Filmes: Scarface – A Vergonha de uma Nação (1932)

SCARFACE – A VERGONHA DE UMA NAÇÃO
Título Original: Scarface
País: Estados Unidos
Ano: 1932
Duração: 93 min.
Direção: Howard Hawks, Richard Rosson
Elenco: Paul Muni, George Raft, Boris Karloff, Ann Dvorak, Karen Morley, Osgood Perkins, C. Henry Gordon, Vince Barnett, Purnell Pratt, Tully Marshall.   
Sinopse:
Na Chicago dos anos 30, bandido sanguinário assume o controle do crime organizado e aterroriza a população.

Este clássico do gênero que definiu o ritmo e a estrutura dos filmes de gangsteres nos anos seguintes e marcou os primórdios do cinema sonoro ao conciliar som e imagem em uma narrativa realista, de forma construtiva e essencial, ainda permanece influenciando diretores ao longo das décadas. Por baixo da trama repleta de toda a violência realista, das sequências de ação e da denúncia social, o competente Hawks faz um esforçado trabalho psicológico.

Um filme ousado e que definiu um novo subgênero do cinema

Howard Hawks foi um dos principais e mais versáteis diretores do período clássico do cinema americano, dirigindo clássicos pelos gêneros aos quais visitou como screwball comedies (Levada da Breca), westerns (Rio Lobo e Rio Bravo), musicais (Os Homens Preferem as Loiras) alem de dramas, noir, sci-fi. Foi assistente de produção e direção dos principais diretores da primeira geração hollywoodiana como Cecil B. DeMille, Allan Dwan, e Marshall Neilan. O conceito de Hawks para um grande filme era “três grandes cenas, nenhuma ruim”. Um de seus melhores trabalhos no começo dos anos 1930 foi “Scarface –  A Vergonha de uma Nação”, um ousado e polêmico filme de gangster.

O período de maior censura no cinema norte-americano coincide com seu período de maior sucesso, reconhecida como a Era de Ouro Hollywoodiana. No final da década de 1920, o público americano tornou-se receoso com o retrato cada vez mais freqüente da violência, do sexo, e das ilegalidades no cinema. A Motion Picture Producers and Distributors of America (M.P.P.D.A.), em 1930, cria um código auto-regulatório denominado Prodution Code ou Hays Code que determinou padrões gerais de conduta moral, bom gosto e o quê deveria ou não ser mostrado em filmes americanos. Agindo de forma mais severa a partir de 1934, ele regulava a aparição de nudez, drogas, conteúdo moralmente inaceitável, violência. “Scarface” é um exemplo clássico da aplicação do código de censura.

Produzido por Howard Hughes e baseado no romance de Armitage Trail, claramente inspirado no mafioso Al Capone, o filme tem roteiro assinado por Ben Hecht, e acompanha a ascensão e queda do gangster Tony Camonte (Paul Muni), na Chicago dos anos 20 sob o efeito da Lei Seca. O filme que estava finalizado desde 1930 só foi liberado para exibição em 1932, pois os censores entenderam que o filme mostrava que a vida no crime era fácil demais, glorificava o estilo de vida gangster, era excessivamente violento e insinuava uma paixão incestuosa entre o gangster e a irmã, a quem ele superprotege. Diversas cenas foram re-editadas, o final refilmado. Como nenhuma destas mudanças satisfez aos censores, Howard Hawks decidiu então abandoná-las e lançou o filme sem aprovação prévia. Mesmo assim, o subtítulo “A Vergonha de uma Nação” foi adicionado ao título original e um epílogo explicativo acrescentado ao inicio do filme.

Um dos aspectos técnicos mais notáveis de “Scarface” é o excelente trabalho de fotografia de Lee Garmes e L.W. O’Connell que já anteviam a estética noir que dominariam o gênero na década seguinte com seu jogo de luz e sombras. Este clássico do gangsterismo também definiu o ritmo e a estrutura dos filmes de gangsteres nos anos seguintes e marcou os primórdios do cinema sonoro ao conciliar som e imagem em uma narrativa realista, de forma construtiva e essencial, e que ainda permanece influenciando diretores ao longo das décadas. Por baixo da trama repleta de toda a violência realista, das sequências de ação e da denúncia social, o competente diretor Howard Hawks faz um esforçado trabalho psicológico. Não há como não se identificar com o personagem de Muni, o anti-herói por excelência, o modelo de personagem que faria a fama também de James Gagney, e que o marcaria por toda a vida.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0023427/

Trailer:

Galeria de Imagens:

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