Arquivos Mensais: abril \28\UTC 2012

Por Trás das Câmeras

UMA RETROSPECTIVA DOS NOMES QUE AJUDARAM A CRIAR A MAGIA DO CINEMA

I. OS GRANDES PRODUTORES

SAMUEL GOLDWYN (1882-1974)
* Responsável por levar para Hollywood escritores como Ben Hecht e Lillian Hellman, impôs seu estilo pessoal através da sociedade com Louis B. Mayer, e teve sete de suas produções indicadas ao Oscar, recebido em 1946 por “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”.

IRVING G. THALBERG (1899-1936)
* Foi chefe de produção da Metro-Goldwyn-Mayer, e transformou-se em lenda ao colocar seus maiores astros – Garbo, Wallace Beery, Joan Crawford, John e Lionel Barrymore em um “Grand Hotel”. Em 1937, emprestou seu nome ao prêmio da Academia, dedicado aos produtores que melhor contribuem à arte do cinema.

JACK WARNER (1892-1978)
* O caçula dos quatro irmãos que fundaram a Warner Bros. foi chefe de produção do estúdio durante décadas e, pessoalmente, ganhou o Oscar de Melhor Filme com “Minha Bela Dama”, de 1964.

LOUIS B. MAYER (1885-1957)
* Foi vice-presidente da MGM de 1924 a 1951, e durante este período foi o mais poderoso magnata de Hollywood e o maior salário dos EUA. Foi responsável pela ascensão da Metro no gênero dos musicais, que dominaria durante os anos 40 e 50.

DARRYL F. ZANUCK (1902-1979)
* Foi chefe de produção da 20th Century Fox e também seu presidente. Doze de suas produções foram indicadas ao Oscar de Melhor Filme, que ganhou por três vezes: “Como Era Verde o Meu Vale”, “A Luz é Para Todos” e “A Malvada”. Foi o primeiro ganhador do prêmio Irving G. Thalberg, em 1937.

DAVID O. SELZNICK (1902-1965)
* Lendário e autoritário chefão da Metro, ficou famoso pelo rigoroso controle criativo sobre os filmes que produziu, contratando artistas, técnicos e diretores, e demitindo-os à sua revelia, editando e dirigindo pessoalmente vários deles, como “E O Vento Levou”, por exemplo, pelo qual recebeu o Oscar de Melhor Filme.

ARTHUR FREED (1894-1973)
* Fez vaudeville com os irmãos Marx e consagrou-se como um gênio dos musicais. “Um Americano em Paris” e “Gigi” ganharam o Oscar de Melhor Filme, mas seu principal cartão de visitas é “Cantando na Chuva”, considerado por muitos como o melhor musical da história do cinema.

WALT DISNEY (1901-1966)
* Criou Mickey Mouse em 1928, o primeiro sucesso de um império que se tornou sinônimo de animação e entretenimento, em várias escalas. Inovou, renovou e estabeleceu técnicas e modelos para o cinema de animação, até 196, quando faleceu. Mas o império que criou permanece até hoje como a maior fábrica de sonhos de Hollywood.

II. OS GRANDES COMPOSITORES

BERNARD HERRMANN
* O maestro levado para Hollywood por Orson Welles compôs a música de “Cidadão Kane”, de 1941, pelo qual foi indicado ao Oscar, que conquistou por “O Homem Que Não Vendeu a Alma”, naquele mesmo ano. Colaboraou com Hitchcock em 8 de seus filmes, incluindo “Psicose” e “Um Corpo Que Cai”, considerado por muitos o seu tabalho mais inspirado. Seu último trabalho foi em “Taxi Driver”, de Scorsese, falecendo pouco antes do lançamento do filme, em 1975.

ALFRED NEWMAN
* O versátil e prolífico compositor ganhou seu primeiro Oscar por “A Epopéia do Jazz”, de 1938, e repetiu o feito com “A Vida é Uma Canção”, “A Canção de Bernardete”, “E os Anos se Passaram”, “Meu Coração Canta”, “Sua Excelência, a Embaixatriz”, “Suplício de uma Saudade”, “O Rei e Eu” e “Camelot”. Também foi responsável pela música de “Como Era Verde o Meu Vale”, “A Luz é Para Todos” e “A Malvada”, todos premiados com o Oscar de Filme.

NINO ROTA
* De 1951 a 1979, compôs a música de 15 filmes de Federico Fellini – formalizando a mais célebre parceria do gênero no cinema. Expoente máximo entre os grandes compositores de seu país, conquistou o Oscar em 1974 pelo score de “O Poderoso Chefão 2”, e apesar de ser o autor de inúmeras partituras belíssimas, será sempre lembrado pelo tema solene do filme de Francis Ford Coppola.

MAX STEINER
* Foi chefe do Departamento de Música da RKO, pelo qual ganhou seu primeiro Oscar em 1935 por “O Delator”. O célebre autor da música de “E o Vento Levou” (incluindo “Tara’s Theme”) não ganhou o Oscar naquele ano, mas entrou definitivamente para a galeria dos temais inesquecíveis do cinema. Autor da música de “Casablanca” e “Émile Zola”, ganharia o Oscar mais duas vezes, por “Estranha Passageira” e “Desde que Partiste”.

HENRY MANCINI
* Um dos mais populares e versáteis compositores do cinema, consagrou-se com temas antológicos como “A Pantera Cor de Rosa” e “O Passo do Elefantinho” de “Hatari!”, mas o score pelo qual será eternamente lembrado é o de “Bonequinha de Luxo”, de 1961, pela qual recebeu o Oscar de Música e de Canção (a inesquecível “Moon River”, composto por ele e com letras de Johnny Mercer). Faleceu em 1994, mas ganharia outro Oscar, por “Victor ou Vitória?”, de 1982.

JOHN WILLIAMS
* De formação clássica, o maestro estabeleceu com George Lucas e, principalmente, com Steven Spielberg, as parcerias mais premiadas dos últimos tempos. São dele as partituras antológicas de “Guerra na Estrelas”, “Tubarão”, “E.T. O Extraterrestre” e “Caçadores da Arca Perdida”, só para citar algumas. No entanto, ganhou seu primeiro Oscar com “Um Violinista no Telhado”, de 1971.

DIMITRI TIONKIM
* O famoso compositor se consagrou como um dos mais talentos músicos do cinema, responsável por partituras inesquecíveis como a de “Matar ou Morrer”, “Um Fio de Esperança” e “O Velho e o Mar”, pelos quais conquistou o Oscar, além de outros trabalhos importantes, como “Do Mundo Nada se Leva”.

HERBERT STOTHART
* A sua maior proeza foi “roubar” o Oscar que todos davam por certo que iria para Max Steiner em 1939 por “E o Vento Levou”, mas as partituras que compôs para “O Mágico de Oz” escreveram seu nome na lista de premiados da Academia. Também é o responsável pela música de “O Grande Motim” e “Rosa da Esperança”, ambos premiados como Melhor Filme.

JOHN BARRY
* Ficou famoso nos anos 60 graças ao score de “Perdidos na Noite”, principalmente a clássica canção-tema “Midnight Cowboy”, mas o primeiro Oscar veio já em 1966, com a partitura de “A História de Elza”. Repetiria o feito com “O Leão no Inverno”, de 1968, e “Entre Dois Amores”, de 1985. Porém, o que lhe deu fama foram as partituras que compôs para os filmes da série James Bond, além do romântico “Em Algum Lugar do Passado”.

FRANZ WAXMAN
* Famoso pela partitura de “Rebecca, a Mulher Inesquecível”, de Alfred Hitchcock, atingiu o máximo da carreira quando ganhou o Oscar pela extraordinária partitura de “Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder, em 1950, e repetir o feito com o excelente score de “Um Lugar ao Sol”, em 1951.

MIKLOS ROZSA
* Consagrou-se como compositor de épicos notáveis como “El Cid” e “Ben-Hur”, pelo qual ganhou o Oscar em 1959, mas também ficou famoso pelas partituras de “Farrapo Humano”, “Quando Fala o Coração” e “Fatalidade”, essas duas últimas premiadas também com o Oscar.

ENNIO MORRICONE
* Versátil e brilhante, em mais de 40 anos, compôs partituras para centenas de filmes, dos mais diferentes gêneros, inclusive a ficção científica B “O Humanóide”, mas consagrou-se com os westerns spaguetti de Sergio Leoni, principalmente pela clássica partitura de “Era Uma Vez no Oeste”. Trabalhou com grandes diretores: os irmãos Taviani, Pasolini, Bertolucci, Monicelli, Tornatore, entre outros.

VICTOR YOUNG
* Menos conhecido, mas um dos mais completos compositores do cinema, ficou famoso pela envolvente partitura de “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, de 1956, pela qual recebeu seu único Oscar, depois de 19 vezes indicado. Não pôde recebê-lo pessoalmente, pois faleceu quatro meses antes da cerimônia de premiação. Entre outras partituras memoráveis, compôs a de “O Maior Espetáculo da Terra”, de Cecil De Mille.

ANDRÉ PREVIN
* Reinou absoluto entre os compositores nos anos 60, mas sua contribuição vem de antes. É dele a direção musical de “Gigi”, um dos grandes musicais de Arthur Freed para a Metro, pela qual ganhou o Oscar. Repetiu o feito com “Porgy e Bess”, a ópera de George Gershwin dirigida por Otto Preminger em 1959, e por “Irma La Douce”, de 1963. Será lembrado eternamente pelo magistral tratamento que deu às canções de “Minha Bela Dama”, de 1964, pelo qual recebeu mais um Oscar.

MAURICE JARRE
* Famoso sobretudo pela parceria que manteve com o diretor David Lean e que resultou em 3 prêmios Oscar de melhor Música, por “Lawrence da Arábia”, “Passagem Para a Índia” e o mais famoso de todos, o inesquecível “Tema de Lara” que compôs para “Dr. Jivago”.

III. FIGURINOS

EDITH HEAD (1907-1981)
* Com suas 35 indicações ao Oscar e 8 estatuetas recebidas (a categoria de Melhor Figurino só foi criada a partir de 1948), Edith Head tornou-se a mais importante figurinista de Hollywood, responsável por vestir nas telas estrelas como Jean Harlow, Mae West, Elizabeth Taylor, Grace Kelly, Bette Davis e Audrey Hepburn. Os Oscars que recebeu: “Tarde Demais”, “Sansão e Dalila”, “A Malvada”, “Um Lugar ao Sol”, “A Princesa e o Plebeu”, “Sabrina”, “Jogo Proibido do Amor” e “Golpe de Mestre”.

IV. DIRETORES DE FOTOGRAFIA

KARL FREUND
* O lendário diretor de fotografia tcheco, notabilizou-se pelas imagens de clássicos do expressionismo alemão, como “Metrópolis”, de Fritz Lang, de 1926. Em 1931, fugindo do nazismo, chegou aos Estados Unidos, onde encerrou a carreira, tornando um dos maiores mestres da cãmera de todos os tempos. Ganhou seu único Oscar por “Terra dos Deuses”, de 1937.

ROBERT BURKS
* O fotógrafo favorito de Alfred Hitchcock, foi seu colaborador mais fiel: 12 filmes do mestre do suspense: “Pacto Sinistro”, “A Tortura do Silêncio”, “Disque M Para Matar”, “Janela Indiscreta”, “O Terceiro Tiro”, “O Homem que Sabia Demais”, “O Homem Errado”, “Um Corpo Que Cai”, “Intriga Internacional”, “Os Pássaros”, “Marnie – Confissões de uma Ladra” e “Ladrão de Casaca”, pelo qual ganhou o Oscar de Fotografia em Cores, em 1955.

GREG TOLLAND
* Aos 25 anos tornou-se o mais jovem fotógrafo de Hollywood e foi chamado por Orson Welles para trabalhar em “Cidadão Kane”, graças as experiências com profundidade de campo e movimentos de câmera. Era o fotógrafo favorito do produtor Samuel Goldwyn e considerado até hoje o melhor profissional da câmera de Hollywood. Ganhou o Oscar por “O Morro dos Ventos Uivantes”, de 1939, mas sua morte prematura em 1948, aos 44 anos, pôs fim à uma carreira brilhante.

VI. DIREÇÃO DE ARTE

CEDRIC GIBBONS
* Tornou-se um dos mais requisitados e versáteis cenógrafos da época dourada de Hollywood. Ganhou seu primeiro Oscar pela direção de arte de “A Ponte de São Luís”, de 1929. Repetiria o feito com “A Viúva Alegre” (1934), “Orgulho e Preconceito” (1940), “Flores do Pó” (1941), “À Meia Luz” (1944), “Virtude Selvagem” (1946), “Quatro Destinos” (1949), “Sinfonia de Paris” (1951), “Assim Estava Escrito” (1952), “Júlio César” (1953) e “Marcado Pela Sarjeta” (1956).

Grandes Clássicos: Cidadão Kane (1941)

CIDADÃO KANE
Título Original: Citizen Kane
País: Estados Unidos
Ano: 1941
Duração: 119 min.
Direção: Orson Welles
Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles
Produção: Orson Welles
Música: Bernard Herrmann
Direção de Fotografia: Gregg Toland
Direção de Arte: Perry Ferguson e Van Nest Polglase
Figurino: Edward Stevenson
Edição: Robert Wise
Elenco:
Orson Welles (Charles Foster Kane)
Joseph Cotten (Jedediah Leland)
Dorothy Comingore (Susan Alexander)
Agnes Moorehead (Srta. Mary Kane)
Ruth Warrick (Emily Norton Kane)
Ray Collins (James “Jim” W. Gettys)
Erskine Sanford (Herbert Carter)
Everett Sloane (Bernstein)
William Alland (Jerry Thompson)
Paul Stewart (Raymond)
George Coulouris (Walter Parks Thatcher)
Fortunio Bonanova (Matiste)
Georgia Backus (Bertha)
Sinopse:
A ascensão de Charles Foster Kane, um mito da imprensa americana, de garoto pobre no interior a magnata de um império dos meios de comunicação. Inspirado na vida do milionário William Randolph Hearst.

Clássico inspirado na vida do empresári0 William Randolph Hearst, que chegou a processar Welles. Visão intrigante do poder de manipulação da opinião pública e da ambiguidade de caráter do ser humano, considerada uma das mais importantes da história do cinema. Vencedor do Oscar de roteiro original.

O melhor filme de todos os tempos


A palavra “rosebud” surge dos lábios de um homem que morre, sozinho, em sua grande mansão rodeada de imensos jardins e parques. Um noticiário cinematográfico mostra a biografia deste personagem, um poderoso magnata da imprensa norte-americana chamado Charles Foster Kane, e um jornalista recebe a missão de descobrir o significado da enigmática palavra. Para isto, entrevista um velho amigo, seu tutor econômico e sua segunda mulher, os quais reconstroem fragmentariamente algumas passagens cruciais de sua biografia. Separado dos pais durante a infância, foi educado em Chicago sob a tutela de um mentor que geriu uma fortuna multiplicada a partir da herança de uma mina. Já adulto, Kane adquiriu um pequeno jornal da cidade que, com os resultados de uma linha editorial sensacionalista, assentaria o alicerce de um verdadeiro império jornalístico. As ambições do magnata chegam ao seu ápice com o seu casamento com a filha de um senador que chegará à presidência dos Estados Unidos, porém  a sua própria carreira política como aspirante a governador se frustra ao fazer-se pública a sua aventura sentimental com uma cantora de cabaré. Kane tenta transformá-la numa grande cantora de ópera, mas a estréia dela é um fracasso e a crise sentimental estende-se à ruptura da relação com os seus melhores amigos. Isolado na sua mansão e abandonado por todos, o magnata falece com a palavra “rosebud” nos lábios. Enquanto os empregados arrumam seus objetos pessoais, a câmera mostra a origem deste mistério, que passa despercebido ao jornalista, mas confere aos olhos do público toda a nostalgia de uma infância perdida que guiou a biografia do protagonista.

O Mercury Theatre, o Rádio e o Início em Hollywood

Um manifesto publicado no New York Postado dia 29 de agosto de 1937 proclamava o nascimento do Mercury Theatre com a vontade de “produzir obras antigas que pareçam ter uma conexão emocional ou de fato com a vida moderna”. Porém, além da criação desta companhia teatral, o que realmente propôs Orson Welles foi uma marca de fábrica que, por sua vez, era uma definição de princípios sobre a sua concepção do espetáculo.

Sob a presidência de John Houseman e a vice-presidência de Welles, a companhia estava formada por um elenco de atores integrado por Joseph Cotten, George Coulouris, Agnes Moorehead, Everett Sloane, Paul Stewart, Erskine Sanford, Ray Collins e Gerald Fitzgerald. Os seus nomes associam-se a algumas das produções teatrais do Mercury – Julius Caesar, Too Much Johnson ou Danton’s Death – e aos programas de rádio que foram emitidos paralelamente sob o genérico de First Person Singular ou Mercury Theatre on the Air. Após o sucesso de “A Guerra dos Mundos” todos eles viajaram a Hollywood para reunirem-se com o cineasta no estúdio de gravação de “Cidadão Kane”, muitos deles repetiram a experiência em “Soberba” (The Magnificient Ambersons), e alguns fiéis, como Cotten, expandiram a sua relação profissional com Welles a uma amizade para toda a vida. Outros ficaram independentes do realizador, no caso de Agnes Moorehead, que adaptou a rigidez do seu físico imperturbável a melodramas como “O Prisioneiro do Passado” (Dark Passage), Desdeque Partiste (Since Your Went Away), entre outros, e Everett Sloane interveio em “A Dama de Shangai” e seguiu Welles no início do périplo de “Othello” para depois reaparecer em “A Grande Chantagem” (The Big Knife) e “Sede de Viver” (Lust for Life). Os demais se dispersaram entre papéis secundários para cinema e televisão, sem grande repercussão.

Paralelamente a suas atividades teatrais e radiofônicas, Orson Welles recebeu diversas ofertas cinematográficas. A Warner propôs-lhe um papel em “As Aventuras de Robin Hood” e a Metro ofereceu-lhe o de co-protagonista de “O Morro dos Ventos Uivantes”. Continuaram oferecendo-lhe papéis – o de Charles Laughton em “O Corcunda de Notre Dame” ou o de Spencer Tracy em “O Médico e o Monstro” – porém, o salto definitivo de Welles para Hollywood só veio após uma oferta tentadora de George J. Schaefer, presidente da RKO. O estúdio pretendia potencializar uma série de títulos de prestígio e ninguém melhor do que Welles, principalmente após a repercussão obtida com as montagens teatrais e a popularidade atingida com a sua emissão na rádio de “A Guerra dos Mundos”, para encabeçar essa política.

No dia 21 de agosto de 1939, foi assinado um contrato que entraria para a história pela liberdade absoluta que um estúdio de Hollywood conferia à criatividade de um realizador sem experiência – inclusive decisão sobre a montagem de seus filmes. Enquanto a comunidade cinematográfica reagia hostilmente contra aquele insolente intruso de 24 anos, Welles viu-se obrigado a decidir como canalizaria os meios que Hollywood tinha colocado à sua disposição. Porém, enquanto o estúdio esperava dele uma história fantástica como a dos marcianos invadindo a Terra como na adaptação radiofônica de “A Guerra dos Mundos”, Welles preferiu uma versão de “Cyrano de Bergerac”. Em outubro, o acordo foi encerrado sobre “Heart of Darkness” a partir de uma adaptação livre do romance de Joseph Conrad que, mais tarde, serviria de suporte para “Apocalipse” (Apocalipse Now) de Francis Ford Coppola. Porém, o aumento progressivo do orçamento e as repercussões da Segunda Guerra Mundial na Europa estacionaram este ambicioso projeto. Utilizando uma cláusula que lhe permitia dar a sua aprovação definitiva sobre as propostas de Welles, a RKO também desperdiçou sua adaptação do romance policial “The Smiler With a Knife”, de C. Day Lewis, por não considerá-lo à altura das expectativas despertadas.

Nasce Charles Foster Kane

Enquanto os prazos previstos no contrato para a RKO tinham sido superados, Welles soube refazer seus contratos radiofônicos que semanalmente obrigavam-no a viajar a Nova York para cumprir seus compromissos, levando-o a uma atividade criadora frenética quase auto-destrutiva. Foi então que ele não teve outro remédio e pediu socorro ao roteirista Herman Mankiewicz – com quem já tinha trabalhado em programas de rádio – para que o tirasse do sufoco e ambos chegaram ao acordo de desenvolver uma estória inspirada no magnata da imprensa William Randolph Hearst. Desde fevereiro de 1940 trocaram informações, corrigiram mutuamente suas contribuições e, depois de uma primeira versão entitulada “American”, cinco meses mais tarde estava pronto o roteiro definitivo cujas primeiras imagens se deram no final de junho, com um orçamento de 735.000 dólares.

Welles possuía escassa bagagem cinematográfica para enfrentar o desafio de dirigir o filme, mas utilizou “O Delator” e “No Tempo das Diligências”, dois filmes de John Ford que viu muitas vezes como um manual de cabeceira. Soube também cercar-se de excelentes colaboradores técnicos: o decorador Perry Ferguson, o maquiador Maurice Seiderman, o compositor Bernard Herrmann – futuro autor das melhores partituras de Alfred Hitchcock – o diretor de fotografia Gregg Toland, artífice da iluminação de “As Vinhas da Ira”, e o montador Robert Wise, que mais tarde se tornaria cineasta. Durante a filmagem, Welles submetia-se a complexas sessões de maquiagem para tornar convincentes as mudanças cronológicas vividas pelo protagonista de sua juventude até a velhice. A fratura de um tornozelo ou um corte na mão durante a cena em que Kane fica enfurecido e destrói um quarto não impediram que ele continuasse trabalhando, ganhando em Toland o colaborador perfeito que aceitou como um desafio profissional as posições inovadoras de câmera ou os efeitos de iluminação que Welles, de acordo com a sua formação teatral, solicitava a ele. Apesar de nem todos os elementos técnicos e narrativos que integram “Cidadão Kane” sejam estritamente originais, a sua procedência e, principalmente, a sua espetacular acumulação de tantas coisas transformaram o filme num autêntico catálogo de inovações, sobretudo na aplicação de seis flashbacks para reconstruir a biografia de um só personagem. Um resultado sumamente efetivo.

Welles não duvidou em copiar o estilo dos noticiários March of Time para descrever a biografia do protagonista, e aproveitou as possibilidades dramáticas da voz que tinha aprendido na frente dos microfones e o talento de Toland para traduzir em linguagem cinematográfica os recursos cênicos adquiridos no teatro. A utilização de tetos iluminados por transparência, focos com arco duplo para a iluminação das cenas interiores ou fontes de luz cenitais conferiram uma nova dimensão ao foco, que o realizador soube multiplicar com a técnica da profundidade de campo ou a colocação da câmera em lugares inusitados, oferecendo ângulos insólitos. O seu barroquismo também o impulsionou a utilizar espelhos, bem como grandes angulares distorcidos, mediante a interpolação de uma bola de cristal que anuncia a morte do protagonista ou um copo usado para a ingestão de soníferos. A sentença de Welles de que os filmes se criam na moviola fez-se cumprir em “Cidadão Kane”, não só pela sua estrutura narrativa, mas também pela articulação de diversos planos ou por uma elipse que separa a infância de Kane e o mostra já adulto.

A batalha em torno do Cidadão Kane

Em janeiro de 1941 realizou-se uma primeira projeção privada da cópia definitiva, porém entre os seus espectadores estava a colunista Louella Parsons e esta, contratada por um dos jornais de Hearst, deu a este um sobreaviso sobre as semelhanças maliciosas que, segundo ela, mantinham o protagonista do filme, Charles Foster Kane, com o próprio William Randolph Hearst. Welles concordara em caricaturizar o grande magnata da imprensa norte-americana porque tinha sido amigo do pai dele e porque ele próprio tinha estado em alguma recepção na suntuosa mansão de San Siméon. As coincidências não acabaram aí, já que Charles Lederer, sobrinho da amante de Hearst, Marion Davies, acabaria se casando com Virginia Nicholson, a primeira esposa de Welles. Além disso, alertado a respeito, o próprio Hearst tentou eliminar o filme antes de sua estréia, através de Louis B. Mayer, que ofereceu mais de 800 mil dólares à RKO para que esta destruísse os negativos e, como isso falhasse, conseguiu fazer ao menos, através de seus meios de comunicação e com o respaldo do poderoso Herry Luce, editor de Time Life, impiedoso boicote ao filme. Porém, o produtor George C. Schaefer apoiou em todos os momentos o cineasta apesar das semelhanças entre ficção e realidade: Kane e Hearst tinham nascido em 1863, tinham feito fortuna a partir de uma herança, e não era difícil identificar a amante de Kane com uma combinação entre a atriz Marion Davies e a cantora Sybil Sanderson, primeiro amor de Hearst. Além disso, a mansão de Hearst em San Siméon tinha réplica em Xanadu, a mansão de Kane, e a trajetória jornalística e política de ambos eram semelhantes em muitos pontos.

“Cidadão Kane” estreou no dia 1º de maio no RKO Palace da Broadway, com a presença de Welles acompanhado pela atriz Dolores Del Rio – sua companheira após o divórcio com Virginia Nicholson – e recebeu críticas sumamente elogiosas, assim como a Consideração Nacional de Críticos como o melhor filme do ano. No entanto, os resultados obtidos na cerimônia do Oscar – apenas a estatueta de Melhor Roteiro, que Welles dividiu com Mankiewicz, diante de nove indicações – foram justificados pela inveja que o cineasta tinha despertado entre os Membros da Academia e as repercussões do boicote provocado pelas influências de Hearst sobre a bilheteria – cento e cinqüenta mil dólares de perdas quando deixou de ser distribuído em 1942 – atrapalharam esta brilhante decolagem inicial.

O filme, antecipando-se claramente à sua época, foi ganhando adeptos ao longo do tempo. Um artigo publicado em 1971 por Pauline Kael, como prólogo à edição do roteiro, reabriu velhas feridas pois, segundo a jornalista, fora Mankiewicz e não Welles, o verdadeiro artífice do roteiro de “Cidadão Kane”, graças ao conhecimento da vida privada do magnata Hearst com sua amante Marion Davies, adquirido por ele ao longo das numerosas festas que Hearst oferecia na sua mansão de San Siméon. O debate, já falecido Mankiewicz, travou-se entre colaboradores ressentidos, o compositor Virgil Thomson e o produtor John Houseman, contra aqueles que apoiavam Welles, o crítico Peter Bogdanovich, o compositor Bernard Herrmann e o ator George Coulouris. Em carta ao Times, Welles defendeu-se, assinalando que o roteiro tinha sido resultado de uma estreita colaboração com Mankiewicz. Pesquisas recentes sobre a polêmica, corroboram a colaboração entre ambos em proporções equivalentes, embora Welles sempre reconheceu que a utilização dramática da palavra “rosebud” – “botão de rosa”, eufemismo com o qual, carinhosamente, Hearst se referia ao sexo de sua amante – como uma idéia de Mankiewicz. De qualquer forma, Welles aprendeu a lição e nunca mais voltou a dividir a ficha técnica dos seus filmes com colaboradores que, de um modo ou de outro, pudessem fazer sombra à sua gigantesca silhueta criativa.

O Melhor Filme de Todos os Tempos

Transformar o cinema em uma competição que permita elucidar definitivamente qual é o melhor filme de todos os tempos não é uma tarefa fácil. Pelo contrário, é tão complicado e polêmico quanto apontar qual é o melhor romance literário de todos os tempos ou a melhor composição musical. No entanto, de acordo com a votação convocada toda década entre dezenas de críticos de cinema do mundo todo pela prestigiada revista britânica Sight & Sound existe um dado significativo sobre suas preferências. Quando este referendo aconteceu pela primeira vez em 1952, o filme mais votado foi “Ladrões de Bicicleta”, de Vittorio de Sica. Atrás dele vinham obras-primas inquestionáveis de Chaplin, Eisenstein, D.W. Griffith ou Renoir, mas Orson Welles e seu “Cidadão Kane” – que só estreou na Europa após a Segunda Guerra Mundial – já aparecia entre os dez primeiros classificados. Uma década mais tarde, em 1962, “Cidadão Kane” ficou em primeiro lugar e, nas outras três votações que aconteceram até 1992, permaneceu neste privilegiado lugar. A Academia de Hollywood não soube reagir à altura da brilhante criação de Welles, oferecendo-lhe apenas o Oscar de Melhor Roteiro. Em 1970, porém, a Academia teve que redimir-se em outorgar um Oscar honorífico ao conjunto da obra de Orson Welles na tentativa de reparar um erro histórico. O cineasta, indomável como sempre, apenas assinalou a incongruência de tais propósitos negando-se a assistir à cerimônia.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0033467/

Trailer:

Galeria de imagens:

Grandes Clássicos: Casablanca (1942)

CASABLANCA
Título Original: Casablanca
País: Estados Unidos
Ano: 1942
Duração: 102 min.
Direção: Michael Curtiz
Produção: Hal B. Wallis (Warner)
Roteiro: Julius Epstein, Philip Epstein e Howard Koch
Música: Max Steiner
Direção de Arte: Carl Jules Weyl
Montagem: Owen Marks
Figurinos: Orry-Kelly
Elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Sydney Greenstreet, Conrad Veidt, Peter Lorre.
Sinopse:
Localizada no norte da África, a cidade de Casablanca abrigava inúmeros refugiados perseguidos pelos nazistas. Dono de um salvo-conduto, o americano Rick dirige um cabaré e reencontra Ilsa, o grande amor de sua vida, agora casada com um líder da resistência francesa. Com dois passaportes roubados e depois de confessarem que ainda se amam, Rick tem a chance de fugir com Ilsa, mas por fim a convence a fugir com o marido e a prosseguir com seus compromissos de guerra, na cena de despedida, no aeroporto, em que o auto-sacrifício de Rick se transformou no momento mais romântico da história do cinema.

Cinema do mais alto nível, com romance, intriga, suspense, uma bela canção (“As Time Goes By”, cantada por Dooley Wilson) e um elenco dos melhores que Hollywood já reuniu em um filme. Por trás disso tudo, a competência de um diretor que sabia como poucos ir de um gênero ao outro sem nunca errar na mão. “Casablanca” é um dos maiores clássicos do cinema e um dos poucos a atingir o status de cult movie absoluto. Vencedor dos Oscar de filme, roteiro adaptado e direção.

O Mais Romântico Final do Cinema

“Nós sempre teremos Paris…”
Humphrey Bogart e Ingrid Bergman

Quando Ilsa pede ao pianista Sam, vivido por Dooley Wilson, para tocar a canção “As Time Goes By”, composta por Herman Hepfeld, esta se transforma na música-símbolo do romantismo cinematográfico de todos os tempos, mas o fascínio que “Casablanca” exerce no público há mais de 60 anos vai mais além do que a sua inesquecível canção: trata-se de um cult movie, na melhor tradução do termo.

“Um Beijo é só um Beijo…”

É um filme cultuado por todos aqueles que admiram a sétima arte. O diretor Woody Allen repetiu a cena da despedida no aeroporto em uma de suas homenagens ao cinema em “Sonhos de um Sedutor”, baseado em peça teatral de sua autoria, onde Humphrey Bogart, transformado em ícone do herói romântico graças à sua atuação como Rick, dava conselhos ao tímido personagem de Woody Allen. Mas há outros detalhes importantes que ajudaram a construir a aura de fascínio que permeia todo o filme. A época de seu lançamento, em 1942 – no auge da Segunda Guerra Mundial – e o clima de tensão constante sobre os rumos do conflito encontrou refúgio neste drama escapista que possui aquele que é considerado o melhor roteiro já escrito.

Segundo Danny Peary, crítico e autor de diversos livros sobre cinema, “talvez seja o único filme que preencha os requisitos dos chefões dos grandes estúdios para o que deva ser um filme de divertimento”. De fato, “Casablanca” tem ação, aventura, coragem, perigo, espionagem, um cenário exótico, amizade, humor, intriga, um triângulo amoroso bem definido, patriotismo, política, romance, sacrifício, sentimentalismo, uma canção-tema, suspense, um vilão terrível, guerra e o mais romântico final.

Dizem que o diretor Michael Curtiz conseguiu parte do clima de tensão e mistério do filme fazendo com que os próprios atores ignorassem o final, até o momento de rodar a última cena, Mas para o grande sucesso do filme, também há que destacar as atuações memoráveis de Bogart e Ingrid (que nunca mais trabalharam juntos) e a colaboração de um punhado de coadjuvantes do primeiro time de Hollywood. Por trás das câmeras, a equipe técnica também é uma reunião de grandes talentos, desde a fotografia em preto e branco de Arthur Edeson à música do célebre Max Steiner, compositor da música de “E o Vento Levou”, passando pela direção de arte de Carl Jules Weyl e os figurinos caprichados de Orry-Kelly. O roteiro de “Casablanca”, escrito por Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch é uma adaptação da peça que nunca chegou a ser produzida “Everybody Goes to Rick’s”, escrita por Murray Burnett e Joan Allison. “Casablanca” ganhou o Oscar de Filme, Direção e Roteiro Adaptado.

O Diretor Michael Curtiz

Mihaly Kertész, mais conhecido como Michael Curtiz, nasceu em Budapeste, na Hungria, em 24 de dezembro de 1888. Cursou a Academia Real de Teatro e Arte, e aos 18 anos já trabalhava como ator de Teatro e em seguida no Cinema. Por volta de 1912, já dirigia os primeiros filmes. Após a Primeira Guerra Mundial, refugiou-se na Alemanha e na Áustria. Em Viena, produzido pelo compatriota Alexander Korda, mais tarde grande produtor na Inglaterra, dirigiu o épico “Sansão e Dalila”, e filmou em vários países, até que, em 1926, o produtor Jack Warner o levou para Hollywood.

Curtiz fez cerca de 100 filmes para a Warner, mostrando que era um cineasta de qualidades criativas acima dos esquemas de produção do estúdio – realizou grandes trabalhos em todos os gêneros, inclusive aqueles que se tornaram seus cartões de visita nos anos 30: “Anjos de Cara Suja”, “Capitão Blood” e “As Aventuras de Robin Hood”. Curtiz identificou-se com o sistema de trabalho dos grandes estúdios, era conhecido como diretor de mão de ferro, isto é, um verdadeiro ditador nos sets de filmagens, e era odiado por atores e por técnicos por conta de seu gênio difícil. Ficou famoso pela incrível versatilidade com que alternava filmes de ação e aventura com dramas, romances, westerns e até musicais. Sua primeira indicação ao Oscar veio com “Anjos de Cara Suja”, de 1938, mas ganharia a estatueta apenas em 1943, com “Casablanca”. Seu último filme foi “Os Comancheiros”, de 1962, estrelado por John Wayne. Michael Curtiz faleceria naquele mesmo ano, em Los Angeles. Leia mais sobre Michael Curtiz em Histórias de Cinema.

Os Astros
Humphrey Bogart

Humphrey Bogart nasceu em Nova York, em 25 de dezembro de 1899, em família rica. Seu primeiro filme foi o curta-metragem “Broadway Like That”, de 1930, mas ficou famoso como ator de teatro, graças à peça de Robert E. Sherwood, “The Petrified Forest”, que o levou para as telas quando o diretor Archie Mayo realizou uma versão cinematográfica na qual Bogart repetiu seu papel dos palcos – o gangster Duke Mantee, uma imagem que perseguiu o ator nos filmes seguintes, como “Beco Sem Saída”, “Anjos de Cara Suja” e “Homens Marcados”, mas o colocou abaixo de outros astros da Warner, célebres gângsteres nas telas: E. G. Robinson, James Cagney e George Raft.

Foi graças aos diretores John Huston, Raoul Walsh, Michael Curtiz e Howard Hawks, que o escolheram como protagonista de “Relíquia Macabra”, “Seu Último Refúgio”, “Casablanca” e “À Beira do Abismo”, respectivamente, que Bogie deu uma virada na sua carreira, transformando-se no primeiro ator do estúdio, o modelo perfeito do herói cínico e marcante. Foi casado com a atriz Lauren Bacall, sua quarta mulher, e em 1947, fundou sua própria produtora, a Santana Pictures, responsável pelo clássico “O Tesouro de Sierra Madre”, de John Huston, de 1948. O ator ganharia seu Oscar apenas em 1951, com outro filme de Huston, “Uma Aventura na África”. Faleceu dormindo, em 14 de janeiro de 1957, em sua casa, em Hollywood.

Ingrid Bergman

Ingrid Bergman nasceu em Estocolmo, capital da Suécia, em 29 de agosto de 1915. Desde cedo, começou a atuar no Teatro, e em 1934, fez sua estréia no cinema, tornando-se a amior estrela de seu país. Em 1939, David O. Selznick a convidou para trabalhar em Hollywood, transformando-a em uma estrela mundial. Em 1943, estrelou ao lado de Bogart o clássico “Casablanca”. Em seguida, atuou em vários sucessos: “Por Quem os Sinos Dobram”, “À Meia Luz”, “Quando Fala o Coração”, “Interlúdio” e “Joana D’Arc”, este último de 1948. Nessa época, após assistir “Roma, Cidade Aberta”, Ingrid manifestou o desejo de filmar com o diretor italiano Roberto Rossellini, com quem passou a viver, abandonando o marido, com quem havia casado ainda na Suécia, o dentista Peter Aron Lindstrom, com quem tinha uma filha. O escândalo foi agravado quando a atriz teve um filho com o cineasta, antes de se casarem, o que a afastou do cinema americano. O casamento com Rossellini rendeu seis filmes e mais as gêmeas Ingrid e Isabella, e terminou com “Romance na Itália”, de 1954, o último filme que fizeram juntos.

O Oscar de atriz por “Anastasia, a Princesa Esquecida”, dirigido por Anatole Litvak em 1956, reabriu as portas de Hollywwod para a atriz, então casada com o empresário sueco Lars Schmidt, o que lhe permitia escolher os papéis que a interessavam, como “Indiscreta”, “Assassinato no Expresso Oriente”, que lhe rendeu um Oscar de Atriz Coadjuvante em 1974, e “Sonata de Outono”, seu único filme com o diretor e compatriota Ingmar Bergman, de 1978. Durante as filmagens, Ingrid descobriu que sofria de câncer. Mesmo assim e contra as ordens médicas, atuou na minissérie para TV “Golda”, no papel da estadista israelense Golda Meir. Ingrid morreu em casa, no dia de seu aniversário, em 1982, aos 67 anos.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0034583/

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