Arquivos Mensais: outubro \28\UTC 2012

Quem foi a grande atriz do cinema mudo?

Se a questão sobre qual era o melhor ator do cinema mudo ainda permanece sem resposta, em uma batalha interminável se seria Charles Chaplin ou Buster Keaton, outra questão permaneceria igualmente sem solução não fosse um nome: Lillian Gish. Quem foi a melhor atriz do cinema mudo?

Alguns se debaterão sobre Greta Garbo, Gloria Swanson, Mary Pickford ou Louise Brooks (esta última seria a minha escolha afetiva, baseada em um único filme que assisti dela, “A Caixa de Pandora”), mas em quantidade de filmes e longevidade nas telas, nenhuma dessas divas da era silenciosa de Hollywood se compara à Lillian Gish.

A carreira de Greta Garbo iniciou-se no cinema mudo, ainda em filmes produzidos na Alemanha como “The Joyless Street”, mas a sua fama – e consequentemente os seus melhores trabalhos, como “Rainha Cristina” e “A Dama das Camélias” – vieram após o advento do cinema falado. Garbo era divina. Com seus traços e sua figura majestosa, quando bem fotografada e dirigida, não havia em sua época estrela de maior luminosidade nas telas. Quando as palavras começaram a sair de sua boca, sua voz grave e rouca conquistou a todos de imediato. Mas embora tenha feito bons filmes mudos, como “A Carne e o Diabo” (“Flesh and the Devil”, que marcaria o encontro da atriz nas telas com o galã John Gilbert) – cujo papel herdou depois que Lillian Gish foi descartada por ter um salário muito alto -, Garbo nunca foi uma atriz tão completa quanto Louise Brooks ou Lillian Gish.

Mary Pickford foi sem dúvida a atriz mais popular durante a era do cinema mudo, conhecida como “America’s Sweetheart” (a primeira “Namoradinha da América” diga-se de passagem) e foi também a estrela mais bem paga de Hollywood. Nenhum ator ou atriz na época ganhava o salário que Mary Pickford ganhava. O sucesso dela, porém, não se limitou apenas a frente das câmeras. Ela produziu trinta e quatro filmes, escreveu mais de doze, foi co-fundadora da Academy of Motion Picture Arts and Sciences e, juntamente com Charles Chaplin, D.W. Griffith e Douglas Fairbanks, formou o estúdio United Artists Pictures. Ela ganhou um Oscar competitivo em 1930 por “Coquette”, que nem foi o seu melhor trabalho. Em 1976, a Academia reconheceu a importância de seu trabalho com o Lifetime Achievement Award. Se tivesse que escolher o melhor filme de Mary Pickford, este seria “My Best Girl”, de 1927. Mas a despeito de seu talento, e de sua importância para a História do Cinema, Mary Pickford não é a escolha mais sensata.

Outra diva do cinema mudo que Hollywood esqueceu é Gloria Swanson. Embora o mundo inteiro só tenha se lembrado dela nos anos 50 quando Billy Wilder a trouxe de volta aos holofotes em um papel quase auto-biográfico em “Crepúsculo dos Deuses”, Gloria foi uma das grandes atrizes do cinema mudo. “Não precisávamos de diálogos. Nós tínhamos rostos!” exclama Norma Desmond, personagem de Gloria naquele filme. Sem dúvida, Gloria foi uma figura marcante nas telas, com sua expressão trágica e olhar penetrante, e seus filmes eram sinônimos de bilheteria. Pode-se dizer, também, que ela foi uma atriz a frente de seu tempo. Seu prestígio, porém, começou a decair a partir da metade dos anos 20. Escolhas equivocadas como estrelar “Minha Rainha”, dirigido por Erich von Stroheim em 1929, acabariam por sepultar sua carreira definitivamente após o advento do som. Se existem dois filmes que definem o talento de uma atriz, os de Gloria Swanson são “Sedução do Pecado” e “Tudo pelo Amor”, pelos quais ela foi indicada ao Oscar.

Por fim, Louise Brooks. Embora, assim como Gloria Swanson, Louise tenha ficado por quase duas décadas completamente esquecida, não havia no final dos anos 20, melhor atriz do que ela no mundo. Quem assistiu “A Caixa de Pandora” e “Diário de uma Garota Perdida” pode confirmar a frase clássica do curador Henri Langlois: “Não há Garbo. Não há Dietrich. Somente há Louise Brooks!” A carreira de Louise, porém, seria destruída por suas atitudes revolucionárias, seu comportamento auto-destrutivo e seu gênio difícil. Ao abandonar a pós-produção de “Canary Muder Case”, as portas de Hollywood se fecharam para sempre para ela. O mundo só voltaria a falar em Louise Brooks décadas mais tarde, quando os dois filmes que fez na Alemanha foram redescobertos e seu talento finalmente reconhecido.

Restou apenas Lillian Gish. Pioneira das telas, Lillian atuou nos monumentos cinematográficos “O Nascimento de uma Nação” e “Intolerância”, dirigidos por D.W. Griffith, que definiram a estrutura da narrativa cinematográfica a partir daquilo que se convencionou chamar por filmes. Gish era a atriz preferida de Griffith, que ainda a escalou para outros papéis marcantes como em “Lírio Partido” e “Órfãs da Tempestade”, mas é a sua atuação no clássico “The Wind” (Vento e Areia, de 1928), dirigido por Victor Seastrom, que a capacita como a melhor atriz do cinema silencioso. Quando a maioria das atrizes da época ainda insistia em uma performance caricatural e de gestos exagerados, as atuações de Lillian eram suavizadas por um profundo trabalho psicológico, acentuando um realismo necessário para as mudanças nos métodos de atuação que iriam acontecer com o advento do cinema falado.

Lillian Gish atuou em 74 filmes antes de “O Cantor de Jazz” decretar o fim do cinema mudo. Quando Al Jolson encantou as plateias com sua voz, a popularidade de Lillian já estava em declínio. Seu último filme mudo foi em 1928, e foi justamente “O Vento”. O filme, que já aproveita efeitos sonoros para potencializar o drama e a psicologia da personagem de Lillian – uma vítima de estupro -, hoje considerado um pioneiro e clássico, na época não impressionou o público. A crítica também se dividiu entre os méritos da atuação de Lillian e aquela nova proposta de mídia que batia à porta dos estúdios como o vento do filme. A MGM dispensou Lillian logo após o seu lançamento, mas ela continou trabalhando. Suas atuações mais importantes, porém, foram em 1955, com o thriller noir “The Night of the Hunter”, ao lado de Robert Mitchum, e “Duel in the Sun”, de 1946, pelo qual ela foi indicada ao Oscar de atriz coadjuvante.

Em 1971, Lillian recebeu um Oscar honorário, reconhecida pela Academia por “sua contribuição para o progresso das imagens em movimento”. Lillian faria seu último filme em 1987, “As Baleias de Agosto”, encerrando assim a carreira mais longa de uma atriz de cinema em todos os tempos.

Atores: Harold Lloyd

HAROLD LLOYD: O GÊNIO ESQUECIDO

Nome: Harold Clayton Lloyd, Sr.
Nascimento e local: 20 de abril de 1893, Burchand, Nebraska
Morte e local: 8 de março de 1971, Beverly Hills, California
Ocupação: Ator
Nacionalidade: Norte-americana
Casamento: Mildred Davis (1923–1969)

No início de sua carreira, Harold Lloyd poderia se considerado só mais uma imitação de Chaplin, mas com roupas apertadas. Com o tempo, acabou trocando o bigodinho por um chapéu de palha e um óculos tartaruga, com certa elegância. Representava o americano médio confrontado pela freneticidade da urbanização: arranha-céus, negócios, médicos charlatões. Ele foi uma personalidade baseada na ausência de personalidade. Seu personagem – o jovem franzino, de óculos, chapéu de palha e terno, não necessariamente tímido, mas sempre desastrado – combinava uma certa densidade psicológica parecida com a de Chaplin, com uma inacreditável destreza física, tipo Keaton. Só em 1919 descobriu o fator decisivo para seu personagem: os óculos. Esta foi sua originalidade: criou um personagem absolutamente comum e apagado, a quem aconteciam as situações mais incomuns e que o faziam, sem querer, transformar-se em um super-homem.

Harold Lloyd fez 206 filmes durante a sua carreira, a grande maioria na era do cinema mudo, sendo considerado, junto com Charles Chaplin e Buster Keaton, um dos maiores comediantes da época.

Quando se trata de responder à pergunta “Quem foi o maior ator do cinema mudo”, o debate justamente resume-se a Charlie Chaplin versus Buster Keaton, de uma forma semelhante como tentar escolher entre os Beatles ou Elvis como os melhores de todos os tempos. Mas o cinema mudo, principalmente a comédia silenciosa, não foi feita apenas de Chaplin e de Keaton. Muitos hoje em dia nem sequer terão ouvido falar em Harold Lloyd, mas ele também foi grande em sua época.

Se Chaplin era o eterno vagabundo e Keaton o dândi com o rosto de pedra, o que caracterizava Harold Lloyd em seus filmes era um par de óculos sem lentes que o transformariam em astro, independentemente do personagem que interpretava nas telas: o galanteador, o caixeiro, o caipira ou o ricaço sem noção, todos pertencentes a um mundo que só ele acha que entende. De fato, provavelmente não é um exagero dizer que os óculos de Lloyd eram mais famosos do que ele. A carreira de Lloyd não foi tão prolífica quanto à de Chaplin, nem tão celebrada quanto à de Keaton, mas se pudéssemos resumir a carreira de Lloyd por um único filme (assim como “A General” representa o must para a carreira de Buster Keaton), o filme-chave de Harold Lloyd para se assistir com certeza é “O Homem-Mosca” (Safety Last!, de 1923). Embora existam filmes muito bons estrelados por Lloyd, como “Girl Shy”, “For Heaven’s Shake” ou “The Freshman”, não existe cinéfilo no mundo que não associe a imagem abaixo à figura de Harold Lloyd:

Sem dúvida, a cena mais marcante de sua carreira, na qual seu personagem escala um prédio e se pendura no ponteiro de um relógio, feita por ele mesmo sem o uso de dublês – embora mais tarde ele tenha confessado que havia colchões apoiados por andaimes alguns andares abaixo, caso ele caísse durante as filmagens. Lloyd chegou a ser chamado em sua época de “The Third Genius” (O Terceiro Gênio), em uma alusão aos seus colegas, mas dizer que era um gênio pode ter sido um exagero. Embora ele soubesse criar comédia de inspiração e de instinto, seu ângulo de visão era mais focado. Você não verá em seus filmes os delírios cênicos de Chaplin, como os anjos de “O Garoto”, ou Keaton deixando seu corpo para subir a uma tela de cinema como em “Sherlock Jr.”

Harold Clayton Lloyd, Sr. nasceu em 20 de april de 1893, e estrelou cerca de 200 comédias silenciosas e “talkies”, entre 1914 e 1947. Seus filmes freqüentemente continham sequências de grandes peripécias ou prolongadas cenas de perseguição que exploravam seus talentos físicos, pelos quais ele é mais lembrado hoje. Lloyd pendurado nos ponteiros de um relógio no alto de um prédio é uma das imagens mais marcantes do cinema, mas ele fez muitas dessas manobras perigosas por conta própria, e continuaria fazendo, apesar de ter se machucado em agosto de 1919, ao fazer fotos de divulgação para o Roach Studio. Um acidente com uma bomba confundida como um adereço resultou na perda do polegar e do dedo indicador da sua mão direita (a lesão seria disfarçada em filmes futuros com o uso de uma luva de prótese especial, embora muitas vezes a luva não passasse despercebida). A explosão foi forte o suficiente para que o diretor e cinegrafista também fossem gravemente feridos. Quando explodiu, o artefato queimou o peito e o rosto de Lloyd, ferindo seu olho. Apesar da proximidade da explosão, ele manteve sua visão.

Quando seus pais se separaram, Lloyd escolheu ficar com seu pai. Muito jovem ainda mudou-se para a California onde trabalhou para a companhia de filmes de Thomas Edison e em seguida formou uma parceria com o diretor Hal Roach, que fundaria seu próprio estúdio em 1913. Lloyd se tornaria o ator mais bem sucedido entre 1915 e 1919, em quase cem curtas produzidos pelo estúdio.

Por volta de 1918, Lloyd e Roach começaram a desenvolver seu personagem definitivo (The “Glass” character, chamado simplesmente “Harold”). O personagem teria sido criado por Roach depois que este sugeriu que Lloyd era bonito demais para fazer comédia. Anteriormente, ele havia usado um bigode falso em “Lonesome Luke”, mas os resultados não agradaram. Diferentemente de Chaplin e Keaton que viviam um único personagem, os de Lloyd nunca pertenceram a uma única classe social, e seus personagens estavam sempre se esforçando para obter sucesso e reconhecimento. Dentro dos primeiros anos da estreia do personagem, ele havia retratado camadas sociais que vão de um andarilho faminto em “From Hand to Mouth” a um socialite rico em “Captain Kidd’s Kids”.

Em 1921, Roach e Lloyd passaram a produzir comédias mais longas, que incluem o aclamado “Grandma’s Boy”, o popular “Safety Last!” e “Why Worry?”. A parceria terminaria em 1924, quando Lloyd tornou-se um produtor independente de seus próprios filmes, através da Harold Lloyd Film Corporation, com seus filmes distribuídos pela Pathé e mais tarde pela Paramount e Twentieth Century-Fox. Lloyd foi um dos membros fundadores da Academy of Motion Picture Arts and Sciences.

São desse período outros de seus filmes mais famosos:  “Girl Shy”, “The Freshman”, “The Kid Brother” e “Speedy”, seu último filme silencioso. “Welcome Danger” seria originariamente um filme mudo, mas Lloyd decidiu durante a pós-produção refazê-lo com diálogos. Todos os filmes foram enorme sucesso de público e ajudaram a consolidar seu prestígio entre os grandes realizadores do cinema mudo.

As gags de Lloyd são mais convencionais, mas nem por isso menos engraçadas, como o smoking alugado que se desfaz em pedaços durante uma dança enquanto é costurado de volta. “Lloyd era um homem comum”, escreveu Walter Kerr em seu livro “The Silent Clowns”, “como o resto de nós: normal e sem muita inspiração. Se ele queria ser um comediante de sucesso, ele teve de aprender a ser único, e aprender da maneira mais difícil.”

Roger Ebert resumiu as diferenças entre os três comediantes da seguinte forma: “Lloyd é um homem de verdade escalando um prédio; Keaton, como ele fica exatamente no local onde um prédio não vai esmagá-lo, é um instrumento do destino cósmico, e Chaplin é um visitante ao nosso universo a partir do que existe em sua mente”.

Ainda assim, gênio ou não, Harold Lloyd inspirou gerações de atores que vieram depois dele. Cary Grant modelou seu desempenho no clássico “Levada da Breca” (Bringing Up Baby) na persona de Harold Lloyd, que por sua vez, foi a base para a imitação genial de Tony Curtis em “Quanto Mais Quente Melhor” (Some Like It Hot) ou de Jerry Lewis em vários de seus filmes. E eu não seria a primeira pessoa a notar que Woody Allen tomou posse da imagem de Lloyd para criar seu próprio estilo – que pode essencialmente ser definido como Bob Hope no corpo de Harold Lloyd.

Harold Lloyd foi indicado para um Globo de Ouro no final de sua carreira, para a comédia de Preston Sturges “The Sin Of Harold Diddlebock”, de 1947 (mais tarde editado e renomeado para “Mad Wednesday”), e recebeu um Oscar honorário em 1953. Ele morreu em 8 de março de 1971, com a idade de 78 anos, vivendo tempo suficiente para ver um renascimento do interesse em sua carreira.

Tribute:

Filmografia:

Harold Lloyd sempre teve muito cuidado com seus filmes, mas muitos deles tiveram os negativos originais destruídos em um incêndio em sua propriedade em 1946. Os curtas que compõem a filmografia mais antiga de Harold Lloyd sobreviveram em vários arquivos ao redor do planeta. A lista a seguir é temporária, uma vez que novos filmes podem ser descobertos e integrados à sua filmografia.

1913:
The Old Monk’s Tale (1913) (estreia não-creditado)
The Twelfth Juror (1913) (não-creditado)
Cupid in a Dental Parlor (1913) (não-confirmado)
Hulda of Holland (1913) (uncredited)
His Chum the Baron (1913) (não-confirmado)
A Little Hero (1913) (não-creditado)
Rory o’ the Bogs (1913) (não-creditado)

1914:
Twixt Love and Fire (1914) – também estrelando Fatty Arbuckle
Sealed Orders (1914) (não-confirmado)
Samson (1914) (não-creditado)
The Sandhill Lovers (1914) (como Hal Lloyd)
The Patchwork Girl of Oz (1914) (não-creditado)

1915:
Beyond His Fondest Hopes (1915)
Pete, the Pedal Polisher (1915)
Close-Cropped Clippings (1915)
Hogan’s Romance Upset (1915) (não-creditado)
Willie Runs the Park (1915)
Just Nuts (1915) – como Willie Work
Love, Loot and Crash (1915) (não-creditado)
Their Social Splash (1915)
Miss Fatty’s Seaside Lovers (1915) – também estrelando Fatty Arbuckle
From Italy’s Shores (1915)
Court House Crooks, or Courthouse Crooks (1915) (não-creditado)
The Hungry Actors (1915)
The Greater Courage (1915)
A Submarine Pirate (1915) – Cook

COMO LONESOME LUKE:
1915:
Spit-Ball Sadie (1915)
Terribly Stuck Up (1915)
A Mixup for Mazie (1915)
Some Baby (1915)
Fresh from the Farm (1915)
Giving Them Fits (1915)
Bughouse Bellhops (1915)
Tinkering with Trouble (1915)
Great While It Lasted (1915)
Ragtime Snap Shots (1915)
A Foozle at the Tee Party (1915)
Ruses, Rhymes and Roughnecks (1915)
Peculiar Patients’ Pranks (1915)
Lonesome Luke, Social Gangster (1915)

1916:
Lonesome Luke Leans to the Literary (1916)
Luke Lugs Luggage (1916)
Lonesome Luke Lolls in Luxury (1916)
Luke, the Candy Cut-Up (1916)
Luke Foils the Villain (1916)
Luke and the Rural Roughnecks (1916)
Luke Pipes the Pippins (1916)
Lonesome Luke, Circus King (1916)
Luke’s Double (1916)
Them Was the Happy Days! (1916)
Luke and the Bomb Throwers (1916)
Luke’s Late Lunchers (1916)
Luke Laughs Last (1916)
Luke’s Fatal Flivver (1916)
Luke’s Society Mixup (1916)
Luke’s Washful Waiting (1916)
Luke Rides Roughshod (1916)
Luke, Crystal Gazer (1916)
Luke’s Lost Lamb (1916)
Luke Does the Midway (1916)
Luke Joins the Navy (1916)
Luke and the Mermaids (1916)
Luke’s Speedy Club Life (1916)
Luke and the Bang-Tails/Luke and the Bangtails (1916)
Luke, the Chauffeur (1916)
Luke’s Preparedness Preparations (1916)
Luke, the Gladiator (1916)
Luke, Patient Provider (1916)
Luke’s Newsie Knockout (1916)
Luke’s Movie Muddle/The Cinema Director (1916)
Luke, Rank Impersonator (1916)
Luke’s Fireworks Fizzle (1916)
Luke Locates the Loot (1916)
Luke’s Shattered Sleep (1916)

1917:
Lonesome Luke’s Lovely Rifle (1917)
Luke’s Lost Liberty (1917)
Luke’s Busy Day (1917)
Luke’s Trolley Troubles (1917)
Lonesome Luke, Lawyer (1917)
Luke Wins Ye Ladye Faire (1917)
Lonesome Luke’s Lively Life (1917)
Lonesome Luke on Tin Can Alley (1917)
Lonesome Luke’s Honeymoon (1917)
Lonesome Luke, Plumber (1917)
Stop! Luke! Listen! (1917)
Lonesome Luke, Messenger (1917)
Lonesome Luke, Mechanic (1917)
Lonesome Luke’s Wild Women (1917)
Lonesome Luke Loses Patients (1917)
Birds of a Feather (1917)
From Laramie to London (1917)
Love, Laughs and Lather (1917)
Clubs Are Trump (1917)
We Never Sleep (1917)

COMO O “GLASSES”/”ÓCULOS” (PERSONAGEM TAMBÉM CONHECIDO POR”THE BOY”/”O GAROTO”)
1917:
Over the Fence (1917)
Pinched (1917)
By the Sad Sea Waves (1917)
Bliss (1917)
Rainbow Island (1917)
The Flirt (1917)
All Aboard (1917)
Move On (1917)
Bashful (1917)
Step Lively (1917)
The Big Idea (1917)

1918:
The Tip (1918)
The Lamb (1918)
Hit Him Again (1918)
Beat It (1918)
A Gasoline Wedding (1918)
Look Pleasant, Please (1918)
Here Come the Girls (1918)
Let’s Go (1918)
On the Jump (1918)
Follow the Crowd (1918)
Pipe the Whiskers (1918)
It’s a Wild Life (1918)
Hey There! (1918)
Kicked Out (1918)
The Non-Stop Kid (1918)
Two-Gun Gussie (1918)
Fireman Save My Child (1918)
The City Slicker (1918)
Sic ‘Em, Towser (1918)
Somewhere in Turkey (1918)
Are Crooks Dishonest?/Doing, Doing, Done (1918)
An Ozark Romance (1918)
Kicking the Germ Out of Germany (1918)
That’s Him (1918)
Bride and Gloom (1918)
Two Scrambled (1918)
Bees in His Bonnet (1918)
Swing Your Partners (1918)
Why Pick on Me? (1918)
Nothing but Trouble (1918)
Back to the Woods (1918)
Hear ‘Em Rave (1918)
Take a Chance (1918)
She Loves Me Not (1918)

1919:
Wanted – $5,000 (1919)
Going! Going! Gone! (1919)
Ask Father (1919)
On the Fire, aka. The Chef (1919)
I’m on My Way (1919)
Look Out Below (1919)
The Dutiful Dub (1919)
Next Aisle Over (1919)
A Sammy in Siberia (1919)
Just Dropped In (1919)
Young Mr. Jazz (1919)
Crack Your Heels (1919)
Ring Up the Curtain/Back-Stage! (1919)
Si, Senor (1919)
Before Breakfast (1919)
The Marathon (1919)
Pistols for Breakfast (1919)
Swat the Crook (1919)
Off the Trolley (1919)
Spring Fever (1919)
Billy Blazes, Esq. (1919) – como Billy Blazes (paródia aos westerns da época)
Just Neighbors (1919)
At the Old Stage Door (1919)
Never Touched Me (1919)
A Jazzed Honeymoon (1919)
Count Your Change (1919)
Chop Suey & Co. (1919)
Heap Big Chief (1919)
Don’t Shove (1919)
Be My Wife (1919)
The Rajah (1919)
He Leads, Others Follow (1919)
Soft Money (1919)
Count the Votes (1919)
Pay Your Dues (1919)
His Only Father (1919)
Bumping Into Broadway (1919)
Captain Kidd’s Kids (1919)
From Hand to Mouth (1919)

DÉCADA DE 20:
His Royal Slyness (1920)
Haunted Spooks (1920)
An Eastern Westerner (1920)
High and Dizzy (1920)
Get Out and Get Under/My Beautiful Automobile (1920)
Number, Please? (1920)
Now or Never (1921)
Among Those Present (1921)
I Do (1921)
Never Weaken (1921)
Dogs of War (1923) (filmada simultaneamente a “Why Worry?”, onde Lloyd interpreta a si mesmo)

LONGA-METRAGENS SILENCIOSOS:
A Sailor-Made Man (1921)
Grandma’s Boy (1922)
Doctor Jack (1922)
Safety Last! (1923)
Why Worry? (1923)
Girl Shy (1924)
Hot Water (1924)
The Freshman (1925)
For Heaven’s Sake (1926)
The Kid Brother (1927)
Speedy (1928)

LONGA-METRAGENS SONOROS:
Welcome Danger (1929)
Feet First (1930)
Movie Crazy (1932)
The Cat’s-Paw (1934)
The Milky Way (1936)
Professor Beware (1938)
The Sin of Harold Diddlebock (1947)
Mad Wednesday (1950)
Harold Lloyd’s World of Comedy (1962) (antologia de cenas de seus filmes mais famosos)
The Funny Side of Life (1963) (outra antologia, produzida por Harold Lloyd)

Filmes: A Marca da Maldade (1958)

A MARCA DA MALDADE
Título Original: Touch of Evil
Origem: Estados Unidos
Ano: 1958
Duração: 95 min.
Direção: Orson Welles
Elenco: Charlton Heston, Vivien Leigh, Orson Welles, Marlene Dietrich, Akim Tamiroff, Zsa ZsaGabor, Joseph Calleia, Joanna Moore, Ray Collins, Dennis Weaver.
Sinopse:
Na fronteira do México, o policial mexicano Ramon Miguel Vargas e sua esposa norte-americana em lua-de-mel se envolvem com a corrupta polícia local e uma gangue de narcotraficantes.

Depois de um breve exílio na Europa, o filme marcou o retorno de Welles à Hollywood em excelente forma, graças à intervenção de Charlton Heston, que insistiu que ele também dirigisse o filme (no caso, Welles recebeu apenas pela atuação, tendo dirigido o filme praticamente de graça) e mesmo com os problemas de produção, desentendimentos entre o diretor e os chefes dos estúdios Universal e atrasos no roteiro que foi reescrito várias vezes, o filme representa o testamento do cineasta, um atestado indiscutível de sua ousadia e perfeccionismo, estampados desde a abertura genial com um longo plano-sequência que culmina na explosão de uma bomba. Este clássico corajoso, tenso, de narrativa complexa e perturbadora é baseado em romance de Whit Masterson, uma visão crua do mundo corrupto e racista das cidades fronteiriças, mas que ganha pelas lentes de Welles contornos de cult movie. A fotografia sombria de Russell Metty, a música vibrante de Henry Mancini e as atuações memoráveis de Heston, Leigh, Tamiroff, Dietrich e do próprio Welles, além de aparições não creditadas de Joseph Cotten e Mercedes McCambridge, são outras qualidades a se destacar.

Um autêntico cult movie, com a marca de um gênio das telas

Orson Welles sempre foi um outsider, o estranho no ninho, a persona non grata para os chefões dos grandes estúdios de Hollywood. Seus filmes, sempre à frente de seu tempo, ganharam com o tempo status de cult, modelos clássicos de uma cinematografia cujo brilho permanece intocado até os dias de hoje, mas à sua época para tristeza do próprio criador de “Cidadão Kane”, foram terríveis fracassos de público, incompreendidos pelos críticos e vítimas de tesouradas por parte dos chefões de estúdio.

É o caso de “A Marca da Maldade”, magnífico produto da carpintaria wellesiana com o qual o cineasta não só narra de maneira brilhante, original e perversa um retrato exasperante da corrupção institucionalizada como também vai demolindo mitos hollywoodianos como Charlton Heston, Marlene Dietrich, Zsa Zsa Gabor e o próprio Welles – a personificação do mal, na figura do policial corrupto, assustador desde a sua primeira aparição. Graças a um exaustivo e dedicado trabalho de restauração, “A Marca da Maldade” ganhou uma versão definitiva, com suas seqüências completas e editada exatamente como Welles gostaria de ter feito, conforme o seu roteiro, por sua vez baseado no romance “Badge of Evil”, de Whit Masterson.

Diz a lenda que foi Charlton Heston quem teria convencido a Universal a levar adiante o projeto, pelo simples desejo de trabalhar com o cineasta “maldito”, e a Universal concordou, apostando no nome do astro – certeza de bilheteria graças a “Ben-Hur” e “Os Dez Mandamentos” – e na ilusão de ver o rebelde diretor “domesticado” em um típico “filme de estúdio”. Ledo engano. A princípio contratado apenas como ator, mas por interferência de Heston, que convenceu o estúdio a contratá-lo também como diretor, Welles começou fazendo mudanças significativas no roteiro, como transformar o personagem de Heston em mexicano (!!!) e deslocar o cenário para a fronteira dos Estados Unidos com o México. Os produtores não gostaram do resultado final, demitiram Welles durante a pós-produção, filmaram cenas adicionais e reeditaram o filme sem a sua participação. Quando Orson Welles soube que “A Marca da Maldade” seria reeditado, ele escreveu um manifesto apaixonado explicando como queria que o filme fosse editado. De nada adiantou e durante anos se pensou que esta carta estivesse perdida, mas na verdade ela esteve com Charlton Heston.

Depois da morte de Welles e seguindo instruções deixadas por ele, “A Marca da Maldade” finalmente teve o corte final que ele tanto desejava, graças a um exaustivo trabalho de restauração e edição de Walter Murch (“Apocalipse Now”). Agora, e com 16 minutos a mais do que a versão de 1958, as novas gerações podem apreciar este autêntico atentado aos padrões de Hollywood e que levou o produtor Albert Zugsmith ao desespero com sua temática incômoda, seu clima ambíguo, sua narrativa vigorosa e moral nebulosa. Tardiamente alçado à condição de obra-prima assim como “Cidadão Kane”, “A Dama de Shanghai”, “Macbeth”, “Soberba” e “Othelo”, “A Marca da Maldade” pode ser considerado o testamento definitivo de Welles, que o afastaria para sempre da meca do cinema.

A maturidade como cineasta se faz sentir logo no sensacional plano-seqüência de abertura, uma das mais famosas de todos os tempos, num perfeito exercício de tensão e timing cinematográfico, pontuado pela música de Henry Mancini. Welles realiza um mergulho ousado e personalíssimo, ajudado pela delirante fotografia em preto-e-branco de Russel Metty, e pelas atuações memoráveis de seu elenco de estrelas. Com travellings e closes inimagináveis, Welles construiu um filme emblemático, febril, ousado e memorável. A história simples, permitiu a Welles criar uma trama de seqüências intrincadas e personagens complexos, que transitam em um universo sombrio de corrupção, poder e truculência. O resto é puro deleite cinematográfico, delirante e visualmente arrebatador, que influenciou toda uma geração de cineastas, desde Truffaut, Godard e Wenders até os irmãos Coen.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0052311/

Sequência de Abertura:

Trailer:

Galeria de Imagens: