Filmes: Um Corpo que Cai (1958)

UM CORPO QUE CAI
Título Original: Vertigo
Origem: Estados Unidos
Ano: 1958
Duração: 129 min.
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, Tom Helmore, Raymond Bailey.
Sinopse:
Depois da morte de um colega, detetive de polí­cia que sofre de acrofobia se aposenta. Tempos depois, ele é contratado por um conhecido para vigiar a esposa que ele acredita estar possuída pelo espírito de uma antepassada.

O ponto de partida sobrenatural, na verdade é mero pretexto para mais um exercício de suspense magistral e uma aula de cinema como as muitas que Hitchcock realizou durante quase sete décadas. Baseado no livro “D’Entre les Morts”, de Pierre Boileau e Thomas Narcejac, um complexo olhar sobre a mente humana, desde o título original e os créditos de abertura de Saul Bass (para muitos o verdadeiro artífice da sequência do chuveiro em “Psicose”), percebe-se o enorme cuidado no tratamento visual do filme, a relação entre a acrofobia do personagem de James Stewart (atuando de forma impecável, em sua quarta e última colaboração com o cineasta) e acentuada pelos efeitos de trucagem (alguns típicos da época, porém bastante eficientes), dos truques inovadores com a câmera como o travelling circular e o zoom-in, a montagem habilidosa de George Tomasini e a fotografia criativa de Robert Burks que captura em cada fotograma as mais belas paisagens de San Francisco, além de uma trilha musical magnífica de Bernard Herrmann que entraria para a história do Cinema. Muitos vêem na recriação por parte do personagem de Stewart da mulher amada através de outras alusões à obsessão do próprio cineasta em criar a sua heroína loira ideal, perdida quando Grace Kelly abandonou o Cinema para casar-se com o Príncipe de Mônaco. De qualquer forma, Hitchcock constrói uma narrativa de amor obsessivo, doentio e necrofílico fascinante, surpreendente e com um desfecho inesquecível.

Hitchcock leva o espectador a um mergulho vertiginoso na alma humana

Mundialmente conhecido como o mestre do suspense, Alfred Hitchcock atravessou vários momentos do Cinema, construindo uma filmografia invejável. Mas durante décadas, Hitchcock impediu por questões financeiras que alguns de seus filmes mais famosos fossem comercializados depois de sua estréia nos cinemas. Um desses filmes foi “Um Corpo Que Cai”, relançado nos anos 80 sob o status de cult absoluto.

Em excelente forma, Hitchcock desenvolve uma trama inquietante (baseada em livro de Pierre Boileau e Thomas Narcejac) em que o espectador (assim como o personagem de Stewart), é envolvido numa teia de suspense imprevisível. Desde os créditos de abertura de Saul Bass, o tratamento visual do filme é primoroso, com efeitos de animação, alterações cromáticas, tomadas geniais e planos criativos. A fotografia de Robert Burks e o excepcional score musical criado por Bernard Herrmann criam o clima perfeito para este triller de suspense com toques de necrofilia, obsessivo e genial.

O clima de mistério e sobrenatural é tratado com elegância e envolvente plasticidade pela fotografia de Burks, que capta em belas imagens alguns cartões postais de San Francisco (a cidade mais desaconselhável para quem sofre de acrofobia, com suas colinas e ladeiras íngremes) em momentos de grande inspiração, como nas cenas aos pés da Golden Gate ou no Parque Nacional, entre as sequóias seculares.

Hitchcock utiliza seu arsenal de recursos (planos longos, closes, deslocamentos sugestivos de câmera, tomadas em foco profundo), como nas antológicas sequências no museu e soluções criativas para demonstrar a febril obsessão do personagem de James Stewart – a sequência de sonho, com jogos de cor e efeitos de trucagem envelhecidos mas típicos da época – e o uso de cores fortes e pelo menos duas inovações – o travelling circular, com a câmera girando ao torno do casal no quarto de hotel, e o zoon-in em que a câmera acentua a sensação de vertigem sofrida pelo personagem de Stewart.

Com sua tendência peculiar para fazer o espectador de cúmplice, o cineasta antecipa o grande segredo do filme ao inserir um flashback no pensamento da mocinha do que de fato ocorreu no alto da torre do convento, mas que o personagem de Stewart só perceberá meia hora depois na cena do reconhecimento pelo colar. Nem por isso o filme perde o ritmo. Pelo contrário, o clima de tensão prossegue na sequência final, em que novamente Hitchcock surpreende a todos com um desfecho brusco, inesperado e inesquecível.

Kim Novak nunca esteve tão linda e James Stewart está impecável como o detetive ingênuo que se deixa envolver por sua personagem sedutora e misteriosa.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0052357/

Trailer:

Vertigo Prelude & Rooftop, de Bernard Herrmann:

Galeria de Imagens:

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