Filmes: O Grande Ditador (1940)

O GRANDE DITADOR
Título Original: The Great Dictator
Origem: Estados Unidos
Ano: 1940
Duração: 128 min.
Direção: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Paulette Godard, Reginald Gardiner,  Henry Daniell, Billy Gilbert, Grace Hayle, Carter DeHaven, Maurice Moscovich.
Sinopse:
Barbeiro judeu fica amnésico na Primeira Guerra Mundial. Quando retoma a consciência, O ditador Adenoide Hynkel assume o poder de Tomania, iniciando uma perseguição étnica devastadora.

Este é o primeiro longa-metragem inteiramente falado de Chaplin. Mesmo não tendo a perfeita concisão de seus filmes mudos, entrou para a história por sua coragem de criticar Adolf Hitler e qualquer tipo de fascismo em plena Segunda Guerra Mundial. Combinando humor rasgado, sátira política e crítica social, Chaplin marca época com cenas clássicas como a do ditador brincando com uma bola que simboliza o globo terrestre.

O grande discurso humanitário de Chaplin

Diz a lenda que Adolf Hitler se divertia muito assistindo a “O Grande Ditador” em seu bunker durante a Segunda Grande Guerra. Em outra lenda – nunca comprovada – ele teria até mesmo copiado o bigodinho de Carlitos. Charles Chaplin, que em diversas ocasiões sempre se mostrou não só um gênio a frente do seu tempo, mas um artista atento aos detalhes e sutilezas que passam despercebidos às outras mentes, percebeu essa semelhança física e transformou o ditador alemão no alvo principal deste clássico absoluto.

Aqui, Chaplin atua em papel duplo, e Hitler assume a forma de Adenoide Hynkel, ditador da fictícia Tomania, que invade a também fictícia Bactéria, enquanto um barbeiro judeu que nunca é referido por seu nome, dada a sua semelhança física com o ditador, perde a memória e acaba confundido com ele.

Na carreira do cineasta, “O Grande Ditador” tornou-se um divisor de águas, pois significou finalmente, mais de uma década após o advento do cinema sonoro, a rendição total de Chaplin à palavra – contra a qual se manteve resistente ainda por dois filmes, “Luzes da Cidade”, de 1931 e “Tempos Modernos”, de 1936. A despeito de toda a sua importância para o cinema, “O Grande Ditador” tem uma importância ainda maior no contexto histórico, pois através dele, Chaplin chamou a atenção do mundo inteiro para algo que muitos países, principalmente os Estados Unidos, se recusavam a enxergar. O apelo humanista de Chaplin não se calou diante das notícias que chegavam da Europa e o cineasta antecipou o seu alarme, e o fez da única forma com a qual ele sabia que poderia atingir a opinião pública – através do humor.

Nas figuras do barbeiro judeu e do ditador, Chaplin mostra toda a sua coragem em criticar Hitler e as doutrinas nazi-fascistas da época, e antecipou toda a série de atrocidades que seriam cometidas em nome dessas doutrinas recheadas de preconceito e atrocidades. Lançado em 1940, no auge do nazismo e quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, “O Grande Ditador” representou uma catarse de solidariedade, humanitarismo e esperança diante de tempos terríveis, mas também uma resposta para os críticos – que diziam que Chaplin estava restrito ao cinema mudo – de que eles estavam errados.

Em “O Grande Ditador”, as mensagens mais marcantes do filme não estavam implícitas apenas quando os diálogos davam lugar à pantomima, como quando o ditador brinca com o globo terrestre, pois quem é gênio, é gênio em qualquer forma de expressão ou de linguagem, e Chaplin não era gênio por acaso. O belíssimo discurso final, que até hoje provoca lágrimas, é a maior prova disso.

O Discurso Final de “O Grande Ditador”

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.  A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0032553/

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