Atrizes: Audrey Hepburn

AUDREY HEPBURN: A INESQUECÍVEL ATRIZ DOS OLHOS DE GAZELA

Nome: Audrey Kathleen Ruston/Edda van Heemstra
Nascimento e local: 4 de maio de 1929, Ixelles, Bruxelas, Bélgica
Falecimento: 20 de janeiro de 1993, Tolochenaz, Suíça
Ocupação: Atriz, modelo, humanista
Nacionalidade: Belga
Casamentos: Mel Ferrer (1954 – 1968); Andrea Dotti (1969 – 1982)

Audrey era a personificação da elegância. Unia o máximo de naturalidade ao máximo de sofisticação e cativava a todos com uma vivacidade intelectual sem esnobismo. Era, sem dúvida, uma figura rara em meio à ignorância de Hollywood. “Ela é uma de nós”, sussurrou a rainha-mãe à filha Elizabeth quando apresentada à atriz. O diretor Billy Wilder deu a palavra final: “Para se tornar uma estrela de verdade, é preciso um elemento extra que Deus pode lhe dar ou não. Já se nasce com ele; não se pode aprende-lo. E Deus beijou o rosto de Audrey Hepburn”.

A Eternidade Não é para Todos…

Quando tinha dezesseis anos, Audrey Hepburn vivia em Arnhem, na Holanda. Em uma tarde de 1945 foi ao centro da cidade fazer compras em uma das poucas lojas que escaparam dos bombardeios alemães. Ao virar a esquina, ela se chocou com um soldado alemão que conduzia cinco meninas e que ordenou-lhe que se juntasse a elas, avisando que um caminhão as levaria ao quartel-general. Num segundo, ela percebeu que sua vida corria perigo e aproveitou quando seu captor se descuidou para acender um cigarro para fugir, correndo em volta do quarteirão o mais rápido que pôde até encontrar uma casa bombardeada, em cujo porão se escondeu. Exausta, adormeceu. Na escuridão, Audrey perdeu a noção das horas e quando a fome apertou, ela decidiu se arriscar e foi para casa por outro caminho. Para sua mãe, a filha já estava morta ou, como seu meio-irmão, fora enviada para campos de trabalhos forçados. Naquele lugar gelado e semi-destruído, Audrey contraiu icterícia e reumatismo. Além disso, a desnutrição sofrida durante a guerra afetou permanentemente seu metabolismo, forçando-a a fazer constantes regimes de engorda.

Oito anos mais tarde, quando aquela jovem magra e alta, dona de expressivos olhos de gazela e de um contagiante sorriso subiu ao palco para receber o Oscar por “A Princesa e o Plebeu”, ninguém na platéia poderia desconfiar que, havia tão pouco tempo, aquela figura que exalava serenidade sofrera na pele os infortúnios da Segunda Guerra Mundial. Uma das muitas lições da guerra, dizia Audrey, é que o corpo e a mente podem resistir a privações que parecem insuportáveis: “Um dia, minha tia avisou: ‘Amanhã, não teremos o que comer, então é melhor ficar na cama para manter as energias.’ Não quero parecer pretensiosa, mas desde pequena, tenho essa fé de que as coisas sempre se ajeitam”. Naquela noite, um membro da Resistência levou alimentos à família, como farinha, geléia, aveia e manteiga.

Talvez esse inabalável otimismo fosse o maior segredo de Audrey frente aos obstáculos do destino – que não foram poucos. Mas ela soube lidar com eles de forma tão iluminada que logo as coisas entravam nos eixos. Não havia histeria, escândalos, crises de depressão ou internações em clínicas de desintoxicação. Nem mesmo um câncer no cólon abalou seu ânimo. Aos 63 anos, ela enfrentou a doença com o equilíbrio de sempre, mas sobreviveu apenas três meses. Audrey Hepburn morreu durante o sono, em sua mansão na Suíça, em 20 de janeiro de 1993. Audrey era mesmo única. Não havia aquela destruidora carga dramática presente na biografia de Marilyn Monroe ou Judy Garland. Audrey tornou-se imortal por representar exatamente o oposto de tudo aquilo que Hollywood costuma simbolizar: escândalos, exageros, vulgaridade. Com uma imagem frágil, tímida e delicada, ela fugia aos estereótipos de beleza da época. Magra feito um caniço, não exibia as curvas avantajadas ou a sexualidade latente de ícones como Marilyn Monroe. Tinha algo que substituía a tudo isso: classe.

Como embaixadora da UNICEF – função que abraçou nos últimos anos -, Audrey Hepburn foi vista pela última vez na TV acariciando crianças famintas na Somália, imagens que casam perfeitamente com a do anjo que prepara o personagem de Richard Dreyfuss para a morte, em “Além da Eternidade”, de Steven Spielberg, sua última aparição no cinema. Com predicados físicos completamente opostos ao da mulher fatal, Audrey impôs um padrão de beleza em que a elegância predominava acima de tudo. Contrastava com o modelo da mulher de formas curvilíneas que imperava nos anos 50, como as sexy symbols Marilyn Monroe, Kim Novak e Jane Mansfield.

Foi entre uma temporada na Broadway, onde interpretou Gigi, da escritora francesa Colette, e uma turnê pelo interior dos EUA que a belga Edda van Heemstra Hepburn-Ruston, nascida a 4 de maio de 1929, tornou-se um ícone de Hollywood. “A Princesa e o Plebeu”, seu primeiro filme americano depois de algumas pontas em produções menores, não só conquistou súditos como recebeu deles um Oscar de melhor atriz.

Os famosos olhos de gazela exteriorizavam sua estrema feminilidade na tela, e seu corpo frágil de linhas retas era coberto com modelos que o amigo Givenchy desenhava exclusivamente para ela. Nas telas, ao lado de Humphrey Bogart e William Holden, viveu a apaixonada Sabrina no filme homônimo, foi uma princesa ao lado de Gregory Peck; dançou com Fred Astaire em “Cinderela em Paris” – onde pôde exibir toda a sua experiência adquirida nos anos em que estudou dança em Londres; foi uma freira em “Uma Cruz à Beira do Abismo”; no hitchcockiano “Charada” viveu ao lado de Cary Grant uma das duplas mais elegantes do cinema. Era infinita a gama de emoções que o rosto gracioso e iluminado de Audrey podia transmitir: das frivolidades de um texto de Truman Capote, em “Bonequinha de Luxo”, ao desafio de uma personagem cheia de nuances na versão cinematográfica de George Cukor para a peça “Pigmalião”, de Bernard Shaw, em “Minha Bela Dama”.

Sua vida não pode ser narrada como a história da Cinderela porque ela jamais foi Gata Borralheira. Filha da baronesa holandesa Ella van Heemstra e do banqueiro inglês Joseph Victor Anthony Hepburn-Ruston, ela nasceu em Bruxelas com o nome de Andrey Kathleen Ruston. Como Andrey, feminino de Andrew, era de difícil pronúncia, logo ela virou Audrey. Embora nascida na Bélgica, foi registrada como britânica. Os pais eram divorciados, e a garota herdou dois irmãos por parte da mãe.

Os primeiros anos foram privilegiados. Os Ruston moravam numa propriedade chamada castelo Santa Cecília. Criada junto aos irmãos, ela desde cedo desenvolveu um jeito moleque. Não gostava de brinca com bonecas, preferia subir em árvores e fazer travessuras. Gostava de ouvir música clássica e de ler Rudyard Kipling e Robert Luis Stevenson. Graças ao ambiente em que vivia, ela nasceu poliglota, falando inglês, francês, flamengo e holandês. Seu maior sonho era ser bailarina. A postura impecável e o andar de pluma vieram das aulas que adorava freqüentar.

Nessa época, seus pais se envolveram com sir Oswald Mosley, defensor do fascismo na Inglaterra. Quando a família se mudou para Londres, a atividade política do casal tornou-se intensa, deixando de cabelos em pé o pai da baronesa, que temia que a filha virasse nazista. Um dia, quando Audrey tinha seis anos, seu pai saiu de casa e nunca mais voltou. “Foi o maior trauma da minha vida”, recordava. “Minha mãe chorava dia e noite. Era assustador ver seu rosto coberto de lágrimas. Esse dia ficou guardado em mim, afetando meus relacionamentos. Quando me apaixonei e me casei, vivia sob o temor de ser abandonada. Aprendi que é impossível amar sem o medo da perda”. A verdade é que Joseph foi embora pelas mãos do barão que, ao que parece, ameaçou o genro com um processo por ter desviado dinheiro da família para o partido.

Quando a guerra foi declarada, a baronesa decidiu ficar com os filhos na Holanda, prevendo a invasão da Inglaterra. A ocupação inglesa nunca aconteceu, mas em 1940 os alemães invadiram a Holanda, dando início ao capítulo mais sombrio da vida de Audrey. Desde a terrível visão dos judeus sendo encaixotados em trens e levados para os campos de extermínio, passando pela fome e culminando com a execução de um tio, a fuga do irmão mais velho e o envio do outro para trabalho forçado. Além do confisco dos bens da família e das péssimas condições de vida, ela teve de interromper os estudos de balé, após o bombardeio da escola. Ao fim da guerra, Audrey voltou com a mãe à Inglaterra só para estudar dança. Aos dezessete anos e com pouca prática, seu sonho de tornar-se bailarina ficava mais distante.

“Meu Deus, esta é a minha Gigi!” exclamou a escritora francesa Collete ao deparar com Audrey nas filmagens de Monte Carlo Baby, em Mônaco. Era 1951 e as necessidades financeiras a forçaram a trabalhos como modelo e atriz, fazendo pontas em filmes insignificantes e em espetáculos musicais. Collete conseguiu que a mocinha inexperiente fosse a protagonista da versão de seu famoso romance na Broadway. O sucesso da peça foi imediato. Na época, o diretor William Wyler estava em Londres se preparando para seu próximo filme, “A Princesa e o Plebeu”, e aproveitou para testar algumas candidatas. “Eu não tinha idéia de quem era Wyler. Era muito inexperiente e fui à entrevista de farra”, ela contou. Além de estrear nas telas sob a batuta do diretor de “Ben-Hur”, ela teve a chance de contracenar com Gregory Peck. “A última coisa que uma atriz deve ser é tímida, e sou muito tímida”, admitiu. “Morria de medo de entrar em cena e não tinha técnica nenhuma”.

Audrey teve aquela sorte que persegue as pessoas de alma iluminada: interpretar uma princesa. Segundo a figurinista Edith Head, “ela tinha pose de duquesa de Windsor”. Sua atuação foi tão encantadora que Peck exigiu que seu nome fosse colocado ao lado do seu no cartaz. As filmagens em Roma foram descontraídas, como a cena em que ela vai à Boca da Verdade, uma relíquia esculpida no Coliseu, e o ator decidiu assusta-la. “A lenda diz que ali dentro há um monstro que devora a mão de quem não diz a verdade”, Peck explicou. “Eu devia enfiar a mão na fenda e fingir que ela tinha sido comida. Audrey não estava preparada para o meu truque, com a mão escondida no paletó.” Houve momentos difíceis, como a cena da despedida no carro. “Eu tinha de chorar e não conseguia verter uma lágrima. Então Wyler gritou: que diabos! Não acha que já deveria saber o que é atuar?!:” O artifício funcionou: magoada, ela explodiu em lágrimas. A Academia também se rendeu ao carisma de Audrey e ela arrebatou o Oscar de atriz logo no seu primeiro filme. Foi indicada mais quatro vezes e levou um Oscar pelo conjunto da obra. “Fui praticamente jogada nessa profissão, indo de um filme a outro como se estivesse tentando alcançar a mim mesma”, analisava.

Depois de sua estréia nos cinemas, a vida de Audrey foi digna de um conto de fadas. Ela reinou absoluta, tornando-se uma das atrizes mais bem pagas da época – um milhão de dólares por filme – e provou que podia ser mais do que uma princesa: foi a filha de um motorista em Sabrina, freira em Uma Cruz à Beira do Abismo,viúva em “Charada”, florista em “Minha Bela Dama”, cega em “Um Clarão nas Trevas”, intelectual em “Cinderela em Paris” e até garota de programa em “Bonequinha de Luxo”. Truman Capote, o autor do romance em que se baseou este último, não escondeu o desgosto por não ter Marilyn Monroe no papel da sensual Holly Golightly – mas foi justamente com esse filme que a imagem da atriz ficou gravada na memória do público.

Audrey teve o privilégio de ser dirigida por Billy Wilder. King Vidor, Fred Zinneman, John Huston e Stanley Donen. Atuou ao lado de gigantes com Cary Grant, Gary Cooper, Humphrey Bogart, Fred Astaire e Henry Fonda.Ao contrário de muitas atrizes que trabalhavam a toque de caixa, ela fazia no máximo dois filmes por ano. Sua filmografia não pode ser considerada extensa: 26 produções, contando seis títulos insignificantes do início de carreira. Audrey era extremamente profissional e uma atriz dedicada, mas atuar não era prioridade em sua vida.

Por ter vivido reclusa na adolescência, Audrey teve seu primeiro romance aos 21 anos. Ela se apaixonou pelo cantor Marcel Le Bom, que se dizia um novo Maurice Chevalier, mas a carreira ascendente de ambos e a agenda lotada dele deram fim ao namoro. Com o playboy James Hanson, a coisa foi mais séria: os dois ficaram noivos, mas novamente o trabalho acabou separando-os. Durante as filmagens de Sabrina, ela descobriu o que era o estrelismo. Humphrey Bogart passava o dia reclamando por contracenar com uma atriz inexperiente. Intimidada pelos maus modos do ator, ela encontrou consolo nos braços de William Holden, com quem iniciou um romance apaixonado. “Audrey despertava sentimentos paternais nos homens”, observou Holden. Havia, porém, vários empecilhos: Holden era casado, tinha feito vasectomia e, pior, era alcoólatra (morreu em 1981, após um tombo durante uma bebedeira). O caso terminou junto com as filmagens.

Durante um coquetel na casa de Gregory Peck ela foi apresentada a Mel Ferrer, doze anos mais velho, e que despertou na atriz uma imagem de segurança. Juntos, estrelaram na Broadway a peça “Ondine”, que rendeu à Audrey o prêmio Tony. Casaram-se em 1954. Audrey nunca escondeu que queria ser mãe e esposa acima de tudo – inclusive da carreira. O casal comprou uma casa dos sonhos na Suíça: uma construção de 1730, próxima a Lausanne. Nessa propriedade cercada por um pomar, cheia de flores e de animais, Audrey pretendia se dedicar só à família. Mas logo ela sofreu dois abortos, que a deixaram arrasada. O marido a presenteou com o terrier Mr. Famous, que ela tratava como se fosse um filho. Quando  engravidou novamente, em 1959, ela fez repouso absoluto até dar à luz um menino, Sean Ferrer.

Audrey voltou ao estrelato, com o marido como produtor e diretor de filmes como “Um Clarão nas Trevas” e “A Flor que Não Morreu”. Mas na medida em que suas carreiras evoluíam em sentido contrário, Mel tornou-se ciumento do sucesso de Audrey e também de suas finanças e compromissos. Dizem que o ponto final do casamento de treze anos teria sido o romance que ela teve com Albert Finney nos sets de “Um Caminho para Dois”.

Desiludida, Audrey saiu num cruzeiro pela Grécia – e nele conheceu o psiquiatra italiano Andrea Dotti. Se no cinema ela contracenava com homens que poderiam ser seu pai, na vida real ela tinha uma queda pelos mais jovens. Nove anos mais moço e ultra-romântico, Dotti parecia ter a palavra “playboy” escrita na testa. Carente, ela caiu na rede e eles se casaram.

Em 1968, no auge da carreira, Audrey deixou o cinema para se tornar a Sra. Dotti. Deu à luz outro menino, Luca, e parecia feliz. “Não sinto falta do trabalho. Acho divino poder dormir de manhã e ficar esperando os meninos voltarem da escola”, declarava. O problema é que Dotti revelou-se um legítimo Don Juan e volta e meio era visto com outras mulheres. Seu retorno ao cinema, oito anos depois, tenha sido um modo de espairecer. Embora filmes como “Robin e Marian” não tenham feito muito sucesso, ela foi recebida de braços abertos pela crítica. “Aguintei tanto tempo com Dotti por causa de Luca. Não queria que ele crescesse sem pai, como eu”, disse ao fim do casamento de dez anos.

Recém-separada e já na casa dos cinqüenta, ela parecia decidida a não ficar sozinha. O eleito da vez foi Bem Gazarra, seu par em “Muito Riso e Muita Alegria”. Dizem que ela o perseguiu com tanta voracidade pelos sets que, assustado, o ator decidiu desencoraja-la, aparecendo sempre acompanhado de uma jovem. Audrey, porém, logo conheceu o ator alemão Robert Wolders, oito anos mais novo. Eles nunca se casaram, mas em Wolders ela encontrou o homem capaz de devolver seu amor. “Para Robby, tudo está bom, se estiver comigo. Demorei a vida toda para acha-lo, mas antes tarde do que nunca”.

Em 1953, quando se preparava para fazer “Sabrina”, Audrey foi a Paris conversar com o jovem estilista Hubert de Givenchy. Informado de que Miss Hepburn assistiria ao lançamento de sua coleção, Givenchy se preparou para receber a estrela Katharine Hepburn – e ficou desapontado quando em seu lugar entrou Audrey. No mesmo dia, porém, deram início a uma amizade para toda a vida. “Givenchy ficou do meu lado nos bons e nos maus momentos. Posso estar em qualquer parte do mundo: ele sempre estará junto. Num buquê de flores, num bilhete, num telegrama, numa palavra”, ela contou. “Audrey me inspira. Ela sabe o que quer e o que lhe cai bem. É impecável”, derramava-se Givenchy.

Audrey tornou-se a vitrine do amigo que, para ela, criou modelos que ditaram moda. A atriz ficou furiosa quando a figurinista Edith Head não deu crédito a ele ao levar o Oscar por “Sabrina”. Afinal, as calças cigarettes copiadas por todas as jovens eram mérito do amigo. Foi com o pretinho usado em “Bonequinha de Luxo” que ela causou o maior impacto: as mulheres passaram a usar vestidos pretos e curtos, penteados em forma de colméia e enormes óculos escuros.

Ao encerrar a era das mulheres exuberantes, Audrey abriu espaço para a simplicidade e a elegância. Nos sets, não tinha chiliques: “Era trabalhadora, pontual, sensível e modesta”, elogiava George Cukor, diretor de Minha Bela Dama. Com seu jeito de princesa, ela conquistou o respeito da imprensa, que não tinha coragem de esmiuçar sua privacidade. Audrey, porém, possuía suas manias. Quando filmava em locação, fazia uma mudança de dezenas de volumes. Lavava roupas de cama e mesa, talheres, a louça mais apreciada, além de quadros, livros, fotografias e discos preferidos. Ela também soube usar sua influência, quando exigiu a demissão do cinegrafisa Claude Renoir ao ver William Holden envelhecido no copião de “Quando Paris Alucina”.

Como toda lady que se preza, Audrey fumava de piteira, andava com leveza e tinha um cachorrinho que borrifava de perfume e carregava no colo. Mas por trás da imagem glamourosa, havia uma personalidade incomum. Introspectiva e generosa, ela parecia nunca pensar em si mesma. Educada com rigidez, não se esquecia dos ensinamentos da baronesa: “Lembre-se sempre dos outros primeiro. Não fale de si mesma. Você não é interessante. Os outros é que importam”. Audrey conta que a mãe não era das mais carinhosas. “Um dia ela disse: para quem não tem talento, é extraordinário onde você conseguiu chegar”, recordou. Por trás daquele sorriso tão suave existia, portanto, uma alma cheia de carências e de inseguranças.

Foi por minha mãe que eu comecei a trabalhar, e minha maior alegria foi poder ajuda-la, e ao meu pai”, afirmou. Quando estava casada com Ferrer, Audrey reencontrou o Sr. Ruston. A atriz sustentou-o até o fim da vida, mas jamais recebeu carinho em troca. Não é à toa que Audrey adorava tanto os animais e as crianças. “Não há criatura mais carinhosa que a criança, que lhe dá um sorriso sem você pedir”, comentava.

Talvez por isso Audrey tenha assumido o cargo de embaixadora da Unicef, que levou a estrela a lugares como a Etiópia e a Somália para dar apoio e carinho às crianças assoladas pela fome e pela pobreza. “Eu me preparei para esse trabalho por toda a vida, e finalmente pude realiza-lo”, dizia, Embora tenha sido o símbolo da realeza de Hollywood, coube a Steven Spielberg dar-lhe seu papel mais apropriado. Audrey estava luminosa em sua última aparição, em “Além da Eternidade” – interpretando, lógico, um anjo.

Filmografia:

1948 – Dutch in Seven Lessons (documentário)
1951 – Nous Irons à Monte Carlo
1951 – Laughter in Paradise
1951 – One Wild Oat
1951 – O Mistério da Torre (The Lavender Hill Mob)(1951)
1951 – Young Wives’ Tale
1952 – The Secret People
1952 – Monte Carlo Baby
1953 – A Princesa e o Plebeu
1954 – Sabrina
1956 – Guerra e Paz
1957 – Cinderela em Paris
1957 – Amor na Tarde
1959 – A Flor Que Não Morreu
1959 – Uma Cruz À Beira do Abismo
1960 – O Passado Não Perdoa
1961 – Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de Luxo no Brasil)
1961 – Infâmia
1963 – Charada
1964 – Quando Paris Alucina
1964 – Minha Bela Dama
1966 – Como Roubar Um Milhão de Dólares
1967 – Um Caminho Para Dois
1967 – Um Clarão Nas Trevas
1976 – Robin e Marian
1979 – A Herdeira
1981 – Muito Riso e Muita Alegria
1989 – Além da Eternidade

Trailer: Bonequinha de Luxo

Moonriver, em Bonequinha de Luxo:

Tributo:


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