Arquivos Mensais: setembro \29\UTC 2012

Filmes: O Falcão Maltês (1941)

O FALCÃO MALTÊS
Título Original: The Maltese Falcon
Origem: Estados Unidos
Ano: 1941
Duração: 100 min.
Direção: John Huston
Elenco: Humphrey Bogart, Mary Astor, Sidney Greenstreet, Elisha Cook Jr., Peter Lorre, Gladys George, Barton MacLane, Lee Patrick, Ward Bond, Jerome Cowan.
Sinopse:
Depois de procurado por uma misteriosa e bela mulher, o detetive particular Sam Spade descobre que ela e outras pessoas estão atrás de uma valiosa estatueta.

Primeiro filme como diretor do até então roteirista John Huston, e uam das estreias mais felizes de um cineasta na história do cinema, adaptando com ousadia o livro de Dashiel Hammett, que já havia sido filmado em 1931 e 1936. O resultado foi um clássico do gênero noir, com Humphrey Bogart provando ser o melhor intérprete dos detetives deste tipo de filme. A Fotografia em preto-e-branco é primorosa, cheia de sombras e nuanças e definiu o estilo desse gênero para as décadas seguintes.

Em sua estreia na direção John Huston define um subgênero cinematografico e alça Bogart ao título de grande anti-herói do filme noir

O romance policial noir, com seu herói cínico, suas mulheres ambíguas, sua intrincada teia de intrigas e traições, surgiu ainda nos anos 20, nos livros do ex-detetive Dashiell Hammett, e embora fosse evidente a vocação cinematográfica desse tipo de narrativa, foi somente em 1941 que Hollywood forjou seu primeiro filme autênticamente noir: “O Falcão Maltês”, também conhecido no Brasil como “Relíquia Macabra”, feliz estréia na direção do até então roteirista John Huston e a terceira tentativa da Warner de realizar uma adaptação do romance.

John Huston acertou em cheio onde as versões anteriores de 1931 e 1936 falharam: mantendo-se fiel à letra e ao espírito cínico e ousado do romance, em que a ação já está praticamente decomposta em quadros semelhantes aos planos e seqüências cinematográficos. Além disso, a trama de “O Falcão Maltês” é uma espécie de síntese do gênero noir, percebido pelo seu intrincado enredo repleto de surpresas e reviravoltas que envolve o detetive de San Francisco Sam Spade (Bogart, num tipo que marcaria sua carreira), contratado por uma misteriosa mulher (Mary Astor) para ajudá-la a se apossar de uma estatueta recheada de pedras preciosas, atrás da qual também estão os escroques personagens de Sidney Greenstreet e Peter Lorre.

Mais fascinante do que todo o tratamento estético planejado para o filme – com destaque para a fotografia de Arthur Edeson, a direção de arte de Robert Haas e os figurinos de Orry-Kelly -, é acompanhar a história e ver como Humphrey Bogart conduz seu personagem por esse ninho de cobras usando toda a sua argúcia e sangue frio para escapar ileso, usando todas as armas e recursos de que dispõe, num retrato raro de uma América corrupta, obscura e violenta. Segundo a citação de que não são os atores que escolhem os personagens, e sim o contrário, Sam Spade parece ter sido criado para Bogart. Além disso, trata-se provavelmente da melhor trama noir já escrita até hoje e com suas linhas finais de roteiro entre as melhores já vistas na tela.

Ao contrário do atual gênero policial, o filme (e o estilo noir que ele inaugurou) se concentra muito mais na tensão entre quatro paredes e na brutalidade dos diálogos do que nos tiros e perseguições. A despeito de sua caracterização noturna em becos e salas mal iluminadas, com radical utilização das sombras e do claro-escuro, em parte fiel ao romance de Hammett como herança do expressionismo alemão, mas também porque, sofrendo de esparsos recursos durante a Guerra Mundial, a Warner assim disfarçava a pobreza dos cenários, “O Falcão Maltês” é uma obra-prima dentro de um universo cinematográfico peculiar e um clássico do cinema em todos os tempos.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0033870/

Trailer:

Galeria de Imagens:

Filmes: No Tempo das Diligências (1939)

NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS
Título Original: Stagecoach
País: Estados Unidos
Ano: 1939
Duração: 96 min.
Direção: John Ford
Elenco: John Wayne, Thomas Mitchell, George Bancroft, Claire Trevor, Andy Devine, John Carradine, Louise Platt, Donald Meek, Tim Holt.
Sinopse:
Uma diligência atravessa o Monument Valley, entre Tonto e Lordsburg, com 5 passageiros aos quais se reúne Ringo Kid, um pistoleiro em busca de vingança, mas no meio do caminho sofrem um violento ataque de apaches.

Clássico fundamental do mestre John Ford, modelo básico para os westerns posteriores e referência obrigatória em qualquer antologia cinematográfica, impecável em todos os níveis. Com direção precisa, bela fotografia de Bert Glennon e trilha sonora de Richard Hageman, Franke Harling, John Leipold e Leo Shuken premiada com o Oscar valorizam ainda mais esta obra prima do cinema. Foi o filme que fez a carreira de John Wayne finalmente deslanchar depois de quase uma década e meia de papéis insignificantes, e deu a Thomas Mitchell, no papel do médico bêbado que precisa fazer um parto durante a viagem das diligências, o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Baseado no conto “Stage to Lordsburg”, de Ernest Haycox, com roteiro de Dudley Nichols, consolidou o western como um dos mais importantes gêneros do Cinema. Foi refilmado em 1966, como “A Última Diligência”, e para a TV, em 1986.

A enciclopédia do western no cinema

À época do surgimento de “No Tempo das Diligências”, o western já estava com 36 anos. Adulto na idade cronológica, não o era na idade intelectual e artística. Até então, os exemplares do gênero, ou se enquadravam na categoria de produções modestas, servindo de veículo para os caubóis populares da época, como Tom Mix, Buck Jones, Hopalong Cassidy, entre outros. O filme de John Ford, apesar de este já ser um nome respeitado em Hollywood, com um Oscar na bagagem (por “O Delator”, de 1934), não tinha um alto orçamento, nem uma única estrela no elenco (John Wayne até então era um ator pouco menos que obscuro, e sua escolha para o principal papel masculino, dizem, foi uma conquista que Ford obteve depois de uma luta árdua com o produtor Walter Wanger), e apresentava uma proposta temática não convencional.

Sim, é verdade que, como observa J.L. Rieupeyrout em seu “O Western, ou o Cinema Americano por Excelência”, o filme “respeitava todos os elementos consagrados pelo uso, conservando os tiroteios e as galopadas, e, em suma todos os temas dramáticos do gênero”, mas, por outro lado, o autor ressaltava, “enriquecia-os com um conteúdo moral, social e psicológico que, sem desnaturá-los, lhes conferia uma dignidade intelectual e artística, com a qual até então o western não se preocupava”.

“No Tempo das Diligências”, à medida que procedia ao desnudamento dos passageiros de uma viagem de diligências, representando diversas categorias sociais (que sofrem um ataque de índios, o qual propicia uma sequência que entraria para a antologia das maiores do cinema), tocava em questões, como a discriminação social, a dignidade humana e profissional de pessoas postas na marginalidade. O roteiro de Dudley Nichols e Ben Hecht (este não creditado) inspirou-se em novela de Maupassant. Essa identificação com a obra do escritor francês torna-se acentuada na importância que é dada à figura da prostituta Dallas (Claire Trevor), que é a personagem principal. Ela acaba revestida de uma dimensão humana, que a coloca em posição superior às beatas que a expulsaram da cidade e à jovem esposa do oficial do Exército, que lhe torcera o nariz empinado durante a viagem. E não por acaso, a afinidade que se estabelece entre ela e Ringo Kid (Wayne) é originada por ele ser também um pária social, já que é um pistoleiro que acabara de cumprir pena na prisão. A segregação que sofrem dos demais passageiros, com exceção do médico alcoólatra (na primeira parada da diligência, ficam separados dos outros durante a refeição), os conduz a essa afinidade que evolui para o amor.

Essa simpatia, essa generosidade por pessoas ou etnias postas à margem do Sistema é um dos temas caros a John Ford. Recorde-se, a propósito, que foi ele o primeiro diretor a dar voz ativa ao índio em “Fort Apache”, isso em 1948. Outro tema sempre presente em sua obra é a amizade. Em “No Tempo das Diligências”, esse sentimento aflora entre o médico (Thomas Mitchell, por sinal, ganhador do Oscar de coadjuvante, juntamente com Claire Trevor) e o xerife (George Bancroft).

“No Tempo das Diligências”, mantém-se ainda hoje de pé por suas diversas qualidades, ao mesmo tempo em que se firma, cada vez mais, como desbravador de uma trilha temática pela qual transitaram inúmeros westerns que o sucederam, ajudando o gênero a adquirir o status artístico que um dia fez dele, na opinião de muitos críticos, o gênero cinematográfico por excelência.

Um dos mais importantes faroestes do cinema, deixou legado que transcendeu o próprio gênero

Muito mais do que um clássico absoluto, “No Tempo das Diligências” é um marco da história do cinema, um divisor de águas. Motivos para tal atribuição são muitos. Este emblemático filme de faroeste é praticamente a súmula do gênero western, reunindo todas as características do estilo de uma maneira inventiva, dando novo impulso a este formato, nos idos anos de 1939.

É curioso pensar que este filme, que ressuscitou o filão num momento onde o western era visto como um gênero ultrapassado e pouco comercial, tenha sido o responsável por revelar ao mundo a maior estrela da história dos filmes de faroeste, a encarnação do cinema de bangue-bangue em pessoa: John Wayne.

Até então um ator de filmes pouco expressivos, Wayne já havia tido suas incursões no cinema, como em “A Grande Jornada” (1930), mas nada o alavancou mais do que esta produção. Aqui se consolidaria de forma definitiva a parceria entre Wayne e o diretor John Ford, que viu naquele rapaz um tanto rude e explosivo a personificação do caubói destemido. Wayne serviu de arquétipo de herói norte-americano, do homem simples e de personalidade forte, que doma o imaculado território estadunidense como um vaqueiro domestica seu gado. E é já na sua primeira aparição neste filme, em torno dos 18 minutos, como o pistoleiro e fugitivo da cadeia Ringo Kid, o plano em que Ford enquadra seu rosto como quem anuncia o nascimento de um mito.

A saga narrada em “No Tempo das Diligências” ainda hoje tem sua originalidade. Nos Estados Unidos ambientado no Velho Oeste, com seus saloons em vilarejos interioranos, o transporte é feito via diligências, aquelas antigas cabines conduzidas por cavalos. Eis que a diligência retratada por Ford é encarregada de levar nove pessoas ao destino de “Lordsburg”, onde cada passageiro tem sua razão pessoal para estar lá. O de Ringo Kid (John Wayne), não poderia se encaixar melhor ao estilo, descendente dos filmes de perseguição e tiroteio: vingar-se dos irmãos Plummer, que assassinaram seu pai e irmão.

O grande desafio da diligência está em cruzar a aldeia dos índios Apaches – remetendo ao mote clássico do faroeste, o do coubói versus o índio. Mas Ford, que se definia como um “diretor de westerns”, raramente caia em fórmulas fáceis, e de certa forma sempre incluiu elementos de subversão ao gênero. Destes nove personagens da diligência, conhecemos o universo e o drama pessoal de cada um. Temos desde o apostador de cartas, ao traficante de bebidas, passando pelo médico alcoólatra (Thomas Mitchel ganhou o Oscar por este papel). Não há uma visão romantizada do norte-americano. Os personagens de Ford são marginalizados, outsiders, que encontram na viagem ao seio da América uma jornada a própria essência daquela nação. E os índios, como afirma o crítico Edward Buscombe (autor de livros sobre o cinema de John Ford), não são tratados de forma individual, mas simplesmente como uma força da natureza.

Mas, talvez a maior contribuição de “No Tempo das Diligências” para a sétima arte seja no que se refere a sua linguagem cinematográfica. Ford era antes de mais nada um esteta, um homem que conseguia fazer cinema de autor dentro de propostas comerciais do sistema de gêneros imposto pelos estúdios. Orson Welles, quando questionado quais seus três diretores favoritos, respondeu categoricamente: John Ford, John Ford e John Ford. “Cidadão Kane” (1941), que é considerado a maior obra-prima de toda a história do cinema, encontra sua maior influência justamente neste filme. Tudo isso simplesmente pela forma particular como Ford olhava o mundo. Aqui ele abusa dos contra-plongées, e torna notório o modo como enquadrava ambientes internos utilizando uma grande amplitude focal. Desse modo, passamos a enxergar o teto dos ambientes, utilizando-os como recursos narrativos, como signos visuais. As ações se desenrolam em planos que são verdadeiras obras pictóricas, sem grande fragmentação na edição. Janelas e portas servem para emoldurar os cenário e as paisagens que se desenrolam no horizonte – referências ao próprio cinema.

Outro aspecto que marcaria muito a concepção de “Cidadão Kane” é quanto ao uso dramático da profundidade de campo. Utilizando uma abertura de diafragma (íris) bastante fechada, Ford conseguia captar detalhes bem distantes em termos de profundidade, gerando ações que se desenrolam simultaneamente no mesmo quadro, dando uma nova dimensão ao cinema, que nasceu predominantemente chapado e sem muita perspectiva. Ford consegue isso com um sofisticadíssimo uso de luz e sombra, numa cartilha que fez a cabeça do novato Welles.

Em 1939 ainda não havia o formato Cinemascope, que permitia ao cinema o formato widescreen, com sua grande amplitude horizontal. Ford compensa isso nos diversos enquadramentos que faz nas pradarias do Monnument Valley, na divisa entre os estados de Arizona e Utah. Para compensar o formato até então quadrado do cinema, preenchia quase todo o quadro com o céu e a paisagem natural, reservando um pequeno espaço na base do para o solo, um recurso que foi utilizado inclusive no final de “E o Vento Levou, após o discurso inflamado de Scarlett O’Hara. Com isso Ford conseguiu dar uma noção visual da dimensão e da vastidão e complexidade que é o território norte-americano, com suas disputas entre homens e índios, bandidos e mocinhos. As colinas de arenito do Monnument Valley viraram símbolos do próprio faroeste. Talvez por sua perenidade, por sua capacidade de resistir ao tempo e registrar toda a história de uma nação e de um cinema – algo que “No Tempo das Diligências” representa.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0031971/

Trailer:

Filme Completo 1:

Filme Completo 2:

Galeria de Imagens:

Filmes: Scarface – A Vergonha de uma Nação (1932)

SCARFACE – A VERGONHA DE UMA NAÇÃO
Título Original: Scarface
País: Estados Unidos
Ano: 1932
Duração: 93 min.
Direção: Howard Hawks, Richard Rosson
Elenco: Paul Muni, George Raft, Boris Karloff, Ann Dvorak, Karen Morley, Osgood Perkins, C. Henry Gordon, Vince Barnett, Purnell Pratt, Tully Marshall.   
Sinopse:
Na Chicago dos anos 30, bandido sanguinário assume o controle do crime organizado e aterroriza a população.

Este clássico do gênero que definiu o ritmo e a estrutura dos filmes de gangsteres nos anos seguintes e marcou os primórdios do cinema sonoro ao conciliar som e imagem em uma narrativa realista, de forma construtiva e essencial, ainda permanece influenciando diretores ao longo das décadas. Por baixo da trama repleta de toda a violência realista, das sequências de ação e da denúncia social, o competente Hawks faz um esforçado trabalho psicológico.

Um filme ousado e que definiu um novo subgênero do cinema

Howard Hawks foi um dos principais e mais versáteis diretores do período clássico do cinema americano, dirigindo clássicos pelos gêneros aos quais visitou como screwball comedies (Levada da Breca), westerns (Rio Lobo e Rio Bravo), musicais (Os Homens Preferem as Loiras) alem de dramas, noir, sci-fi. Foi assistente de produção e direção dos principais diretores da primeira geração hollywoodiana como Cecil B. DeMille, Allan Dwan, e Marshall Neilan. O conceito de Hawks para um grande filme era “três grandes cenas, nenhuma ruim”. Um de seus melhores trabalhos no começo dos anos 1930 foi “Scarface –  A Vergonha de uma Nação”, um ousado e polêmico filme de gangster.

O período de maior censura no cinema norte-americano coincide com seu período de maior sucesso, reconhecida como a Era de Ouro Hollywoodiana. No final da década de 1920, o público americano tornou-se receoso com o retrato cada vez mais freqüente da violência, do sexo, e das ilegalidades no cinema. A Motion Picture Producers and Distributors of America (M.P.P.D.A.), em 1930, cria um código auto-regulatório denominado Prodution Code ou Hays Code que determinou padrões gerais de conduta moral, bom gosto e o quê deveria ou não ser mostrado em filmes americanos. Agindo de forma mais severa a partir de 1934, ele regulava a aparição de nudez, drogas, conteúdo moralmente inaceitável, violência. “Scarface” é um exemplo clássico da aplicação do código de censura.

Produzido por Howard Hughes e baseado no romance de Armitage Trail, claramente inspirado no mafioso Al Capone, o filme tem roteiro assinado por Ben Hecht, e acompanha a ascensão e queda do gangster Tony Camonte (Paul Muni), na Chicago dos anos 20 sob o efeito da Lei Seca. O filme que estava finalizado desde 1930 só foi liberado para exibição em 1932, pois os censores entenderam que o filme mostrava que a vida no crime era fácil demais, glorificava o estilo de vida gangster, era excessivamente violento e insinuava uma paixão incestuosa entre o gangster e a irmã, a quem ele superprotege. Diversas cenas foram re-editadas, o final refilmado. Como nenhuma destas mudanças satisfez aos censores, Howard Hawks decidiu então abandoná-las e lançou o filme sem aprovação prévia. Mesmo assim, o subtítulo “A Vergonha de uma Nação” foi adicionado ao título original e um epílogo explicativo acrescentado ao inicio do filme.

Um dos aspectos técnicos mais notáveis de “Scarface” é o excelente trabalho de fotografia de Lee Garmes e L.W. O’Connell que já anteviam a estética noir que dominariam o gênero na década seguinte com seu jogo de luz e sombras. Este clássico do gangsterismo também definiu o ritmo e a estrutura dos filmes de gangsteres nos anos seguintes e marcou os primórdios do cinema sonoro ao conciliar som e imagem em uma narrativa realista, de forma construtiva e essencial, e que ainda permanece influenciando diretores ao longo das décadas. Por baixo da trama repleta de toda a violência realista, das sequências de ação e da denúncia social, o competente diretor Howard Hawks faz um esforçado trabalho psicológico. Não há como não se identificar com o personagem de Muni, o anti-herói por excelência, o modelo de personagem que faria a fama também de James Gagney, e que o marcaria por toda a vida.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0023427/

Trailer:

Galeria de Imagens: