Filmes: Pacto de Sangue (1944)

PACTO DE SANGUE
Título Original: Double Indemnity
Origem: Estados Unidos
Ano: 1944
Duração: 107 min.
Direção Billy Wilder
Elenco: Fred McMurray, Barbara Stanwick, Edward G. Robinson, Porter Hall, Jean Heather, Tom Powers, Byron Barr, Richard Gaines.
Sinopse: Um agente de seguros encontra a atraente (e casada) Phyllis Dietrichson quando vai efetuar um negócio e ambos logo se apaixonam. Phyllis o convence a efetuar um plano para assassinar seu marido após esta fazer um seguro de vida para ele. O objetivo? Ficar com o dinheiro do seguro. Mas nem tudo dá certo na execução de tal plano.

Quando viu a atriz Barbara Stanwick caracterizada como Phyllis Dietrichson ostentando uma peruca loira horrível, um dos executivos da Paramount teria exclamado desolado: “Pedimos a Barbara Stanwick e nos mandaram George Washington!” A despeito disso, o filme de Billy Wilder não só marcou época e ajudou, como outros do período, a definir o cinema noir, como transformou a atriz, mais conhecida pelas comédias como “Bola de Fogo” ou “Adorável Vagabundo”, no improvável papel de mulher fatal. Destaque para a fotografia em preto-e-branco de John Seitz, a música de Miklós Rósza e o roteiro de Raymond Chandler, baseado em romance de James M. Cain.

Uma obra-prima do cinema noir, com a assinatura de um mestre das telas

Vienense de nascimento, mas norte-americano por opção, Billy Wilder conseguiu unir em uma carreira de quase trinta filmes e setenta roteiros, a visão objetiva e lúcida dos seus tempos de jornalista ao olhar atento e aguçado de cineasta. Poucos diretores radicados em Hollywood conseguiram, na história do Cinema, criar um painel tão verdadeiro e amplo do que se convencionou chamar “american way of life”. Desde suas comédias sofisticadas (“Se Meu Apartamento Falasse”) aos dramas sociais mais contundentes (“A Montanha dos Sete Abutres”), nada escapava às suas lentes implacáveis.

Ao lado de obras-primas como “Laura”, “Gilda”, “O Falcão Maltês” e “À Beira do Abismo”, “Pacto de Sangue” é provavelmente o filme noir que melhor reproduz o espírito desse subgênero cinematográfico, espécie de ramificação imagética das histórias policiais dos anos 30 e 40, que revitalizaram a literatura policial graças a escritores como Dashiell Hammett e Raymond Chandler, e detetives durões como Sam Spade e Philip Marlowe. “Pacto de Sangue” ajudou a definir o estilo noir como um cinema de forte impacto visual e narrativa complexa, ambígua, onde nada é o que parece ser, um universo por onde passeiam marginais, ricaços, policiais corruptos e femmes fatales. O modelo se espalhou por outros gêneros, evidenciado em uma narração que pontua os momentos mais subjetivos da trama, como na sci-fi “Blade Runner” ou em “O Homem que Não Estava Lá”, dos irmãos Coen, os melhores tradutores desse tipo de linguagem no atual cinema americano.

A loira fatal, casada e infiel Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwick) seduz o ingênuo agente de seguros Walter Neff  (Fred McMurray) durante uma visita de trabalho, e o convence a assassinar o marido dela. Ambos serão beneficiados por uma cláusula conhecida como “indenização em dobro”, que prevê o dobro do valor caso a morte do segurado seja acidental. Um plano que tinha tudo para dar certo se Barton Keyes, o chefe de Neff na Pacific All Risk, vivido por Edward G. Robinson, não suspeitasse da viúva, iniciando uma investigação para desmascarar o esquema. Baseado em um romance de James M. Cain, por sua vez inspirado em  um caso real, foi adaptado para as telas por Billy Wilder e Raymond Chandler, o autor dos livros do detetive Marlowe. No papel de Barton Keyes, o excelente Edward G. Robinson, eternamente subestimado em papéis de coadjuvante, tem a melhor atuação de sua carreira.

Em sua primeira aparição, Phyllis surge enrolada em uma toalha, explicitando o ar sedutor e fatal da personagem, a despeito da peruca horrível que a atriz Barbara Stanwick usa durante todo o filme. O primeiro diálogo entre ela e Neff é um primor de sagacidade em que ambos rebatem as frases um do outro, uma pequena amostra do que ainda está por vir. Os cacoetes do diretor ficam evidentes, sobretudo nos diálogos cortantes, no seu infalível humor negro e na sua visão cínica do mundo, características de outros de seus trabalhos. Produzido no auge da censura imposta pelo famigerado Código Hayes, Billy Wilder usa de sugestivos recursos visuais para contar essa história de sedução, adultério e assassinato.

O clima do suspense é conduzido com extremo bom gosto e eficiência pela música de Miklós Rózsa, como na sequência em que o desconfiado chefe de Neff lhe faz uma visita surpresa justo quando Phyllis aparece no corredor e ela se esconde atrás da porta. Além disso, o filme se destaca pela extraordinária fotografia em preto e branco de John Seitz, onde brilha o jogo de contrastes entre luz e escuridão, que cria sombras e reflexos num clima quase expressionista, e começa pela abertura, em que um homem de muletas caminha na direção da câmera sem ser identificado.

“Pacto de Sangue” é narrado em flashback, recurso que justifica o uso da narração em primeira pessoa, típica do gênero noir, mas com alguns momentos inspirados: logo no início, vemos o personagem de McMurray entrar no elevador e ir até o escritório, onde grava uma confissão endereçada ao chefe: “Sim, eu o matei. Eu o matei pelo dinheiro – e por uma mulher – e não fiquei com o dinheiro. Nem com a mulher. Bonito, não é?”

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0036775/

Trailer:

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