Masterson, uma visão crua do mundo corrupto e racista das cidades fronteiriças, mas que ganha pelas lentes de Welles contornos de cult movie. A fotografia sombria de Russell Metty, a música vibrante de Henry Mancini e as atuações memoráveis de Heston, Leigh, Tamiroff, Dietrich e do próprio Welles, além de aparições não creditadas de Joseph Cotten e Mercedes McCambridge, são outras qualidades a se destacar.

Um autêntico cult movie, com a marca de um gênio das telas

Orson Welles sempre foi um outsider, o estranho no ninho, a persona non grata para os chefões dos grandes estúdios de Hollywood. Seus filmes, sempre à frente de seu tempo, ganharam com o tempo status de cult, modelos clássicos de uma cinematografia cujo brilho permanece intocado até os dias de hoje, mas à sua época para tristeza do próprio criador de “Cidadão Kane”, foram terríveis fracassos de público, incompreendidos pelos críticos e vítimas de tesouradas por parte dos chefões de estúdio.

É o caso de “A Marca da Maldade”, magnífico produto da carpintaria wellesiana com o qual o cineasta não só narra de maneira brilhante, original e perversa um retrato exasperante da corrupção institucionalizada como também vai demolindo mitos hollywoodianos como Charlton Heston, Marlene Dietrich, Zsa Zsa Gabor e o próprio Welles – a personificação do mal, na figura do policial corrupto, assustador desde a sua primeira aparição. Graças a um exaustivo e dedicado trabalho de restauração, “A Marca da Maldade” ganhou uma versão definitiva, com suas seqüências completas e editada exatamente como Welles gostaria de ter feito, conforme o seu roteiro, por sua vez baseado no romance “Badge of Evil”, de Whit Masterson.

Diz a lenda que foi Charlton Heston quem teria convencido a Universal a levar adiante o projeto, pelo simples desejo de trabalhar com o cineasta “maldito”, e a Universal concordou, apostando no nome do astro – certeza de bilheteria graças a “Ben-Hur” e “Os Dez Mandamentos” – e na ilusão de ver o rebelde diretor “domesticado” em um típico “filme de estúdio”. Ledo engano. A princípio contratado apenas como ator, mas por interferência de Heston, que convenceu o estúdio a contratá-lo também como diretor, Welles começou fazendo mudanças significativas no roteiro, como transformar o personagem de Heston em mexicano (!!!) e deslocar o cenário para a fronteira dos Estados Unidos com o México. Os produtores não gostaram do resultado final, demitiram Welles durante a pós-produção, filmaram cenas adicionais e reeditaram o filme sem a sua participação. Quando Orson Welles soube que “A Marca da Maldade” seria reeditado, ele escreveu um manifesto apaixonado explicando como queria que o filme fosse editado. De nada adiantou e durante anos se pensou que esta carta estivesse perdida, mas na verdade ela esteve com Charlton Heston.

Depois da morte de Welles e seguindo instruções deixadas por ele, “A Marca da Maldade” finalmente teve o corte final que ele tanto desejava, graças a um exaustivo trabalho de restauração e edição de Walter Murch (“Apocalipse Now”). Agora, e com 16 minutos a mais do que a versão de 1958, as novas gerações podem apreciar este autêntico atentado aos padrões de Hollywood e que levou o produtor Albert Zugsmith ao desespero com sua temática incômoda, seu clima ambíguo, sua narrativa vigorosa e moral nebulosa. Tardiamente alçado à condição de obra-prima assim como “Cidadão Kane”, “A Dama de Shanghai”, “Macbeth”, “Soberba” e “Othelo”, “A Marca da Maldade” pode ser considerado o testamento definitivo de Welles, que o afastaria para sempre da meca do cinema.

A maturidade como cineasta se faz sentir logo no sensacional plano-seqüência de abertura, uma das mais famosas de todos os tempos, num perfeito exercício de tensão e timing cinematográfico, pontuado pela música de Henry Mancini. Welles realiza um mergulho ousado e personalíssimo, ajudado pela delirante fotografia em preto-e-branco de Russel Metty, e pelas atuações memoráveis de seu elenco de estrelas. Com travellings e closes inimagináveis, Welles construiu um filme emblemático, febril, ousado e memorável. A história simples, permitiu a Welles criar uma trama de seqüências intrincadas e personagens complexos, que transitam em um universo sombrio de corrupção, poder e truculência. O resto é puro deleite cinematográfico, delirante e visualmente arrebatador, que influenciou toda uma geração de cineastas, desde Truffaut, Godard e Wenders até os irmãos Coen.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0052311/

Sequência de Abertura:

Trailer:

Galeria de Imagens:

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